Classificação - Prêmios Professor Samuel Benchimol e Banco da
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Classificação - Prêmios Professor Samuel Benchimol e Banco da
PRÊMIOS Professor Samuel Benchimol e Banco da Amazônia de Empreendedorismo Consciente 2011 Presidência da República Dilma Rousseff Presidenta Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior Fernando Damata Pimentel Ministro Nelson Akio Fujimoto Secretário de Inovação Banco da Amazônia Abidias José de Sousa Junior Federação das Indústrias do Estado do Amapá Telma Lúcia de Azevedo Gurgel Presidente Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas Luiz Eduardo Pereira Barretto Filho Presidente Federação das Indústrias do Estado do Amapá Banco da Amazônia PRÊMIOS Professor Samuel Benchimol e Banco da Amazônia de Empreendedorismo Consciente 2011 Apoio: Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior Secretaria de Inovação Amapá, AP 2011 Exemplares dessa publicação podem ser adquiridos na: Federação das Indústrias do Estado do Amapá Avenida Padre Júlio Maria Lombard, 2000 Bairro Santa Rita, Macapá, AP CEP: 68900-030 Tel.: (096) 3084-8906, Fax: (096) 3084-3907 Banco da Amazônia Av. 7 de Setembro, 397 Centro, Manaus, AM Telefone: (92) 3633-2550 Coordenação editorial José Rincon Ferreira e Lillian Maria Rezende Alvares Projeto gráfico e editoração eletrônica Júlio César da Silva Delfino Capa e design de divulgação Glauber Gomes da Penha Maria Todos os direitos reservados A reprodução não autorizada desta publicação, no todo ou em parte, constitui violação dos direitos autorais (Lei no 9.610). Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) BRASIL. Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Prêmios Professor Samuel Benchimol e Banco da Amazônia de Empreendendorismo Consciente 2011 / Miistério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. – Macapá: Banco da Amazônia/FIEAP, 2011. 300p. 1. Desenvolvimento sustentável. 2. Meio ambiente. 3. Empreendedorismo consciente. 4. Amazônia. 5. Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. 6. Banco da Amazônia. 7. Federação das Indústrias do Estado do Amapá. III. Título. APRESENTAÇÃO O ano de 2011 tornou-se singular para a Federação das Indústrias do Estado do Amapá. Entre outras realizações, pela primeira vez, a FIEAP tem a satisfação de sediar os Prêmios Samuel Benchimol e Banco da Amazônia de Empreendedorismo Consciente, cuja trajetória iniciada em 2004 na Federação das Indústrias do Estado do Amazonas, coroa esse ano na cidade de Macapá a realização do evento em todas as federações de indústria da Região Amazônica. Alguns desses momentos foram significativos para a consolidação dos Prêmios, como à época do crescimento da Comissão Julgadora para garantir representatividade e expressão de todos os estados amazônicos. Outros, na superação das dificuldades, como nesse ano quando um acidente técnico com os sistemas de informática foi responsável pela perda temporária de todas as propostas inscritas. Nesse caso, a Amazônia mostrou-se mais forte que as intempéries. Há ainda aqueles de profunda emoção, como no ano em que perdemos nosso querido presidente da Federação das Indústrias do Estado que recebia a premiação. Enfim, a história dos Prêmios Samuel Benchimol e Banco da Amazônia de Empreendedorismo Consciente vem carregado da própria história da Ação Pró-Amazônia e tem Estado lado-a-lado com os maiores projetos de desenvolvimento da Região. A geração de ideias para o desenvolvimento ambiental, econô mico, social e tecnológico oriundas das propostas que chegam a cada ano, é objeto de análise, tanto do ponto de vista da sustentabilidade e da inovação, como do ponto de vista de soluções emergenciais para problemas que solicitam conclusão. São propostas vindas de todo o Brasil, tanto em auxílio aos históricos problemas econômicos da Região Amazônica, como em reforço à preservação dos recursos naturais; tanto em aporte de ideias para problemas sociais, como em vislumbramento de potencialidades não evidenciadas até então. Enfim, é o Brasil pensando a Amazônia. Outro marco em 2011 é a comemoração do Ano Internacional da Floresta, idealizado pela Organização das Nações Unidades, a fim de criar as condições necessárias para a consciência pública dos problemas que afetam grande parte das florestas do mundo e as pessoas que delas dependem. Durante esse período, foram estimuladas ações que incentivem a conservação e a gestão sustentável de todas as florestas do planeta e a Floresta Amazônica não foge aos principais problemas encontrados: perda da biodiversidade, agravamento das mudanças climáticas, atividades econômicas ilegais, assentamentos clandestinos, entre outros. De fato, 2011 foi um ano formidável para o amadurecimento da reflexão do desenvolvimento dessa região e no seu último mês, encerra-se com a cerimônia de outorga dos Prêmios Samuel Benchimol e Banco da Amazônia de Empreendedorismo Consciente e com a difusão das abundantes e relevantes informações aqui contidas. Além disso, cabe destacar o lançamento de obra Guerra na floresta, literatura seminal de Samuel Benchimol e do livro O Samuel Benchimol que eu conheci: um homem apaixonado pelo mundo amazônico, de autoria do Ex-Reitor da Universidade Federal do Amapá, Prof. João Renôr Ferreira. Não poderia deixar de manifestar-me especialmente ao lança mento do Monte Roraima, de Samuel Minev Benzecry, bisneto do Prof. Benchimol, que aos 6 anos dá início à sua paixão pela Amazônia. Lembro que o próprio Samuel Benchimol publicou seu primeiro livro em 1942, aos 22 anos. Telma Gurgel Presidente de Federação das Indústrias do Estado do Amapá PREFÁCIO Os Prêmios Prof. Samuel Benchimol e Banco da Amazônia de Empreendedorismo Consciente apresentam neste documento sua oitava contribuição ao desenvolvimento da Região Amazônica. As propostas contidas nas categorias ambiental, econômico-tecnológica, social, personalidade amazônica, empreendedorismo consciente, empresas na Amazônia, projetos estruturantes, educacional e empresarial são a resultante tanto de esforço da ciência e da tecnologia para a solução inovadora de problemas persistentes e novas perspectivas de desenvolvimento, como de ideias criativas oriundas de brasileiros de todo o país. Os projetos agraciados decorrem de uma avaliação das candidaturas por uma Comissão Julgadora de alto nível, integrada dentre outros por reitores e ex-reitores, empresários e secretários de Estado da Região Norte. Seus membros conhecem profundamente a Amazônia e todas as suas vicissitudes. Às propostas agraciadas com os primeiros lugares, todos os esforços virão para que sejam concretizadas e potencializadas em toda sua plenitude. Entretanto, não só elas são valiosas. A maioria incontestável das propostas que chegam aos Prêmios são ricas em conhecimento, criatividade, empreendedorismo, solução, inovação, expectativas, especificação, enfim, são riquezas inestimáveis que todo o ano se renovam à época dessa importante premiação. É uma honra para o Banco da Amazônia apoiar essa iniciativa e apresentar esse fascículo com a síntese de todas as propostas apresentadas. Ao prefaciar a obra, quero manifestar que em 2011, os Prê mios inovaram. Concretizou-se a criação da categoria Suporte ao Desenvolvimento Regional, no qual se inserem, além das Empresas para a Amazônia, os projetos de Erradicação da Miséria e Educação. É preciso reconhecer que a Região Amazônia não se desenvolverá sem que a pobreza e a miséria sejam extirpadas. O débito social, a desigualdade interregional, regional e alguns focos de pobreza têm sido o principal entrave para o desenvolvimento da Região. Há que se reconhecer, no entanto, que as políticas públicas dos últimos anos reverteram consideravelmente esta situação. Nesse contexto, destaco o compromisso de erradicação da miséria, como uma das principais metas da Presidência da República e a sua ressonância no aparato governamental. Em especial, os desafios de integrar a população amazônica em projetos de educação consistentes e compatíveis com o desenvolvimento tecnológico, aliados ao desen volvimento sustentável e a inovação. Ao se inserir o reconhecimento a projetos de erradicação da miséria e de estímulo à educação no contexto dos Prêmios Prof. Samuel Benchimol e Banco da Amazônia de Empreendedorismo Consciente, a iniciativa alça a um novo patamar: o de dar visibilidade e multiplicar ações de desenvolvimento para a Amazônia mais capaz e competitiva. Nesse momento, e tão oportunamente, quero destacar a realização em todo o mundo da Semana Global do Empreendedorismo, que na Região Amazônica é coordenada magistralmente pela Amazon Sat. Tal movimento internacional acontece todos os anos no mês de novembro em 104 países. Os países envolvidos na iniciativa, da qual o Brasil tomou parte em 2008, acreditam que é possível transformar o mundo por meio do empreendedorismo, despertando o espírito empreendedor de milhões de pessoas ao redor do mundo. O que são os Prêmios Prof. Samuel Benchimol e Banco da Amazônia de Empreendedorismo Consciente que não iniciativas empreendedoras estimulando o pensar a Amazônia em toda a sua grandeza e em bases sustentáveis, a partir da contribuição de todos os cidadãos do mundo conscientes de seu dever com o planeta? Abidias José de Sousa Junior Presidente do Banco da Amazônia SUMÁRIO Capítulo 1 – Cobras e Buiuçus..................................................... xx Capítulo 2 – Comissão Julgadora............................................... xx Capítulo 3 – Propostas Agraciadas............................................. xx Prêmio Professor Samuel Benchimol.................................. 25 Categoria Ambiental.......................................................... 27 1o colocado: Ricardo Adaime da Silva 2o colocado: Marco Antonio Amaro 3o colocado: Danielle Cristina Buhães Arruda Categoria Econômico-Tecnológica.................................... 37 1o colocado: Maria Katherine Santos de Oliveira 2o colocado: Renilto Frota Corrêa 3o colocado: Consuelo Alves da Frota Categoria Social................................................................. 65 1o colocado: Ires Paula de Andrade Miranda 2o colocado: Liliane Aparecida Robacher 3o colocado: Jadir de Souza Rocha, Cynthia Lins Falcone Pontes, Vania Maria Oliveira da Camara, Katia B. Loureiro Ramos, Tereza Maria Farias Bessa Categoria SDR Empresarial e Educacional........................ 65 1o colocado: Centro de Formação Interdisciplinar 2o colocado: Oscar Zalla Sampaio Neto 3o colocado: Mônica de Nazaré Corrêa Ferreira Categoria Personalidade Amazônica: Márcia Perales Mendes da Silva........................................ 71 Prêmio Banco da Amazônia de Empreendedorismo Consciente...................................... 25 Categoria Empreendedorismo Consciente........................ 27 1o colocado: Carlos Meigue Cardoso Ferreira 2o colocado: Ecio Rodrigues da Silva 3o colocado: Jacqueline Pompeu ABrunhosa Categoria Projetos Estruturantes....................................... 37 1o colocado: Flávio José Aguiar Soares Categoria Empresas na Amazônia..................................... 65 1o colocado: SECT / AM Capítulo 4 – Propostas Apresentadas........................................ xx Prêmio Professor Samuel Benchimol.................................. 25 Categoria Ambiental.......................................................... 27 Categoria Econômico-Tecnológica.................................... 37 Categoria Social................................................................. 65 Categoria Personalidade Amazônica.................................. 71 Prêmio Banco da Amazônia de Empreendedorismo Consciente...................................... 225 Categoria Empreendedorismo Consciente........................ 27 Categoria Empresa na Amazônia....................................... XX Categoria Projetos Estruturantes....................................... 37 Categoria Suporte ao Desenvolvimento Regional: Educacional........................................................................ 65 Categoria Suporte ao Desenvolvimento Regional: Empresarial........................................................................ XX Capítulo 5 – Comissão Organizadora......................................... XX PRÊMIOS Professor Samuel Benchimol e Banco da Amazônia de Empreendedorismo Consciente 2011 Capítulo 1 Cobras e Buiuçus 12 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 13 14 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 15 16 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 17 18 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 19 PRÊMIOS Professor Samuel Benchimol e Banco da Amazônia de Empreendedorismo Consciente 2011 Capítulo 2 Comissão Julgadora 22 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL ABIDIAS JOSE DE SOUZA JUNIOR ABRAHIM BAZE ADALBERTO DE CARVALHO RIBEIRO ALBERTINO CARVALHO ALDEMURPE OLIVEIRA DE BARROS ALFREDO KINGO O. HOMMA ANIBAL TURENKO ANTONIO BATISTA RIBEIRO NETO ANTONIO CLAUDIO A. DE CARVALHO CLAUDIO ROBERTO PINHEIRO ARAUJO CLOVIS WALTER RODRIGUES DALTON CHAVES VILELA JÚNIOR EVANDRO MONTEIRO BARROS FÁTIMA CHAMMA GUALTER LEITAO HUGO TANIMOTO JADSON PORTO JAIME BENCHIMOL JAIR MAX FURTUNATO MAIA JOAO LUIZ SILVA JORGE IVAN REBELO PORTO JOSE AVANDO SOUSA SALES LAILSON LEMOS LIDIANE RODRIGUES VIEIRA LUIZ AUGUSTO M. AZEVEDO MARCILIO DE FREITAS MARCOS FORMIGA MARCOS XIMENES PONTE MARIA JOSE MONTEIRO MARILENE CORREA DA S. FREITAS NEUSA M. LOBATO RODRIGUES PHELIPPE DAOU JUNIOR RAPHAEL B. DI SALVI RODRIGUES RICARDO PIANTA ROBERTO RAMOS SANTOS ROGERIO MAURO MACHADO ALVES RONALDO MOTA SILAS MOCHIUTTI SILVIO PERSIVO WILSON COLARES PRÊMIOS Professor Samuel Benchimol e Banco da Amazônia de Empreendedorismo Consciente 2011 Capítulo 3 Propostas Agraciadas Categoria Ambiental – Classificação Candidato: Ricardo Adaime da Silva Instituição: Embrapa Amapá Cidade/Estado: Macapá - AP 1o lugar Projeto: Controle biológico de moscas-das-frutas na Amazônia Candidato: Marco Antonio Amaro Instituição: Universidade Federal do Acre Cidade/Estado: Rio Branco - AC 2o lugar Projeto: Ciliar Só-Rio Acre: agricultura familiar na bacia hidrográfica do rio acre Candidato: Danielle Cristina Bulhâes Arruda Instituição: Universidade Federal do Pará Cidade/Estado: Bragança - PA 3o lugar Projeto: Estudo do ciclo de vida de espécies de caranguejos na Região Nordeste Paraense PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE Categoria Econômico-Tecnológica – Classificação Candidato: Maria Katherine Santos de Oliveira Instituição: Particular Cidade/Estado: Manaus - AM 1o lugar Projeto: Desenvolvimento de equipamentos para o beneficiamento primário de guaraná Candidato: Renilto Frota Corrêa Instituição: Universidade Federal do Amazonas Cidade/Estado: Manaus, AM 2o lugar Projeto: A cura da cárie dentária é possível: fitoterápicos odontológicos da Amazônia Candidato: Consuelo Alves da Frota Instituição: Universidade Federal do Amazonas Cidade/Estado: Manaus, AM 3o lugar Projeto: Resíduos da construção civil regional como agregados para os pavimentos na Região Norte 25 26 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL Categoria Social – Classificação Candidato: Ires Paula de Andrade Miranda Instituição: Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia Cidade/Estado: Manaus - AM o 1 lugar Projeto: Metodologia inovadora de disseminação do conhecimento científico e tecnológico: criação de núcleo itinerante de apoio educacional informal para a modernização da agricultura familiar de comunidades rurais do estado do Amazonas Candidato: Liliane Aparecida Robacher Instituição: Amapá Projetos Sustentáveis Cidade/Estado: Macapá, AP 2o lugar Projeto: Requalificação urbana e ambiental na área habitacional da zona portuária baixada do Ambrósio, Santana, AP Candidato: Jadir de Souza Rocha, Cynthia Lins Falcone Pontes, Vania Maria Oliveira da Camara, Katia B.Loureiro Ramos, Tereza Maria Farias Bessa Instituição: Instituto Nacional de Pesquisas na Amazônia (Inpa) 3o lugar Cidade/Estado: Manaus, AM Projeto: Aproveitamento de fibras vegetais para a construção sustentável PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE Categoria Personalidade Amazônica – Classificação Candidato: Márcia Perales Mendes da Silva Instituição: Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia (SECT/AM) 1o lugar Cidade/Estado: Manaus - AM Projeto: 27 28 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL Categoria Empreendedorismo Consciente – Classificação Candidato: Carlos Meigue Cardoso Ferreira Instituição: Universidade Federal do Pará Cidade/Estado: Belém - PA 1o lugar Projeto: Desenvolvimento de material proveniente do reaproveitamento dos resíduos sólidos urbano para aplicação na construção civil, arquitetura, logística, entre outras Candidato: Ecio Rodrigues da Silva Instituição: Universidade Federal do Acre 2o lugar Cidade/Estado: Rio Branco, AC Projeto: Projeto Paca de Acrelândia, AC Candidato: Jacqueline Pompeu Abrunhosa Instituição: Universidade Federal Rural da Amazônia Cidade/Estado: Belém, PA 3o lugar Projeto: Aproveitamento dos resíduos de peixe: em busca da emancipação socioeconômica de mulheres pescadoras da Baía do Sol, Ilha de Mosqueiro, PA PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 29 Categoria Projetos Estruturantes – Classificação Candidato: Flávio José Aguiar Soares Instituição: Ifam/Cmdi Cidade/Estado: Manaus - AM 1o lugar Projeto: Desenvolvimento de um sistema de estabilização transversal para embarcações regionais na Amazônia 30 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL Categoria Empresas na Amazônia – Classificação Candidato: SECT / AM Instituição: Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia (SECT/AM) 1o lugar Cidade/Estado: Manaus - AM Projeto: Pentop PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 31 Categoria SDR Empresarial e Educacional – Classificação Candidato: Centro de Formação Interdisciplinar Instituição: Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa) 1o lugar Cidade/Estado: Santarém - PA Projeto: Universidade Federal do Oeste do Pará Candidato: Oscar Zalla Sampaio Neto Instituição: Universidade Federal de Mato Grosso Cidade/Estado: Cuiabá - MT 2o lugar Projeto: Sistema integrado de inovação tecnológica social - assentamento (sitecs - assentamento) Candidato: Mônica de Nazaré Corrêa Ferreira Nascimento Instituição: Universidade Federal Rural da Amazônia Cidade/Estado: Belém, PA 3o lugar Projeto: Creche-escola sustentável, no assentamento Abril Vermelho, em Santa Bárbara do Pará: uma construção no campo PRÊMIOS Professor Samuel Benchimol e Banco da Amazônia de Empreendedorismo Consciente 2011 Capítulo 4 Propostas Apresentadas 34 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL Categoria Ambiental Projeto: Destino adequado para os caroços de açaí: um modelo sustentável para a Amazônia A-01 O açaí, (Euterpe oleracea, Mart), pertence à família das Arecaceae, palmeira típica da floresta de várzea da Região Amazônica, predomina no Brasil de forma espontânea nos estados do Pará, Amapá, Maranhão e leste do Amazonas, estendendo-se ainda pelas Guianas, Colômbia, Equador e Venezuela. Pela sua abundância, representa grande importância sócioeconômica para a Amazônia, pois serve de subsistência ao homem do campo, que de forma prática o aproveita na sua quase totalidade. No Pará a agroindústria do açaí é uma das cadeias produtivas mais importantes para o Estado, uma vez que, apenas na cidade de Belém existem cerca de três mil estabelecimentos que comercializam o açaí já processado, atendendo a um consumo diário de 440 mil quilos do fruto (Ibge, 2007), e gerando um excedente de 365 toneladas por dia de lixo orgânico, constituído principalmente de caroços, descartados em aterros sanitários e cursos d´água (Farinas, S. C. et al., 2009). Assim, possivelmente em função dos problemas ambientais, necessidade de desenvolvimento sustentável bem como do avanço nas pesquisas cientificas é perceptível o aumento no interesse em estudos interdisciplinares com uso apenas do caroço (endocarpo e amêndoa), que representa cerca de 80% a 85% do fruto, e constitui o chamado resíduo do açaí. Este resíduo muitas vezes é descartado nas calçadas, a espera da coleta regular de lixo; ou em terrenos desocupados nas proximidades das batedeiras, ou em locais próximos aos córregos de rios e lagos, e como aterro nas áreas de ressacas gerando assim grave problema ambiental e de saúde publica, além do desperdício de matéria prima que pode ser utilizada entre outros, na geração de energia e na constituição de produtos oleiros. Nesse sentido, (Rodrigues et al., 2010), em levantamentos de dados de produção de resíduos de biomassa realizados, indicaram PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 35 uma produção anual de 233.457ton de casca de cacau, 93.521ton de caroço de açaí e 528.175ton de serragem no Estado do Pará, e que produção de briquetes é uma das melhores alternativas de utilização do potencial de biomassa, pois, por meio desta, e possível estocar estes resíduos, e assim fazer a prevenção da escassez dos períodos de entre safra, referem também que e possível melhorar suas características termofísicas, principalmente quando se usa mais de uma matéria prima na fabricação dos briquetes (briquetes compostos). E ainda que sua queima pode ser controlada para geração de baixa emissão de CO2. Apesar dos avanços tecnológicos na geração e distribuição de energia elétrica, cerca de um terço da população mundial ainda não possui acesso a esse recurso (Aneel, 2002). O Brasil não foge desta realidade, pois existe ainda um grande contingente de pessoas que vivem distante dos centros urbanos sem as mínimas condições de infraestrutura. (Freitas et al., 2006), e suprimento de energia é considerado uma das condições básicas para o desenvolvimento econômico e progresso das Nações. Silveira, 2000, (apud Freitas et al, 2006) Dentre as fontes alternativas, a biomassa representa cerca de 14% da energia utilizada no mundo (35% da energia nos países em desenvolvimento) Cortez et al., 1997 (apud Freitas et al., 2006)) e é abundante na Amazônia. Nesse contexto, sabe-se que existem comunidades na área rural que não são abastecidas de energia elétrica, o que as impede de beneficiarem seus produtos, prejudicando de maneira decisiva o seu desenvolvimento econômico. Dessa forma, considerando a possibilidade de uso desse resíduo de forma otimizada, este projeto propõe investigar o destino dos caroços de açaí que são descartados de forma inadequada pelas despolpadoras (batedeiras) em Macapá, bem como encontrar respostas para fazer o direcionamento adequado desse resíduo, buscando encontrar medidas que possam facilitar sua coleta e conseqüente aproveitamento em larga escala e assim diminuir os impactos ambientais decorrentes dessa prática. 36 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL Projeto: Aproveitamento sustentável do caroço de tucumã (Astrocaryum aculeatum) na descontaminação de compartimentos ambientais A-02 Os recursos naturais da Amazônia e de todo o planeta, principal mente a água, o solo, a fauna e a flora são elementos fundamentais, já que seus múltiplos usos são indispensáveis ao desenvolvimento de todos os seres vivos. A preocupação com a poluição desses recursos naturais na Região Amazônica se deve aos problemas ambientais causados pelas diversas atividades antrópicas. As atividades industriais e agropecuárias contribuem para o aumento da contaminação de águas e solos e sendo assim, torna-se indispensável um estudo ambiental focado visando uma proposição da recuperação destes recursos naturais. Dentro dos princípios de um desenvolvimento sustentável, tem-se como regra que a química deve manter e melhorar a qualidade de vida. Um caminho viável seria desenvolver metodologias e processos para a descontaminação de rios, lagoas, mananciais e solos agricultáveis. Vários processos são utilizados para remoção de metais, agrotóxicos e outros contaminantes, dentre os quais: precipitação química, troca iônica, adsorção em carbono ativado, biossorção, processo de separação através de membrana e extração com solvente (Demirbas, 2008). O tratamento inadequado de efluentes industriais e a aplicação indiscriminada de insumos agrícolas (fertilizantes e agrotóxicos) têm contribuído de forma marcante para o agravamento de problemas ambientais, notadamente nos grandes centros urbanos. Como evidência deste fato, destaca-se o destino final dos resíduos industriais que constitui tarefa potencialmente poluidora do meio ambiente: principalmente águas superficiais e solos. As atividades agropecuárias e os efluentes industriais, humanos e outros, exercem papel preponderante na contaminação do ecossistema terrestre e do ambiente aquático natural. A água e o solo são particularmente vulneráveis à contaminação por vários descartes industriais, inclusive contendo agrotóxicos e metais pesados (Sharma, 2006). Estes recursos naturais são muito utilizados sendo fundamentais para a existência e manutenção da vida e, portanto, deve estar presente PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 37 no ambiente em quantidade e qualidade apropriadas (Alves, 2006). O monitoramento de espécies químicas consideradas poluentes é importante para o conhecimento dos mecanismos e processos que têm lugar no ecossistema, envolvendo o meio ambiente. Dentro deste contexto, é inquestionável o papel das ciências ambientais em atuar na área de monitoramento de contaminantes fornecendo métodos analíticos que sejam eficientes, rápidos e precisos. Esta é uma parte crítica da ciência concernente à prevenção da poluição industrial no que tange à promoção da remediação e descontaminação de áreas arriscadas (Vijayaraghavan, 2009). Devido à relevância toxicológica dos metais pesados e dos agrotóxicos, bem como das fontes potenciais de introdução destes no ambiente, torna-se necessário, a busca pelo desenvolvimento de metodologias simples e de baixo custo, que permitam removê-los do meio ambiente ou fazê-los ficarem dentro dos teores máximos permitidos pela legislação. Além de um acompanhamento da qualidade das águas e solos da Região Amazônica, faz-se necessário a busca de meios sustentáveis para a remediação destes compartimentos ambientais contaminados. Existem muitas alternativas que possibilitam a recuperação dos recursos naturais e uma opção para remoção de contaminantes é o processo de adsorção, especialmente quando se usam adsorventes naturais, tais como os co-produtos agroindustriais. Vários resíduos marinhos e agroindustriais, dentre eles casca de crustáceos como fonte de quitina e quitosana (Gonçalves JR., 2010); bagaço de cana (Dragunski, et al., 2010); resíduos de café (Orhan; Buyukgungor, 1993); casca de amendoim (Johnson et al., 2002 e Hashem et al., 2005); casca de coco (Babarinde, 2002); sabugo de milho (Vaughan et al., 2001); caule de girassol (Hashem et al., 2006); folhas de milho (Ahalya et al., 2003); cascas de laranja e banana (Vaughan et al., 2001), dentre outros tais como lã, azeite, agulhas de pinho, cascas de amêndoas, folhas de cactos, carvão (Hashem et al., 2006), estão sendo investigados como adsorventes naturais alternativos. A Amazônia apresenta inúmeras espécies nativas de plantas frutíferas que apresentam potencial econômico, tecnológico e nutricional, que vem despertando o interesse de estudos científicos em diversificadas áreas (Clement, 2005). Neste contexto, encontra-se a cultura do tucumã (Astrocaryum aculeatum), conhecida popularmente pelo nome de tucumanzeiro que é encontrado em ecossistema de terra firme da Amazônia central e ocidental, em ambientes degradados e de vegetação secundária (Fao, 1987). 38 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL O fruto é uma drupa globosa ou ovóide, cujo mesocarpo é fibroso e de coloração amarelo-alaranjada, contendo alto teor de pró-vitamina A (Aguiar et al., 1980; Marinho; Castro, 2002), lipídios e energia (Aguiar, 1996; Yuyama et al., 2005). A polpa é apreciada e consumida pela população na forma in natura ou como recheio de sanduíches, tapioquinha, cremes e sorvetes (Bacelar-Lima, 2006). Os frutos do tucumã, especialmente a polpa, são utilizados na alimentação humana e a casca para alimentação de animais, as folhas e estipes na construção de casas pelas populações do interior da Amazônia (Miranda, 2001). O comércio da polpa é intenso e representa emprego e renda para milhares de famílias. O caroço, após a obtenção da polpa é descartado como lixo. A casca do caroço (37,8% do peso do caroço semi-desidratado) in natura ou transformada em carvão é um excelente combustível sólido e poderá ser usada como fonte parcial de energia para extração do óleo. Da amêndoa do Tucumã (61% do peso do caroço semi-desidratado) extrai-se, com hexano, um óleo (40-50% em peso) cujos ácidos graxos que compõem os triglicerídios são 90% saturados e de cadeias carbônicas médias e curtas. Essas características moleculares do óleo, o alto rendimento em óleo, o alto consumo da polpa e o descarte do caroço como lixo (matéria-prima para obtenção do óleo) facilitam (concentração local da matéria-prima) e favorecem (matéria-prima sem preço) a utilização da amêndoa do tucumã para a obtenção do óleo e posteriormente a produção do biodiesel (Figliulo, 2004). A viabilização técnica e econômica da utilização da matéria prima “caroço do Tucumã,” para a extração do óleo uso na produção de biodiesel, exigiu o desenvolvimento, a adequação e a otimização de equipamentos e de técnicas de processamento da matéria prima, além de apresentar como um problema, o descarte dos resíduos dos caroços após a extração do óleo (Fukuda, Kondo, Noda, 2001). Diante do exposto e considerando que o caroço de Tucumã tem se destacado como uma excelente alternativa na produção de óleo para fabricação de biodiesel e desta forma, este projeto visa à utilização do resíduo dos caroços deste fruto amazônico após a extração do óleo. Desta forma, esta proposta propõe a preparação e utilização de um material adsorvente alternativo, proveniente do caroço do fruto de tucumã (Astrocaryum aculeatum) após a extração do óleo. O caroço de tucumã é o co-produto do beneficiamento deste fruto, sendo que os resíduos originados da utilização desta cultura não PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 39 têm sido aproveitados adequadamente e o descarte deste material na natureza tem causado uma preocupação ambiental na Amazônia. O objetivo principal deste trabalho é utilizar estes resíduos na preparação de um material com alta capacidade de adsorção e desta forma obter alta eficiência na redução das concentrações de metais pesados tóxicos e agrotóxicos utilizando este biossorvente alternativo e sustentável na remediação e descontaminação de águas e solos contaminados. Sendo assim, esta proposta estará incentivando uma maior produção de Tucumã e o total aproveitamento do fruto, de forma que a casca poderá ser aproveitada como ração para alimentação animal, a polpa utilizada na culinária tradicional e o caroço aproveitado na extração de óleo para fabricação de biodiesel, que poderá ser utilizado na geração de energia elétrica das comunidades mais distantes e finalmente o resíduo dos caroços, chamado de torta, será transformado em material adsorvente alternativo e sustentável. Assim, este projeto visa consolidar esta cultura como uma cadeia produtiva sustentável e integral representando também uma fonte de renda alternativa buscando o desenvolvimento sustentável da Região Amazônica e tem como objetivo mostrar como o meio ambiente pode ser utilizado de forma racional e responsável, permitindo a regeneração contínua dos recursos naturais. Projeto: O Descarte Correto é uma empresa social de alternativas avançadas para a gestão de reciclagem e destinação segura do lixo tecnológico A-03 O Descarte Correto é uma empresa social de alternativas avançadas para a gestão de reciclagem e destinação segura do lixo tecnológico. Pioneiro na Amazônia, o Descarte Correto está localizado em Manaus com objetivo que governos, empresas e população geral possam doar seus equipamentos obsoletos ou danificados para um Descarte Correto. O mesmo pode ser feito por empresas de qualquer porte que, em se tratando de grande volume, o Descarte Correto providenciará a logística para esta doação. Pequenas quantidades 40 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL podem ser descartadas nos pontos de coletas, localizados em diversos bairros de Manaus. Na prática, os equipamentos são completamente desmontados e cada componente é devidamente classificado: bom (B), danificado (D) e irrecuperável (I). Os informáticos, quando em bom Estado, são transformados em computadores pessoais. A experiência tem mostrado que em cada lote doado de 30 computadores é possível recuperar bons componentes para a montagem de 10 computadores em condições de servir, por longos meses, aos centros de inclusão digital, escolas criadas em parceria com o CDI Amazônia em comunidades carentes ou mesmo a criação de uma nova escola, facilitando o acesso e promovendo a inclusão digital de jovens e adultos destas comunidades, processo que chamamos de Destino Social. Os componentes danificados são encaminhados ao Laboratório de Análises do Descarte Correto para uma classificação definitiva. No caso de componentes irrecuperáveis, o Descarte Correto selecionará e os encaminhará para as empresas de reciclagem (logística reversa) que trabalham especificamente com cada um deles, processo que chamamos de Destino Sustentável. A-04 Projeto: Botos do Pará: estudos sobre as matanças de botos para uso da sua carne e órgãos como isca na pesca da piracatinga e na confecção de afrodisíacos na área de influência dos rios Amazonas e Tapajós Em toda a bacia Amazônica os golfinhos de Rio, boto-rosa (Inia geoffrensis) e tucuxis (Sotalia fluviatilis), exibem sua beleza perpetuando o misticismo que os imortalizaram ao longo dos tempos. Crenças e lendas associadas a estes animais influenciam direta ou indiretamente o quotidiano dos caboclos ribeirinhos da Amazônia ainda hoje. Se os botos eram no passado considerados animais de veneração e devoção, desde há cerca uma década a realidade é bem diferente. Desde o ano 2000, um novo tipo de técnica de pesca envolvendo a morte ilegal de botos tornou-se uma prática normal entre as comunidades ribeirinhas ao longo do Rio Amazonas. Evidencias mostram que esta atividade é já prática diária no Estado do Amazonas, PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 41 no entanto a mesma vem já se expandindo e acontecendo desde 2007 no Estado do Pará, em muitas comunidades de vários municípios do Oeste do Pará. A matança dos animais é violenta, cruel e atroz, empregando arpões, terçados e paus nos animais até a sua morte. Esta carnificina é a conseqüência da técnica de caça da piracatinga (Calophysus macropterus), um peixe onívoro que se alimenta à base de matéria orgânica morta. Depois de mortos, a carne dos botos e jacarés é usada como isca para atrair e capturar a piracatinga. Hoje em dia, esta atividade é um negócio para todos os membros da rede de produção e uma importante fonte de renda para muitos ribeirinhos que participam nesta atividade. Esta proposta almeja agir na proteção eficiente das espécies que estão a ser abatidas, contra o crime ambiental que está sendo cometido, e pensar em métodos de pesca alternativos para esta atividade, prevenindo assim impactos ecológicos que a curto e longo prazo poderão ser catastróficos. Além disso, dando continuidade ao projeto de conservação e monitoramento de botos, aprovado e iniciado em 2008 pelo CNPq, e recentemente galardoado com financiamento da mais importante ONG de conservação mundial de cetáceos, Sociedade para a Conservação de Baleias e Golfinhos (WDCS), esperase calcular a densidade populacional de botos existente na região, estudar a ecologia e comportamento dos animais, estudar as relações socioeconômicas existentes entre os Prémio Prof. Samuel Benchimol 2011 Programa Botos do Pará vários elos da rede de produção, estudar as interações entre as atividades humanas e botos, promover a troca de informações e ações de educação ambiental entre os interessados e o público em geral e promover a conservação destes animais. A educação ambiental, atuando em várias frentes (cartilhas, workshop, oficinas pedagógicas, documentário e programa de rádio) vem dar subsídios para o treinamento e capacitação da população ribeirinha, que é o público alvo. Espera-se com este projeto erradicar as mortes de botos e promover a proteção e conservação de botos junto de todos os elementos da rede de produção de piracatinga, das autoridades, e da sociedade em geral e inspirar pescadores a praticarem as pescas com iscas alternativa ou outros tipos de pesca. 42 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL A-05 Projeto: Manejo de solo adequado ao ecótono Amazônia Cerrado, com ênfase na produtividade e sustentabilidade do sistema silvipastoril (babaçúpastagem) O foco da pesquisa é implantar e avaliar os sistemas silvipastoris (SSP) A técnica de produção que integram pastagem e árvores na mesma área (SSP) é alternativa para manter produtividade sustentável e preservação da riqueza florística, além de possibilitar a exploração arbórea. Dentre os principais benefícios para os componentes do sistema solo x planta x animal, destacam-se a conservação da água; a melhoria das propriedades fisicoquímicas e a atividade biológica do solo; o conforto térmico dos animais; a melhoria da dieta e a ciclagem biogeoquímica. Contudo existem carências de entendimento relacionadas às modificações morfofisiológicas, agronômicas e nutricionais das gramíneas, das características de pastejo dos ruminantes e de seu desempenho e das alterações fisicoquímicas do solo e ciclagem de nutrientes em condições de SSP gramínea tropical x floresta de babaçu; além da inconsistência de recomendações do número máximo de plantas ha-¹ e das culturas que viabilizam essa integração Este estudo verificará o efeito do número de palmeiras de babaçu sob as características morfogênicas, agronômicas e nutricionais de cultivares de Brachiarias (Brachiaria brizantha cv. Marandu e Piatã), as características fisicoquímicas do solo e o pastejo e desempenho de carneiros, além da ciclagem de nutrientes pelas palmeiras em região de ecótono Amazônia: Cerrado por avaliação espacial dos atributos. Os dados serão analisados, de acordo a característica resposta, por regressão, teste de média, e pela geoestatística. A-06 Projeto: Realizar ações integradas para obter produções sustentáveis em curto, médio e longo prazos, buscando ganhos sociais, econômicos e ambientais e modelos replicáveis em condições amazônicas Resultado da aliança entre a Assagrir (Associação Agrícola do Ramal do Pau Rosa) e três renomadas instituições locais: Embrapa PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 43 Amazônia Ocidental, Ifam (Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia/zona leste) e Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia). Juntos, construímos o projeto “Tarumã Vida”, o qual é desenvolvido na APA Tarumã-Açu/Tarumã-Mirim, um importante espaço geográfico amazonense, onde as modificações ambientais estão diretamente relacionadas à ocupação humana. Nesta área, estão localizadas duas Unidades de Conservação inseridas no Corredor Ecológico Central da Amazônia, maior área de proteção ambiental contínua do mundo, sendo área piloto do Projeto Corredores Ecológicos do Ministério do Meio Ambiente. Contudo, as principais atividades realizadas são a produção ilegal de carvão vegetal (a partir da mata nativa e capoeiras), exploração inadequada de madeira e prática da agropecuária sem orientação técnica. Resultados divulgados pela UFAM revelaram uma intensificação do desmatamento na área de estudo. A Área de Proteção Ambiental sobreposta ao Assentamento Tarumã-Mirim apresentava taxa de antropização de 5,51% em 1990, que se intensificou ao longo dos anos até 2009 quando registrou uma perda de 12,91% de sua cobertura vegetal, equivalente a 6.727,14 ha. Foi identificado que o Assentamento Tarumã-Mirim ocupa 83% da área da APA, sendo responsável por 78% de todo o desmatamento ocorrido na Unidade de Conservação até o ano de 2009. Grande esforço físico, radiação solar excessiva, calor emitido pelos fornos, inalação de substâncias químicas, são algumas das condições de risco na produção de carvão vegetal identificadas. São lançadas na atmosfera toneladas de compostos químicos. Existem mais de 100 compostos presentes nos gases da carbonização da madeira. Dessa forma, existem perdas sociais e ambientais. A fim de mudar esta realidade, desde 2006, estão sendo desenvolvidas ações integradas para promover a segurança alimentar, a geração de trabalho e renda e a prestação de serviços ambientais em comunidades da referida APA. A tecnologia socioambiental apresentada aqui é a conjunção da produção de hortaliças com agroflorestas, o que tem permitido o enfrentamento da pobreza e da degradação ambiental. A gestão de modelos de produção agroecológica resultou em aumento de renda, produtos saudáveis, reabilitação e preservação ambiental e melhor qualidade de vida para famílias que encontravam-se em risco social. Os assentados aprenderam a empreender, passaram de carvoeiros a empreendedores de tecnologias sociais, de deprepadores ambientais para amigos da natureza. 44 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL O projeto atua em áreas para reabilitação da Reserva Legal e APPs, em áreas degradadas pela produção agropecuária, gera vários serviços ambientais, aferindo retorno econômico, podendo ser replicado em diversas comunidades e utilizando tecnologias de baixo custo. Para aumentar a amplitude do trabalho foi criado o Programa de Educação Agroambiental, para capacitação de jovens e adultos. Sabemos que a educação e o treinamento são responsáveis pela diversidade da capacidade produtiva das pessoas. Pesquisas constatam uma forte associação estatística entre instrução e rendimentos. Mais de 250 pessoas foram treinadas em cursos, dias de campo, palestras e visitas técnicas. Sessenta famílias estão diretamente envolvidas na produção de hortaliças. Dessas famílias, 42 realizaram plantios de árvores. Estimase que o desmatamento evitado é de, pelo menos, 90 ha de floresta/ capoeira por ano, pelo abandono da produção de carvão vegetal. Esse desmatamento evitado equivale às áreas que não foram mais desmatadas, mantendo o carbono estocado e contribuindo com a regulação climática. A tecnologia socioambiental apresentada aqui dispensa o emprego de agrotóxicos, assim como de queimadas e desmatamentos. A tecnologia preserva o solo, a água, reabilita áreas alteradas, como Reserva Legal e Área de Preservação Permanente e permite colheitas a curto, médio e longo prazos. Promove a inclusão social dos indivíduos e os estimula a lutarem pelo interesse comum. As crianças, antes meninas e meninos carvoeiros, participam da execução dessas tecnologias. Estão aprendendo a lidar com o solo e com as plantas e também estão estudando. O uso da tecnologia incentivou o associativismo, o fortalecimento dos laços de confiança, cooperação, solidariedade, novos canais de comercialização de produtos limpos e o combate ao problema da desnutrição. Em 4 anos de existência, a Assagrir recebeu mais de 400 alunos e técnicos de diferentes instituições para conhecer este projeto. Com isso, o trabalho desenvolvido contribui para o fortalecimento da agricultura familiar, por ter ações que estimulam o pertencimento e o empoderamento dos assentados, além de ser um exemplo de que é possível viver com qualidade em harmonia com meio ambiente. Esse modelo de produção agrícola em pequenas propriedades rurais nos permite expandir este projeto às outras comunidades do assentamento ou fora dele. Esse grande potencial de expansão indica PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 45 que poderá haver mais redução de desmatamento e queimadas e a consequente redução das emissões de gases de efeito estufa, entre outros resultados. Dessa forma, o Prêmio Samuel Benchimol, além do grande reconhecimento que nos trará, permitirá essa expansão para outras áreas em vulnerabilidade econômica, social e ambiental. Projeto: Racionalização do uso de energia elétrica: uma atitude de cidadania? estudo desenvolvido nas séries finais do ensino fundamental A-07 Este projeto tem como escopo abordar o tema sobre a racionalização de energia elétrica uma atitude de cidadania, tendo como público alvo os alunos das séries finais do ensino fundamental da Unidade de Ensino Básico Gov. Leonel Brizola. A temática surge da necessidade de sensibilizar os alunos, para que desenvolvam atitudes reflexivas sobre a problemática do desperdício de energia elétrica, tendo em vista que esta, sendo imprescindível ao ser humano que habita o mundo contemporâneo. Por meio da promoção de atividades sobre “despesas com energia elétrica” em uma unidade escolar desenvolvendo uma proposta de trabalho multidisciplinar. Entretanto, o tema pode ser abordado sob o ponto de vista da matemática durante os cálculos de consumo e economias mensais. Os fenômenos da física e da química explicam os conceitos da eletricidade e norteiam as estratégias que podem ser adotadas para a eficientização de equipamentos e processos de aquecimento, resfriamento, iluminação e ventilação. Na Biologia tendo vista que para a construção das hidrelétricas existem impactos sobre os rios, a fauna e flora locais. O assunto energia elétrica também pode ser debatido sob o ponto de vista da história e geografia humana, uma vez que o nível de desenvolvimento de uma nação, além de outros indicadores, é expresso pelo consumo per capita de energia elétrica realizado pela população e pelos setores produtivo, administrativo e comercial. Ou seja, diversas competências e habilidades podem ser trabalhadas 46 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL e desenvolvidas ao realizar-se a interseção do referido tema com o cotidiano dos alunos. Cabe ressaltar que, o mundo constantemente se encontra num processo de desenvolvimento tecnológico avançado. Novos materiais e técnicas são descobertos. Diversos países, inclusive o Brasil, realizam pesquisas sobre fontes alternativas de energia para que o seu desenvolvimento não seja freado pela escassez de um de seus insumos: a energia para realizar suas etapas produtivas. Mediante o contexto enfatiza-se que o ato de preservar os nossos recursos naturais através da ação de qualquer pessoa, seja ela também estudante ou professor, é uma atitude de cidadania. Entretanto, com a utilização da energia de forma racional estamos diminuindo a necessidade de construção de novas usinas transformadoras de energia e, com isso, contribuindo para o desenvolvimento sustentável. Os educandos serão orientados e conscientizados a zelar pela conservação de energia não somente nos ambientes escolares, mas também em suas casas. Não se trata de subtrairmos algum conforto ou diversão advindos do uso da eletricidade e, sim, diminuirmos as perdas no transporte da energia até as tomadas, praticarmos bons hábitos de utilização da energia elétrica. Contudo, o objetivo de estudo deste projeto é combater o desperdício de energia, despertando nos alunos das séries finais do ensino fundamental mudança ou comportamento e aquisição de novos hábitos de consumo. Principalmente ressaltando o bom uso da eletricidade, por si só, gera economias consideráveis de energia elétrica, a qual está disponível todos os dias para o consumo. O projeto neste sentido alcançaria ainda maiores resultados se fosse expandido para a comunidade local de forma a reafirmar o papel da escola na questão da responsabilidade social. Para o desenvolvimento dessa reflexão, de cunho qualitativo, daremos os seguintes passos: inicialmente, para a obtenção das informações faremos a coleta de dados, quanto à metodologia trabalhada será empreendida por métodos de pesquisa exploratória, utilizando a pesquisa bibliográfica e sites da internet. No entanto, faremos um levantamento com base em dados nacionais, tais como em livros, revistas, periódicos e bibliotecas públicas e eletrônicas, livros que versam sobre as temáticas: energia elétrica, potência e energia, desperdício de energia e fontes geradoras de energia alternativa. PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 47 Dessa forma, pretende-se que essa pesquisa contribua no direcionamento de informações sobre a racionalização de energia elétrica despertando no educando o senso de cidadania. No entanto, acrescente-se aos trabalhos já existentes, proporcionando embasamento para a obtenção de um aporte teórico-metodológico acerca da temática. Projeto: Reciclagem de Plástico A-08 A coleta e destino de resíduos sólidos domiciliares nas cidades brasileiras, figuram entre os principais problemas que enfrentam as instituições municipais e estaduais pela incidência no meio ambiente e na saúde pública. Em primeiro lugar, o trabalho propõe uma reflexão onde se analisa a produção de resíduos na cidade e a reciclagem como desenvolvimento sustentável e depois debate-se sobre a concepção de ecologia Industrial. A segunda parte discute-se o planejamento de programas entre as cooperativas de coletas seletivas de plásticos em diversas partes da cidade e finalmente o processo de reciclagem matéria prima final. Projeto: MMMMMMmmmm mmmmnnn A-09 Oferece reflexões e sugestões para que haja resultados no que diz respeito a conscientização na preservação do meio natural. Havendo de uma certa forma a necessidade de criação de projetos que incentivem e ajudem no combate a exploração feita de forma inadequada dos recursos naturais, e mostrar através do mesmo que a redução dos impactos pode diminuir. A natureza pode sim ser usada para atender as necessidades do presente dos seres humanos, desde 48 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL de que seja utilizada racionalmente, há muitas formas de equilibrar esta situação, é exatamente isto, que será palco da proposta deste projeto. Projeto: MobSensor-AM: sistema móvel com comunicação oportunista para o monitoramento da Amazônia A-10 O Brasil é um dos maiores representantes mundiais em riqueza de biodiversidade, onde estima-se que exista uma de cada cinco espécies em todo mundo. A Amazônia é uma das maiores riquezas naturais do Brasil e do mundo e em uma época de conscientização sobre os efeitos da ação do homem sobre o ambiente, com a extinção de espécies, o desmatamento acelerado e o aquecimento global, vemos a real necessidade de conhecer e monitorar toda essa diversidade. O projeto proposto consiste do emprego de uma infra-estrutura de Redes de Sensores sem Fio (RSSFs) específica para o monitoramento ambiental da floresta amazônica. Particularmente, é proposto como diferencial inovador que tal solução faça uso intenso da malha aquaviária disposta sobre a bacia amazônica, a maior do mundo, para a coleta e comunicação dos dados a postos de centrais de observação. Isso será feito agregando nós sensores móveis com capacidade de comunicação sem fio a embarcações que transitam pelo Rio Amazonas e seus afluentes, formando um malha capaz de atingir a grande vastidão da Região Amazônica. O modelo proposto sugere que tais embarcações possam ser embarcações comuns da região, particulares ou de linha, que possam operar em um esquema cooperativo para a finalidade de monitoramento. PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 49 Projeto: Sustentabilidade corporativa: proposta de criação de uma unidade de tratamento de resíduos para compostagem e implantação de coleta seletiva A-11 Gerenciar os resíduos nada mais é do que o monitoramento de tudo que se consome e quanto ao seu uso, desde sua concepção até o seu descarte, desenvolvendo-se métodos e parâmetros, seja de ordem quantitativa ou qualitativa pelos gestores municipais, e integralizando recursos financeiros e de planejamento. Um termo que retrata bem o gerenciamento de resíduos nos dias de hoje é a logística reversa, pois através desta o produtor, fabricante, desenvolvedores de produtos têm por obrigação dar o devido destino aos seus produtos. Para gerenciar o lixo de forma integrada é preciso um sistema de coleta e transporte adequado e o seu tratamento, utilizando-se de tecnologias existentes e compatíveis com as necessidades do local. Ter consciência de que todas as ações integradas tenham por sua operacionalidade influência direta umas com as outras é garantia de destino ambientalmente correto e seguro para o lixo, de forma que o dimensionamento dos aterros atenda as quantidades geradas, pois um plano de coleta mal elaborado irá acarretar custo elevado nos transportes. A concepção de uma modelagem que atenda cada município deve-se levar em consideração o tipo de lixo gerado, características socioeconômicas e culturais pontuais para que a mesma não venha sofrer com empecilhos, em decorrência da ausência de estudo prévio. Ao longo dos tempos, tenta-se integralizar o Estado gestor à sociedade geradora de resíduos sem muito sucesso, passando por inúmeros motivos, sejam de ordem educacional ou de ordem tecnológica. Para (Relis e Dominski Apud Maria Luiza Otero D’Almeida e André Vilhena 2000), não se trata apenas de uma definição de padrões de separação de recicláveis, compostos, incineradores ou aterros sanitários, e sim as melhores técnicas a serem utilizadas. 50 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL Projeto: Os desastres naturais no contexto do planejamento e gestão territorial de municípios ribeirinhos e costeiros amazônicos A-12 Os crescentes processos de intensificação do uso e ocupação, as mudanças na consciência ambiental, e os conflitos sociais pela posse da terra, têm motivado o estabelecimento de políticas, estraté gias e instrumentos para o planejamento e ordenamento territorial sustentável, tais como o gerenciamento de zonas costeiras, o Zoneamento Econômico-Ecológico, e os planos diretores municipais. Existe um extenso registro de desastres originados em eventos hidrometeorológicos (enchentes, inundações, enxurradas, erosao de margem de rios) na Região Amazônica, assim como uma alta potencialidade de riscos, em função dos cenários de vulnerabilidade socioeconômica e de variabilidade e mudanças climáticas previstos para os próximos anos. Em muitos casos, a redução da vulnerabilidade e a adaptação representam os desafios chaves para a gestão dos riscos no contexto do planejamento do desenvolvimento. O planejamento e ordenamento do território é um instrumento para reduzir os riscos naturais existentes tanto como de evitar a criação de novos riscos, no entanto a maioria dos processos ainda não considera dentre os fatores fisico-ambientais, os riscos (desastres) naturais. A presente proposta de atividades de pesquisa para a obtenção do premio Benchimol 2011 visa continuar avançando nos estudos e na compreensão de alguns dos aspectos físico-ambientais do planejamento urbano na Região Amazônica do Brasil, em particular os relacionados com a análise dos riscos potenciais consequência da ocorrência de processos naturais perigosos. Neste sentido, junto ao grupo de pesquisa (Gepedam) e no marco de projetos de investigação, pretende-se responder a perguntas tais como quais e que características têm as principais ameaças de origem hidrometeorológica que tem local em alguns municípios ribeirinhos e costeiros do Estado de Pará e Amapá? Quais são os seus principais impactos? Como considerar os cenários de mudanças, variabilidade e eventos extremos climáticos? Como a vulnerabilidade da população e suas atividades, e infra-estruturas contribuem para a geração de riscos de desastres? De que forma o planejamento e a gestão territorial podem colaborar com a diminuição dos riscos naturais? PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE A-13 51 Projeto: As florestas de juçara (Euterpe oleracea mart.; palmae) nos aterrados da baixada maranhense como alternativa de valor ambiental e econômico para recuperação de matas ciliares Diversos revestimentos florísticos podem ser distinguidos na região da Baixada Maranhense, cuja localização resulta, princi palmente, de variações da influência e diferenças no regime inundação, da textura e do nível do solo. Nas áreas onde predomina a água doce, mas dependendo da textura do solo e do regime das inundações, predominam os campos naturais, com sua vegetação predominantemente de Campos Herbáceos (Pinheiro et al., 2010). Como formações ciliares, distinguem-se mais facilmente na região, as Matas de Galeria, as Matas de Igapó, as Matas de Várzeas, as Matas Ciliares Não inundáveis, relativamente bem estudadas em alguns de seus aspectos. Nos trechos brejosos, em áreas menos sujeitas aos pulsos de inundação, mas por eles influenciados pela alimentação de pequenos cursos d’água temporários formam-se as Matas de Galeria. Em áreas de margens de rios e canais, podem aparecer as Matas Ciliares Não-inundáveis, onde embora o pulso de inundação atinja, ocorre por pouco tempo e com lâmina d’água mais fina. As matas de Várzea, tipo de vegetação inundada por períodos curtos e freqüentes, sob a influência de marés, aparecem onde se encontram a água doce com a água salgada, nos estuários dos rios da região. As matas de igapó, características das margens dos corpos d’água, são inundadas por um período longo de tempo (meses) a cada ano, durante o período chuvoso (Pinheiro et al., 2010) Nas áreas de terra firme, predominam na atualidade as florestas secundárias (Capoeiras), de diversas idades e os babaçuais, florestas monoespecíficas de babaçu (Orbignya phalerata Mart.; Palmae), em formações quase puras ou associados às capoeiras. Ainda na terra firme, são raros os fragmentos de mata primária, remanescentes da vegetação original amazônica outrora existente na região, nas áreas mais elevadas. Nos trechos sob influência de água salgada, formam-se os manguezais (Pinheiro et al., 2010). 52 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL Adicionalmente na região ocorrem os ambientes de Aterrados, muito pouco conhecidos. Os aterrados são ambientes peculiares desta região, que dão origem às Matas de Aterrado, tipo de vegetação não descrita, formada em áreas com águas quase paradas, pantanosas. Nestes ambientes, o substrato que sustenta as matas é resultado do continuado acúmulo de matéria orgânica, sem conteúdo significante de frações minerais. São substratos tipicamente úmidos, com lençol freático alto e camada orgânica de, no mínimo, 40 cm de espessura, podendo, entretanto, chegar a mais de 2 metros. Estão presentes na região lacustre de Penalva, principalmente na área do lago Formoso, na região do alto Rio Pericumã e em outras poucas áreas da Baixada Maranhense. Na sua formação, camadas de gramíneas e outras plantas aquáticas de menor porte vão gradativamente se acumulando de substrato em substrato, onde crescem plantas de porte cada vez maior. Com a morte de muitas espécies que não conseguem adaptarse ao substrato sem solo, acumula-se a matéria orgânica. A espessura aumenta com o passar do tempo, num processo que só é interrompido pelo desmatamento e pelo fogo, provocando grandes danos ambientais aos Aterrados. Neste tipo de vegetação é comum a presença da Juçara (Euterpe oleracea Mart.), aninga (Montrichardia arborescens (L.) Shott.), Gameleira (Ficus sp.), abacateiro brabo (Virola surinamensis (Rol.) Warb.), além de outras palmáceas, como o Buriti (Mauritia flexuosa L). Estes ambientes são vitais para saúde ambiental da região, especialmente para os corpos d’água das bacias onde ocorrem. Os aterrados são cruciais para manutenção do nível de água em muitos lagos regionais, por funcionarem como verdadeiras barreiras vegetais ao escoamento da água, mantendo o nível d’água nesses lagos, principalmente durante o período de estiagem na região, compreendido entre julho e dezembro. Pode-se afirmar, com certeza, que sem os Aterrados, muitos lagos da região secariam, produzindo ambientes secos, sujeitos às queimadas e à desertificação. A Juçara (Euterpe oleracea Mart., Palmae) é uma espécie vegetal frequentemente presente nas matas ciliares dos lagos, rios, riachos e nascentes, constituindo, pois, uma espécie de importância ecológica elevada, na função de proteção. Por outro lado, os produtos derivados do extrativismo da Juçara ocupam lugar de destaque na economia dos locaius onde ocorrem, pela produção de frutos e palmito. Pelo lado social, os frutos produzidos pelos Juçarais são de grande importância para a subsistência de muitas populações nas áreas de ocorrência da PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 53 espécie, pelo alimento que proporcionam e pela sua comercialização. Em muitas áreas da Amazônia, os frutos fazem parte da dieta de uma grande proporção dos habitantes. Em toda a sua distribuição, a palmeira tem também outros usos (Calzavara, 1987). A capacidade de algumas espécies de colonizar grandes áreas levou Peters (1992) a denominar estas formações como florestas oligárquicas (florestas dominadas por uma ou poucas espécies), onde se destacam as palmeiras; a Juçara é uma dessas espécies. A Juçara é uma espécie frequente nos aterrados, de grande valor ambiental e econômico para a região do lago Formoso. A reve getação desses ambientes com a Juçara pode concorrer para o equilíbrio ambiental, recompondo a função ciliar, mas também gerar renda significativa pelo extrativismo dos frutos, além de produzir incremento na pesca e, adicionalmente, pela recomposição cênica desses ambientes, criar potencial para o ecoturismo. Os impactos dos resultados esperados e benefícios potenciais para a respectiva área de conhecimento e para a sociedade serão, portanto, relevantes, com a recomposição de áreas que continham formações de Juçara que perderam sua função ecológica e sócio-econômica, precisando ser reintegradas ao ambiente de produção sustentável (Nogueira, 1997). Nesse sentido, este projeto de pesquisa pretendeu desenvolver um programa de revegetação dos Juçarais nativos da região lacustre de Penalva, na Baixada Maranhense e, em especial, das matas de aterrados, que resultasse na recomposição da vegetação ciliar desses ambientes, contribuindo, no curto prazo, para a geração de renda, pelo extrativismo dos frutos e, no médio e longo prazo, para a conservação ambiental, pela manutenção da barreira de água do lago Formoso, além de incremento na pesca, pela reposição dos ambientes de abrigo, alimentação e reprodução da fauna ictiológica. Projeto: Estudo do ciclo de vida de espécies de caranguejos na Região Nordeste Paraense A-14 Os caranguejos (Infraordem Brachyura) são abundantes principalmente nos ecossistemas estuarinos e de manguezais da costa paraense, constituindo importantes itens da cadeia trófica nesses 54 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL ecossistemas durante todas as etapas do seu desenvolvimento, desde o estágio larval até o adulto. O caranguejo de mangue (Ucides cordatus) é uma das espécies mais apreciadas na região, sendo amplamente consumida e comercializada. O estudo das diferentes etapas do ciclo de vida dessas espécies é importante para o entendimento de sua biologia e o delineamento de ações de manejo desse grupo na região. Desta forma, os cultivos de larvas e pós-larvas realizados em laboratório são fundamentais para a obtenção deste conhecimento, além da sua identificação e conservação. Esta pesquisa pretende ampliar o conhecimento sobre as espécies de caranguejos braquiúros que ocorrem na Região Amazônica observando detalhadamente vários aspectos biológicos, tais como morfologia larval e juvenil, crescimento, muda, alimentação e interações com parâmetros físicoquímicos (salinidade, por exemplo). Pretende-se deste modo, que os resultados obtidos sejam divulgados através de congressos nacionais e internacionais e artigos científicos publicados em revistas conceituadas, contribuindo principalmente para a identificação dessas espécies, com a elaboração de chaves de identificação tanto para as larvas quanto para os juvenis. Projeto: Efeitos da degradação em ambientes aquáticos na expressão dos genes Miotrofina (myo) e Citocromo B (cytB) em Colossoma macropomum A-15 Uma grande diversidade de peixes é encontrada na Amazônia e estes representam mais que a metade de vertebrados aquáticos totais conhecidos no mundo. O Colossoma macropomum tem sido frequentemente usado como espécie-modelo para o entendimento de processos fisiológicos alterados por variáveis ambientais da Amazônia, estas variáveis resultam em repostas aos agentes estressores. Os Juvenis de tambaqui foram adquiridos de criações artificiais da fazenda Litiara, Km 240 da estrada AM-010, Manaus, Amazonas. A aclimatação ocorreu no Laboratório de Toxicologia da Universidade Nilton Lins, mantidos em aquários de 1000L com temperatura 26,0 ± com variação de 1,0 °C durante o período da noite com o peso de 12,0 ± 3,0 g e tamanho 6,5 ± 0,5 cm e alimentados 2 vezes por dia num período de uma semana. Os peixes foram expostos a três diferentes PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 55 tratamentos: Primeiro grupo foi exposto durante 1 hora ao chorume a 30% (v/v). Segundo grupo foi exposto durante 3 horas ao chorume a 50% (v/v) e o terceiro grupo (controle). Foi extraído tecido do músculo dos peixes expostos ao chorume e do grupo controle. A extração do RNA foi realizada com Trizol seguindo o protocolo padronizado pelo fabricante (Invitrogen) A síntese da fita de cDNA foi realizada por reação de PCR e para quantificação da expressão gênica o PCR em tempo real (qRT-PCR). A análise dos resultados do qRT-PCR para o gene miotrofina mostrou que o nível de mRNA foi menor após 1 hora de exposição ao chorume quando comparado ao controle (100%). Observou-se um aumento de 45% no nível de expressão deste mesmo gene após 3 horas de exposição ao chorume. Para o gene citocromo b mostrou-se um aumento de 15% no nível de mRNA quando exposto a 1 hora ao chorume nas concentrações: 1000 ng e 1 ng. Também foi observado um aumento na expressão deste gene de aproximadamente 25 % quando o peixe foi exposto ao chorume por 3 horas nas concentrações: 500 ng, 100 ng, 10 ng, 500 pg e 100 pg. Assim, podemos concluir que: o tambaqui quando exposto ao chorume (efeito antrópico) expressa de modo alterado os genes miotrofina e citocromo b, possivelmente modificando o seu crescimento e os seus processos metabólicos, os quais estes genes estão envolvidos. Projeto: Hidroagroecologia: uma nova ciência para a produção de alimentos em unidades de base familiar A-16 Um dos grandes problemas enfrentados pelos produtores de base familiar da Amazônia Ocidental é a escassez de peixes nos rios e nos igarapés a cada ano mais acentuada, e a escassez de água para a produção de alimentos durante longos períodos do ano. A proposição apresentada neste documento tem por base uma revisão crítica da atuação da gestão pública nos estados da Amazônia brasileira, no que diz respeito ao comprometimento das instituições de pesquisa e de assistência técnica para a produção de alimentos em unidades de base familiar. As condições favoráveis de recursos, de clima e de solos não têm sido suficientes para diminuir, de modo significativo, a dependência de muitos estados brasileiros à importação de gêneros alimentícios 56 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL básicos. A lógica adotada pela maioria dos estados brasileiros, alicerçada em “produzir para exportar e importar para consumir”, tem aumentado enormemente as distâncias que os alimentos básicos têm que percorrer antes de estarem disponíveis nos supermercados. As emissões de CO2, ocasionada pelo passeio dos alimentos entre o local da produção e o do consumo, têm contribuído significativamente para as instabilidades climáticas e para os desarranjos sociais em todos os neveis. Mesmo diante de tais evidencias essas correlações não se convertem em ações por parte dos gestores públicos. A inovação e a valorização da produção local; o uso intensivo de tecnologias; a superação dos determinismos edafoclimáticos, específicos de cada Estado; a produção intensiva de alimentos; a interatividade entre os recursos locais; a ação qualitativa da assistência técnica e uma gestão institucional profissionalizada são os sinônimos mais representativos para encurtar essas distancias. O modelo aqui proposto, ainda em construção, mantém um olho no lugar que ainda não existe e outro na desconstrução e reconstrução de panoramas locais, objetivando pôr em prática um jeito novo de assistir e de gestar o progresso agrícola, diante de um cenário climático cada vez mais efêmero. A estratégia inicial é propor meios mais profissionalizados para a produção local de alimentos, minimizando a fuga de divisas e os custos ambientais grados com a importação dos mesmos. Na construção da nova ciência (Hidroagroecologia) não foi suficiente apenas revisar planos e as estratégias de gestão e de atuação, foi preciso desconstruir o modo como a realidade vem sendo concebida através dos tempos, na tentativa de superar os condicionamentos que leva pesquisadores, extensionistas e gestores a confundi-la com o modo como ela é explicada. Qualquer realidade, por mais familiar que se apresente, é sempre muito diferente das definições que se tem sobre ela. A utopia, a mudança e o movimento continuam sendo a matéria-prima de sua gestação. O neologismo hidroagroecologia, proposto para esse projeto, foi criado para designar a produção de alimentos por meio da interatividade entre os corpos d’água e os cultivos alimentares adjacentes. O princípio da hidroagroecologia consiste em redirecionar parte do fluxo natural de energia que é trocada entre dois organismos do mesmo meio (aquático) para outras modalidades produtivas, ou seja, parte da energia destinada à alimentação dos peixes (zooplanton), não aproveitada por eles, mais aquela produzida pelas fezes desses organismos, ao invés de ser destinada totalmente ao desenvolvimento do fitoplancton é desviada e encaminhada aos cultivos alimentares através da irrigação. A retirada gradual dos resíduos orgânicos, metabólicos e dos compostos nitrogenados e fosfatado que se PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 57 concentram nos tanques, originados pelo acúmulo das fezes e da ração não consumida pelos peixes, é denominada de água residuária e o processo de transferência será tratado como fertiirrigação. A reposição dos estoques dos tanques é feita através da água da chuva, que aumenta a diluição dos resíduos remanescentes e reduz a acidez do meio aquático. Com o reuso da água residuária para a irrigação de cultivos alimentares do entorno, reduz-se a concentração de nutrientes dos tanques, especialmente dos compostos fosfatados, restringindo-se assim as condições de desenvolvimento de organismos indesejáveis do fictoplanton. O processo de interatividade entre dois meios que resulte na melhoria da qualidade, da produtividade e das condições ambientais de ambos, será tratado no campo da ciência hidroagroecologia. Projeto: Programa para moluscos bivalves de água doce no Estado do Pará A-17 O município de Cametá (PA) contém uma grande diversidade de moluscos bivalves. Estes proporcionam, a uma parte da população uma fonte de renda fixa com a produção de “moedas” de madrepérolas, de composição calcária, dura, brilhante, branca ou escura produzida por diversos moluscos, especialmente os bivalves, revestindo o interior das conchas. Desta forma, este projeto visa realizar o levantamento dos bancos naturais de moluscos bivalves de água doce deste município, bem como propiciar uma forma sustentável de captura desses animais, informando o melhor momento de captura através do estudo da gametogênese (reprodutivo), além de possibilitar o melhor aproveitamento das partes moles desse animal como fonte complementar de alimentação. Este projeto possibilita a manutenção desses animais no ambiente natural, gerando mais matéria-prima de forma sustentável e aumento na produção de adereços, artesanatos, rações e adubos, e, iniciação de produção artificial de “pérolas”, que irão possibilitar um crescimento da renda familiar, gerando melhor qualidade de vida para população desse município. 58 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL Projeto: Avaliação do índice de coliformes na água de esgotos e da concentração de metais em amostras de sedimento na orla fluvial de Macapá A-18 Ao longo de sua existência o homem criou inúmeras atividades cada vez mais complexas e sempre a exigir a participação cada vez maior de outras pessoas, ou seja a participação coletiva em todas as atividades humanas fez com que o homem tivesse a necessidade de se reunir em grupos, para moradia, para o trabalho, para o lazer, gerando uma série de conseqüências desses aglomerados: Necessidade do consumo de alimentos, água, bens, serviços, criação de alternativas para suprir as necessidades individuais e coletivas entre outros aspectos. Três grandes problemas surgiram, qual o destino a ser dão ao lixo, como resolver a questão dos dejetos e como prover o abastecimento de água de qualidade. Inicialmente jogava-se nos arredores dos aglomerados humanos o lixo produzido sem qualquer preocupação se iriam ocorrer danos para a saúde ou para o meio ambiente, após a constatação de que a produção diária de lixo urbano tornava-se cada vez maior, foram sendo criados os lixões a céu aberto, e que logo foram se tornando um grande problema para as prefeituras, principalmente das grandes cidades, surgindo várias alternativas para dar tratamento adequado ao lixo com a finalidade de minimizar o impacto sanitário e ambiental causado pelo mesmo. Como resolver o problema dos dejetos? No interior é comum cavarem-se buracos no quintal das residências onde são depositados os mesmos, nas áreas urbanas essa prática também existe, porém com certo cuidado com a construção de fossas revestidas em alvenaria e conservação de certa distância dos poços de abastecimento de água e redes de esgoto subterrâneas. Áreas urbanas de maior concentração populacional também sofrem carência dos serviços de saneamento cujas construções geralmente não acompanham o crescimento populacional. Essas condições são preocupantes, pois geram condições propícias para o desenvolvimento de doenças de veiculação hídrica com impacto na saúde pública, e reduzem a qualidade do ambiente para as espécies aquáticas que nele habitam (Paiva et al., 2004). Coletar, tratar e distribuir água de qualidade para a população também é um grande desafio, pois existem inúmeras doenças de veiculação hídrica, e para evitá-las são necessárias medidas de alto custo que nem sempre abrangem toda da população. A concentração populacional em regiões urbanas é PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 59 um dos principais aspectos para ser considerado quando se trata de recursos hídricos, uma vez que implica tanto por disponibilidade de água para abastecimento público quanto para dissolução de cargas poluidoras urbanas. A situação de poluição hídrica tem se agravado no Brasil, considerando-se o aumento da poluição urbana e industrial, o uso inadequado do solo, a erosão, o desmatamento, a agricultura e a mineração (Souza et al., 2004). A cidade de Macapá, não fica fora desse contexto, em virtude da grande expansão demográfica e da ocupação de espaços inadequados como as ressacas, conhecidas como áreas de pontes, onde os dejetos são lançados diretamente na água que fica sob as residências, além do despejo de esgotos no Rio Amazonas. A coleta de dejetos em fossas sépticas por caminhões conhecidos como limpa fossa através de um sistema de sucção, é prática comum na cidade, esses dejetos são depositados em um grande tanque conhecido como bacia, localizado na área urbana do bairro das Pedrinhas, onde sofrem tratamento descontaminante, segundo informações da Companhia de Águas e Saneamento (Caesa), existindo ainda a possibilidade desses dejetos atingirem o Rio por transbordamento ou efluentes. Os efluentes de comunicação causam contaminação ambiental do próprio Rio e dos cursos d’água por toda espécie de detritos e dejetos causando diversos problemas de saúde à população, quer por exposição direta, ou indiretamente através do consumo de pescado ou outro recurso alimentar proveniente do Rio. Entre os diversos contaminantes podemos citar: Resíduos de metais pesados, pesticidas, microrganismos, etc., advindos de atividades como: Oficinas mecânicas, postos de combustíveis atividades domésticas, atividades agropecuárias, entre outras. Em alguns casos esses contaminantes podem ser tóxicos se acumulados, como no caso de metais pesados e de pesticidas organoclorados. Portanto, mesmo estando dentro das normas legais de lançamentos, esses efluentes podem estar degradando as inter-relações biológicas, extinguindo espécies e gerando problemas de qualidade de vida para as populações que utilizam aquele recurso (Buss et al., 2003). 60 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL A-19 Projeto: Educação Ambiental nas escolas, presídios, bem como a doação e auxilio no plantio de mudas nas APPs e Matas Ciliares de pequenas e médias propriedades Trata-se de uma proposta de desenvolvimento de uma metodologia para trabalhar a Educação e Conscientização de estudantes de todas as faixas etárias, ou seja, desde o inicio da vida na escola até a Graduação, através de palestras ou eventos similares, pois acreditamos que só trabalhando na base é que poderemos ter um mundo melhor para as futuras gerações. Outro foco são os trabalhos que venham contemplar os presos dos regimes de semi-aberto e fechado do mini presídio de Cacoal (RO), através da execução de viveiros para o plantio de mudas de árvores de espécies variadas, para que as mesmas sejam doadas aos pequenos e médios produtores de Cacoal e dos municípios próximos, fala-se muito em inclusão social, mas em razão do “préconceito” muito pouco se tem feito, poucos são os ex-presidiários que tem uma oportunidade para ter uma vida melhor, bem como ajudar a sua família ter um destino feliz, para que isso ocorra é fundamental a valorização e o respeito com o próximo que muitas vezes não teve outra saída a não ser o mundo obscuro do crime. Sendo assim, este será um Plano de Desenvolvimento Susten tável para as comunidades que não tem condições de produzirem suas mudas, em função das atividades já desempenhadas em suas propriedades e que lhes trazem o sustento. O novo Código Florestal está em andamento, e para obedecerem às leis do nosso país, muitos terão que recuperar as APPs e Matas Ciliares que outrora foram derrubadas sem nenhum controle. Essa prática ainda não tem sido utilizada em muitos lugares, porém não basta reclamar ou questionar, temos que fazer algo. Os resultados com certeza serão positivos e dessa política surgirá uma sociedade mais justa e consciente no que tange ao meio ambiente, É fundamental trabalhar em cada comunidade definindo as formas mais viváveis de adquirir esses resultados, visando sempre à melhoria da qualidade de vida de todos no presente bem como das futuras gerações, de forma moderna e com tecnologia de ponta, com o auxílio de terceiros do setor privado moderno nacional ou internacional, e com certeza sempre assistidas pelo poder público. Dessa maneira, serão propostas as formas de trabalhar, para discussão ampla pelas comunidades de cada PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 61 município, contando com o apoio dos organismos não-governamentais e nacionais que defendem o meio ambiente e a vidas que dependem de um planeta mais saudável, dentre elas podemos destacar a sociedade civil organizada ou não, pelos governos federal, estadual e municipal, pelos sindicatos e órgãos de defesa de classes, pelos empresários de cada localidade. Esses projetos deverão levar em conta o: Zoneamento econômico/ecológico da região; produção agropecuária, que, diga-se de passagem, Rondônia tem se destacado mundialmente falando; turismo ecológico que embora um pouco tímido ainda, já tem evoluído consideravelmente, com valorização dos recursos e riquezas de cada localidade, pois cada uma dessas cidades tem suas particularidades. Esse processo que inclui a metodologia de definição do socialmente desejável pelas comunidades de cada localidade será posta à disposição de todos para que seja iniciado o processo de elaboração do Plano de Desenvolvimento Sustentável para as Comunidades da Região NorteNordeste do Estado de Rondônia. Buscaremos apoio da Universidade Federal de Rondônia das Faculdades Particulares. Deverão participar, principalmente, com o auxilio dos professores e alunos de todos os cursos desde iniciantes, passando pela graduação, especialização, mestrado e doutorado nas mais variadas áreas, pois vários outros projetos poderão ser efetuados paralelamente. O resultado desses trabalhos deverá servir também para que alunos possam ter material empírico para elaborar teses, dissertações e monografias sobre os problemas que envolvem cada setor da sociedade, bem como as tentativas de elaboração de projetos de desenvolvimento sustentável. O presente projeto visa restaurar as APPs e Matas Ciliares de vários municípios, mas o fundamental é a Educação Ambiental nas escolas, com o apoio da SEMED (Secretaria Municipal de Educação e Secretaria Estadual de Educação), SEMA (Secretaria Municipal e Estadual de Cultura), SEDAM (Secretaria Municipal de Meio Ambiente), Secretaria de Estado do Desenvolvimento Ambiental, Policia Militar, Agente Penitenciários de Cacoal, Secretaria Municipal e Estadual de Saúde e nas comunidades, bem como a Inclusão Social de ex-presidiários e presidiários do Mini Presídio de Cacoal, para tanto, pretende-se realizar processo de formação continuada e capacitação dessas pessoas, outrora sem oportunidade nenhuma a vista. A estruturação, a sensibilização e a mobilização da comunidade 62 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL serão alcançadas mediante a implantação e divulgação das ações do projeto. A metodologia participativa fará com que as atividades sejam desenvolvidas por meio de sensibilização e mobilização dos alunos, presidiários e ex-presidiários, dos parceiros e da comunidade através de reuniões, palestras, cursos com temas relevantes ao meio ambiente e à gestão ambiental, distribuição de material informativo e educativo com micro orientação, de modo que ocorra a divulgação com maior alcance possível. O projeto abrangerá principalmente o município de Cacoal, buscando a sua replicabilidade em vários outros municípios circunvizinhos, atingirá um número de beneficiários diretos e indiretos incalculáveis. Projeto: Efeitos do chorume na expressão dos genes Calmodulina (cam) e Álcool Dehydrogenase (adh) de Colossoma Macropomum A-20 Neste trabalho foi avaliado o nível da expressão dos genes cal e adh de Colossoma macropomum (Tambaqui) peixe endêmico da bacia Amazônica e que tem sido utilizado como espécie-modelo para o entendimento dos processos fisiológicos e como uma alternativa de biomarcador frente aos impactos por xenobióticos, metais pesados (mercúrio, cobre e cádmio), esgotos a céu aberto e atividades agrícolas. O chorume é um líquido mau cheiroso proveniente do lixo doméstico que pode interferir severamente nos processos biológicos dos peixes. Neste trabalho foram usados exemplares de juvenis de tambaqui, expostos ao chorume durante 1 hora numa concentração 30% (v/v) de chorume (primeiro grupo), um segundo grupo exposto durante 3 horas ao chorume a 50% (v/v) e o terceiro grupo controle exposto em água límpida. Após o tempo determinado ocorreu a coleta de tecidos (fígado e músculo) e a extração de RNA. A síntese da fita complementar de cDNA foi feita por meio do RT-PCR a expressão dos genes Álcool Dehydrogenase-adh (isoenzima que facilitam a conversão de álcoois tóxicos em aldeídos) e Calmodulina-cam (uma proteína considerada um tradutor principal dos sinais do cálcio) foram estimadas por PCR em tempo real. Nos genes cam e adh o nível de mRNA mostrou diminuir PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 63 (com relação ao controle) e elevar-se após 1 hora de exposição ao chorume seguido de aumento após 3 horas de exposição. Projeto: Ecoturismo para a conservação de áreas de nidificação do gavião-real na Amazônia Central A-21 Ecoturismo representa um segmento do turismo natural, que é viajar em áreas naturais (Gössling, 1999). O termo pode ser descrito com cinco conceitos: conservação da natureza, baixo impacto, sustentabilidade, significativo envolvimento comunitário e educação ambiental. Além disso, de acordo com o conceito de desenvolvimento sustentável, turismo pode ser sustentável se encontra as necessidades dos turistas e moradores locais, conservação enquanto protege futuras oportunidades. Ecoturismo oferece benefícios para os moradores locais, suporte a conservação, desenvolvimento em baixa escala, reduzido número de visitantes e experiências educacionais (Nepal, 2002; Lindberg e Hawkins 1993). A resposta pode estar no turismo ecologicamente sustentável (ecoturismo), que principalmente foca na experiência de áreas naturais e favorece o entendimento ambiental e cultural, apreciação e conservação (Ecotourism Australia, 2008). O ecoturismo desenvolvido atualmente funciona como um complemento aos métodos de conservação convencional (Donnelly et al., 2011). Turistas pagam para uma experiência excepcional na natureza de forma que respeite a cultura local e o meio ambiente. Esta atividade favorece a economia local beneficiando a valorização da cultura regional, criando um incentivo duradouro para a população local e a conservação de recursos naturais (Mel, 2008). Esta diferença é crítica porque o ecoturismo intencionalmente promove incentivos para guias de turismo e proprietários de terras para conservar a biodiversidade por curto e longo prazo (Kiss, 2004). O estabelecimento das Metas de Desenvolvimento do Milénio (ODM), focou a discussão do desenvolvimento rural nos últimos anos considerado a sustentabilidade e, o ecoturismo tem sido freqüentemente 64 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL associado com o desenvolvimento rural sustentável, com a associação entre conservação e desenvolvimento (Butcher, 2011). A-22 Projeto: Produção de bio-óleo, bio-sólido e biogás combustível a partir de biomassas extrativistas para geração de energia elétrica: influência no desenvolvimento tecnológico e ambiental da Região Amazônica Os recursos naturais extrativistas, como as biomassas oleaginosas nativas da Região Norte do Brasil e da Região Amazônica, são matérias primas abundantes, com significado potencial de uso, a partir da extração do óleo vegetal presente nos seus frutos, sementes, para produção de biocombustíveis e produtos naturais, sendo pouco exploradas de forma sustentável. No entanto, apresentam grandes vantagens quando comparadas com as biomassas tradicionalmente usadas para este fim a partir do cultivo, destacando-se o fato de não competirem com a produção de alimentos e se desenvolverem abundantemente sob as condições climáticas característica da região. Apesar da importância destas biomassas para a Amazônia e para a região Norte, o aproveitamento sustentável e tecnológico destas fontes de recursos naturais não ocorre atualmente de forma acentuada, o que implica na necessidade de desenvolvimento de pesquisas tecnológicas e ações extensionistas nesse sentido. A Região Amazônica é constituída por uma área expressiva de florestas nativas, destaca-se o babaçu, o pequi e a macaúba que podem produzir até 4000 l de óleo por hectare, até dez vezes mais do que a soja. Disseminam-se com muita rapidez, podem ser utilizadas para reflorestamento em áreas desmatadas pela implementação de pastagens, em solos semi-úmidos e adaptam-se bem a altas temperaturas, só o Estado do Tocantins apresenta cerca de oito milhões de hectares de florestas de babaçu (Bhering et al.). Por serem biomassas extrativistas, a coleta do fruto também pode ser feita a partir do manejo sustentável. O uso dessas biomassas para geração de energia alternativa é uma oportunidade ainda pouco desenvolvida na Região Amazônica e Norte do Brasil, principalmente pela aplicação de processos termoquímicos, a partir do qual três frações com potencial combustível são obtidas: bio-óleo, bio-sólido e bio- PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 65 gás. Esses bioprodutos podem ser aplicados para geração de energia elétrica, por apresentarem um poder calorífico na faixa de 4000 a 9000 Kcal\Kg e propriedades químicas e físico-químicos semelhantes aos derivados de petróleo, apresentando como principal vantagem o fato de contribuírem para a diminuição do lançamento de gases de efeito estufa após o seu uso diretamente em geradores elétricos, caldeiras ou automóveis (Vieira et al 2000, 2004, 2009, 2010). A aplicação do processo termoquímico em escala laboratorial e piloto à amêndoa da macaúba, babaçu e ao fruto do pequi favorecerá para determinação do valor econômico dos bioprodutos, visando à aplicação para geração de energia elétrica em comunidades tradicionais e isoladas inicialmente podendo ser ampliado em outros níveis em médio e longo prazo. Nesse contexto o projeto proposto caracteriza-se como uma alternativa tecnológica inovadora para a para região Norte e Amazônica, por favorecer a obtenção de novos produtos com potencial combustível e sucedâneos aos combustíveis fósseis. Do ponto de vista ambiental contribuirá para o aumento da área de conservação de floresta direcionada para geração de energia sustentável, e minimizar as queimadas e o lançamento de gases de efeito estufa. Observa-se, nos últimos anos, um aumento significativo da concentração de dióxido de carbono na atmosfera decorrente do uso dos combustíveis fosseis, derivados de petróleo e queimadas de florestas. Bem como, da demanda por energia para utilização nos diversos setores produtivos e de consumo, em todos os países do mundo. Essa expansão gera diversos inconvenientes ambientais, pois a grande maioria da energia consumida no mundo é proveniente de fontes não-renováveis, que contribuem para emissão de gases do efeito estufa e aquecimento global. Diante dessa realidade, observa-se também a necessidade da utilização de fontes de energia renováveis, como as biomassas oleaginosas, que contribuem para fixação de dióxido de carbono quando estão em crescimento, e para o estoque do carbono a partir da conservação da floresta, para a mitigação do lançamento de gases de efeito estufa na atmosfera, bem como para consolidação do mecanismo de redução de emissões, REED e geração de créditos de carbono dentro de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL). Diante disso, esse trabalho justifica-se por contribuir para a avaliação da estimativa da biomassa viva acima do solo e do estoque de carbono em áreas de florestas extrativistas de pequi e babaçu. Bem como por promover o uso sustentável dessas biomassas e a, diminuição as queimadas na região Norte. 66 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL No aspecto social trará oportunidades diretas de desenvolvimento para as famílias das comunidades extrativistas e tradicionais inicialmente beneficiadas pela geração de energia elétrica e para a região, a partir da ampliação das áreas de aplicação de usinas de processo termocatalítico, bem como para criação de empregos, capacitação e formação de mão de obra qualificada na área, e em médio e longo prazo. Projeto: No caminho das abelhas indígenas: a busca pela preservação das abelhas indígenas da região da Ilha do Bananal A-23 Na Ilha do Bananal, no município de Formoso do Araguaia, existe o Parque Indígena do Araguaia com uma área de preservação natural, rica em matas nativas e biodiversidade, neste ambiente existem abelhas indígenas que são muito apreciadas e conhecidas, porém a intensa destruição do cerrado por meio de queimadas, a exploração irracional das colméias e o desmatamento desenfreado nas regiões próximas a Ilha, causam gradativamente o desaparecimento de certas espécies de abelhas. Avaliando a importância das abelhas que são polinizadoras exclusivas de espécies florestais nativas e observando que a cada ano os problemas ambientais que ocorrem na região contribuem para a devastação da flora e da fauna local, foi desenvolvido o presente projeto com o intuito de localizar espacialmente os ninhos de abelhas indígenas em áreas de risco de extinção das mesmas. As áreas de matas propícias ao desmatamento e derrubadas, áreas de cerrado sujeitas a queimadas, construções rurais como currais, coberturas de cochos entre outras, áreas com elevado nível de extrativismo por meleiros, são as mais expostas a sofrer os efeitos do desequilíbrio ambiental e a extinção de várias espécies de abelhas. Através do projeto pretende-se fazer a identificação das principais espécies existentes no local, retirada dessas abelhas localizadas em áreas expostas, construção de meliponário para preservação genética e estudo das espécies, capacitação e sensibilização dos produtores rurais, indígenas e ribeirinhos, e estimular dessa forma a meliponicultura de forma racional e sustentável na região. PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 67 Após a busca aleatória das abelhas indígenas foram localizados 22 ninhos e cinco espécies de abelhas dentre elas conhecidas popularmente como Boca de sapo, Tubi brava, Bora brava, Bora mansa, Tataira e Manuel de Abreu. Sendo a última a que mais havia ninhos. Projeto: Reciclóleo A-24 Evitar o despejo de resíduos líquidos como óleo de cozinha e gorduras, provenientes da rede alimentícia e residências no Município de Laranjal do Jari em corpos d´água. Projeto: Produção de mudas florestais e frutíferas para a subsistência humana (inclusão social) e regeneração de áreas degradadas no Município Marituba A-25 A Lab Amazon será um laboratório genuinamente paraense, resultado da proposta de atuação da Fundação Villas Boas na área da biodiversidade com inclusão social, aproveitando-se de projetos acadêmicos desenvolvidos pela Embrapa, com foco em biotecnologia de plantas medicinais e aromáticas e recursos genéticos que apontam nesse campo a solução para o problema da qualidade das mudas de plantas. Há por outro lado, uma grande demanda para reflorestamento a ser atendida, mesmo considerando somente a necessidade do Estado do Pará pela imensidão de sua área degradada. Esse projeto se apresenta com excelentes perspectivas para auxiliar na solução dos sérios problemas socioambientais do Brasil e, em particular, nos da Amazônia. O laboratório desenvolverá estudos com objetivo de melhorar a qualidade das plantas, de preferência espécies com valor social e econômico importantes para os agricultores, produtores ou mesmo para os programas de governo. A produção será utilizada para suprir 68 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL as necessidades do pequeno agricultor, embora se volte também para a recuperação de áreas degradadas com a implantação de culturas associadas ou sistemas agroflorestais. O Laboratório será criado, no município de Marituba, próximo à Belém, com a finalidade principal de produzir mudas de plantas ornamentais, medicinais, frutíferas e florestais para as localidades de atuação da Expedição Villas Boas que começará pela cidade de Muaná (Ilha do Marajó), expandindo posteriormente a outras regiões de interesse da Fundação Villas Boas e de outros municípios se assim requisitarem. No momento o Laboratório atenderá o Município de Marituba. Além dos conhecimentos científicos sobre a produção de mudas, mormente os que se relacionam a qualidade da planta a ser disponibilizada à comunidade científica, irá formar inúmeros profissionais qualificando-os tanto na arte de produção de mudas a partir da cultura de tecidos quanto no plantio dessas mudas e das sementes coletadas das espécies botânicas de interesse. Por conseguinte, será um laboratório sério e competente tanto na qualidade de seus produtos como na sua capacidade de produção. Projeto: Pastagem ecológica: sistema Voisin silvipastoril A-26 Durante meu curso de Agronomia na Universidade Federal de Viçosa (MG) de 1968 a 1971, fui definitivamente “fisgado”, pelo voisinismo, através de um texto quase clandestino, que exponha os conceitos do Pastoreio Racional Voisin e citava experiências de sucesso no emprego desta tecnologia. A partir daí, sempre foi para mim um sonho conhecer melhor e trabalhar segundo os conceitos do grande mestre André Voisin. Ao iniciar em março de 1972, as atividades como professor da UFMT (Universidade Federal de Mato Grosso), o sonho do voisinismo ficou em dormência, até a aquisição em 1987, de uma fazenda na Baixada Cuiabana, em sociedade com meus dois irmãos, Judismar e Cláudio. PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 69 Nesta época a fazenda não possuía pastagens formadas, neces sárias para a criação econômica de bovinos. Teríamos então, antes de tudo, de formar as pastagens. Para evitar a destruição prévia do ecossistema do cerrado, que tanto admirávamos e que relutávamos em destruir de forma rasa para a formação das pastagens, resolvemos aplicar um método alternativo, usando o Pastoreio Racional Voisin e lançando sobre o cerrado nativo intocado, uma mistura de sementes de variedades selecionadas de capim, buscando obter um enriquecimento da pastagem nativa do cerrado, sem promover qualquer mecanização, seja do solo ou da vegetação nativa. Dentro desta filosofia, foi providenciada a divisão da área em parcelas ou piquetes e o semeio das sementes de capim. O gado entrava nos piquetes logo após o semeio do capim, para promover o enterrio das sementes e o desbravamento do cerrado. O resultado não foi imediato. Mas após o segundo período de chuva após o semeio dos capins, a pastagem semeada começou a dominar os capins nativos menos vigorosos, mostrando que o método tinha tudo para ser um sucesso! Realmente, dentro de mais algum tempo aparecia sob as árvores do cerrado, uma pastagem tão vigorosa e bela, que resolvemos lhe dar o nome de Pastagem Ecológica. Nesta época, coerentemente, resolvemos rebatizar a fazenda como Fazenda Ecológica Santa Fé do Moquém. Em 1993, a pastagem ecológica já era uma realidade palpável e começamos a divulgar os resultados através de um texto que era distribuído aos interessados em cópias xérox. Em 1996 a Pastagem Ecológica começou a ser difundida na imprensa, através de uma primeira reportagem no jornal A Gazeta de Cuiabá e de um artigo no mesmo jornal. O interesse da imprensa foi grande e dentro de pouco tempo as reportagens e artigos se multiplicaram. A publicação de um vídeo-curso e de livros sobre a Pastagem Ecológica, foi o próximo passo. Após as publicações comerciais (videocurso e livros), a Pastagem Ecológica passou a ser adotada por programas institucionais e governamentais, principalmente da Região Amazônica, como uma alternativa para o desenvolvimento sustentável da pecuária e ao uso do fogo nas pastagens, como ocorre com o Programa Fogo da Cooperação Itália Brasil, desde 2.000. 70 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL A Pastagem Ecológica, que com adaptações adequadas, pode ser aplicada no melhoramento de qualquer pastagem já formada, que esteja em bom Estado ou em fase de degradação, transformando-a em poucos anos numa pastagem ecologica, vigorosa, sustentável e com produção 2 vezes superior à original, tornou-se sinônimo de Pastagem Sustentável. Com o aumento da preocupação com o aquecimento global, com participação da pecuária (ver o item 10 deste trabalho), percebeu-se que a tecnologia da Pastagem Ecológica, era uma excelente alternativa para compensar as emissões de metano (CH4), pelos inúmeros serviços ambientais que proporciona. Com a Pastagem Ecológica, a pecuária encontra uma forma natural e econômica, de se colocar no lado positivo da luta contra o aquecimento global. A-27 Projeto: Indicadores de sustentabilidade para a cultura da palma: uma proposta estratégica de fomento à inovação e ao desenvolvimento sustentável na Amazônia Atualmente a indústria de óleos vegetais e de biodiesel tem direcionado suas políticas internas na linha do desenvolvimento sustentável. A competição e a busca por lucro não são os mais importantes princípios norteadores deste setor. Muitas empresas que promoviam desmatamentos, poluição e ignoravam as questões ambientais em países tropicais, estão fadadas a extinção. Hoje este comportamento está ficando para trás, as empresas que desprezam os ideais do desenvolvimento sustentável, perdem o poder de competição. Seus produtos são deixados de lado e seus processos se tornam menos eficientes quando comparados aos de empresas que praticam as boas práticas produtivas. O Brasil apresenta uma grande variedade de espécies vegetais oleaginosas nativas e exóticas com boa aptidão edafoclimáticas. Conhecido pelos indígenas como Pindorama ou terra das palmeiras, é um país com grande potencial para a utilização destas espécies para a indústria de biocombustível (Nae, 2005). Nos levantamentos realizados por Lorenzi (1996) informa que existem cerca de 3.500 espécies de palmáceas em todo o mundo, listando 132 espécies brasileiras e 152 espécies cultivadas, introduzidas por outros países. Um exemplar é PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 71 a palma (Elaeis guineensis jaq.), introduzido no Brasil pelos escravos africanos que se adaptou bem ao clima tropical úmido do litoral baiano, mais tarde alcançando a região norte do país. As palmeiras são características da flora tropical e estão distribuídas em grande quantidade na Amazônia brasileira entre elas estão, o dendê (a palma), buriti, murumuru, tucumã,etc. Como possuem inúmeras utilidades de valor econômico, estas palmeiras despertam interesses para o fornecimento de matéria-prima tanto para a indústria de óleos vegetais como para a indústria de biocombustível. Não apenas por sua adequação às condições locais, mas também, por permitirem diversificar a base agrícola, aspecto importante em agricultura tropical e, fornecer volumes importantes de subprodutos de interesse energético, que podem auxiliar no fornecimento de energia para o processo industrial principalmente em áreas isoladas da Região Amazônica. Devido a sua alta produtividade a cultura da palma na Amazônia brasileira tem demonstrado grande abertura para uma nova alternativa energética com inclusão social e geração de renda para as comunidades locais, no que se refere à substituição do diesel fóssil a partir de biocombustível (Cavaliero, 2000; Pires, 2003; Silva, 2005, Monteiro,2011).Uma grande vantagem de se produzir biocombustível a partir da biomassa oleaginosa é a sua eficácia como aditivo (de até 20% sem qualquer adaptação para o motor), podendo ser agregado ao diesel convencional (Molion,1994). Além de se constituir como uma das formas de valorizar a floresta em pé, com a extração de óleos vegetais de frutos de espécies oleaginosas para geração de energia e de produtos de maior valor agregado na região norte do país, poderá atender o mercado de biocombustíveis, bioeletricidade e óleos vegetais em larga escala. Na atualidade a importância do dendezeiro deve ser encarada como uma dimensão crescente em garantir sua participação na agricultura regional e dentro de uma política de substituição de importações e crescente excedente para geração de divisas, a médio e longo prazo (Homma et al., 2000). Um fator importante a ser considerado é a política tributária diferenciada em função da região, matéria-prima, presença da agricultura familiar em parceria com indústria produtora de biodiesel, ou a combinação destes fatores, para maior incremento da participação de biocombustível na matriz energética brasileira. Contudo, para o cumprimento da legislação brasileira que define mistura de B7 para 72 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL os próximos anos, esta demandará um aumento considerável na produção agrícola das espécies oleaginosas promissoras para este novo combustível em todo Brasil. Além do benefício social ao incorporar em sua matriz um número considerável de agricultores familiares - o aproveitamento energético de óleos vegetais nativos ou exóticos da Região Amazônica, traria vários benefícios ambientais, como a recuperação de áreas alteradas, redução nas emissões de gases poluentes e possibilidade de seqüestrar carbono, principalmente na região norte do Brasil. Nesse sentido, a produção de biodiesel iria totalmente ao encontro das preocupações ambientais atuais quanto à utilização dos combustíveis fósseis e seu efeito minimizador nas mudanças climáticas globais. As atividades de geração de energia e uso de combustíveis alternativos a partir de biomassa e óleos vegetais, podem contribuir substancialmente para a diminuição das emissões de CO2 para a atmosfera. Assim, a utilização deste combustível poderá ainda gerar vantagens econômicas para a região e para o país e ainda certificar que este novo combustível é produzido dentro dos padrões de sustentabilidade previstos nas dimensões sociais, econômicas e ambientais, presentes no protocolo da palma de óleo assinado entre o governo do Estado do Pará e empresas de óleo de palma. Projeto: Sensoriamento de recursos naturais para conservação de ecossistemas negligenciados A-28 Na paisagem amazônica a malha hidrográfica se destaca em meio à biomassa vegetal visível. Nesta paisagem influenciada grandemente pela ação dos rios, parte é drenada por rios de águas brancas (Solimões– Amazonas), e parte é drenada pelos rios de águas pretas ou claras (Negro e Tapajós). A classificação dos rios em águas brancas, pretas e claras define ecossistemas ambientes com características físico-químicas distintas que influenciam os processos biogeoquímicos nas áreas em que ocorrem (Sioli, 1951; Prance, 1978). A notável biodiversidade que aí se estabelece está influenciada diretamente por um fenômeno que acontece ao longo dos rios da Amazônia - a inundação. Este evento anual forma ambientes inundados, temporária ou permanentemente, PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 73 por sete a quinze metros acima do nível do mar durante cerca de seis meses por ano (Ayres et al., 1998; Junk, 1993). Na formação geológica onde se encontra a cidade de Manaus, os cursos d’água (igarapés) com nascentes no interior da floresta são principalmente de águas pretas. Esses rios tem origem geológica no Escudo das Guianas, de formação cristalina. Além do pulso anual de inundação, as áreas marginais aos igarapés sofrem inundações de baixa amplitude e curta duração que são influenciadas por eventos chuvosos (Junk, 1993). A área urbana de Manaus é cortada por nove bacias hidrográficas, todas contribuintes da grande bacia do Rio Negro. As mais destacadas são as bacias do Educandos, São Raimundo, Tarumã-açu e Puraquequara. Duas bacias encontram-se integralmente dentro da cidade – a do igarapé de São Raimundo, e a do igarapé do Educandos – e duas parcialmente inseridas na malha urbana – a do igarapé do Tarumã-açu, e a do Rio Puraquequara. Estas bacias estão divididas em sub-bacias ou microbacias e delas partem inúmeros igarapés que drenam toda a cidade (Semmas). Toda essa aparente disponibilidade de água ainda não tem uma apreciação clara para a conservação, de forma que estes ecossistemas muito frágeis são ainda pouco estudados e negligenciados do ponto de vista de ações governamentais e isso tem como ponto de partida crucial o vazio de informações para planejamento estratégico evitando cenários de calamidades como os já conhecidos em outros países: Nos Estados Unidos, 40% dos rios e lagos são considerados muito perigosos para uso (pescar, nadar ou beber); no Canadá, mais de um trilhão de litros de esgoto não tratado são jogados em hidrovias/ano; na América Latina e Caribe, mais de 130 milhões de pessoas não tem água potável. Cidade do México e São Paulo estão com problema de excesso de consumo de água e contaminação em massa. Além disso, a mineração da água de subsolo pode ser motivo de grandes e duradouras guerras. A Líbia construiu túneis de cinco mil quilômetros para drenar a água de um aqüífero compartilhado pelo Chad, Egito e Sudão (Barlow, 2007). Enquanto isso, o maior Estado do verde do Brasil ainda não tem se quer para a capital uma publicação oficial do número de bacias hidrográficas e igarapés existentes, sem contar com o número de igarapés extintos por aterros para a urbanização sem planejamento ou os que morreram pelo lançamento de esgoto sem tratamento. Com isso a vegetação e toda a biodiversidade sofrem com o processo de alteração dos ambientes de influencia dos igarapés diminuindo a riqueza de espécies por assoreamento, e os processos 74 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL erosivos provocados pela retirada da vegetação marginal, resultantes da ocupação rápida e desordenada das margens (Silva, 1996). O perfil natural da vegetação estabelecida às margens dos igarapés da cidade de Manaus, assim como as das demais áreas inundáveis apresentam características tanto de sistema terrestre como de sistema aquático. Quando o nível das águas é mínimo, toda essa região torna-se um sistema terrestre. Por outro lado, quando da elevação do nível das águas, torna-se um sistema aquático, mostrando uma particularidade que requer atenção especial da comunidade científica, sociedade em geral e especialmente de dirigentes dos gabinetes de tomada de decisão. Diante do exposto, o objetivo geral deste estudo é fazer um mapeamento da área urbana de Manaus delimitando bacias, microbacias e igarapés destacando os grupos vegetais existentes nas áreas marginais. Projeto: Mecanismo de redução de emissões por desmatamento e degradação em uma área da Floresta Estadual do Amapá A-29 Os serviços ambientais têm sido alvo de inúmeros debates. Tratam-se de serviços prestados pelas florestas tropicais, que apoiam, protegem ou afetam as atividades e o bem-estar humano. Neste contexto, enquadram-se os Projetos de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal (REDD) que representam mecanismos de incentivos positivos voltados para o financiamento das ações de redução do desmatamento e da degradação em florestas, que consequentemente resultam em diminuição das emissões de carbono com retorno econômico-social. Isto tem consistido no mecanismo conhecido como pagamentos por ‘carbono florestal’. As emissões do desmatamento e degradação das florestas representam aproximadamente 20% das emissões globais de gases do efeito estufa. Reduzir estas emissões representa uma das mais rápidas, mais importantes e mais rentáveis opções para reduzir a mudança climática no curto prazo. Os pagamentos podem ocorrer tanto para o sequestro de carbono (resultantes da absorção de dióxido de carbono em árvores plantadas) como para a proteção dos estoques PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 75 de carbono em florestas naturais – o qual poderia de outra forma, ser emitido. A Floresta Estadual do Amapá (Flota) foi criada em 12 de julho de 2006 pela lei nº 1028/06, é uma Unidade de Conservação (UC) de Uso Sustentável, possui quatro módulos distintos que compreendem uma área descontínua estimada em 2.369.400,00ha. A Flota é delimitada pelos municípios de Mazagão, Porto Grande, Pedra Branca do Amapari, Serra do Navio, Ferreira Gomes, Tartarugalzinho, Pracuuba, Amapá, Calçoene e Oiapoque. Estes municípios apresentam desenvolvimento econômico ligado a algumas atividades que causam impactos ambientais, como a exploração ilegal de madeira e a expansão de áreas para a mineração. Desta forma, tais atividades exercem forte pressão na UC e contribuem significativamente para o desmatamento e a degradação florestal. Analisando o baixo índice de desenvolvimento humano dos municípios de entorno e a diversidade de recursos naturais da Flota, sugere-se a implementação de ações que objetivem, além da proteção das florestas, o desenvolvimento social e econômico das suas áreas de influência. A pavimentação da BR-156, obra pertencente ao PAC e a construção da ponte binacional, que ligará as cidades de Oiapoque (Brasil) a Saint George (Guiana Francesa), irão aumentar o trânsito de pessoas e máquinas na área da Flota. Tais fatores contribuirão ainda mais com a pressão sobre a Flota. Portanto, é de fundamental importância que os recursos naturais sejam utilizados de acordo com princípios técnicos eficientes, visando principalmente contemplar questões sociais, econômicas e ecológicas. Nesse contexto, a proposta de implantar um projeto de REDD+ na Flota e nas áreas de influência da BR-156, surge como alternativa de exploração dos recursos naturais e trazer benefícios para a comunidade envolvida através do pagamento por serviços ambientais. 76 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL Projeto: Amazônia Sustentabilidade A-30 A adição do agente acelerador de degradação em nada compromete as propriedades como a resistência dos materiais e não tem restrições quanto a impressão ou o acabamento da embalagem, além disso o plástico continua sendo reciclável. É preciso deixar claro também que a sacola não vai se esfacelar na mão do consumidor se ela tomar chuva ou ficar no sol, pois a degradação ocorre a partir de uma exposição prolongada a esses fatores. Projeto: Kamukaia: manejo sustentável de produtos florestais não-madeireiros, na Amazônia, fase II A-31 O manejo de produtos florestais não-madeireiros (PFNM), por meio da consolidação de cadeias produtivas, tem sido considerado como fundamental para a integracão da conservação e uso sustentável dos ecossistemas ao crescimento econômico do país. De maneira geral a base produtiva para tais produtos está no extrativismo, setor que necessita de técnicas de manejo florestal sustentado. Apesar de existirem diversos estudos sobre essa temática ainda há uma carência de conhecimentos básicos sobre ecologia das espécies que permitam a recomendação de técnicas de manejo sustentável. O objetivo da presente proposta é dar continuidade a estudos ecológicos e experimentos de manejo sobre castanha-do-brasil, andiroba e copaíba, iniciados em 2005 na rede Kamukaia. Na primeira fase do projeto foram implantadas parcelas permanentes para estudos ecológicos e iniciados estudos sobre produção dos produtos. O objetivo inicial de propor estratégias de manejo e uso dos recursos florestais não-madeireiros de maneira integrada, facilitando a proposição de políticas públicas para o desenvolvimento da Amazônia continua sendo alvo da rede, no entanto trata-se de uma meta a ser atingida no longo prazo. PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 77 Projeto: Produção de chuvas localizadas: tecnologia inovadora para ajudar a mitigar os efeitos das mudanças climáticas na Amazônia A-32 As mudanças climáticas, o aquecimento global e o desmatamento geram fenômenos extremos de secas, enchentes e inundações, promovem impactos na agricultura, biodiversidade e abastecimento de rios, represas e mananciais, contribuem para o avanço dos processos de desertificação, savanização, destruição de florestas e desaparecimento de especies animais em vários biomas. Ações e tecnologias limpas que possam mitigar os efeitos das mudanças climáticas, aquecimento global e desmatamento devem ser incentivadas e apoiadas por iniciativas nacionais, internacionais e programas governamentais. A tecnologia de produção de chuvas localizadas utiliza uma aeronave equipada com dispositivos patenteados para semear nuvens cumulus com agua potável, estimulando seu crescimento e precipitação. Ao chover, esta água se torna uma contribuição para diversos fins: preservar florestas, aumentar recursos hídricos, fonte de água para abastecimento, agricultura, energia, saneamento, saúde. Criar uma unidade produtora de chuvas (aeronave, equipamentos, radar, equipe qualificada) para atuar na floresta amazônica e integrar monitoramento local e mecanismos que ajudem a mitigar os efeitos do aquecimento global e do desmatamento, pode ser uma ação inovadora e efetiva para reduzir a emissão de gases do efeito estufa. A proposição é que ao contribuir para que chuvas naturais e chuvas produzidas serem otimizadas na Amazônia, estaremos ajudando a floresta a se manter vigorosa, umidificada e com menor risco de incêndios e emissões. Estimulando o ciclo hidrológico, ajudamos a manter / preservar a normalidade do regime de chuvas , diminuir riscos de seca e de avanço do processo de savanização. Para isto, é necessário criar um projeto experimental e metodologia em conjunto com organizações que atuem com as questões relacionadas ao clima na Floresta Amazônica. 78 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL Projeto: Ciliar Só: agricultura familiar na Bacia Hidrográfica do Rio Acre A-33 O Estado do Acre possui três importantes bacias hidrográficas, todas depositárias do Rio Solimões. São elas: Bacia Hidrográfica do Purus, do Juruá e do Rio Acre, essa última a que apresenta mais intensa ocupação antrópica, seja pelo crescimento desordenado das cidades ou por meio da implantação da agropecuária em local inadequado. Essa ocupação intensa e antiga acarretou efeitos danosos, que são facilmente perceptíveis durante todo ano. Ou porque irá causar alagações (período de inverno amazônico de dezembro a março) ou porque irá secar e deixar as áreas urbanas sem abastecimento de água (período de verão amazônico de abril a novembro) As comunidades extrativistas e os ribeirinhos presenciaram essa ampliação demográfica e seu conseqüente conflito de acesso aos recursos naturais. Viram sua área de intervenção produtiva se reduzir, paulatinamente, aos espaços compreendidos pela influência da margem do Rio e ao próprio leito do Rio. Diante desse quadro, adicionando-se aí as dificuldades que a ação pública encontra para realizar extensão em locais onde não existe acesso rodoviário, as comunidades ribeirinhas aos poucos se obrigaram a abandonar o extrativismo e entrar em um ramo produtivo do qual tinha pouca ou nenhuma tradição, o da agropecuária, o que acirrou ainda mais a pressão sobre as matas ciliares. A cada expansão o Rio torna-se mais vulnerável à ocorrência de alagações e secas, sempre mais acentuadas, e é nesse contexto que insere a presente proposta. Com esforço conjunto de Instituições de ensino, Organizações governamentais e não governamentais e das prefeituras municipais espera-se contribuir na solução desse grave problema, de elevadas proporções sociais e ambientais. Em cada um dos 8 municípios envolvidos no Projeto será realizado um mapeamento temático da área de mata ciliar ao longo de toda Bacia Hidrográfica do Rio Acre, cobrindo desde o município de Assis Brasil (fronteira com o Peru), passando por Brasiléia, Epitaciolândia, Xapuri, Capixaba, Senador Giomard, Rio Branco, até o município de Porto Acre PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 79 (fronteira com o Amazonas). Trata-se de uma longa trajetória, com aproximadamente 800 quilômetros. O mapeamento será executado com técnicas de sensoriamento remoto e interpretação de imagens de satélite falsacor. Uma faixa de 2.000 metros de largura, de cada margem, será objeto de mapeamento. Nessa área, com apoio das entidades de representação (associações e sindicatos de trabalhadores rurais) serão identificados os trechos críticos, nos quais a mata ciliar tenha sido totalmente convertida e o assoreamento seja visível, onde as comunidades ali residentes serão diretamente envolvidas no projeto, por meio de um programa de extensão florestal. As prefeituras municipais, que estarão envolvidas em todas as fases de execução do projeto, deverão se responsabilizar pela replicação e multiplicação da experiência para outros trechos dos rios, onde as comunidades se mostrarem interessadas. Posteriormente serão inventariados os fragmentos florestais mapeados para caracterizar a estrutura florestal corrente nessas áreas. Paralelamente, utilizando fatores como Caráter meândrico, turbidez da água e características do solo será realizada a definição da largura de mata ciliar adequada à realidade da Bacia em cada município. Com a definição das espécies florestais, densidade e abundância, será possível a determinação da lista de espécies florestais apropriadas para inclusão no programa de extensão florestal voltado à revegetalização dessas áreas. Em seguida se definirá a lista de espécies a serem objeto de plantio de revegetalização com a promoção da coleta de sementes e de produção de mudas. A produção das mudas pode ocorrer em parcerias com o Governo do Estado e Prefeituras. Posteriormente o programa de extensão irá incentivar os plantios, em unidades demonstrativas. O programa de extensão florestal terá como foco três iniciativas principais: a. divulgação da lista de espécies apropriadas para as prefeituras e os produtores familiares usarem em projetos de revegetalização da mata ciliar; b. divulgação dos resultados do estudo de definição de largura adequada da mata ciliar para realidade da Bacia naquele município; e, c. elaboração e articulação para aprovação de legislação municipal específica para delimitação e manejo da mata ciliar. 80 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL Trata-se por fim de uma concentração de esforços no sentido de recuperar as características ambientais da Bacia do Rio Acre tendo como foco a revegetalização da sua mata ciliar. Projeto: Propagação in vitro de jarina A-34 A jarina (Phytelephas macrocarpa R. e Phytelephas microcarpa R & Pav.) é uma palmeira pequena, de tronco grosso com numerosas raízes adventícias e flores de perfume forte. É conhecida também como marfim vegetal, em português, tagua em espanhol, ivory plant em inglês e brazilianische steinmüssee em alemão. Ocorre de forma espontânea em diversas regiões tropicais do mundo e no Brasil distribui-se por toda a região amazônica, principalmente no sudoeste do Estado do Amazonas e nos vales dos rios Purus, Acre, Antimari, Iaco, Caeté, Maracanã e Gregório, Estado do Acre. A palmeira possui crescimento lento, sendo encontrados indivíduos com mais de 100 anos de idade. As sementes levam 3 a 4 anos para germinar e as plantas de 7 a 25 anos para início da frutificação. A palmeira é utilizada por populações locais na construção civil (cobertura de casas com as folhas), alimentação do homem e animais (polpa não amadurecida) e confecções de cordas (fibras). Contudo, a parte mais usada da planta é a semente, que em substituição ao marfim animal, é empregada na confecção de ornamentos, botões, peças de joalheira, teclas de piano, pequenas estatuetas e vários souvenirs. Transformada em jóias, a jarina está ganhando fama com as lojas de luxo, oferecendo relógios, brincos, braceletes e colares feitos de marfim-vegetal. A jarina pode ser considerada uma gema orgânica, genuinamente amazônica, estendendo-se além das fronteiras brasileiras. As sobras da jarina são transformadas em um pó, que é exportado do Equador para os Estados Unidos e Japão, após o corte do material para a produção de botões. Atualmente, com os riscos de extinção de animais fornecedores de marfim, a jarina apresenta-se como alternativa ao marfim verdadeiro. A crescente demanda por produtos naturais tem despertado interesse PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 81 em muitas empresas que comercializam produtos das florestas tropicais, especialmente aqueles que podem consolidar o “mercado verde”. O aumento no interesse pelos produtos da floresta, principalmente dos não madeireiros, deverá refletir no incremento das pesquisas sobre o conhecimento tradicional, aliadas às pesquisas envolvendo aspectos ecológicos de espécies com potencial de uso, constituindo-se tanto numa alternativa ao desmatamento, como dos povos que vivem nessas florestas e fazem uso dos seus recursos. As técnicas de cultura de tecidos podem auxiliar na conservação de material genético de árvores raras, de elite ou que estejam ameaçadas de extinção, apresentando-se como uma alternativa viável para redução das dificuldades encontradas na sua propagação. A propagação in vitro tem despertado interesse por facilitar a produção de mudas de material elite em escala comercial, por produzir plantas livres de patógenos e acelerar programas de melhoramento que, no caso de palmeiras, são demorados e complexos, em virtude do longo ciclo, hábito de crescimento e ausência de métodos convencionais de propagação vegetativa em virtude da ausência de câmbio vascular em monocotiledôneas. A técnica de cultivo in vitro de embriões zigóticos é um procedimento muito comum no melhoramento de plantas, empregada na regeneração de embriões de sementes que não germinam em condições convencionais de semeadura, como é o caso da jarina. Contudo, ainda são necessárias muitas informações básicas para o desenvolvimento de um protocolo eficiente para regeneração de plântulas. Outros fatores também influenciam na regeneração de culturas in vitro, como o balanço entre os reguladores de crescimento supridos ao meio de cultura e os produzidos pela planta, responsáveis por estímulos de respostas para a diferenciação, crescimento, multiplicação e alongamento celular. A composição e a concentração dos fitorreguladores utilizadas no meio de cultura são determinantes no crescimento e no padrão de desenvolvimento na maioria dos sistemas de cultura. A atividade tem como objetivo estabelecer protocolos para regeneração de plântulas de jarina in vitro. Os ensaios serão conduzidos no Laboratório de Cultura de Tecidos Vegetais da Embrapa Rondônia, Porto Velho. Serão empregados como explantes segmentos foliares e embriões zigóticos, retirados de folhas 82 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL e sementes de plantas, respectivamente, pertencentes a plantios do campo experimental da Embrapa Rondônia, em Porto Velho. Serão realizados experimentos para estabelecimento de um protocolo de desinfestação dos explantes, empregando hipoclorito de sódio e hipoclorito de cálcio em várias concentrações e tempos de imersão dos explantes. Em seguida, os explantes serão cultivados em meio MS e WPM, com diferentes concentrações de 2,4-D, TDZ e BAP, visando a indução da organogênese indireta e embriogênese somática, bem como o cultivo de embriões. Após a inoculação, as culturas serão mantidas no escuro e de acordo com o objetivo do experimento serão transferidas para condição de fotoperíodo 16 horas luz/8 horas escuro. O delineamento a ser aplicado será inteiramente casualizado com 20 repetições por tratamento. Projeto: Educação ambiental na rede de ensino A-35 Os serem humanos como elemento parte do meio ambiente, vêm ao longo dos anos destacando-se no cenário ambiental como o principal agente transformador do meio em que vivem. O homem,é um ser capaz de efetuar ações tão transformadoras que chega ao extermínio do próprio meio. Essa transformação vem se dando ao longo dos séculos sem distinção de região, de época ou de povos, todos indiscriminadamente têm transformado de forma danosa a natureza. No último século, aumentou a preocupação do homem com a marcha com que as transformações do meio ambiente têm atingido direta ou indiretamente a vida do homem em sua sociedade urbanizada. Essa preocupação, fez surgir inúmeros movimentos no sentido de buscar formas de conter os malefícios que o próprio homem tem causado à natureza. Mas, o que fazer para conter o ritmo com que se alastram as transformações do homem na natureza? Quem é responsável pela PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 83 criação de normas que regulem estes movimentos transformadores? De que forma conscientizar o próprio homem de que essas transformações cumulativas são cada vez mais danosas ao próprio homem? Ao longo dos anos, o homem tem interferido na flora, na fauna, no solo, na água e até a camada de ozônio que envolve a terra tem sofrido com a interferência danosa do homem. Tudo isso cumula com danos irreparáveis e ameaçadores à sobrevivência de todos. Projeto: Ecodesig: reutilizando com arte A-36 O projeto Petinox foi idealizado pela artista visual Michelle Moraes e surgiu por meio do trabalho de conclusão do Curso de PósGraduação em Artes Visuais no Senac (AM). A monografia da artista intitulada desenho, materiais, inovação: um caminho da joalheria contemporânea, trabalhou desde os aspectos históricos, conceituais das jóias, até a pesquisa de materiais e a criação de uma coleção de jóias confeccionadas com garrafas pet e resíduos industriais de inox, coletados no pólo industrial de Manaus. O resultado superou as expectativas e vislumbrou-se novas possibilidades. Após a conclusão do curso, a designer criou novas peças e a série recebeu o nome de Petinox. A criatividade, ineditismo e o aspecto ecológico logo a levaram a conceder várias entrevistas, realizar um desfi le de lançamento e uma exposição na Saraiva MegaStore. A partir de então, observou-se que as criações, além de peças artísticas e com possibilidades comerciais, também podem representar um caminho para a realização de um trabalho sócio-educativo, de caráter ambiental e artístico, no âmbito do Ecodesign e que também, possibilite às pessoas de baixo poder aquisitivo terem um fonte de renda. A princípio, a designer pensou apenas em mostrar como o design, os materiais e inovação podem fazer a diferença e agregar valor a um produto de natureza artística, no caso as jóias. Para isso, escolheu o pet aproveitado de garrafas de refrigerante, o arame, fitas e resíduos 84 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL de inox, recolhidos de uma fabrica de reciclagem, no distrito industrial de Manaus. A definição da matéria-prima foi feita em virtude de que os mesmos representam muito bem um grupo de materiais brutos, muitas vezes considerados sucata, e que para ganhar uma cara, uma forma especial ou conceito de jóia, necessitam do trabalho do artista. Além disso, procurouse enfocar questões como a reciclagem e reutilização, tão importantes na sociedade atual, onde a preocupação com o fator ambiental está dentre as prioridades nas pautas de discussão. Projeto: Atributos do solo e emissão de CO2 em áreas de Terra Preta Arqueológica sob diferentes usos na região Sul do Amazonas A-37 As Terras Pretas Arqueologicas (TPAs) são solos oriundos de atividades humanas e ocorrem em sítios ou assentamentos, de origem ainda não bem esclarecida, na paisagem amazônica. Estes ambientes caracterizam-se por sua alta fertilidade natural, resultante da prolongada ocupação humana, que se manifesta pela presença de fragmentos de artefatos cerâmicos e material lítico, assim como, restos de fauna e flora. Em virtude da coloração escura da camada superficial, esses solos são conhecidos por designações como Terra Preta de Indio, Terra Preta Antropogênica ou Terra Preta Arqueológica, além de uma variante menos divulgada, a Terra Mulata (Kampf & Kern, 2005). A origem das TPAs ainda e motivo de controvérsias entre pesquisadores, mas a hipótese mais aceita e que seu aparecimento se deve a atividade humana (Smith, 1980), provavelmente de populações pré-colombianas. Embora aceita, esta afirmativa gera uma série de dúvidas, entre as quais o questionamento da formação ou como mera consequência da ocupação humana (Kern et al., 2003, Neves et al., 2003), ou seja, originam-se por antropogênese, associada a pedogênese. A elevada fertilidade das TPAs e atribuída às propriedades físico-químicas da matéria orgânica, principalmente pela contribuição significativa do carbono pirogênico, formado por oxidação incompleta de materiais orgânicos (Derenne; Largeau, 2001) que exibem alta PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 85 resistência a oxidação termal, química e até a foto-oxidação (Skjemstad et al., 1996). Do ponto de vista cultural, as TPAs são importantes registros do processo de ocupação da Amazônia e podem esclarecer questões a respeito da distribuição da população, capacidade de suporte do solo, padroes de assentamentos e o uso da terra por antigas civilizações (Lima et al., 2002). Além disso, as Terras Pretas Arqueológicas (TPAs) apresentam em média ate seis vezes mais matéria orgânica estável do que os solos adjacentes, sem horizonte A antropogênico (Glaser, 2001), figurando, portanto, como um grande reservatório de carbono orgânico. As mudanças na cobertura vegetal e as transformações do ambiente alteram a dinâmica natural do carbono no solo, bem como a evolução/ sequestro de carbono da atmosfera. Segundo Centurion et al. (2001), a medida em que os ecossistemas vão sendo substituído por atividades voltadas para fins industriais ou produção de alimentos, há degradação ambiental, principalmente em função do uso e manejo inadequados dos solos. Dessa maneira, o conhecimento dos atributos indicadores da qualidade do solo, especialmente em áreas de Terras Pretas Arqueologicas, e fundamental, tanto para capacidade de produção das culturas, como tambem, nas funções ambientais importantes que desempenham. Para Neves et al. (2007) a quantificação das alterações nos atributos do solo, decorrentes da intensificação de sistemas de uso e manejo, pode fornecer subsidios importantes para a definição de sistemas racionais de manejo, contribuindo assim para tornar o solo menos suscetível à perda da capacidade produtiva. Assim sendo, faz-se necessário estabelecer referências que possam reproduzir de forma satisfatória, os limites ou índices desejáveis ou aceitáveis de determinados parâmetros, particularmente nos meios agrícola e natural (Galindo et al., 2008). Outro fato importante e que a Regiao Sul do Amazonas está inserida no chamado Arco do Desmatamento faixa que se estende do Maranhão até Rondônia (Cohen et al., 2007) e onde encontram muitos sítios de Terras Pretas Arqueológicas, alguns profundamente alterados por práticas agropecuárias. Apesar disso, nenhum trabalho propôs investigar as alterações desses ambientes. Assim sendo, este trabalho tem por objetivo geral caracterizar os ambientes de Terras Pretas Arqueológicas, naturais e transformados, em condições amazônicas, visando investigar os impactos das transformações vegetacionais sobre os atributos do solo e a emissão de CO2 na Regiao Sul do Amazonas, utilizando técnicas de geoestatística e análise multivariada. 86 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL Projeto: A-38 As questões ambientais são pautas das arenas de discussão locais e globais. Todos reconhecem que o nosso ambiente está sendo devastado, pois são constantes as notícias vinculadas na mídia falada e escrita sobre mudanças climáticas, poluição de rios e do ar, destruição da floresta, extinção de espécies, esgotamento dos recursos minerais. A necessidade de uma ação coordenada para minimizar estes impactos antrópicos negativos ao meio ambiente foi delineada em 1987 pelo Relatório de Brundtlant “Nosso Futuro Comum” instigando as sociedades a repensarem suas práticas e convicções de desenvolvimento. Foi através deste relatório que a terminologia “desenvolvimento sustentável”, ou seja, o atendimento das necessidades do presente sem comprometer a capacidade das gerações futuras atenderem suas necessidades, foi definido e difundido (Diegues, 1992). A idéia inspirou muitas reuniões internacionais importantes na discussão do tema, mas para Amartya Sen, prêmio Nobel de Economia em 1998, o conceito de desenvolvimento sustentável deve incluir a manutenção da liberdade, além da satisfação das necessidades. Para o autor, é certo que as pessoas têm necessidades, mas também tem valores, e valorizam sua capacidade de avaliar, agir e participar. É esta participação que requer atenção especial, pois devemos deixar de ser “pacientes” para sermos agentes transformadores e tomadores de decisão, cuja liberdade de decidir qual valor atribuir às coisas e de que maneira preservar esses valores se estende muito além do atendimento de nossas necessidades (Sen, 2004). Como proposta de desenvolver cidadãos críticos, conscientes e agentes participantes de mudanças, a Conferência de Tibilisi em 1977 definiu os princípios da educação ambiental, enfocando a inclusão da sensibilidade e de valores, ou seja, não basta saber, estar informado, é necessário tocar o indivíduo, estimular a sensibilidade e a criatividade, promover meios para que o mesmo desenvolva suas habilidades, dando a cada um a capacidade de solucionar os problemas e engajar-se em processos de mudança. Na expectativa de engajar a comunidade em projetos ambientais, vários pesquisadores e agentes desenvolvem PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 87 atividades pontuais, deficientes, sem referenciais teóricos, sistematização ou identificação dos valores atribuídos aos recursos naturais pelo grupo pesquisado. Tendo em vista que para surtir efeito profundo de mudança, promoção de valores e comportamentos, bem como, comprometimento e empoderamento, a educação ambiental demanda tempo, vale a pena investir em estratégias de atuação (Pádua et al., 2003). Neste cenário, caracterizar o conhecimento e a percepção ambiental dos atores envolvidos, docentes e discentes da rede de ensino público (fundamental e superior) do município de Parintins, instigando-os através de abordagem participativa na construção de estratégias e ações transformadoras, pode ajudar a clarear os passos a serem trilhados na expectativa de implantação de um programa de educação ambiental com começo, meio e fim. Projeto: Compostagem, ressocialização e qualidade de vida A-39 A reintegração na sociedade dos apenados em finalização de penas ou Jovens que estão concluindo medidas sócio-educativas, nas Instituições do Estado do Amapá poderá ser realizada através do conhecimento e da aplicação das técnicas de Compostagem em uma parceria com o Centro de Educação Profissional Graziela Reis de Souza, no Núcleo curricular de Disciplinas, Sociedade e Meio Ambiente e Gestão e Empreendedorismo, onde serão desenvolvidas atividades empreendedoras, estimulando o espírito criativo dos envolvidos no Projeto, alem da integração entre os futuros técnicos em Meio Ambiente da Instituição. Esta reintegração proporcionará ao participe que este adquira conhecimentos teóricos, práticos e pedagógicos no contra turno docente dentro da própria instituição onde ele se encontra, o capacitando para empreender um Plano de Negócios, que utilizará resíduos orgânicos coletados na comunidade e materiais como: caroços de açaí, pó de madeira (moinha) restos de folhas dentre outros para o fornecimento posterior de insumos concentrados e húmus orgânicos em um empreendimento diversificado, desde o paisagismo, manutenção de jardins e praças publicas com composto 88 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL orgânico, cultivo de ervas aromáticas e medicinais, flores e pimentas decorativas. Projeto: Práticas de Manejo para o Uso Sustentável de Pastagens Nativas nos Lavrados de Roraima A-40 Roraima possui 224.298 km2 de extensão territorial, apresen tando basicamente dois ecossistemas. O primeiro formado predominantemente por um estrato graminóide (gramíneas e ciperáceas), entremeado por vegetação arbustiva, como o caimbé ou lixeira (Curatella americana) e murici (Byrsonima spp) e árvores como a sucuúba (Himatanthus articulatus), e sucupira do campo ou paricarana (Bowdichia virgilioides), é conhecido como savana, cerrado ou lavrado, ocupando 17% do Estado (40 mil km2). Já, o segundo ecossistema corresponde a 83% das áreas do Estado, com cobertura vegetal do tipo floresta tropical úmida. Nas pastagens nativas dos lavrados, entre as gramíneas, o capim conhecido como fura-bucho (Trachypogon plumosus) está presente em todas as regiões, exceção feita para as áreas inundáveis. Além deste, destaca-se ainda espécies dos gêneros Andropogon, Axonopus, Panicum e Paspalum. Na realidade, as condições de solo, seja por excesso de água no período chuvoso e falta no período seco, baixa fertilidade ou condições físicas, determinam em grande escala a cobertura vegetal predominante (Braga, 2000). A pecuária bovina, desenvolvida, basicamente, em pastagens nativas do lavrado caracteriza-se por ser uma atividade predominantemente extensiva e pouco produtiva, com baixos níveis de produção e produtividade. Contudo, é a segunda mais importante atividade econômica, depois do cultivo de grãos, notadamente do arroz irrigado ou de várzeas. Atualmente, existem 8.700 estabelecimentos com pecuária, dos quais, 5.200 praticam a bovinocultura de corte, sendo as atividades mais usuais as de cria; de cria e recria; e de cria, recria e engorda, totalizando 4.800 estabelecimentos e 571.100 animais. Apesar de cerca de 90,2% dos estabelecimentos pecuários possuirem áreas acima de 100 ha, a pecuária de corte apresenta forte componente social, considerando-se que o módulo rural para áreas de lavrados está estimado em 150 ha. A pecuária de corte é PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 89 sem dúvida a principal atividade nos lavrados de Roraima. Apesar da baixa capacidade de suporte das pastagens da região que oscila entre 5 a 10 hectares por cabeça, a região se distingue pela alta taxa de natalidade de crias, independentemente do pouco peso por animal. Esta atividade concentra-se maciçamente nas áreas de savanas e sopés das serras, com alta mobilidade na época seca, quando o gado se desloca a procura de lagos ou igarapés que não sequem para sua dessedentação. Na região das serras a atividade pastoril já é bem mais reduzida, mas também importante, existindo em praticamente todas as comunidades indígenas e fazendas da área. Nestas áreas as pastagens apresentam melhor qualidade e maior possibilidade de animais com maior peso. A estimativa atual é de uma densidade de 3,3 bovinos/km2 ou 43 ha/cabeça de gado, ou ainda 1,2 cabeças de gado/habitante. Para as comunidade indígenas tem-se a média de 2 cabeças de gado/indivíduo. O rebanho bovino estadual está estimado em cerca de 650 mil cabeças para uma taxa de desfrute de 12 a 15%, sendo que, pelo menos, 10% do efetivo está concentrado em áreas indígenas, desempenhando importante papel social e econômico na alimentação e na geração de renda dessas populações. A pastagem nativa tem servido ao longo dos anos como única fonte de alimento para os herbívoros. Pelas condições de fertilidade do solo, essas pastagens são de baixo valor tanto qualitativo quanto quantitativo, o que pode ser observado pela baixa capacidade de suporte das mesmas, sendo necessário de quatro a dez hectares para cada bovino adulto, com média de seis ha/animal, o que torna necessário a adoção de alternativas técnicas para o seu melhoramento, visando a maximizar seu potencial produtivo. Essa taxa de lotação animal não é muito diferente daquelas encontradas em savanas nativas de outras regiões, como por exemplo, os llanos venezuelanos e colombianos. Essa variação ocorre em razão do tipo de solo e da época do ano, em que o crescimento e a produção anual de forragem depende do regime hídrico e das características físicas e químicas do solo, determinando melhores ou mais altas produções no período das chuvas e limitações no período seco. Esta situação é considerada como ponto de estrangulamento do processo produtivo da pecuária nos lavrados, onde os ganhos obtidos nos períodos favoráveis, em muitos casos somente servem para repor o peso perdido em períodos adversos de disponibilidade de forragem, o que implica em uma pecuária de baixa sustentabilidade econômica. Neste contexto, considerando-se a importância econômica e social da pecuária de corte e a abundância de recursos naturais suficientes para o fornecimento do suporte alimentar para os rebanhos, a utilização de práticas de manejo mais adequadas, em consonância 90 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL com as característcas florísticas e produtivas das pastagens nativas dos lavrados de Roraima, pode se constituir numa alternativa para a maximização de sua utilização, resultando em exploração com elevados índices de sustentabilidade econômica (maior produtividade animal e redução dos custos de produção), social (geração de renda e emprego) e ambiental (incorporação de áreas subutilizadas ao processo produtivo e redução dos desmatamentos). As pastagens nativas dos lavrados de Roraima, apesar de limitações quantitativas e qualitativas, historicamente, sempre propor cionaram o suporte alimentar para a exploração pecuária, que passou a se constituir, ao longo dos anos, como a principal atividade econômica da região. O sistema de pastejo contínuo com taxa de lotação variável, mas em geral extensivo a super-extensivo e desvinculado do ritmo produtivo estacional, tem contribuição direta para os baixos índices produtivos dos rebanhos. Como forma de melhorar as condições de alimentação, os criadores usam o fogo, prática de manejo das pastagens visando à eliminação da forragem não consumida e endurecida, proporcionando melhoria no valor nutritivo quando em estados iniciais de crescimento, onde o capim se torna mais tenro. Nos lavrados onde o capim Trachypogon representa 65% da pastagem nativa existente, a produção animal pode ser muito baixa, o que inviabiliza economicamente a atividade pecuária em áreas onde ocorre sua predominância, desde que não sejam implementadas práticas para o seu melhoramento. O fogo tem sido, ao longo dos anos, o único elemento de manejo e o grande selecionador das espécies de gramíneas nativas nesse ecossistema, sendo utilizado em até três vezes por ano, constituindo-se em importante fator ecológico da região, porém com reflexos altamente significativos e negativos no passivo ambiental decorrente da atividade pecuária. Falar de savana implica inevitavelmente falar de fogo, pois mesmo antes da presença do homem nessas regiões, o mesmo já existia, ocorrendo de forma indiscriminada, visto que as queimadas ocorriam de forma acidental e iniciadas por raios ou altas temperaturas na seca e que levam a combustão espontânea, contribuindo de forma significativa para o aumento da emissão de gases do efeito estufa. Além do fogo, a compactação do solo, formando uma camada endurecida na sua superfície, torna-o pouco permeável, impedindo a penetração mais profunda das raízes. Dessa forma, com a chegada da estação seca, o lençol freático desce e a falta de raízes profundas torna-se fatal para a maioria das espécies vegetais. Contudo, diversos estudos realizados com diferentes tipos de pastagens nativas de regiões tropicais, têm, consistentemente, demonstrado os efeitos deletérios do fogo sobre PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 91 as características físicas e químicas do solo, além de proporcionarem incrementos efêmeros e de baixa magnitude na produtividade e qualidade da forragem em oferta. Apesar de serem ecossistemas relativamente estáveis, as pastagens nativas, manejadas sob fogo, não possibilitam a obtenção de indicadores técnicos e ambientais que possam assegurar a sua sustentabilidade econômica, o que implica em uma exploração pecuária obsoleta e sem perspectivas de evolução. Para tanto, a adoção de práticas alternativas às queimadas (calagem, adubação, roçagem, pastejo alternado, diferido ou rotativo) surgem como ferramentas de manejo que podem substancialmente modificar e melhorar os sistemas tradicionais de exploração da pecuária na região. A pecuária bovina no lavrado apresenta sérias limitações, tais como alimentação, tipo de criação, qualidade zootécnica do rebanho, aspectos sanitários, dentre outras. Especificamente em relação a alimentação, torna-se necessário o conhecimento das características morfogenéticas das gramíneas nativas. Existe uma estreita correlação entre o ciclo vegetativo das plantas e o seu valor nutritivo, pois à medida que a planta cresce, decresce a proteína bruta e aumenta os teores dos elementos estruturais (fibra, celulose e lignina). A lignificação aumentando, leva à diminuição da digestibilidade e, consequentmente a diminuição do consumo voluntário de forragem. A abundância de forragem não significa necessariamente que o animal disponha de maior quantidade de alimento, muito pelo contrário, quanto mais velha for a pastagem, menor será o consumo, a digestibilidade e por conseguinte menos alimentado o animal estará. Neste sentido, o conhecimento das características morfogênicas e estruturais das gramíneas nativas é de fundamental importância para o estabelecimento de práticas de manejo que assegurem sua produtividade, persistência e melhor utilização pelos animais. Em áreas tropicais, com pastagem nativa, a estação seca passa a ser o maior problema limitante para a obtenção de melhores índices de produção animal. Nesse período, o valor nutritivo das gramíneas forrageiras decresce acentuadamente atingindo de 2 a 4% de proteína bruta, o que leva à perda de peso, influenciando diretamente na taxa de natalidade, na produção de leite e no crescimento dos animais. Na época chuvosa, com a pastagem em crescimento, esta pode atingir entre 6 e 12% de proteína bruta, fazendo com que os animais ganhem peso. Estima-se, para as áreas de savana nativa, que 6% de proteína bruta seja o mínimo para que o animal mantenha seu peso equilibrado. Em outras palavras, quando a proteína bruta for inferior a 6% nas forrageiras, diz-se que seu teor é baixo; quando estiver 92 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL entre 6% e 9%, este é mediano e quando for superior a 10% é alto. Com o uso do fogo, fato semelhante ocorre, visto que na fase inicial de crescimento das forrageiras a proteína bruta está por volta de 8 a 10% e vai decrescendo para menos de 4% em 100 a 120 dias, após a queima, enquanto que o teor de fibra comporta-se de maneira exatamente inversa. Neste contexto, uma alternativa viável, técnica e economicamente, para o melhoramento das pastagens nativas, seria a introdução de leguminosas forrageiras, que além de contribuírem de forma significativa para o aumento da oferta de foragem de alto valor nutritivo, atuariam proativamente para a melhoria das características físicas e químicas do solo, seja pela fixação simbiótica de nitrogênio da atmosfera ou pela adição ao sistema soloplanta de expressivas quantidades de matéria orgânica, via deposição de resíduos vegetais. Apesar da grande relevância social e econômica da pecuária em Roraima, os indicadores zootécnicos são extremamente baixos, notadamente quanto à produtividade de carne e a capacidade de suporte das pastagens (6 a 8 hectares/animal), denotando subutilização dos recursos naturais disponíveis, implicando em significativos prejuízos econômicos, sociais e ambientais. As principais causas para o fracasso da pecuária, enquanto atividade estável e com perspectivas promissoras de expansão, talvez resultantes da indefinição fundiária existente, são a baixa fertilidade dos solos, a baixa qualidade da pastagem nativa, agravada pela oferta estacional, a falta de investimento na formação de pastagens de boa qualidade e de mineralização adequada dos rebanhos. Estimativas indicam que, em pastagem nativa não melhorada, a produção de carne foi da ordem de 7 a 9 kg/ha/ano, sendo o peso médio de carcaça de 160 kg. A média estadual é de 223 kg para os machos e de 171 kg para as fêmeas, considerando-se que a terminação dos animais ocorre em áreas de floresta, onde as pastagens cultivadas são de melhor valor nutritivo. O desempenho produtivo de bovinos anelorados em pastagem nativa, recebendo como suplementação apenas sal comum (cloreto de sódio), foi insignificante (0,056 kg/dia), evidenciando, categoricamente, sua insustentabilidade econômica. Estes indicadores podem ser consideralvelmente incrementados com a adoção de práticas mais eficientes de manejo das pastagens nativas, as quais, necessariamente, não implicarão na utilização de insumos que onerem os custos de produção. Atualmente, o agronegócio representa a principal atividade de impacto ambiental no lavrado, ao lado da grilagem de terras, pecuária extensiva e olarias. O crescimento urbano desordenado é outra preocupação importante, pois este ambiente abriga mais de 80% da PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 93 população em menos de 20% da área física do Estado. A maior parte das áreas de silvicultura e produção de grãos de Roraima estão no lavrado. Os principais cultivos são de Acacia mangium, espécie exótica usada para reflorestamento (30 mil ha), arroz irrigado (19 mil ha) e soja (9 mil ha). O plantio de cana-de-açúcar, até o momento, está em fase experimental (800 ha). Antigos cultivos (caju e eucalipto) ligados ao FISET (Fundo de Incentivo Setorial) do início da década de 1980 (< 1500 ha), e os atuais projetos de fruticultura da Prefeitura de Boa Vista (600 ha) também podem ser somados ao lavrado. Embora a área total utilizada por estes projetos ainda seja inferior a 65 mil hectares, o cenário é favorável para a expansão do agronegócio em toda a área de savana que se localiza fora das terras indígenas (cerca de 1,7 milhão de hectares). A principal conseqüência da expansão das monoculturas será o impacto sobre os recursos hídricos e a perda de biodiversidade. Contudo, considerando-se a cobertura vegetal dos lavrados de Roraima, constituída basicamente por gramíneas nativas, pode-se inferir que a pecuária, em moldes racionais e sustentáveis, seria uma atividade econômica que poderia, em níveis satisfatórios, assegurar sua preservação, além de contribuir de forma positiva para a geração de emprego e renda. Ademais, o manejo adequado do ecossistema lavrado é uma alternativa que potencialmente pode reduzir a ocorrência de incêndios, naturais ou propositais, evitando catástrofes ambientais como a ocorrida em 1998, a qual foi considerada uma das maiores do século XX. Com o ajuste da carga animal, em função da capacidade de suporte da pastagem nativa, a disponibilidade de material, com fonte de combustível para a queima, é reduzida a níveis extremamente baixos, diminuindo consideravelmente a ocorrência de incêndios. Para obtenção dos objetivos propostos no projeto serão conduzidos quatro experimentos voltados para testes de alternativas de manejo e melhoramento da pastagem nativa dos lavrados de Roraima. O solo predominante é o latossolo amarelo, textura média e baixa fertilidade. A vegetação predominante é composta de gramíneas dos gêneros Trachypogon, Andropogon e Axonopus. Sob o aspecto climático a região apresenta períodos seco e chuvoso bem definidos, com aproximadamente seis meses cada um. A precipitação anual de Roraima é de 1.600mm sendo que 80% dessa precipitação ocorre nos seis meses do período chuvoso. A temperatura é alta durante todo o ano, apresentando média de mínimas em torno de 23ºC e média de máximas em torno de 33ºC e umidade relativa do ar de 76%. As ações a serem desenvolvidas são detalhadas a seguir. 94 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL A-41 Projeto: Capacidade germinativa de sementes de espécies arbóreas nativas da Amazônia visando à produção de mudas para reflorestamento de igarapés degradados no município de Manaus O crescimento desordenado e acelerado a qual os grandes centros urbanos vêm sofrendo, tem promovido continuamente o desmatamento de grandes áreas florestais. A consequência dessa falta de planejamento tornou-se uma ameaça constante a existência dos diversos ecossistemas naturais, uma vez que a remoção da vegetação nativa e contaminação dos cursos d’àgua por dejetos domésticos geram efeitos diretos e negativos sobre a qualidade do ambiente urbano, a biodiversidade e a saúde da população humana. Felizmente algumas medidas já estão sendo tomadas para evitar a proliferação de ações destrutivas ao meio ambiente no Estado do Amazonas. O Projeto Prosamim, coordenado pelo Governo do Estado do Amazonas prevê a manutenção e restauração dos igarapés urbanos a fim de restabelecer o bem estar da sociedade. No entanto, a restauração dos igarapés implica em ações contínuas de melhoria não apenas na qualidade das águas superficiais e na vida dos moradores, mas também na regeneração da paisagem natural desses ambientes. Uma vez que a vegetação marginal tem significativa influência para a manutenção e nutrição dos igarapés e conseqüentemente da fauna local, a presente proposta pretende avaliar a capacidade germinativa de espécies arbóreas nativas da Região Amazônica visando o reflorestamento dos igarapés urbanos degradados do município de Manaus. Para isso será realizado um beneficiamento das sementes de espécies arbóreas nativas de boa qualidade provenientes de matrizes sadias e vigorosas, experimentos de germinação avaliando os fatores que influenciam o processo germinativo, além da avaliação das mudas nos primeiros estágios de desenvolvimento. O resultado do trabalho trará inúmeros benefícios ambientais e sócioeconômicos para a Região Amazônica na medida em que promoverá a integração harmônica do homem com a natureza. As informações científicas geradas servirão para subsidiar projetos de reflorestamento de áreas degradadas e agraciará os produtores de mudas locais com informações científicas indispensáveis para melhorar e ampliar o mercado de mudas nativas e promover o desenvolvimento sustentável da Amazônia. PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 95 Projeto: Desenvolvimento de coletor seletivo de resíduos sólidos (lixo) para otimizar a reciclagem A-42 O potencial do Brasil para reciclagem de resíduos sólidos é imenso. Enquanto isso, o descarte de resíduos sólidos como plástico, papel, vidro, metal e outros no meio ambiente aumenta a cada dia, contribuindo com a contaminação do lençol freático, recursos hídricos, da natureza prejudicando a biodiversidade (biota). É necessária a inserção de novas tecnologias no processo de coleta seletiva de resíduos sólidos (lixo) para reciclagem no sentido de facilitar e agilizar o serviço dos catadores nesta coleta, organizados em cooperativas e contribuir com educação ambiental, mas existem alguns gargalos no que se refere à coleta seletiva desses resíduos. Entre estes gargalos apresenta-se a falta de novos sistemas e de equipamentos que permitem agilizar a coleta seletiva destes resíduos sólidos. O projeto possibilitará estabelecer sistema tecnológico que aumente a capacidade e quantidade de coleta seletiva de resíduos sólidos descartados pelas pessoas nas residências, condomínios, edifícios, empresas e com isso reduzir a quantidade de lixos descartados no meio ambiente e destinados aos lixões. Devido à necessidade de melhoria no setor da coleta seletiva de resíduos sólidos para reciclagem e transformação. Este projeto consiste em desenvolver um coletor seletivo de resíduos sólidos por gravidade embutido em parede, muro e grade, para instalação em residências condomínios, edifícios e empresas, a fim de ajudar e facilitar os catadores organizados em cooperativa, compreendendo os requisitos de sistema de coleta interna e externa, suporte de encaixe do coletor seletivo na parede, muro ou grade, entradas interna e externa de resíduos com tampas e travas de segurança, saídas externas inferior em declive e superior com tampas e travas de segurança,permanecendo fechado e lacrado impossibilitando o contado do lixo com cães e gato, evitando com isto depredação dos mesmos, considerando desde armazenamento e seleção até retirada seletiva dos resíduos sólidos pelos catadores. O projeto prevê o desenvolvimento de um coletor seletivo embutido na parede, muro ou grade que possa facilitar a coleta seletiva 96 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL de resíduos sólidos nas residências, condomínios, edifícios e empresas. Atualmente não existe nenhuma iniciativa neste sentido de coleta seletiva de resíduos sólidos em residências para otimizar a reciclagem em grande escala, algumas das residências possui uma lixeira externa na calçada onde é colocado todo tipo de lixo. Este processo é ineficiente e são relatadas muitas perdas e depredação por cães e gatos causando transtorno a cidade, e grande parte destes resíduos vão parar nos igarapés e destes aos rios, nos bueiros obstruindo-os causando inundação, e grande parte vai para lixões inadequados e impróprios para o descarte destes resíduos, contaminando com isso o meio ambiente, lençol freático, nascente, corpos de água e biota. É preciso à inserção de novas tecnologias de inovações neste setor, pôs esta na hora da população fazer um esforço e dar sua parcela de contribuição de educação ambiental quanto o destino correto de aproveitamento e transformação de resíduos sólidos, reduzindo com isto o impacto ambiental gerando emprego e renda aos catadores. Os desafios construtivos do coletor seletivo residencial embutido demandam por conhecimentos em design gráfico construtivo, sistema de coleta por gravidade. Neste sentido o pesquisador proponente atende a estes requisitos. O desenvolvimento do projeto se dará em uma instituição de pesquisa do Estado do Amazonas e contemplara os passos necessários para o desenvolvimento dos sistemas do coletor seletivo, o sistema de coleta interna e externa, o sistema de travas de segurança. Na primeira etapa do projeto será feito o desenvolvimento das etapas de resistência do material aplicado ao coletor seletivo, sistema de coleta seletiva por gravidade. Na segunda etapa do projeto este equipamento será testado pela equipe de suporte técnico em escala menor, quando será disponibilizado para a Secretaria de Limpeza Pública para realização de testes em escala real. Após os testes em escala real serão feitos os testes nas travas de segurança. No final do projeto será feito um pedido de proteção intelectual do produto gerado na pesquisa. PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE A-43 97 Projeto: Inovação tecnológica para a reprodução por indução da espécie Brachyplatystoma flavicans e a criação de um dos grandes bagres da Amazônia ameaçado de extinção O projeto objetiva aplicação de inovação tecnológica, para a criação sustentável da espécie Brachyplatystoma flavicans (dourada da Amazônia) com a introdução dos anelídeos na cadeia alimentar minimizando custo com a ração industrializada, proposta de um projeto piloto para reprodução por indução (em laboratório) com o intuito da manutenção da espécie na Bacia do Rio Madeira principalmente na área de influência dos futuros reservatórios das UHE’s Santo Antonio e Jirau no município de Porto Velho (RO). A introdução de um laboratório para a reprodução de espécies selvagens, espécies ameaçadas de extinção e espécies economicamente viáveis, Tal iniciativa prende-se ao fato, de desenvolver um trabalho que privilegie uma estratégia de proteção ambiental, que busque soluções aos problemas sociais, ambientais, e que gere alternativa de emprego e renda para as comunidades do entorno dos reservatórios das UHE’s Santo Antonio e Jirau e profissionais da pesca associados às colônias de pescadores do Estado de Rondônia. Em ambiente natural a proliferação da dourada é de aproxima damente 500 alevinos ano. No entanto uma fêmea produz aproxima damente 10.000mil óvulos o aproveitamento é de mais ou menos 5%. Com a reprodução em laboratório (indução) com o auxilio de hormônio podemos alcançar uma aproveitamento de mais de 80%, o que representa 8.000 mil alevinos por fêmea. A proposta inicial é trabalhamos com 50 fêmeas, o que nos proporcionará uma produção de aproximadamente 400 mil alevinos ano. Com três anos o projeto estará alto-sustentável, uma vez que, com esta idade, inicia o ciclo reprodutivo da espécie dourada em ambiente natural. A metodologia para a implantação do projeto está planejada para ser desenvolvido em três ambientes e três fases: Na primeira fase e ambiente, o projeto compreenderá uma área do Estado de Rondônia na bacia do igarapé Bate-Estacas, um ecossistema com características propicia para a reprodução e a criação dos alevinos da espécie dourada até a fase de juvenil mais o menos 20 98 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL cm de comprimento, uma vez que, as características fisicoquimica da água têm as mesmas propriedades das águas do Rio Madeira habitat natural da espécie dourada. Na segunda fase e ambiente, o projeto compreenderá uma área do Estado de Rondônia na bacia do Rio Jamari, uma vez que, a jusante da UHE Samuel nas margens direita e esquerda existe aproximadamente mais de 22 lagos naturais ambientes propícios para o desenvolvimento até a fase de adulto, pois neste lagos há alimentos vivo em abundancia, peixe (forrageira) sem valor econômico no inicio da cadeia alimentar, com composições nutrientes e oferta em qualidade e quantidade semelhantes às existentes no estuário na foz do Rio Amazonas com o Oceano Atlântico. Na terceira fase e ambiente, o projeto compreenderá a Bacia do Rio Madeiras e demais afluentes do Rio Amazonas, sendo que com o período pluviômetro da região e o aumento do nível da água dos rios. Os lagos são inundados pelas águas da bacia do Rio Madeira e os peixes do projeto voltarão a calha dos rios e a área dos futuros reservatórios das UHE’s Santo Antonio e Jirau, como um produto com potencial para implementação do desenvolvimento sustentável na região. A-44 Projeto: Aplicação de um modelo de camada limite atmosférica para estudo da influência do desmatamento no comportamento climatológico e caracterização de potenciais eólicos em regiões amazônicas Um modelo numérico de Camada Limite Atmosférica (CLA), em desenvolvimento na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), deverá ser aplicado para uma ou mais regiões amazônicas para análise detalhada das alterações climatológicas da região devidas ao desmatamento. Este modelo é capaz de prever o comportamento do vento, umidade, pressão e temperatura regional em função do tipo de ocupação do solo (vegetação, cidades, água, entre outros). Desta forma um modelo de rugosidade do solo implementado ao modelo de CLA deve ser utilizado para captar principalmente a vegetação real de uma determinada região, em vistas a obter o comportamento dos parâmetros de interesse em função do tipo de rugosidade implementada para o solo (floresta fechada, área desmatada, região rochosa, grama baixa, água etc). PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 99 O modelo é capaz de simular várias condições de rugosidade, permitindo modelar desde uma floresta pluvial tropical (mata fechada) até terrenos com vegetação rasteira, que caracterizam pastos ou cultivos agrícolas das regiões desmatadas. Acredita-se que a mudança da condição de rugosidade do solo, mediante a alteração do comportamento do vento, seja capaz de alterar os parâmetros climatológicos como temperatura, umidade e a pressão na camada limite atmosférica envolvida. Desta forma, o modelo desenvolvido pode detectar se a mudança de uma mata fechada para uma vegetação rasteira, como conseqüência do desmatamento, pode acarretar em mudanças drásticas nos parâmetros climatológicos da região. Assim, a modificação da vegetação local, realizada através do modelo de rugosidade do solo, permite avaliar o comportamento regional destes parâmetros, indicando a necessidade de possíveis áreas de recuperação que venham a reproduzir as condições originais da região antes do desmatamento. Por outro lado, os resultados obtidos do modelo de CLA podem também ser utilizados com objetivos de desenvolvimento sustentável da região, tais como levantamento de potenciais eólicos de regiões de interesse, indicando as áreas de maior incidência de vento para instalações das turbinas eólicas para geração de energia elétrica em regiões da Amazônia. Uma possível mudança na direção e velocidade do vento, devido ao desmatamento descontrolado da região, pode ser capaz de alterar o ecossistema regional, não somente alterando as condições climáticas, como também gerando mudanças na distribuição de poluentes atmosféricos de centros industriais, alterando a distribuição dos mesmos na região. Em suma, o modelo de CLA proposto é capaz de fornecer informações regionais que podem ser utilizadas para prever as novas condições da região causadas pelo desmatamento, como também prever as possíveis áreas de recuperação que venham a melhorar as referidas condições. Por outro lado, o modelo proposto é capaz também de fornecer dados de vento da região que podem ser utilizados para elaboração de projetos sustentáveis de geração de energia elétrica a partir do levantamento dos potenciais eólicos da região. 100 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL Projeto: Pet Há Salvação A-45 Estamos vivendo no século XXI onde o mundo estar girando em três propostas humanitárias: a tecnologia que está formando um solo mundial, a moda que desde muito tempo é presente na vida dos brasileiros e o meio-ambiente que tem alertado a população mundial para um mundo melhor. Juntando essas três novas regras de vida do ser humano tiramos uma idéia que é presente na vida de cada brasileiro, uma idéia que vai abrir várias portas para o mercado brasileiro assim ajudando pessoas que precisam de ajuda financeira para sobreviver. Garrafas Pet são usada todos os dias no Brasil,milhares delas são jogadas fora, muitas são aproveitadas em indústria de reciclagem, e foi com a garrafa Pet que nasceu a idéia de juntarmos todos os desejos do brasileiro em uma proposta saudável. Qual pessoa não fica encantada com uma roupa nova? Com um enfeite de casa? Esse é o foco, garrafas Pet que podem se transformar em roupas, matérias de casa, mesa e banho e decorações. Tudo isso pode ser criado a partir da garrafa de Pet e é com isso que nasce a idéia de criar uma indústria de aproveitamento de garrafas PET para o uso do dia-a-dia do brasileiro. Nessa industria o material focado são as garrafas e os seus destinos são roupas,tecidos,matérias de casa,mesma e banho e decorações.Todo o desejo de consumo dos brasileiros. Com toda essa criação, a indústria não vai só salvar o meio ambiente, vai ter outra vantagem: ajuda trabalhadores das comunidades ribeirinhas. Dando a eles oportunidade de ter renda familiar e mudar a situação da população carente, pessoas que precisam apenas de uma oportunidade para crescer na vida. Com ajuda de empresas como o Sebrae que estimula o empreendedorismo, Embrapa que tem o apoio técnico e cientifico e uma empresa local,podemos juntar esse três fatores que tem presença na vida das pessoas.Roupa,quem não se encanta e precisa?È uma necessidade que vem de um desejo que juntamente fabricado com um material ecológico que é bem-vindo a natureza, podemos não só mudar a vida e costumes dos brasileiros sobre a natureza, mas sim PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 101 ajudá-los com uma oportunidade que abre portas para um futuro, onde suas crianças poderão continuar fazendo a diferença. Projeto: Reciclagem: uma nova forma de conscientização A-46 A reciclagem é o termo geralmente utilizado para designar o reaproveitamento de materiais beneficiados como matéria-prima para um novo produto, onde muitos materiais podem ser reciclados e os exemplos mais comuns são o papel, o vidro, o metal e o plástico. As grandes vantagens da reciclagem são a minimização da utilização de fontes naturais, muitas vezes não renováveis; e a minimização da quantidade de resíduos que necessita de tratamento final, como aterramento, ou incineração. Desde da década de 1980, a produção de embalagens e produtos descartáveis aumentou significativamente, assim como a produção de lixo, principalmente nos países desenvolvidos, havendo a necessidade de se criar uma nova alternativa para os resíduos sólidos. A reciclagem trás grandes vantagens em vários aspectos. No meio ambiente a reciclagem pode reduzir a acumulação progressiva de resíduos, a produção de novos materiais, como por exemplo, o papel, que exigiria o corte de mais árvores; as emissões de gases como metano e gás carbônico; as agressões ao solo, ar e água; entre outros tantos fatores negativos. No aspecto econômico, a reciclagem contribui para o uso mais racional dos recursos naturais e a reposição daqueles recursos que são passíveis de reaproveitamento. No âmbito social, a reciclagem não só proporciona melhor qualidade de vida para as pessoas, através das melhorias ambientais, como também tem gerado muitos postos de trabalho e rendimento. Muitos governos e ONGs estão cobrando de empresas, posturas responsáveis: o crescimento econômico deve estar aliado à preservação do meio ambiente. Atividades como campanhas de coleta seletiva de lixo e reciclagem, são mecanismos mais utilizados para redução desses resíduos, esse processo além de preservar o meio ambiente, 102 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL também gera riquezas, o que contribui para a diminuição significativa da poluição do solo, da água e do ar. No Brasil muitas indústrias estão reciclando materiais como uma forma de reduzir os custos de produção. Outro benefício da reciclagem é a quantidade de empregos que ela tem gerado nas grandes cidades, muitos desempregados estão buscando trabalho neste setor e conseguindo renda para manterem suas famílias. Como pode-se observar, se o homem souber utilizar os recursos da natureza, poderemos ter, muito em breve, um mundo mais limpo e mais desenvolvido. Desta forma, poderemos conquistar o tão sonhado desenvolvimento sustentável do planeta. Projeto: Controle biológico de moscas-das-frutas na Amazônia: um caminho para desenvolvimento sustentável da fruticultura A-47 Os problemas fitossanitários constituem-se no principal entrave à expansão da fruticultura nacional, uma vez que além de ocasionar danos diretos ao produto final, reduzindo sua qualidade e quantidade produzida, também são objeto de rigorosas normas internacionais impostas por países importadores, as chamadas barreiras não tarifárias. Adicionalmente, os atuais modelos de controle fitossanitário, baseados quase que exclusivamente na aplicação de defensivos agrícolas, podem provocar desequilíbrios biológicos no ecossistema, bem como outros danos ambientais. Nesse contexto, o presente trabalho propõe uma alternativa adicional para o controle de moscasdas-frutas, consideradas as principais pragas da fruticultura nacional e internacional. Ao que parece, esta é a primeira proposta que considera a associação de duas estratégias biológicas para o controle das referidas pragas. Em outras palavras, a proposta preconiza a utilização de fungos entomopatogênicos conjuntamente aos parasitoides nativos, para reduzir a multiplicação de moscas-das-frutas em condições naturais. É importante observar, no entanto, que as estratégias ora propostas não tem a pretensão de substituir os defensivos agrícolas no controle de moscas-das-frutas. O que se pretende é a incorporação dessas estratégias como importantes componentes de programas de manejo integrado dessas pragas. PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 103 Projeto: Produção de biomassa a partir de plantios florestais de rápido crescimento para produção de energia calorífica em uso doméstico e industrial A-48 Neste ano internacional das florestas, proclamado pela ONU, um dos maiores desafios deste século é a produção de energia renovável e sustentável, tanto no aspecto econômico quanto ambiental. O eminente esgotamento das fontes de carbono fósseis, principalmente o petróleo, apontado por pesquisadores para um prazo máximo de cem anos, torna este desafio ainda mais urgente. Ao assumir o incentivo à agricultura de energia, o Brasil enfrenta três grandes desafios do século XXI com uma única política pública: produzir energia sustentável; proteger o ambiente; e gerar emprego e renda, com distribuição mais equitativa. Este projeto pretende colaborar com este desafio, implementando nos municípios de Iranduba, Itacoatiara, Manacapuru, Maués, Parintins e Urucará, no Estado do Amazonas, um projeto demonstrativo piloto de Plantações Florestais Energéticas, com o objetivo central de produzir biomassa em florestas plantadas de alto rendimento para gerar energia de uso doméstico, para empresas do setor cerâmico e de panificação. Os principais benefícios no âmbito municipal serão a geração de emprego e renda para os pequenos e médios produtores; fixação da mão-de-obra no Interior do Estado; maiores retornos econômicos aos plantadores de florestas e seus produtos para atendimento ao setor primário de geração energético e derivados; profissionalização dos produtores de madeira na cadeia produtiva madeira-energia-lenha e derivados; e agregação de valor ao produto florestal, que passará a ter a característica de um produto “verde” que preservará as reservas de florestas nativas. Em nível nacional contribuirá com o Plano Nacional de Agroenergia, que embora ainda em estágio tecnológico inferior às demais fontes em uso, estas florestas energéticas apresentam aspectos positivos como a sustentabilidade dos sistemas e baixa emissão de gases de efeito estufa. Desta forma, o projeto pretende contribuir na realização da transição da matriz energética de uma forma mais segura e menos traumática para a qualidade de vida da população que vive na Amazônia, com enfoque na produção de energia a partir dos maciços de florestas energéticas. 104 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL Projeto: Levantamento e seleção de plantas retentoras de barranco para recuperação da mata ciliar do Rio Madeira A-49 O Rio Madeira, tem 1.700 km de extensão em território brasileiro e vazão média de 23.000 m3 por segundo, sendo o segundo Rio mais caudaloso da bacia amazônica. O Rio Madeira recebe este nome, pois no período de chuvas seu nível sobe e inunda as margens, trazendo troncos e restos de madeira das árvores. Aliado a isso, a excessiva atividade antrópica nas margens do Rio Madeira, em Porto Velho, tem destruído totalmente as matas ciliares, o que tem agravado drasticamente esse problema de desbarrancamento. A existência da mata ciliar é de vital importância para a conservação e funcionamento da bacia hidrográfica, pois, além da proteção, exerce também função de produção, proporcionando inúmeros bens e serviços ambientais as populações ribeirinhas. Muito se tem discutido sobre a necessidade de recomposição das matas ciliares, no entanto, apesar da conscientização de proprietários e governantes, os trabalhos de recomposição têm esbarrado, frequentemente, na inexistência de informações técnicas sobre o que e como plantar nas margens dos rios. Plantas que possuem características próprias como: adaptação a exposição parcial das raízes, flexibilidade, resistência a serem arrancadas pela forca da agua, capacidade de brotamento das raízes e propágulos vegetativos, são características desejáveis para utilização nessa recuperação. As espécies como os ingás, Inga vera Willd e Inga edulis Mart., são indicada na recuperação de barrancos de rios, pois se adapta e domina facilmente essas áreas, como também as espécies do gênero Salix (Salseiro) e Sapium (Sarã) são muito adaptadas a terrenos úmidos O objetivo deste projeto é o levantamento, identificação e teste de plantas com capacidade de retenção de barrancos visando oferecer uma alternativa a mais para recuperação da mata ciliar do Rio Madeira. O estudo será realizado na região do Lago do Cujubim, na margem direita do Rio Madeira, município de Porto Velho, RO. Serão utilizadas cinco propriedades, onde a mata ciliar foi eliminada e onde serão aplicados os devidos tratamentos. PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 105 Projeto: A construção de uma fabrica de reciclagem A-50 O nosso município por ser, mais de 50% de casas parafitas e estão localizado na aréa baixa da cidade vem há decadas sofrendo de duas calamidades. quando não é enchentes são as queimadas. Para quem conhece o Município de Laranjal do Jari no Estado do Amapá, é sabedor de que a poluição é um fator que contribui muito com essas situações calamitosas. É bem visível vê que nosso querido Rio jari esta sendo usado como um grande lixão a céu aberto para a população. Apesar de essa poluição está afetando o meio ambiente, está também prejudicando a saúde de nossos moradores. Quando é inverno nosso município é bem castigado com as chuvas por estarmos próximo da Cachoeira de Santo Antonio as cabeceiras ficam bastante cheias e descem no Rio Jari, como ele esta asoriado de lixo em grande parte, as águas não tem para onde irem causando as inundações. Quando é verão as águas secam e o sol castiga nosso município por está cheio de entulhos debaixo das casas, se torna um grande combústivil e acontecem incêndios de grandes proporções em nosso município. Por isso, a construção de uma fabrica de reciclagem seria uma grande ajuda, tanto para nosso município como nossos munícipes. e mais ainda para o meio ambiente. imaginem quantas e quantas toneladas de lixo reciclaveis serão tirados do meio ambiente de nosso município e calocando-os para serem reutilizado de forma reciclada. O meio ambiente agradece. 106 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL Projeto: Revitalização das áreas de ressaca da cidade de Macapá A-51 Com a construção de moradias com o projeto do pac do governo federal muitas pessoas estão saindo e ainda sairão das áres de ressaca da cidade de macapá, por essa razão se faz necessário a implementação de um projeto que vise restaurar as áreas de ressaca de onde essas famílias estão saindo. portanto o projeto Revitalização das áreas de ressaca da cidade de Macapá, tem como objetivo a revitalização dessas áreas, que caso não seja tomada nenhuma iniciativa para restaurar essas áreas novas famílias ocuparão futuramente as mesmas, como sabemos residir em áreas de ressaca trás inumeros problemas sociais não só para as pessoas que nela residem, mas para toda a cidade. esse projeto irá revitalizar as áreas de ressaca de macapá após a saida dessas famílias, pois será feito uma limpesa na área, em seguida será feito o plantiu de plantas aquáticas e terrestres, e consequentemente serão feitas as barragens, o calçamento e os quiosques nas margens, além disso serão colocadas canoas e pedalinhos. Para que as pessoas possam adentrar tais áreas utilizando das mesmas não como moradia, mas como turismo ambiental. Projeto: Estratégias de Comunicação para Divulgação da Pesquisa Agroflorestal da Rede Kamukaia, sobre a Castanha-do-Brasil (Bertholletia excelsa). A-52 A rica biodiversidade amazônica, seja em termos de espécies animais, vegetais e de microrganismos, assim como a sua diversidade sociocultural, conferem grande importância a essa região e seus produtos, a exemplo dos produtos florestais não-madeireiros (PFNM), dos quais provém a sobrevivência de milhares de pessoas que vivem na Amazônia. Apesar disso, os números oficiais da producão primária nacional apontam para uma fração inferior a 0,5% dessa produção sendo relativa aos produtos da biodiversidade. Há uma carência de PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 107 informações consolidadas para a Amazônia relativas a produtividade, ocorrência e recomendações de manejo para as principais espécies de uso comercial como, por exemplo, a castanha-do-brasil, andiroba e copaiba. Em 2005, sob a coordenação da Embrapa Acre, teve inicio o projeto Kamukaia (Kamuk e Aka, que significam produtos da floresta em Wapixana) cujo principal objetivo foi o de formar uma rede de estudos ecológicos para subsidiar recomendacões de manejo dos PFNM, por meio do monitoramento da produção, regeneração e impacto do extrativismo da castanheira, andirobeira e copaibeira, em diferentes regiões da Amazônia brasileira. Resultados iniciais desse projeto estão sendo fundamentais para políticas do Governo, a exemplo da definição de diretrizes técnicas para o manejo da castanheira (Bertholletia excelsa). Entretanto, essas diretrizes precisam ser exercitadas em diferentes situações de extração do produto para sua adequação. Portanto, faz-se necessárias ações para disseminação junto as comunidades extrativistas, dos conhecimentos já acumulados pelo Kamukaia, por meio da adoção de estratégias de comunicação, que vão muito além da comunicação midiática, e visam a validação das diretrizes, dar visibilidade aos produtos da sociobiodiversidade e fortalecer a inclusão destes no mercado, aumentando a representatividade do extrativismo na produção primária do país. Os produtos da ciência e da tecnologia estão cada vez mais presentes no dia a dia da população ao mesmo tempo em que cresce a demanda por iniciativas que promovam a popularização e a difusão da ciência, tecnologia e da inovação, elementos fundamentais para o desenvolvimento nacional. Entretanto, o acesso a informação tecnológica de modo amplo e ao processo de desenvolvimento da pesquisa de modo particular, ainda é muito limitado a determinadas parcelas da população. Os avanços das tecnologias de informação e comunicação (TICs) briram espaços para que as instituições de pesquisa, como fontes de informação, dispusessem de mais espaços para veicular os resultados de suas pesquisas. Antes, porém, é necessário estruturar o processo de organização e disseminação dessas informações. Regra geral tem-se a divulgação científica (DC) como uma atividade que compreende a apresentação da informação científica, tecnológica e/ou de inovação, em uma linguagem não especializada, de modo a tornar seu conteúdo conhecido e acessível ao não especialista, ao leigo, à sociedade. 108 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL Os profissionais envolvidos nessa atividade têm buscado formas inovadoras e eficazes de produção da informação a ser comunicada a estes públicos. A Embrapa Rondônia coordenou nos anos 2007-2008 o projeto Com.Ciência Florestal, por meio do qual foram desenvolvidas estratégias de comunicação para a divulgação de resultados de pesquisas da área agroflorestal. O objetivo principal desta proposta é criar, fortalecer e monitorar estratégias de comunicação científica de ações de pesquisas desen volvidas pela Rede Kamukaia, compreendendo ações de comunicação comunitária, mercadológica, midiática e de popularização da ciência. Especificamente serão alvos da DC as ações de pesquisa e transferência de tecnologias relacionadas ao manejo da castanha-do-brasil. Para isso serão desenvolvidas atividades de capacitação da equipe; promoção e,ou participação em eventos de divulgação científica; e elaboração de materiais de divulgação (catálogos, folderes,etc) os PFNM. Os beneficiários diretos das ações do projeto serão os produto res extrativistas, alunos e professores de nível Fundamental e Médio; educadores ambientais e a equipe do projeto. Os beneficiários indiretos serão todos os representantes do público leigo que tiverem acesso as informações, geradas pelo projeto, divulgadas em eventos e em veículos de comunicação de massa. A estratégia de ação envolverá a participação de pesquisadores e comunicadores das Instituições de pesquisa membros da Rede Kamukaia cujos projetos sejam alvo das ações de DC. A disponibilização de informação sobre os PFNM de forma organizada adequada ao público leigo, e ao segmento mercadológico, bem como a validação das diretrizes de manejo e a produção de material didático pedagógico, para uso na educação científica e ambiental, são resultados finalísticos que se espera alcançar. Projeto: Meliponicultura na Região Insular de Belém A-53 É contrastante a biodiversidade Amazônica e a realidade de abandono na qual vivem as comunidades tradicionais ribeirinhas. Esta PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 109 situação se agrava em regiões insulares como o entorno de Belém, região conhecida por apresentar um dos mais baixos IDH do Brasil. A Ilha das Onças, área onde será realizado este trabalho, pertence ao município de Barcarena (PA), área que apresenta sérios problemas ambientais, sociais e de saúde pública. A desnutrição é uma realidade desta área, é contraditório o fato desta fazer parte do bioma com maior biodiversidade do planeta, o que deveria representar garantia de uma abundante oferta de proteínas, calorias, vitaminas e minerais, dando um excelente padrão de saúde, nutrição e qualidade de vida, porém, não é essa realidade observada. Perante tal realidade, o presente projeto visa a segurança alimentar através do estabelecimento de uma fonte de renda segura e sustentável para famílias da Ilha das Onças. Isso se dará via implantação da meliponicultura, que além da produção de mel, irá promover o aumento da polinização dos açaizais e conseqüente aumento da sua produtividade. Em 12 meses, pretendemos implantar meliponários, bem como capacitar e qualificar os ribeirinhos para esta atividade. Este projeto servirá de modelo para o desenvolvimento sustentável das comunidades ribeirinhas nas regiões insulares do Pará, bem como uma estreita relação universidade-comunidade, com inclusão social. Projeto: Oficinas de reutilização de resíduos sólidos em comunidades de alto risco social: estratégia de reduzir o impacto ambiental sobre os recursos hídricos A-54 Boa Vista possui bairros com alto risco social constituída por uma população de baixa renda, péssimas condições de habitação, falta de saneamento básico, trafico de drogas, prostituição e ausência de políticas públicas. Cabe salientar que estas comunidades sofrem a descriminação de outros bairros, uma espécie de aparthaid social. A implantação do projeto é um grande avanço na redução de resíduos sólidos e da preservação ambiental. O projeto tem como eixo básico aliar atividades práticas com a questão didático pedagógica, e levar os discentes a interagir com a realidade. O projeto tem como ação principal à implantação de ações de redução de resíduos sólidos, como oficinas de reaproveitamento de papelão, sacolas plásticas, garrafas PET, jornais e latinhas de alumínio, ou seja, estratégias de geração de 110 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL emprego e renda, aliadas à preservação ambiental. Outro fator positivo do projeto será de retirar crianças e adolescentes de um cenário de alto risco social. As oficinas devem ser realizadas nas próprias comunidades, a logística que envolvera material, coordenadores e instrutores ficara a cargo da equipe da universidade. O projeto terá duração de 24 meses e neste período devem ser capacitadas mais de 700 pessoas e eliminados milhares de sacolas plásticas e diversos resíduos sólidos. As ações propõem resultados extremamente positi vos como levar a Universidade até a comunidade, alem das ações de geração de emprego e renda com a utilização de resíduos sólidos reduzindo seu impacto sobre o meio ambiente. As ações assim se mostram de grande importância, pois derrubaram grandes barreiras sociais e culturais e são o primeiro passo para a sustentabilidade destas comunidades e a eliminação de toneladas de resíduos que iriam ter como destino o meio ambiente. Projeto: Gaya: espaço temático interdisciplinar de educação ambiental e ciências A-55 Trabalhar a ciência e educação ambiental requer reflexão sobre a complexidade da sociedade contemporânea com seus problemas e suas demandas. De acordo com o pensamento fundamentado nos novos paradigmas da ciência, quais defendem a interlocução de saberes como afirma Morin (2002) e Marques (2002) é preciso reformar o pensamento e consequentemente as ações. A sociedade atual requer dos sujeitos a necessidade de uma formação ampla, múltipla e não fragmentada, essa prerrogativa na verdade já havia sido pensada por Marx (2001) há alguns anos atrás na defesa de um tripé formador que englobaria a educação física (corpo mente) a educação politécnica ( saber fazer) e a educação cientifica (fundamentos) como elementos básicos para educação no intuito de formar on-nilateralmente as pessoas, ou seja, formar o ser integral. O presente projeto visa oportunizar a professores, alunos e todos integrantes dos espaços escolares e das redes sociais da escola, o contato com diferentes metodologias de ensino aprendizagem em PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 111 Ciências e educação ambiental dentro dessa perspectiva interdisciplinar e multidimensional. A metodologia utilizada será norteada pelo olhar dialético/ dialógico (Freire, 2001) contemplando a interação de todos os elementos na perspectiva da ecopedagogia (Gadotti, 2001) que busca hoje trabalhar as questões pedagógicas integradas às preocupações sociais, econômicas e ecológicas. O projeto se efetiva com as práticas que serão contempladas nos espaços definidos, essas práticas serão fundamentadas no conhecimento epistemológico da Educação Ambiental e da Ciência abrangendo como cita o PCN (1997) todas as dimensões humanas e o meio ambiente material e imaterial. Os procedimentos práticos serão efetivados em espaços de interação e aprendizagem que estarão situados em áreas formais e não formais do local indicado para realização do projeto (Tapiri – DDPM), de maneira que possa envolver e utilizar todos os ambientes. Os espaços destinados as práticas internas serão dispostos em círculos para que o visitante tenha uma visão holográfica de cada temática que poderá ser trabalhada nos diferentes setores, os espaços não formais deverão estar situados sequencialmente de maneira que promova a integração de todos os elementos do meio ambiente (bióticos e abióticos). O processo de formação será organizado periodicamente pelo DDPM ou quando solicitado pelas escolas. Na medida da solicitação serão organizados cursos para os diversos públicos, devendo também atender na medida do possivel as redes sócias comunitárias das instituições educacionais. O importante é que cada um dos espaços deverá contemplar amostras e oficinas para que o professor, o aluno ou qualquer outro participante possa participar da formação e levar esse conhecimento prático teórico para sua escola ou comunidade. Os espaços do laboratório interdisciplinar contemplam 10 uni dades temáticas descritas a seguir: a. Espaço de acolhimento jardim de orquídeas (área não formal). Esse espaço localizado na entrada do tapiri servirá como acolhimento para as pessoas inserindo – as no processo de aproximação com a natureza amazônica. Contará com um alambrado de 2 metros de altura e 10 metros de comprimento onde estarão localizadas as orquídeas, ao meio, terão fontes artificiais que servirão para a hidratação das orquídeas e estética harmônica do lugar. Neste espaço estará disposto também o jardim zen com espelho de água contendo vitorias régias com área de meditação e yoga, aviário com araras e periquitos aproveitando a arborização do lugar. 112 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL b. Espaço interativo de tecnologias e mídias/ vídeos/ óculos para 3D. Esse espaço formal contará com PC, data show, tela, vídeos temáticos para estimular a aprendizagem reflexiva sobre questões da Ciência e Meio Ambiente especialmente amazônico. A-56 Projeto: Avaliação da toxicidade de Piper aduncum L. e Piper hispidinervum (C.DC) para Anticarsia gemmatalis Hübner (Lepidoptera: Noctuidae) e Rhipicephalus (Boophilus) microplus (Acari: Ixodidae) O objetivo desse projeto é avaliar a toxicidade de extratos de duas plantas da flora amazônica, Piper aduncum e Piper hispidinervum, sobre as populações de Anticarsia. gemmatalis e Rhipicephalus (Boophilus) microplus. As folhas das plantas serão coletadas no município de Manaus, secas em estufa à temperatura de 37°C, trituradas e extraídas por solventes orgânicos pelo método de extração à quente em aparelho Soxhlet. Para a extração do óleo essencial das espécies vegetais será utilizado o método de hidrodestilação em aparelho Clevenger. Para avaliação da atividade inseticida, serão utilizadas 350 lagartas de terceiro ínstar, divididas em grupos de dez. Cada grupo será colocado em placa de Petri, juntamente, com um disco de folha de soja de 35mm de diâmetro que será imerso, por um minuto, nos extratos e óleo essencial em diferentes concentrações. Os grupos serão mantidos em estufa B.O.D. à temperatura de 27 ± 1°C e umidade relativa de 70 ± 10%. A mortalidade será avaliada, diariamente, durante 72 horas e os efeitos secundários, diferenças no número de ínstares, até a fase pupal. Para avaliar a atividade acaricida sobre fêmeas ingurgitadas 350 fêmeas ingurgitadas serão coletadas e separadas em grupos de 10 (dez), pesadas e imersas separadamente nos extratos e óleo essencial, nas diferentes concentrações estabelecidas, durante cinco minutos. Serão utilizados dois grupos controle, onde um será imerso em solução 5% (v/v) de Tween-80 e o outro em água destilada. Para avaliar a mortalidade de larvas, serão colocadas, aproximadamente, 100 larvas, com 14 a 21 dias de idade, no interior de seringas previamente preparadas. Posteriormente, as seringas serão imersas nos extratos e óleo essencial nas diferentes concentrações estabelecidas para o tratamento. Serão utilizados dois grupos controle, onde um será imerso em solução 5% (v/v) de Tween-80 e o outro PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 113 em água destilada. A mortalidade será avaliada durante 24 horas. Os experimentos se caracterizarão em um delineamento inteiramente casualizado com cinco tratamentos, cinco repetições mais os grupos controle. Os dados serão analisados por meio de testes paramétricos ou não-paramétricos, utilizando o programa SPSS for Windows 17.0. O método de Probit será utilizado para a determinação dos valores da Concentração Letal Mediana (CL50) e Tempo Letal Mediano (TL50). A utilização de extratos de P. aduncum e P. hispidinervum poderá ser uma alternativa, aos agrotóxicos, para o controle de A. gemmatalis e R. microplus, podendo gerar um bioproduto baseado em substâncias naturais biodegradável, menos poluente e de baixo impacto ambiental, além de ser menos tóxico ao bovino e ao ser humano. Categoria Econômico-Tecnológica Projeto: Reologia e estabilidade térmica de pastas de amido nativo de mandioca (Manihot esculenta Crantz) E/T-01 Uma gama de materiais existentes na natureza apresenta um comportamento que difere muito do comportamento newtoniano. Suas propriedades são responsáveis por uma variedade de efeitos que incluem: plasticidade, viscosidade e elasticidade. Enquanto os fluidos newtonianos podem ser caracterizados apenas por duas constantes materiais, massa específica (r) e viscosidade (µ), o fluido não newtoniano é caracterizado por funções materiais que podem depender da taxa e/ ou do tempo de deformação do escoamento. Os alimentos fluidos, devido à sua grande variedade em estrutura e composição, apresentam características reológicas que vão desde o comportamento newtoniano a um não newtoniano dependente do tempo, viscoplástico ou viscoelástico, que são fluidos que apresentam características viscosas e elásticas. Um determinado fluido com comportamento newtoniano pode mudar para não newtoniano, dependendo de sua origem, concentração 114 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL de sólidos e outras propriedades relacionadas às interações moleculares. Outra modificação diz respeito ao nível de plasticidade do fluido que pode ser alterado a partir do uso de aditivos como espessantes e emulsificantes, prática comum na indústria. A determinação experimental de funções materiais que caracterizam fluidos não newtonianos como tintas, graxas, polímeros, cosméticos, chocolates, iogurtes, petróleo, lamas de perfuração em poços de petróleo entre outros, pertence à reologia, um ramo da mecânica dos fluidos que permite estudar entre outros, efeitos de viscosidade, plasticidade e elasticidade. O presente trabalho tem como foco principal a determinação de parâmetros reológicos relacionados ao tempo de hidratação e à estabilidade térmica das pastas de amido nativo de mandioca. Inicialmente, serão obtidas quatro suspensões de amido nativo com quatro formulações diferentes, incluindo a presença de solutos como sal e açúcar. As suspensões seráo gelatinizadas à temperatura de 70oC por 10 minutos, resfriadas e armazenadas sob refrigeração. Em seguida, serão realizados ensaios estacionários, a cada intervalo de vinte e quatro horas, visando obter o comportamento reológico das pastas de amido nativo. Após isso, será eleita uma suspensão dentre as quatro, cuja formulação inclui açúcar, sal, amido e água, por serem encontrados na maioria dos alimentos industrializados disponíveis no mercado e, consequentemente, será realizado o estudo sobre o tempo de hidratação das moléculas e sobre a estabilidade térmica da suspensão após tratamento térmico a 60oC por 4 horas, desejando-se que a mesma seja estável termicamente. As amostras dessa suspensão, em seguida, serão caracterizadas reologicamente na temperatura de 30oC e comparadas entre si. O uso dessa abordagem é relevante do ponto de vista prático, pois pode ser encontrada em estudos que levaram em conta a investigação das propriedades morfológicas, reológicas, térmicas e de textura, bem como a estabilidade das pastas de amido Também apresentam importância económica e social, pois os resultados da pesquisa podem indicar misturas do amido de mandioca para a produção de produtos diversos, a custo mais barato do que o amido de trigo e a preço mais baixo para o consumidor. Além disso, pode beneficiar milhares de unidades de produção familiar, que produzem mandioca, com a ampliação do mercado do amido de mandioca. PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 115 Projeto: Móveis ecológicos da Amazônia E/T-02 O projeto com latas de alumínio surgiu da necessidade de buscar alternativas inovadoras e viáveis para o reaproveitamento de matérias sólidas recicláveis, utilizando-as na fabricação de móveis e utilitários sem passar pelo processo de derretimento. A ideia surgiu no ano de 1995 em feiras de invenções em São Paulo, cujos focos temáticos instigaram o autor do projeto Adriano Bezerra de Sousa a inventar uma técnica de reaproveitamento de rejeitos da lata de alumínio que oferecesse sustentabilidade e preservação do meio ambiente. Quatorze anos depois, a ideia é concretizada. O modelo de entrançado de quadrados e colunas é a invenção principal que deu origem ao projeto. E/T-03 Projeto: Tecnologias sociais ecológicas para a cadeia produtiva do cará (Dioscorea trifida L. f): uma iniciativa para geração de trabalho, renda e fortalecimento da agricultura familiar nas comunidades rurais amazônicas Este projeto contemplará estratégias e ações que visam contribuir para o fortalecimento da agricultura, seguridade alimentar, geração de trabalho e renda, através do desenvolvimento de tecnologias sociais técnicas de manejo em sistemas de produção de base ecológica em comunidades rurais produtoras de cará, no Baixo Solimões nas localidades: Estrada Ary Antunes, Membeca (comunidades: São Jorge, Nova Canaã e Monte das Oliveiras) e lago de Caapiranga (comunidades: Patauá, Monte Alegre e Maloca), município de Caapiranga-AM. Suas linhas de ações propiciarão o fortalecimento da organização e da consciência sociopolítica e o estímulo a alternativas produtivas agroecológicas sustentáveis, através da implementação das seguintes metas: a. Formação sociopolítica e capacitação dos agricultores mutiplicadores das técnicas agroecológicas; b. Manejo ecológico da 116 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL produção de cará; c. Tecnologias sociais ecológicas construídas junto com os agricultores na produção de farinha e fécula de cará entre outros subprodutos identificados; d. Difusão das inovações agrotecnológicas através da divulgação das ações de extensão e pesquisa. A orientação metodológica do projeto está calcada em princípios e procedimentos participativos, que serão adotados num processo sistemático e contínuo, orientado por diagnóstico, monitoramento e avaliação, visando o acompanhamento das atividades de pesquisa e extensão, considerando sempre as especificidades locais. Ao final do projeto espera-se ter elevado o nível da qualidade de vida das comunidades produtora de cará. Os resultados poderão ser mensurados por indicadores como número de comunitários participantes nas capacitações, adesão ao uso de práticas ecológica de manejo do cará, formação de associações e/ou cooperativas, participação no processo de uso de tecnologia social na produção de farinha, fécula e outros subprodutos de cará, diversificação da dieta alimentar, geração de trabalho e renda, além de outros indicadores qualitativos que a pesquisa e a extensão irão revelar. E/T-04 Projeto: Transferência de conhecimentos e tecnologias para a melhoria do arranjo produtivo local de produtos fabricados com o cipó titica no Pará e Amapá Uma das maiores preocupações com o desenvolvimento regional na Amazônia tem sido a utilização desorganizada e desprovida dos cuidados com a sustentabilidade ambiental, social e econômica dos empreendimentos que utilizam seus recursos naturais para a geração de emprego e renda na região. As ações governamentais implementadas ao longo dos últimos anos vêm sendo fortemente monitoradas e influenciadas institucionalmente pelos diferentes stakeholders, inclusive de nível internacional, que consideram a Amazônia como um dos últimos ambientes naturais a serem preservados para as gerações futuras e com grande importância na manutenção da qualidade de vida do planeta. Neste sentido, muito tem sido discutido em relação ao modelo de desenvolvimento regional que leve não somente a geração de emprego e renda na região, mas também que seja capaz de possibilitar PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 117 a sustentabilidade ambiental com o mínimo de impactos indesejáveis sobre esse ecossistema. A questão-chave neste processo de desenvolvimento tem sido: Como desenvolver a região, gerando emprego e renda, e ao mesmo tempo manter a sustentabilidade do meio ambiente regional? Para os que vivem e habitam essa região, nunca existiu nenhuma dúvida quanto à necessidade de sobrevivência do povo amazônico, sendo esta necessidade considerada prioritária em qualquer programa de desenvolvimento regional sem, contudo, esquecer a necessidade de compatibilizar as ações desenvolvimentistas com a sustentabilidade do ecossistema amazônico. O que se discute neste momento, no ambiente institucional, são as alternativas economicamente viáveis e ambientalmente sustentáveis de promoção deste desenvolvimento, com a participação de indústrias, fornecedores, produtores rurais, empresas florestais, mercado financeiro, universidades, organizações empresariais, organizações de produtores rurais, governo e as políticas públicas necessárias para a promoção deste desenvolvimento. É bastante difícil reconstruir a origem do desenvolvimento de sistemas produtivos regionais de modo a conhecer as variáveis-chave que favoreceram este desenvolvimento. É fundamental, quando o propósito é o de conhecer a dinâmica de integração das economias locais às economias regionais, nacional e global, identificar como se constroem as redes entre os atores que permitem criar um conjunto endógeno de competências econômica, social e tecnológica. No caso da utilização de insumos de origem madeireiras e não-madeireiras para as diferentes indústrias de base florestal ou de recursos naturais da Amazônia, é importante para a implementação de políticas de desenvolvimento regional, conhecer por um lado, as empresas em processo de conformação industrial que, inicialmente, se estruturaram para operar nos mercados local e nacional, mas que estão em busca de posicionar os diferentes estados da Amazônia como importantes produtores e exportadores de produtos de origem madeireira e não-madeireira em nível mundial. Por outro lado, o sistema produtivo regional que se configura no entorno da exploração desses insumos, possui características de aglomerações produtivas locais que podem viabilizar e fortalecer a inserção competitiva global de diversas indústrias de base florestal (Santana, 2004; ADA, 2004). A abordagem dos arranjos produtivos locais (Porter, 2009; Redesist, 2004; Lastres, 2004) representa um instrumento, da maior importância, capaz de alavancar o desenvolvimento regional com a 118 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL possibilidade de fortalecer arranjos produtivos em pontos estratégicos da Amazônia, contribuindo fortemente para o desenvolvimento sustentável da região. Os estudos sobre arranjos produtivos locais de produtos madeireiros e não madeireiros, relatam a carência, ou praticamente, a ausência de capital social e humano necessários a competitividade desses arranjos. A estrutura produtiva na região ainda muito deficiente em termos de organização empresarial, articulação com fornecedores e clientes, com forte característica oportunista dos agentes que atuam no agronegócio. Existe também, uma forte dificuldade de inserção de produtos nos mercados nacional e internacional, principalmente, em razão da baixa qualidade dos produtos, da sazonalidade da oferta, dificuldade de acesso à matéria-prima e ao crédito, escassez de informação, baixa capacidade empreendedora dos empresários locais e a baixa qualificação da mão-de-obra local. Um ponto importante neste projeto é a possibilidade de aplicação, imediata, dos conhecimentos obtidos em estudos empíricos, recentemente concluídos, sobre arranjos produtivos locais de produtos fabricados com o cipó titica na região fortemente amparados nos conhecimentos recentemente divulgados por Porter (2009), e que dão suporte acadêmico, da maior qualidade, ao que vem sendo pesquisado sobre essa temática, na região. O trabalho recente de Porter (2009), fortalece essa proposta e endossa o posicionamento de Lastres 2004, e Redesist (2002), uma vez que indica passos importantes, fundamentados em experiências semelhantes, ocorridas em diversos países, que estamos no caminho certo. Dessa forma, o projeto trabalha com a abordagem de arranjo produtivo local (Redesist, 2004), analisado à luz da evolução da teoria do desenvolvimento local e do capital social, baseado nos indicadores obtidos em pesquisa local com diagnóstico da situação atual do arranjo produtivo local de produtos fabricados com o cipó titica, em Santarém (PA) e Macapá (AP). A determinação da localização dos arranjos foi baseada nos indicadores de especialização espacial, concentração empresarial e de participação relativa desenvolvido por Santana (2004) e depois confirmada. Outras teorias de apoio ao desenvolvimento do projeto são as teoria da Nova Economia Institucional (NEI), do capital social, dos stakeholders, da cooperação e competição, e das políticas públicas e industrial, uma vez que oferecem o suporte teórico capaz de apoiar a execução do projeto. A teoria dos arranjos produtivos locais vem demonstrando (Porter, 2009), a importância do desenvolvimento local na produtividade e competitividade das empresas, inclusive PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 119 em nível global. A NEI tem em um de seus pressupostos básicos a Economia dos Custos de Transação (ECT). Ao contrário da Teoria Econômica Neoclássica, a qual colocava em evidência somente a visão interna das organizações, dificultando a explicação de fatores como a competitividade, a partir das contribuições de Coase (1937), surgiu uma nova teoria econômica para a explicação da competitividade das organizações. Esta nova teoria passou a considerar a abordagem sistêmica com respeito às variáveis que afetam a competitividade das organizações e das relações entre os diversos componentes das cadeias produtivas, abordagem da maior importância no estudo do agronegócio. A teoria do capital social (Becker, 1980), toma como base os relacionamentos sociais. Esses relacionamentos são compostos de verdadeiras redes sociais, e são fundamentadas na confiança, cooperação e inovação que os indivíduos desenvolvem no ambiente interno e externo das organizações. A teoria do capital social considera que essa postura facilita o acesso à informação e ao conhecimento, da maior importância para o alcance dos objetivos empresariais. Neste projeto, esses conhecimentos são importantes porque poderão possibilitar obter no decorrer da sua execução, as informações necessárias, de caráter socioeconômico e institucional, à formulação de políticas públicas importantes ao estimulo e a promoção do desenvolvimento regional, com a utilização sustentada dos recursos madeireiros e não madeireiros da Região Amazônica. Os arranjos produtivos locais, considerado neste projeto, foram definidos em razão dos resultados de pesquisas realizadas sobre arranjos produtivos de produtos madeireiros e não madeireiros, relatados em Santana (2004), sobre aglomerações produtivas na Amazônia; cadastro RAIS (2007); e pelos estudos de campo, relatados por Carvalho et al. (2009), apoiado pela metodologia da Redesist (2004), que indicam o cipó titica, como um insumo importante para o desenvolvimento econômico e social na região, com impacto social significativo na atualidade, em razão de seu potencial de gerar e redistribuir renda, e apresentar sustentabilidade ambiental. Em função das vantagens locacionais superarem as desvantagens da demanda superior à oferta, do potencial de exploração comercial em nível global, iniciando sua inserção no mercado internacional (Porter, 2009), justifica-se a realização de ações para a organização e melhoria do arranjo produtivo local de produtos fabricados com o cipó titica com a modernização das empresas, o aumento da qualidade dos produtos, e a transformação dessas empresas em empresas mais eficientes e competitivas no mercado local, aproveitando as janelas de mercado 120 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL internacional para produtos madeireiros e não-madeireiros oriundos de matérias-primas da floresta amazônica. No mesmo sentido, é necessário a melhoria da qualificação da mão-de-obra e a formação de empreendedores para tornar reais as oportunidades de evolução competitiva desses arranjos produtivos locais. No tocante a qualidade dos produtos madeireiros e nãomadeireiros, é necessários o aporte de tecnologias que viabilizem uma agregação de valor ao produto com a utilização de tecnologias de produção que possibilitem a diferenciação desses produtos colocandoos em igualdade de condições para a competição com produtos semelhantes no mercado internacional. Isso torna importante a difusão de tecnologias apropriadas ou ainda com forte tino social para aumentar a produtividade dos produtos e dos processos produtivos atinentes às cadeias de produção dos produtos madeireiros e não-madeireiros na Amazônia. Projeto: Cultivo do tambaqui (Colossoma macropomum): analisando sua viabilidade técnica e econômica E/T-05 A proporção de peixes e outros produtos aquáticos na dieta regular da sociedade global cresceu significativamente na última década, com projeções ainda maiores para o futuro. Contudo, os estoques naturais não mais suportam este ritmo de crescimento, deixando como única alternativa a piscicultura. Esta expansão está diretamente dependente do suprimento regular e previsível de alevinos para a engorda, enquanto que o sucesso econômico de toda a operação é dependente da melhoria da performance de crescimento, de uma eficiente conversão alimentar pelo peixe e de uma maior diversificação dos produtos e subprodutos para uma maior agregação de valor deste produto. O tambaqui Colossoma macropomum é um dos peixes de carne mais nobre na opinião dos consumidores da Região Norte do país. Nativo da Região Amazônica, o tambaqui, que pode alcançar peso de até 30 quilos, teve o seu cultivo intensificado em diversas regiões a partir dos anos 80 graças ao aprimoramento nas técnicas de desova PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 121 induzida e larvicultura, que resultaram no aumento da oferta e redução no custo dos alevinos. Atualmente é a principal espécie da piscicultura nos estados do norte do Brasil, compreendendo Amazonas, Roraima, Rondônia, Pará e Acre. Seu ciclo de engorda é de 12 meses, alcançando de 2 a 2,5 kilos em média com conversões alimentares de 1,8, quando cultivado em barragens ou 1,5 em tanques escavados. A partir deste tamanho a conversão alimentar aumenta, e até o momento não há estudos para comprovar o custo benefício da criação por mais um ano, onde é possível obter um peixe maior de até 5 kg alcançando assim um melhor preço no mercado consumidor. Ao final do segundo ano de cultivo, o tambaqui inicia sua maturação sexual, com a síntese e acúmulo de hormônios gonadotrópicos na hipófise. Neste estágio os peixes apresentam sinais exteriores de maturação gonadal, onde os machos liberam sêmen com uma leve pressão abdominal e as fêmeas apresentam um aumento do abdômen decorrente da formação e maturação de ovócitos. Contudo, sob condições de cativeiro o ciclo reprodutivo natural do peixe pode tornarse irregular, onde exemplares podem apresentar precocidade e outros atraso na formação das gônadas. Uma vez atingida à maturação sexual, é possível realizar a coleta das hipófises. A hipófise é uma glândula que produz vários hormônios, entre eles as gonadotropinas, responsáveis pelo controle da reprodução. Apos serem coletadas as hipófises sofrem uma limpeza e em seguida um processo de desidratação, podendo ser utilizadas na indução de outras espécies de peixes ou mesmo o próprio tambaqui. Como exemplo, a hipófise de carpa é largamente utilizada no mundo inteiro e seus extratos injetados em diversas espécies de peixes, alcançando elevados preços no mercado internacional. Até o momento não há registro na literatura da eficácia, tamanho, peso ou rendimento da hipófise do tambaqui, mas uma vez que estas informações estejam disponíveis, poderá agregar valor final ao tambaqui com preço de mercado competitivo. Assim, o tambaqui, além do grande consumo é a espécie de maior destaque e importância comercial no Amazonas, e sua produção representa 14% do total do pescado proveniente da piscicultura continental brasileira, apesar disto o mercado para esta espécie precisa ser melhor desenvolvido. Apesar da facilidade do cultivo e dos bons índices de desempenho, o crescimento do cultivo depende da superação de algumas barreiras que limitam o seu potencial de mercado a nível nacional, principalmente nas grandes cidades, onde o consumidor, além de mais exigente, encontra muitas outras opções 122 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL de produtos de pescado.O desenvolvimento de estratégias inovadoras para agregar valor a esta espécie, seja através da utilização das hipófises para indução de outras espécies de peixes à desova, ou pelo processamento buscando apresentar novos produtos diferenciados para melhorar o aproveitamento da carne e aumentar o apelo de mercado poderá dar novo impulso para a piscicultura desta espécie. Depois de processado o tambaqui pode ser comercializado como picadinho ou em fabricação de hambúrguer, steak fish dentre outros como grandes alternativas de produtos alimentícios no futuro. Parte desta produção será absorvida por outras regiões do Brasil. Em sua ultima edição de junho de 2011 a revista Panorama da Aqüicultura trás como destaque que a “Costelinha de Tambaqui” recebeu o mais importante prêmio na maior feira da indústria de pescado do mundo a Euro Seafood 2011, em Bruxelas, apresentada pela empresa francesa Halieutis no concurso Seafood Prix d’ Elite, com júri composto de Chefs, mostrando o grande potencial. O presente projeto foi planejado para estabelecer os parâmetros da viabilidade técnica e econômica da criação do tambaqui estendido até o segundo ano de criação. Dentre os diversos produtos que podem ser obtidos no final do segundo ano de criação, serão avaliados para efeitos de rendimento técnico e econômico os seguintes: a. Biomassa total produzida ao final do período; b. Verificação da porcentagem que atinge a maturidade sexual e destas retirar sua hipófise para avaliação técnica e econômica na utilização da hipófise na forma desidratada para indução hormonal de outras espécies de peixes e do tambaqui; c. Processamento das ovas encontradas nas fêmeas de tambaqui em produto tipo “caviar”, avaliando suas características nutricionais avaliando sua aprovação junto ao público consumidor; d. Avaliação econômica do processo da criação de um peixe de maior porte em condições essenciais para garantir maior produtividade para disponibilizar cortes especiais (gourmet) elevando os preços do produto e lucro aos criadores de peixes. e. Aproveitamento da pele para o processo de curtimento e transformação em couro para obtenção de couro a ser utilizado na confecção de calçados, roupas, criando uma oportunidade rentável economicamente, que em geral ainda não são desperdiçadas. PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 123 Desta forma, através da criação de um peixe de maior porte, poderemos ter um significativo aumento no valor agregado, com a oferta de vários produtos inovadores conquistando novos mercados consumidores sempre em busca de opções que acompanhem e atendam as necessidades dos piscicultores. Projeto: Monitoramento de perdas em volumes e valores no transporte de derivados de petróleo por via fluvial na Amazônia E/T-06 O projeto é uma proposta de pesquisa e desenvolvimento para avaliar técnico e cientificamente as perdas no processo de transporte fluvial de combustível compreendendo os trechos Manaus-Porto Velho e Manaus-Santarém. Fazem parte da estruturação deste os seguintes tópicos: a. Titulo do Projeto; b. Nome do Coordenador; c. Equipe Técnica; d. Caracterização do Problema; e. Justificativa; f. Objetivos, Metas e Indicadores de Acompanhamento; g. Metodologia e Cronograma de Execução do Projeto; h. Orçamento; i. Envolvimento da Equipe Técnica para Execução da Proposta; j. Resultados esperados e k. Infraestrutura disponível. Projeto: MMMmmmm mmmmmnnnn mmmnnn E/T-07 Disponibilizar o acesso aos alunos do meio rural do Estado do Amapá, dispor de um Centro de Formação Técnica Agrícola AutoSustentável, tendo como finalidade aos alunos desenvolver novas técnicas de manejos ligados a agricultura familiar extensiva, dentro de um centro de formação auto-sustentável. 124 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL Projeto: Pronto atendimento às MPE’s E/T-08 Aperfeiçoar e manter sistema de atendimento aos empresários no segmento econômico de Micro e Pequenas Empresas, desde a abertura da empresa (gratuitamente para MEI) passando pela solicitação da Inscrição Estadual (Para Nota Fiscal), apoio e orientação a compras interestaduais e emissão de NFs, abertura de conta corrente com solicitação de maquina para vendas no cartão (Maquinas móveis, fixa e via celular), treinamentos de Contabilidade Simplificada para o MEI e SIGE (Sistema de Gestão Empresarial), além da confecção de sites com domínio próprio com custo bem reduzidos. Difundir e continuar aplicando os cursos de informática básica entre outros além de disseminar a utilização da sala de vídeo conferências pelas pequenas empresas a fim de fomentar e possibilitar práticas de exportação. Disponibilizamos através do Telecentro de Informação e Negó cios (TIN), através do Programa Licitacerto apoio aos Micro e Pequenos empresários quanto as compras governamentais (Licitações), colocando a disposição através do nosso site o sistema que possibilita a consulta de licitações disponíveis no Estado e também a nível Federal. Tendo vencido a primeira barreira, que é acesso a informação, seguimos com o apoio a participação dos processos licitatórios, através do curso Como vender para o Governo e apoio durante a participação na licitação e permitindo o acesso a nosso parque tecnológico e corpo técnico composto de auxiliar jurídico, contador e suporte técnico para uso das tecnologias. PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 125 Projeto: Consórcio do artesanato para sustentabilidade de Roraima E/T-09 A atividade artesanal em Roraima é, sobretudo, informal e complementar. O artesanato roraimense apresenta uma grande diversidade de tipologias, técnicas, formas de produção, organização e tecnologias sociais que, torna o estudo e o desenvolvimento de páticas e ações para o setor, questões de grande importância e complexidade, especialmente quando estas ações são regidas por princípios e objetivos da economia solidária, como cooperação, autogestão, viabilidade econômica, solidariedade e preservação cultural. Apesar da grande riqueza e diversidade da produção artesanal do Estado, os processos produtivos artesanais são, em geral, deficientes, levando os empreendimentos e comunidades a diversas dificuldades, como, de afirmação da identidade cultural diante dos imperativos do mercado, preservação ambiental, integração social entre os participantes, capacitação técnica, logística, acesso ao crédito, etc. A necessidade de integração dessas variáveis e objetivos – como a preservação e promoção da identidade cultural local, a autosustentabilidade (envolvendo autogestão, preservação ambiental, viabilidade econômica) e autonomia política – torna fundamental o apoio das instituições aos empreendimentos artesanais, não apenas nas fases iniciais de implantação de novos processos e capacitação, mas, sobretudo, no acompanhamento de ações e na continuidade das práticas de formação solidária. Com base nestas considerações que foi produzido o projeto Consórcio do Artesanato para Sustentabilidade de Roraima, uma iniciativa produzida através das experiências apoiadas pela UFRR que, nesta proposta, é voltada para a articulação de uma rede de colaboração entre os empreendimentos econômicos solidários do segmento de artesanato e entidades de apoio. Entre os principais objetivos do Consórcio estão: a ampliação da capacidade, técnica, gerencial e produtiva dos empreendimentos; a redução dos custos através de compras coletivas de insumos e serviços; a qualificação e o aperfeiçoamento do design dos produtos; o fortalecimento da autogestão dos empreendimentos e da rede e; a sensibilização para 126 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL as questões ambientais e fortalecimento das identidades de gênero e raça. As ações do projeto serão empreendidas numa abordagem sistêmica dos empreendimentos (associações, cooperativas, grupos informais) do artesanato, com referência a metodologia freiriana de educação popular nos processos formativos com os artesãos de Roraima (público–alvo), reunidos nos municípios de Pacaraima, Boa Vista e Caracaraí, representando, respectivamente, de cada um dos três territórios do Estado (norte, centro e sul). Tais ações, acima elencadas, representam o esforço no sentido de integrar as ações de capacitação técnica e gerencial com a preservação do patrimônio material e imaterial, visando a auto-sustentabilidade, através do estimulo à economia solidária com estrategia de desenvolvimento local. Estes esforços certamente se concretizarão na criação do Consórcio do Artesanato para Sustentabilidade como iniciativa modelo para as futuras ações e projetos voltados ao artesanato e a cultura amazônica. E/T-10 Projeto: Construção de turbinas eólicas para geração de energia elétrica em comunidades isoladas nas ilhas do lado da UEH Tucuruí e em outras regiões da Amazônia e do Maranhão Este modelo de turbina eólica é especifico para regiões remotas e comunidades isoladas. Irá contribuir para sanar as dificuldades energéticas existentes onde as redes de transmissão não podem ser levadas, o que impossibilita as pessoas que ali se encontram de exercerem seus direitos de cidadãos. O projeto e todas as pesquisas a serem feitas serão necessários no sentido de gerar mecanismos que supram as imperfeições das turbinas tradicionais como ruído, interrupção nas rotas de migração dos pássaros com conseqüente interferência nos processos naturais do meio ambiente. O modelo eólico tradicional, receptor de hélice, possui algumas desvantagens como: a) Necessidade de alta quantidade de materiais e alto custo de importação; b) Complexidade de construção; c) Complexidade do sistema da regulagem automática para fixar a freqüência da corrente alternada; d) Necessidade de motores para tirar PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 127 o receptor do Estado de repouso; e) Alto nível de ruído na faixa de freqüência do infra-som. A proposta de turbina eólica traz muitas vantagens em relação a esse modelo tradicional, nos âmbitos operacionais, ambientais, econômicos e sociais tais como: a. Eliminação dos efeitos deletérios do infra-som. É sabido que nas grandes fazendas eólicas de cata ventos convencionais, nada vivo pode permanecer por longo tempo, provocando danos em uma relação em cadeia: se não há insetos, por exemplo, não vai haver vegetais. Então o efeito ecológico negativo provocado pode ser até maior do que outras fontes de energia. b. Implantação, na turbina eólica, de mecanismo de rede de proteção a pássaros, para o caso de ser instalada em rota migratória de aves; Entre as vantagens sócio-econômicas e operacionais dessa nova tecnologia, envolvendo também custos, construção e logística, podese citar: c. Permitirá que o terreno seja ocupado e utilizado para outros fins, como residenciais, agrícolas, entre outros; d. A facilidade de construção e utilização até mesmo em zona urbana; e. Fortalecimento do comércio local e nacional devido ao fato de os materiais poderem ser todos de fabricação nacional; f. A vantagem de poder ser construída também no Brasil, contribuindo para a geração de emprego e movimentação interna na produção dos insumos; g. A desoneração dos cofres públicos com as importações do caro material das eólicas tradicionais e seu alto custo de manutenção; h. Diferentes dos geradores tradicionais que se utilizam da cara corrente contínua, na sua produção e geração, este modelo de turbina utilizará geradores de corrente alternada que já fazem parte do procedimento usual de distribuição da rede convencional. i. Ainda no quesito da inovação tecnológica, incrementará a pesquisa nacional, pela formação de pesquisadores, engenheiros entre outros, contribuindo para a transferência de tecnologia e autonomia em ciência e tecnologia no país. 128 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL Projeto: Andiroba: dos laboratórios aos mercados E/T-11 O óleo de andiroba (Carapa guianensis) possui crescente aplicação na indústria química e cosmética em humanos e animais, entretanto a utilização deste óleo é realizada na maioria das vezes com o óleo puro, sem um fracionamento e/ou purificação. A presente proposta visa inicialmente verificar a segurança toxicológica do óleo de andiroba e suas frações e concomitantemente gerar conhecimento suficiente para desenvolver novas formulações cosméticas, por exemplo, xampus, sabonetes, hidratantes, protetores solar que além de aproveitar as já conhecidas atividades do óleo de andiroba como maciez a pele e cabelos, agregando valor ao óleo, ampliando o mercado consumidor e facilitando a aplicação destes biocosméticos. A fim de gerar novos insumos, os extratos e óleos serão avaliados também frente a algumas atividades biológicas: antioxidante, citotóxica (sobre Artemia salina e sobre células animais de origens diferentes), antibacteriana e antifúngica. Os óleos e extratos serão fracionados e a identificação/elucidação estrutural das substâncias ativas será realizada por meio de RMN de 400 MHz, CLAE/EM e/ou CG/EM, conforme as características moleculares. Visando o desenvolvimento tecnológico no processamento dos insumos, realizaremos a cultura de células das diferentes partes da andiroba, principalmente das sementes, visando a produção em larga escala e a composição química das culturas obtidas, com controle de qualidade. Identificar as forças centrípetas e centrífugas da economicidade da andiroba e agregar valor à andiroba a partir dos resultados deste projeto possibilitarão a geração de novos produtos, uma maior infra-estrutura de mercado, geração de empregos e aplicabilidades múltiplas das ciências no Estado do Amazonas, para outros produtos da floresta, com aspectos de trabalho multi e interdisciplinares para desenvolver os objetivos propostos. Este projeto envolverá alunos de mestrado e doutorado dos Programas de Pós-graduação em Química e Biotecnologia da UFAM e com alunos de mestrado da Biotecnologia da UEA e de Geografia da UFAM, além de alunos de graduação de diversas Universidades públicas e particulares do Amazonas. PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 129 Projeto: Módulo Agro-Ecologico Sustentável (MAES)/ Am E/T-12 O presente projeto tem como principal fundamento a execução de atividades produtivas para desenvolver 2 módulos do sistema agroecológico sustentável . Esses sistemas produtivos estão localizados em áreas de uso coletivo da comunidade onde o mesmo encontra-se em fase de desenvolvimento, cuja base fundamental é a realização de atividades produtivas e experiências, tornando essas unidades em empreendimentos de características familiar, solidário e associativo. Outro fundamento do projeto é o diagnostico dos sistemas produtivos no que diz respeito à viabilidade econômica dos mesmos e a capacitação para o desenvolvimento de uma rede de empreendimentos solidários, com perspectivas associativistas sendo esse processo realizado a partir da atuação de Agentes de Desenvolvimento de Unidades agroecológicas que serão devidamente capacitados para atuar como replicadores desse modelo produtivo. As atividades propostas devem associar-se a outros programas públicos já são implementados pelo governo federal e que atendem, ao modelo da agricultura familiar e de apoio aos arranjos produtivos desse seguimento. A proponente já tem uma atuação significativa junto aos grupos de produtores rurais com base solidária e da agricultura familiar, quando de sua participação e contribuição técnica na gestão do colegiado do território 10, e na execução de empreendimentos de grupos com princípios solidários e da produção rural tradicional. Projeto: Resíduos da construção civil regional como agregados para os pavimentos na Região Norte E/T-13 Ao longo de sua história, a construção civil no Estado do Amazonas, sobretudo no âmbito da pavimentação, defronta-se com a 130 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL escassez de matérias-primas para a obtenção de agregados próximos ao sítio do empreendimento, em virtude dos empecilhos ambientais, logísticos, tecnológicos e financeiros de extraí-los abaixo da espessa cobertura de solo residual (além da densa cobertura vegetal da floresta que dificulta a sua extração) e dos poucos afloramentos dos rios e igarapés (inundados durante os seis meses da estação chuvosa). Manaus apresenta o seu topo rochoso a profundidades, em geral, maiores que 5m (Grupo de Geotecnia, Frota e Bento, 1999). Na Capital do Estado do Amazonas, as áreas de interesse de exploração desses recursos minerais distam mais de 200 km ao Norte. Encontramse, portanto, a grandes distâncias do meio urbano manauense, o que redunda em elevado custo de transporte. Nesse contexto, a solução habitualmente empregada na construção civil regional tem sido a substituição do material pétreo pelos depósitos de seixos, a ocasionar sérios danos ambientais, bem como o uso generalizado de revestimentos do tipo areia asfáltica usinada a quente (AAUQ) sobre subcamadas argilosas, caso extremo do pavimento urbano do Município de Manaus, constituído pelo subleito, sub-base e base formados por um solo do grupo (solos inadequados tecnicamente para comporem tais subcamadas). Tais pavimentos asfálticos, em regra, apresentam expressivo e prematuro processo de deterioração, em decorrência, principalmente, do fato das misturas asfálticas regionais não apresentarem o agregado graúdo como seu partícipe e do emprego de subcamadas com baixo suporte. Os fatores acima identificados, aliados a uma taxa de precipitação pluviométrica da ordem de 2100 mm/ano (refletido em clima tropical úmido com seis meses de período chuvoso) e às ações repetidas do movimento dinâmico oriundo do tráfego diário de veículos levam à destruição completa e prematura dessas estruturas. Desse modo, o principal entrave para a construção dos pavimentos no Estado do Amazonas, mormente em Manaus, repousa nas áreas-fonte de agregados pétreos naturais, componente essencial para a resistência das misturas asfálticas (revestimento) e subcamadas (base, sub-base) das referidas estruturas. O Grupo de Geotecnia (Geotec), a fim de pesquisar soluções para essa problemática regional, tem estudado, dentre outros materiais, o aproveitamento dos Resíduos de Construção e Demolição (RCD), objetivando propiciar não apenas alternativa à questão técnica em tela (material granular para emprego nos pavimentos regionais) como PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 131 também ao problema ambiental da disposição final desses resíduos produzidos pela indústria da construção civil (Frota et al., 2003a; Frota et al., 2003b; Frota et al., 2004a; Frota et al., 2004b; Frota et al., 2005a; Frota et al., 2006; Frota et al., 2007a; Melo, 2010; Bertoldo et al., 2010; Oliveira et al., 2010 e Silva et al.,2011) Com efeito, a construção civil enquadra-se como uma das atividades que mais produz resíduos nos grandes centros urbanos pátrios. No Brasil, levantamentos realizados pela Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe, 2010) assinalam aproximadamente 31 milhões de toneladas de resíduos de construções e demolições produzidos nas grandes cidades no ano de 2010, a revelar que a construção civil contribui com mais de 35% de todos os resíduos sólidos urbanos gerados. Por outro lado, encontra-se vigente a Resolução nº 307, de 5 de julho de 2002, baixada pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), ato normativo que estabelece diretrizes para a gestão dos resíduos da construção civil e ações a minimizarem os impactos ambientais, cuja interpretação, na atualidade, deve ser feita em harmonia com o conteúdo da Lei nº 12.305, de 2 de agosto de 2010, diploma legislativo que, após aproximadamente 20 anos tramitando no Congresso Nacional, entrou em vigor em 3 de agosto de 2010 (na data da sua publicação na imprensa oficial), a impor aos Municípios o dever de apresentar o Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos (PMGIRS) no prazo máximo de agosto de 2012, assim como construir aterros sanitários até agosto de 2014, conforme esclarece informação recente (9 de setembro de 2011) divulgada pelo Ministério Público do Estado do Amazonas na Rede Mundial de Computadores (por meio da matéria jornalística da Assessoria de Imprensa do Parquet intitulada “Estado do Amazonas atrasado em plano de resíduos sólidos na União”, disponível em <http://www.mp.am.gov.br>, com acesso em 30 set. 2009), a ressaltar que, dos 61 Municípios do Estado do Amazonas, apenas Manaus e Tefé detêm aterro controlado e somente Carauari já se adequou às exigências da Lei nº 12.305/2010, ao passo que as outras Municipalidades amazonenses (os 57 Municípios remanescentes) possuem lixões a céu abertos e irregulares. Conforme Zoedan (1997), a opção pela reciclagem tem implicado a redução de 75% dos gastos do Poder Público com o remanejamento e o controle da deposição clandestina, e um total de 70% em relação ao uso de agregados naturais. Embora tais valores possam oscilar de acordo com a tecnologia empregada, observam-se, de maneira geral, reduções de custos. O uso do RCD (Zoedan, 1997; Grupo de 132 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL Geotecnia em Frota et al., 2003a) necessita de amplo controle, uma vez que é constatado alto índice de heterogeneidade nas amostras colhidas nos pontos de descarte, bem assim variações na qualidade, segundo a origem do entulho. Para o uso em misturas asfálticas mostram-se mais adequadas as amostras provenientes do concreto estrutural, quando cotejadas com o material oriundo de alvenarias (Grupo de Geotecnia, em Frota et al., 2003a), motivo por que se mostra oportuno o desenvolvimento de metodologias de controle dos lotes a serem empregados no seu processo produtivo, com vistas à obtenção de agregados com maior qualidade técnica e menor heterogeneidade. Os resultados de trabalhos como os do Grupo de Geotecnia da UFAM têm demonstrado que o emprego desse material nas misturas de solo-agregado (Frota et al., 2003) e no concreto asfáltico (Grupo de Geotecnia: Frota et al., 2003a; Frota et al., 2004a; Melo, 2010; Bertoldo et al., 2010; Oliveira et al., 2010 e Silva et al.,2011) traz a lume resultados satisfatórios, quando comparados aos agregados naturais (seixo rolado, brita de granito, basalto e gabro). Nesse diapasão, conforme dados do Geotec (Frota et al. 2003a; Frota et al 2004a) e de Silva (2004), as seguintes fases mostram-se essenciais ao processamento do RCD: (1) seleção da amostra, dandose preferência ao resíduo originado do concreto estrutural; (2) retirada de materiais com características indesejadas (verbi gratia, baixa resistência, textura lisa e alto potencial de absorção), a exemplo do gesso, do vidro, de cerâmica e de ferragens; e (3) britagem nas faixas granulométricas desejadas. No que concerne ao uso desse material como agregado graúdo em pavimentação, estudos realizados pelo Geotec demonstram desempenho altamente satisfatório quando o RCD substitui o seixo nas misturas asfálticas do tipo concreto asfáltico (Frota et al., 2003a; 2004b; 2005; 2006; 2007; Melo, 2010; Bertoldo et al., 2010; Oliveira et al., 2010 e Silva et al.,2011) e na estabilização de solos (Frota et al., 2003b). Em uma de suas linhas de pesquisa, o Grupo de Geotecnia da Universidade Federal do Amazonas dedica-se aos estudos voltados para os pavimentos. Seus trabalhos, nesta área do conhecimento, foram alavancados com a sua inserção na Rede de Asfalto Norte/Nordeste em 2002, no projeto “Caracterização Mecânica de Misturas Asfálticas e Agregados Regionais, e Asfaltos Produzidos pelas Refinarias N/NE”. Visando a desenvolver alternativas para a melhoria dos pavimentos de nossa Região, o Grupo de Geotecnia fez parcerias importantes PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 133 (Petrobras), e ao mesmo tempo, obteve financiamento de agências de fomento – Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), por meio da concorrência por editais públicos. Em face desse esforço conjunto foram aprovados e concluídos os seguintes projetos: (1) Novos Materiais para Construção de Pavimentos Rodoviários (CNPq); (2) Materiais Alternativos para Pavimentação (Fapeam); (3) Realização de Pesquisa sobre Agregados de Argila Calcinada (Ministério dos Transportes – MT); (4) Análise do Comportamento Estrutural de Pavimentos Asfálticos da Região de Urucu (Petrobras); (5) Efeito da Temperatura de Serviço na Deformação Permanente e Trincamento por Fadiga nos Pavimentos da Região Amazônica (CNPq); (6) Acompanhamento e Controle de Pavimentos de Urucu-AM (Petrobras); (7) Desenvolvimento de Programa Computacional para Análise Estrutural de Pavimentos em Três Dimensões (CNPq); (8) A Obtenção Tecnológica de Argilas da Região de Coari-AM para a Produção de Agregados Sintéticos Visando a Construção de Pavimentos (CNPq); (9) Validação Tecnológica de Misturas Asfálticas Confeccionadas com Resíduo da Construção Civil e Ligante Asfáltico Modificados por Polímeros, para Construção de Vias Urbanas no Município de Manaus – AM (CNPq); (10) Determinação de Parâmetros Empíricos e Mecanísticos das Misturas Solo-Argila (CNPq); Caracterização Química e Mineralógica de Argilas do Amazonas (CNPq); (11) Obtenção de Agregados de Argila Calcinada para a Região de Manaus – AM (CNPq); (12) Utilização de Entulho da Construção Civil em Misturas Asfálticas para a Região de Manaus – AM (Universidade Federal do Amazonas – UFAM); (13) Caracterização de Misturas Asfálticas Alternativas Quanto ao Efeito de Trincamento por Fadiga e Recuperação de Micro-trincas Utilizando Modelo Viscoelástico de Dano Contínuo (CNPq); (14) Definição de Metodologias de Dosagem e Ensaios de Misturas Asfálticas e da Viabilidade do Emprego de Rejeitos Ambientais como Materiais para Pavimentação (Finep e Petrobras/Rede de Asfalto); (15) Avaliação do Uso de Ligantes e Rejeitos Ambientais para Estabilização de Bases e Sub-bases de Pavimentos Asfálticos (Finep e Petrobras/Rede de Asfalto). Ante o exposto, tem-se como objetivo neste projeto apresentar o material Resíduo de Construção e Demolição produzido no Município de Manaus (AM) como alternativa técnica, na medida em que se trata de agregados a substituírem o material pétreo na construção de pavimentos no Estado do Amazonas e a consubstanciarem alternativa ambiental para os resíduos sólidos gerados nos canteiros de obras, 134 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL evitando-se, assim, o descarte em aterros ou em terrenos baldios, além de minimizar a extração de recursos naturais. Projeto: MDF da Amazônia E/T-14 O MDF (Médium Density Fiberboard) é uma chapa fabricada a partir da aglutinação de fibras de madeira com resinas sintéticas e ação conjunta de temperatura e pressão. Para a obtenção das fibras, a madeira é cortada em pequenos cavacos que, em seguida, são triturados por equipamentos denominados desfibradores. O MDF tradicional possui consistência e algumas características mecânicas que se aproximam às da madeira maciça. A maioria de seus parâmetros físicos de resistência são superiores aos da madeira aglomerada, caracterizando-se, também, por possuir boa estabilidade dimensional e grande capacidade de usinagem. No caso do MDF da Amazônia, o diferencial e o caráter inédito baseiam-se na utilização de resíduos madeireiros e não madeireiros, tais como caroço de açaí, semente de andiroba, cascas de castanha, cupuaçu, de pinus e eucalipto, moinha de madeira, etc, bem como a pesquisa, desenvolvimento e utilização de resinas naturais de espécies nativas da Amazônia na fabricação do MDF. Projeto: Elaboração do Projeto Conceitual de Implantação do Parque Tecnológico de Bioindústria do Pescado no Estado do Amazonas E/T-15 Estudos da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO apud MPA, 2009) indicam que a produção mundial de pescado está praticamente estagnada ou crescendo em níveis irrisórios, e até mesmo em declínio, em algumas regiões do mundo. Por outro lado, em função do aumento da população global PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 135 e de mudanças de hábito alimentar, houve aumento da demanda por pescados. A FAO estima que, até 2010, a piscicultura terá que produzir 40% dos peixes consumidos no mundo, que oscila em torno de 50 milhões de toneladas/ano. Ao avaliar o preço do peixe (Mfrural, 2009) como uma commodity, chega-se a US$ 748,41 o barril – fazendo a equivalência em kilogramas dos141 litros de petróleo, que formam um barril – o que equivale a 12,47 vezes maior que o preço do barril do petróleo de US$ 60,00 nos (médias dos últimos 6 meses). A piscicultura, se ancorada num ambiente de ciência e tecnologia, para o desenvolvimento de todo o seu potencial produtivo em bases sustentáveis, poderá garantir a segurança alimentar, contribuir decisivamente para disseminar boas práticas ambientais, promover o desenvolvimento da região e contribuir com as políticas públicas no restabelecimento dos estoques naturais da fauna ictiológica (MPA,2009). O SLI da piscicultura é uma forma de organização da produção que se fundamenta na necessária localização dos processos produtivos, de novas técnicas e produtos de acordo com as características da demanda. O conceito se apóia na hipótese de que as vantagens competitivas de uma região ou empresa dependem fundamentalmente da capacidade de uma organização produtiva que crie e explore as especificidades locais do ambiente econômico e institucional (Bureth e Llerena, 1992) essa perspectiva afirma que a inovação tecnológica constitui o fator determinante para a competitividade e o desenvolvimento das nações, regiões e empresas, tendo a globalização de mercados como o principal fator para o aumento da concorrência entre os segmentos. Parques Tecnológicos são ambientes de inovação, são instrumentos que visam transformar conhecimento em riqueza e bemestar social e devem ser constituídos e estruturados com essa clara e específica missão (Oliveira, 2008). No Amazonas já existe o Centro Tecnológico do Pólo Industrial de Manaus (CT-PIM), que não se enquadra nessa concepção de parque, é apenas uma incubadora de empresas. Por outro lado, a região compreendida pelos municípios de Anamã, Anori, Beruri, Caapiranga, Manaquiri, Maraã e Manacapuru, estão as condições locacionais favoráveis ao desenvolvimento da piscicultura, por serem, esses municípios, constituídos pela mesma fitogeografia, isto é, cercados de lagos naturais, infra-estrutura adequada a essa iniciativa. 136 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL Nesse sentido, um Parque Tecnológico pode contribuir para o aumento da oferta de pescado oriundo da piscicultura, pode ajudar a aliviar a pressão da pesca predatória sobre os estoques naturais, pode manter a sustentabilidade da pesca, além de aplicar e gerar novos conhecimentos científicos e tecnológicos sobre o tema pesca e sua cadeia produtiva, justificando a realização de um estudo para analisar a viabilidade de sua implantação, por se constituir numa relevante contribuição ao desenvolvimento sustentável da Amazônia. O parque tecnológico de biopiscicultura de Manacapuru (PTBIO) deverá ter a missão de ser um espaço de inovação tecnológica e empresarial, voltado ao desenvolvimento da piscicultura, como atividade econômica capaz de promover o desenvolvimento sustentável da região, através do desenvolvimento de pesquisas e geração de tecnologias para o manejo dos diversos recursos da ictiofauna, gerando emprego, renda e bem-estar social às populações da região com equilíbrio dos ecossistemas ambientais. O PT-BIO deverá ser estruturado para uma atuação holística, em termos de cadeia de valor, representado por elos que compõem a cadeia produtiva da piscicultura: a.Insumos: elo onde a biotecnologia poderá ser aplicada na pesquisa de hábitos alimentares dos peixes, desenvolvimento de rações, identificação e prevenção de doenças e o melhoramento genético de espécies; b.Produção: elo onde serão desenvolvidos novos modelos de manejo científico, a exemplo dos modelos concebidos na RDS Mamirauá (Ibama, 2009), estudos e desenvolvimento de técnicas de repovoamento de estoques naturais, bem como, o desenvolvimento de novas tecnologias para a reprodução sustentável do estoque de peixe; c.Industrialização: onde serão desenvolvidos novos Arranjos Produtivos Locais (APLs), baseados nos produtos da ictofauna e de subprodutos de pescados (Gazeta Mercantil, 2001) que tenham demanda, como por exemplo: o óleo do peixe já é bastante cobiçado pela indústria de cosméticos, porque proporciona aos perfumes o melhor fixador existente, com potencial para substituir o tradicional. A pele curtida do pescado apresenta uma beleza diferenciada e resistente, pode substituir matéria-prima na indústria tradicional de couro (tecnologia desenvolvida pelo Inpa), a exemplo do que já ocorre na Itália onde é matéria-prima de bolsas e sapatos. A farinha PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 137 de peixe é rica em proteínas, indicada para recuperação de pessoas debilitadas ou de crianças em desnutrição. A víscera do peixe serve de matéria-prima para produção de ração animal e tantas outras possibilidades de aproveitamento de subprodutos poderão ser desenvolvidas com aplicação de pesquisas científicas; d.Comercialização: onde a feeling empresarial fará a diferença, tendo em vista o potencial que os produtos desfrutam, em termos de vantagens competitivas, sobretudo no mercado mundial, onde o peixe se apresenta como a melhor opção alimentícia, sobretudo, como proteína necessária à segurança alimentar, como recomenda a FAO; Logística: reunirá as questões da governança corporativa do próprio Parque, todo o arcabouço legal que implique no bom funcionamento do parque, das relações institucionais, questões tributárias, setoriais, agentes econômicos e a logística propriamente dita, em especial à que diz respeito aos gargalos de estocagem, armazenagem, processamento de exportações, etc. Projeto: Estudo da ação antioxidante e elaboração de novos produtos a partir de matéria prima amazônica E/T-16 A atividade metabólica do organismo humano produz constan temente radicais livres. Estas moléculas reagem com DNA, RNA, proteínas e outras moléculas oxidáveis, promovendo danos à saúde tais como: doenças degenerativas, como câncer, aterosclerose, artrite reumática e o envelhecimento. Estudos epidemiológicos têm demonstrado uma correlação inversa entre dietas ricas em compostos polifenólicos e doenças cardiovasculares. Os compostos fenólicos possuem um amplo e complexo grupo de fitoquímicos, são compostos secundários do metabolismo vegetal que apresentam em sua estrutura um anel aromático com uma ou mais hidroxila, o que possibilita atuar como agente redutor, exercendo proteção do organismo contra o estresse oxidativo. O interesse pelo estudo de frutas tropicais tem crescido muito nas ultimas décadas devido ao aporte nutricional e fitoquímico que estas frutas apresentam. Uma destas frutas é o açaí, 138 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL comercializado na Região Amazônica de uma maneira semi-artesanal em unidades de beneficiamento chamada “Batedeira” ou “Amassadeiras”, e utiliza-se para fabricação da bebida uma despolpadeira artesanal, onde os frutos passam por um amolecimento utilizando água quente e em seguida são despolpados utilizando água em menor ou maior proporção, denominando assim, açaí fino, médio e grosso. Esta bebida é embalada em sacos plásticos, sendo consumido imediatamente pela população aportando nutrientes energético, plásticos, minerais, fundamentais no metabolismo do ser humano. Um dos componentes do açaí, que tem sido destacado como um excelente agente para ação benéfica à saúde são as antocianinas, classe dos flavonóides. Este projeto tem como objetivo estudar a composição química, flavonoides e antocianinas, assim como seus efeitos sobre o organismo do fruto, bebida e produto elaborado para estabelecer a ação do açaí, camu-camu, tucumã, castanha do Brasil e buriti como alimento funcional. Projeto: Produção de Termofertilizante Fosfatado a partir do aproveitamento de escória de siderurgia e rocha fosfatada de alumínio E/T-17 O projeto visa a produção de um fertilizante fosfatado obtido a partir do aproveitamento de escória (resíduo da siderurgia de ferro gusa de alto-forno) na forma fundida (líquida) e sua energia calorífica, por meio de mistura de fosfato de rocha de alumínio, voltado para atender o mercado agropecuário da Região Amazônica. O cunho de inovação se refere à obtenção de um termofosfato utilizando-se a energia calorífica da escória líquida fundida, como fonte de energia no processo de calcinação da rocha fosfatada de alumínio. O Parque siderúrgico do Carajás é o segundo do País em volume de produção, Produção de 1,8 milhão de toneladas de ferro gusa no ano de 2007, o que corresponde à aproximadamente 25% da produção nacional, ficando apenas atrás do Estado de Minas Gerais o que lhe confere inegável importância para a economia do Estado do Pará. Na produção de ferro gusa há a geração de grandes quantidades de resíduos, dos quais a escória representa a maior fatia com cerca de PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 139 41% do total, representando um importante passivo ambiental para as empresas produtoras de ferro gusa. O fosfato de rocha de alumínio ocorre com certa abundância em jazidas localizadas no Estado do Pará e Maranhão, porém não são exploradas economicamente como fertilizante agrícola, devido à inadequação da aplicação direta, por serem insolúveis na condição natural. A técnica usada para viabilizar o aumento da solubilidade desse fosfato seria submeter o fosfato de rocha ao processo de calcinação, que corresponde ao tratamento térmico com elevação da temperatura e promoção da quebra da estrutura cristalina do mineral, com a liberação de fósforo para as plantas. Esse processo de produção permitirá a obtenção de um produto fertilizante de boa qualidade, gerado a partir do aproveitamento de materiais de uso “marginal” (resíduo siderúrgico e minério fosfático alumínico), sem custos energéticos para a calcinação, com expressiva redução do custo final do produto. A viabilização de aproveitamento de fosfatos aluminosos existentes no Pará, eliminando a restrição energética no processo de produção do termofosfato, promoverá a maior acessibilidade dos agricultores locais de um fertilizante fosfatado de baixo custo, com implicações positivas na melhoria da produtividade das culturas de interesse econômico do Estado do Pará, com repercussão direta na economia regional. Além disso, esse processo produtivo promoverá a redução do passivo ambiental das empresas siderúrgicas na produção de ferro gusa, minimizando os impacto ambiental n entorno das empresas produtoras de ferro gusa. Por outro lado, a produção e utilização racional de fertilizantes, além de promover o aumento de produtividade agrícola, possibilitará a proteção e preservação de milhares de hectares de florestas e matas nativas. Projeto: Ração de Igapó, alimento natural de espécies aquáticas E/T-18 No processo de extração ou na colheita manual das favas ou produtos naturais em ambientes locais, isto é nos igapós na época do inverno onde há uma diversidade de frutas ou sementes naturais onde estar intimamente ligada a fertilidade do alimento natural das 140 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL espécies aquáticas, que juntando varias espécies tal como Juarí, mungubá, capitari, caferana etc. tudo isso triturado em ambientes naturais misturado com outros derivados dará uma massa homogenia e compactada em grãos tornaram isso um alimento natural às espécies subaquáticas na alimentação em cativeiro. Favorecendo aos produtores uma nova fonte de alimento agregando valores naturais regionais, onde a mão de obra comunitária ou família torna-se a o meio de arrecadação financeira através do processo de aproveitamento e tecnologia com potencial rentável na fabricação na formulação, onde existem estudos e avaliações relacionadas á implantação e manutenção dessa nova cultura onde na Amazônia e principalmente nas áreas de várzeas a uma larga escala em abundancia. Este produto depois de processado e agregado a outras misturas já conhecidas, beneficiara comunidades ao redor da implantação de uma fabrica gerando assim importante desenvolvimento local e regional. Projeto: Yauaçu: primeira cadeia produtiva da Biomassa do Babaçu no Estado do Amazonas em áreas indígenas E/T-19 Diversos estudos sobre a biodiversidade vêm revelando seus poucos aproveitamentos, dos pontos de vista econômico, científico e social. Com os avanços tecnológicos em curso, o valor da biodiversidade, ainda não contabilizado adequadamente, pode representar lucros significativos para as economias da Amazônia, bem como contribuir socialmente com as comunidades mais carentes da Região. Do ponto de vista científico, novo descobertas de produtos cosméticos podem também alterar positivamente o quadro de desenvolvimento perverso que caracteriza a Amazônia e criar um modelo de sustentabilidade para os mais de 25 milhões de habitantes que ainda dependem das exportações de matérias primas sem valor agregado. Governos de estados da federação brasileira vêm realizando esforços para implantar programas como o REDEBIO. Este inclui estados da região nordeste e norte. No total de 5 anos, quando houve o Censo Agropecuário (1970, 75, 80, 85, 96), foram produzidas 700 mil t de amêndoa de babaçu, que geraram como valor de venda e ingresso para as comunidades PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 141 envolvidas neste período, 840 milhões de reais (Censo Agropecuário, IBGE). Assim, por ano, foram extraídos 140 mil t que renderam à Amazônia 170 milhões de reais. Desse modo, cada quilo de babaçu foi vendido a um preço médio de 0,80 reais (1970-96, segundo o Censo Agropecuário do IBGE). Um trabalhador, em média, extrai cerca de 130 kg por mês durante a safra de babaçu (6 meses) e ganha com a venda deste produto 160, 00 reais/mês. O que demonstra que o babaçu é um investimento promissor de renda familiar das comunidades rurais brasileiras, sobretudo as do Estado do Maranhão, que maior contribuem com seu potencial de extração deste fruto. Por outro lado, é importante colocar que ao diversificar e estimular o uso e aproveitamento de todas as partes do fruto, bem como o melhor refinamento, para obtenção de inúmeros subprodutos é a adoção de um posicionamento de maior agregação de valor, logo, de maior renda para as famílias rurais da região de ocorrência dos babaçuais. Viabilizar a primeira cadeia produtiva da Biomassa do babaçu em áreas indígenas no Estado do Amazonas com caráter inovador, utilizando o coco de babaçu em substituição ao coco de piaçava da Bahia, hoje utilizada na Europa como matéria-prima de transformação industrial. O endocarpo do babaçu será utilizado na indústria na confecção de pastilhas e esferas para atender os seguimentos de revestimento ecológico, acessórios de moda e bio-jóias com tecnologia inovadora no processo produtivo. Substituindo o endocarpo do caroço da Piaçava da Bahia, Pretende-se aperfeiçoar os processos através know how de uma empresa da Aozgan Tesbih Bijuteri San Tic, Istanbul-Turquia, devendo o produto final ser uma Planta de Produção de 1.000.000/mes de esfera e 1.000.000/mês com o estudo de viabilidade de uma unidade produtora. E implantar a Tecnologia Social do Babaçu- Descasque mecânico do coco babaçu, facilitando retirada da amêndoa, promovendo o aproveitamento do epicarpo (casca), mesocarpo (80% de amido) e amêndoa; Aperfeiçoados alguns maquinários e desenvolvidas novas tecnologias na extração de óleo do coco, com aproveitamento maior de seus subprodutos. Com isso oferecer condições que fortaleçam a organização produtiva e visem a sustentabilidade dos povos indígenas, contribuindo na reafirmação da identidade étnica dos povos da floresta e de suas etnias. Desenvolver e aprimorar tecnologias para beneficiar de modo inovador e sustentável em escala industrial, o coco de babaçu, (Orbignya 142 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL phalerata Martius), um recurso natural abundante das terras indígenas e de uso tradicional entre a maioria dos povos indígenas, o babaçu da Amazônia, de forma economicamente sustentável, ambientalmente renovável, socialmente justo e harmonizado culturalmente aos povos da floresta, em novos produtos passíveis de maior competitividade no mercado nacional e internacional. Projeto: Projeto: Rota Judaica da Amazônia E/T-20 O presente projeto estabelece objetivos, justificativas, planejamento estratégico e as vias para a criação e implantação de um novo e inédito produto turístico, do gênero cultural e étnico, para a Região Amazônica ( Pará e Amazonas)- a Rota Judaica da Amazônia. Composto por uma série de propostas de passeios e visitações a cidades do interior do Pará e Amazonas, e suas capitais, Belém e Manaus; percorrendo localidades onde foi e permanece marcante, a presença do elemento judaico de origem marroquina, um dos grupos imigrantes que conformaram a colonização da região, bem como sua formação, social, cultural e econômica, a partir do início do século 19 e criaram aquela que é a mais antiga comunidade judaica existente no Brasil. Estruturado em três fases básicas- elaboração, implantação e operacionalização, o projeto visa além do incremento na receita do setor para a região, contribuir com o desenvolvimento sustentável da mesma, a partir de atividade de baixo nível de investimento inicial e retorno financeiro imediato; e criar novos postos de trabalho para a população destas localidades. PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 143 Projeto: O retroce$$o: o futuro da humanidade em um passado presente E/T-21 Este livro apresenta o resultado de uma pesquisa relacionada às eventuais reinvenções do atual sistema econômico, traçando linearmente uma reflexão objetiva, delineando o espaço - tempo e correlacionando as formas dos sistemas de produção, sendo, patriarcal, escravista, feudal, capitalista, confrontando as relações, capital x meio ambiente, estabelecendo assim, “A Teoria do retrocesso”. Atualmente a humanidade, com todo seu conjunto de regras, normas, leis, culturas diversas, valores incondicionais ou condicionais, está propensa à modificações endógenas e/ou exógenas a todo o momento, todavia, as atividades técnicas, econômicas, políticas, dentre outros, abrem um paradoxo dialético que atua diretamente no cotidiano particular de cada um, manipulando seu dia a dia, ditando como e quando fazer alguma coisa. A sociedade está sendo transformada, desde a sua priori. A evolução do pensamento e a apropriação e domínio da natureza são os principais fatores para que fossem elaborados sistemas compartilhados que determinaram o uso exacerbado destes recursos em que o homem, na forma de seu trabalho, transformou não somente o mundo, mas também a si mesmo. A cada período da história da humanidade, este sistema foi sendo adaptado conforme as transformações impostas naturalmente, forçando uma reflexão quanto à maneira em que as necessidades eram postas à prova, ou seja, a cada momento histórico, o homem se serviu da natureza em busca de suprir suas demandas de convívio e estruturas em âmbito social, econômico e político, neste processo evolutivo. O surgimento dos primeiros grupos sociais organizados é prova desta evolução e da necessidade de mudanças favoráveis ou não a nossa espécie. Podemos refletir a partir das divisões do trabalho, quando em várias tribos iniciais, eram atribuídas a cada componente ativo, assim saudável, a obrigação de uma determinada atividade tema que será discutido nos capítulos iniciais deste exaustivo trabalho de pesquisa. 144 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL Partindo do princípio, de que o uso da natureza é um fator condicionante à evolução e transformação da humanidade, temos que identificar nos dias atuais, os problemas que surgem a partir da falta destes recursos, e assim refletir quanto ao seu uso racional e garantir para as futuras gerações o mínimo essencial para a continuidade de nossa espécie neste planeta finito. As primeiras civilizações organizadas utilizavam a natureza conforme suas necessidades eram impostas, controlando consciente ou inconscientemente o saber da duração destes recursos. Este conceito não se diferencia muito dos dias atuais, continuamos a extraílos, transformando-os em produtos, e abastecendo os egos dos consumidores insaciáveis do século XXI. Partindo destas premissas, discutiremos como o atual sistema econômico, desde seu surgimento,contribui modificando a humanidade, construindo ideologias extremamente complexas e diversificadas, no qual o homem, cego de seu poder, permanece alienado a este sistema até hoje. Neste livro, discutiremos as ações da humanidade, desde o início do ser pensante, até os dias atuais; passando por todo este processo evolutivo, focando o trabalho exercido pelo homem antes do surgimento do sistema fabril e após a ele. As forças de produção estabeleceram realidades que se organizaram desde as sociedades primitivas, sendo estabelecidas regras, assim linearmente, “Patriarcal, escravista, feudal, burguês e finalmente o atual modo de produção capitalista”. O capitalismo busca incessantemente o lucro a qualquer custo, alienando o homem à sua vontade. Partindo deste pressuposto, analisaremos até que ponto este sistema, que está se reciclando, será atribuído a esta abordagem, o surgimento de um novo capitalismo, que desde seu princípio, priva o homem até mesmo de suas horas de lazer. Dentre todas as hipóteses abordadas, nesta obra, “O retrocesso”, discutirão, dentro deste sistema capitalista, uma reflexão quanto ao uso e manejo dos recursos naturais, mais especificamente, os recursos não renováveis, essenciais para a garantia da vida humana, e firmar esta Teoria, ou seja, as alterações econômicas, políticas e sociais, que levarão o homem de volta ao passado. Assim, devido à queda e/ou a mutação retroativa do capitalismo, forçará a humanidade a retroagir no tempo, utilizando-se das fases iniciais deste sistema moderno, anterior ao sistema fabril. Partindo deste princípio, a utilização da manufatura e o sistema de escambo, retornarão, porque sem os recursos naturais PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 145 suficientes, aniquilará o motor que impulsiona o capital, “O consumo”, voltando à alta Idade Média, “O capitalismo comercial”. Projeto: Complexo agroindustrial de etanol e farinha de mandioca para comunidades rurais do Estado de Roraima E/T-22 O projeto prevê a instalação de um complexo agroindustrial para a fabricação de farinha e álcool a partir da cultura da mandioca numa comunidade rural do Estado de Roraima. Para isto, será selecionada uma cooperativa de produtores do Sul do Estado e apresentado o projeto para os cooperados que irão formar um grupo fechado de produtores de mandioca que constituirão os sócios preferenciais. Os produtores que optarem apenas por entregarem a produção serão considerados sócios colaboradores. Para facilitar a implantação do sistema de plantio 21 produtores serão divididos em 3 grupos de 7 e todos plantarão 3 hectares cada, totalizando 63 hectares de mandioca de indústria. Cada grupo plantará 21 hectares de mandioca por mês durante os meses de maio, junho e julho. A colheita começará aos 12 meses do plantio sendo colhidos 0,25 ha de mandioca por dia com estimativa de 5 toneladas/ dia de raízes para industrialização que deverá ser programada para produção de etanol, de farinha ou de ambos os produtos. Espera-se uma produção de 1500 kg de farinha ou 900 litros de etanol por dia ou parte de cada produto dependendo da quantidade de matériaprima utilizada para cada um. Nos primeiros meses a quantidade de farinha produzida deverá ser maior para cobrir os custos de produção, enquanto o etanol produzido será utilizado no sistema de produção e distribuído em cotas para uso pessoal dos cooperados. O complexo agroindustrial deverá funcionar 252 dias por ano, descontando-se os sábados, domingos e feriados. Os recursos para a produção da mandioca deverão vir do Pronaf e o pagamento da produção de cada cooperado deverá vir da venda do produto industrializado, no caso a farinha de mandioca devidamente classificada por tamanho de grânulos atendendo as exigências do consumidor. Em todas as etapas de produção serão utilizadas as Boas Práticas de Fabricação a fim de obter certificação do produto e o mesmo poder ser comercializado nos mercados municipais, regionais e de fora do Estado. 146 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL Projeto: Uso, fornecimento e comercialização de ervas medicinais no município de Muaná (PA) através de sistemas agroflorestais e cooperativas E/T-23 O projeto proposto integra a prática sustentável de produção agrícola chamada de agroflorestal com a produção de ervas medicinais de alto valor para o Sistema Único de Saúde (SUS). Objetiva-se a produção de alimentos, focando a alimentação do agricultor e comercialização do excedente em feiras e o processamento de ervas medicinais por um sistema de secagem alocado em uma cooperativa. O estudo de ervas medicinais tradicionalmente utilizadas pela população, mas não pelo SUS, será realizado durante todo o período de implantação do projeto, a fim de poder incorporar as ervas medicinais à Relação Nacional de Plantas Medicinais. Projeto: Farmácia Viva Borari: multiplicando saberes E/T-24 Implementar a Fitoterapia como nova opção terapêutica na Rede Municipal de Saúde de Santarém através da produção e utilização de produtos com fins terapêuticos oriundos da flora medicinal, para que seja possível a substituição do uso empírico tradicional pelo emprego correto, científico e racional de plantas validadas como medicinais, além de revitalizar a agricultura familiar, inserindo-a na cadeia produtiva de produtos fitoterápicos. PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 147 Projeto: Vale Amazonas E/T-25 O projeto Vale Amazonas visa criar um canal entre o Vale do Silício na Califórnia e o mercado emergente brasileiro para fomentar o desenvolvimento regional da Amazônia. Esta iniciativa permitirá o intercâmbio profissional de jovens de talento entre a Universidade de Stanford e o Amazonas, trazendo idéias inovadores para a nossa região. Em poucas palavras o Vale Amazonas traz grandes idéias para uma região de grande potencial. O projeto destaca-se pelo foco em iniciativas concretas, execução relâmpago e busca inabalável pela excelência. O programa possui três frentes: a. O Curso Vale Amazonas permitirá a participação de jovens estudantes amazonenses das áreas de administração, engenharia, e computação em um curso ministrado na Universidade de Stanford. b. O Intercâmbio Profissionalizante Vale Amazonas visa trazer estudantes de Stanford com interesse nas áreas de desenvolvimento sustentável, economia, políticas públicas, relações internacionais e educação para trabalhar em empresas Amazonenses. c. A Incubadora Vale Amazonas para micro-empresas (startups) que desenvolvem tecnologias sustentáveis de alto potencial de aplicação na Região Amazônica. A incubadora conecta fundos de investimento a empresas promissoras que desejam atuar no Amazonas. Este projeto terá apoio do fundo de investimentos Arpex Capital, fundado por Jorge Paulo Lemman e representado por Gabriel Benarrós em Stanford. 148 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL Projeto: Centro de Estudo e Promoção de Piscicultura na Raposa Serra do Sol (CEPRS) E/T-26 Este projeto é uma das propostas para fortalecimento das comunidades indígenas, utilizando o potencial natural como os rios, lagos e igarapés, como fonte de produção de alimentos, para a população. Não somente como meio de subsistência, mas como geração de renda, dentro da terra Indígena. Criando condições a esta população de permanecer em seus territórios. Mesmo com potencial natural para produção de peixes existe grande deficiência de incentivo ao setor, não existem políticas públicas voltados para implantação de projetos nesta região. Quanto a assistência técnicas, existe um Centro Indígena de Formação a novel médio e técnico, onde os jovens indígenas participam de cursos de várias modalidades como de agricultura, pecuária, manejo ambiental e áreas afim, uma delas é a Piscicultura. que ganhou mais força por conta dos potenciais disponíveis para esta atividade. A maior preocupação atualmente é a redução substancial do peixe nas fontes naturais, isto vem se dando por conta dos seguintes fatores aumento da população indígena, pesca predatória e o desenvolvimento das novas técnicas de pescaria, trazidas pela sociedade externa das comunidades indígenas. Projeto: Manejo da adubação potássica e da irrigação no progresso de doenças fúngicas e produtividade da melancia E/T-27 Entre as principais doenças da melancia, o crestamento gomoso do caule (Didymella bryoniae) e o míldio (Pseudoperonospora cubensis) se destacam devido às grandes perdas que causam na produtividade e qualidade de frutos. Foram conduzidos dois ensaios em condições de campo em Gurupi, Tocantins, nos anos de 2009 e 2010. No ensaio PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 149 I, objetivou-se avaliar a influência da adubação potássica no progresso do crestamento gomoso e produtividade da melancia. Utilizou-se delineamento em blocos ao acaso, sendo os tratamentos constituídos de três doses de potássio aplicadas em cobertura (0, 50 e 100 kg ha-1 de KCl) e 12 repetições. Foi avaliada a severidade do crestamento gomoso, por meio de uma escala de notas e os dados de produção e qualidade dos frutos. No ensaio II, objetivou-se estudar a influência da lâmina de água e intervalo de irrigação no progresso do míldio. Utilizou-se delineamento em blocos ao acaso com quatro repetições, em esquema fatorial de 3 x 3, três lâminas de irrigação (100, 300 e 500 mm de água durante o ciclo da cultura) e três intervalos de irrigação. Avaliou-se além da severidade do míldio, também a produção e a qualidade dos frutos. Constatou-se que as doses de potássio não influenciaram no progresso do crestamento gomoso e no número, peso médio e qualidade dos frutos. As lâminas de irrigação aplicadas influenciaram no progresso do míldio. Maiores níveis de severidade do míldio foram observados nas plantas mantidas sob irrigação com lâmina de 500 mm de água. As lâminas de água aplicadas também influenciaram significativamente na produção e qualidade dos frutos. Observou-se a presença de maior número de frutos deformados ou tortos nas plantas mantidas sob déficit hídrico, na lâmina de 100 mm. As maiores produtividades comerciais e totais foram obtidas nas plantas irrigadas com a lâmina de 500 mm de água. Projeto: Programa de Mídias Digitais da Universidade Federal do Amazonas (ProMidi/Ufam) E/T-28 O Programa de Mídias Digitais da Universidade Federal do Amazonas (ProMidi/Ufam) é uma proposta de Desenvolvimento Tecnológico e Extensão Inovadora capaz de promover uma mudança cultural na Ufam e nas suas relações com a sociedade. Será desenvolvido no Parque Tecnológico para Inclusão Social (PCTIS), a Rede de Pesquisa, Extensão e Inovação Tecnológica da Ufam. Assim, o ProMiDi/Ufam funcionará como locus para o desenvolvimento dos projetos de ensino, pesquisa e extensão gerenciados ou desenvolvidos pelo Centro do Mídias Digitais da Ufam (Cemidi), projeto incentivado 150 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL com Bolsa Desenvolvimento Tecnológico e Extensão Inovadora, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq/ MCT). O ProMidi criará condições para que sejam implantados projetos tais como Ufam sem papel, Comunicação Organização Integrada por meio de SMS e Ações de extensão em mídias digitais, só para ficar em três exemplos, que reduzirão pela metade o consumo de papel na Instituição. O conceito de uso das Mídias Digitais para a sustentabilidade é o fio condutor deste projeto em todas as suas ações. O prédio do Centro de Mídias Digitais (CeMidi), última fase do ProMidi/Ufam, será concebido com ênfase na filosofia ecossistêmica para a sustentabilidade, base do pensamento de Humberto Maturana e Francisco Varela, bem como de Frijof Capra, com a sua proposta de Ecologia Profunda, por meio da qual o homem é apenas parte do universo, da Terra, e não o centro desta. Com base nessa filosofia e, dependendo dos estudos dos enge nheiros e arquitetos, o prédio será de vidro ou acrílico, para aproveitar ao máximo a luz solar, terá placa foto-elétricas, para a captação e energia solar, bem como tanques estrategicamente posicionados para o armazenamento da água da chuva. Será o primeiro programa da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) a desenvolver o conceito de prédio totalmente inteligente e sustentável, pois a energia elétrica e a água consumidas serão captadas pelo próprio prédio. Com o Programa, a Ufam digitalizará todos os seus procedimentos administrativos, acadêmicos e didático-pedagógicos possíveis, tendo por base a Internet. Haverá economia de recursos financeiros, bem como agilidade e transparência efetiva na interrelação com a sociedade e a comunidade interna e externa. O ProMiDi/Ufam criará condições para o surgimento de uma nova cultura na Ufam e na sociedade amazonense voltada, principalmente,para ações inovadoras de extensão baseadas na Internet, principalmente com o uso das redes digitais e a disseminação da filosofia ecossistêmica tendo como eixo condutor a sustentabilidade em todos os níveis possíveis. PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 151 Projeto: Geração de energia elétrica em localidades isoladas na Amazônia utilizando biomassa como recurso energético acoplado a processos produtivos E/T-29 O atendimento das localidades isoladas do SIN (Sistema Interligado Nacional), em especial aquelas situadas na Região Amazônica é um fator crítico no processo de universalização da energia elétrica uma vez que os custos de operação e manutenção (O&M) e sua logística de implantação, para atendimento a estes consumidores isolados é muito elevado, se considerarmos as mesmas condições de fornecimento dos consumidores dos grandes centros, tendo em vista estarem localizados em locais remotos, de condições de acesso e comunicação difícil e logística de transporte complexa. Neste sentido a presente pesquisa apresenta um estudo e o desenvolvimento de soluções tecnológicas maduras, acopladas a modelos de gestão alternativos, que sejam adequados à realidade destes consumidores, a custos acessíveis, tendo em vista a disponibilidade de recursos naturais na região e as vantagens inerentes a essas fontes, como redução de consumo de óleo diesel e possibilidade de agregar à geração de energia processos produtivos para as comunidades isoladas, gerando emprego e renda. Projeto: Recupiiam: recuperação, Inovação e Consolidação do Ideal Amazônico E/T-30 Queremos com este projeto apresentar uma nova ferramenta para o contexto amazônico, o açaítor - assim denominado por nós, e a partir dela poder apreciar a magnitude de profundas mudanças econômicas, sociais e culturais; e de forma muito sutil recuperar, inovar e consolidar os fundamentos para os quais a Amazônia foi criada por Deus. O açaítor é uma proposta segura e agradável para a colheita do açaí e do fruto de qualquer outra palmeira. E é para ele que viemos, respeitosamente, compartilhar o projeto em fase de elaboração e pedir 152 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL ajuda para a sua conclusão, fabricação do protótipo e em seguida a produção em série. O açaítor está proposto inicialmente em duas versões uma manual e outra mais desenvolvida com circuito eletrônico e que será movido por dois motores à bateria e sua operação feita por controle remoto. O propósito do açaítor manual é alcançar o fruto com a participação direta do homem, assim como no método tradicional usando a peconha (laço de corda ou de pedaço de saco, p.ex., de fibra de embira, em que os trepadores de árvore apoiam os pés de encontro ao caule, para por este subirem com a força de suas pernas e braços), mas com fortíssimo diferencial fundamentado em segurança. O açaítor eletrônico incorpora uma nova realidade, pois somente a máquina vai até o fruto, em outras palavras é uma máquina de apanhar açaí - que se tornará tão comum como o liquidificador; assim como hoje existe a máquina de colher café, a roçadeira, a motossera entre outras. vamos combinar aqui que o açaítor é apenas o gatilho de uma impressionante mudança no curso do progresso da Amazônia. Entenderemos isto quando avaliarmos este projeto na amplitude das suas ramificações. Projeto: Vapp Eco: Valise Amplificada para Palestrante Ecológica E/T-31 O projeto consiste no desenvolvimento e na produção de produtos e processos ecologicamente corretos, por meio da utilização dos resíduos de madeira da Amazônia, reciclagem de madeiras reflorestadas (pallets oriundos do PIM) e a inserção das sementes de tucumã seca como cantoneira de proteção e base de apoio na confecção das valises que serão utilizadas na preparação do produto final denominado de Vapp Eco. Nesta proposta a empresa pretende além de oferecer este novo produto, disponibilizar como opcional os microfones ecológicos com ou sem fio que deverão fazer parte da Valise Amplificada Para Palestrante. PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 153 Projeto: Vapp Eco: Valise Amplificada para Palestrante Ecológica E/T-32 O projeto consiste no desenvolvimento e na produção de produtos e processos ecologicamente corretos, por meio da utilização dos resíduos de madeira da Amazônia, reciclagem de madeiras reflorestadas (pallets oriundos do PIM) e a inserção das sementes de tucumã seca como cantoneira de proteção e base de apoio na confecção das valises que serão utilizadas na preparação do produto final denominado de Vapp Eco. Nesta proposta a empresa pretende além de oferecer este novo produto, disponibilizar como opcional os microfones ecológicos com ou sem fio que deverão fazer parte da Valise Amplificada Para Palestrante. Projeto: Proposta de criação de uma plataforma logística em Rondônia como fator estratégico para o desenvolvimento regional sustentável E/T-33 Com o avançado processo de globalização, as questões geográficas nacionais e regionais estão sendo cada vez mais importantes, exigindo da logística, o aporte adequado para que as organizações ali sediadas tornem-se competitivas globalmente. Por outro lado, a escolha dos pontos de produção e distribuição está intimamente ligada às facilidades colocadas à disposição desses sistemas, em especial, as facilidades logísticas, não por acaso, as melhores estruturas logísticas estarem em países desenvolvidos ou próximos a eles, como na costa da Europa. Delineia-se, assim, que um cenário regional dotado de infraestru tura espacialmente organizada e apropriada às atividades econômicas na qual o alto desempenho organizacional torna-se essencial para o desenvolvimento regional e para a atração e manutenção de empresas com atuação no cenário globalizado. 154 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL Mas de nada adianta uma infraestrutura apropriada para as diversas atividades econômicas, se estas atividades não estiverem a serviço do desenvolvimento e não apenas do crescimento econômico. Desenvolvimento se caracteriza pela transformação estrutural da sociedade e pela elevação da sua qualidade de vida; já o crescimento se caracteriza pela variação positiva, no tempo, do total da produção econômica, mensurável pela variação do Produto Interno Bruto (PIB). Quando se analisam as condições imperativas para o desenvolvimento sócio-econômico, a disponibilização de infraestrutura espacialmente organizada e competentemente planejada faz uma grande diferença, por agregar valores perceptíveis por todos os integrantes de uma cadeia propulsora de desenvolvimento, atraídos para um mesmo espaço ou se beneficiando dele, além da possibilidade de refletir efeitos benéficos em uma grande área de influência. Certos de que as questões geográficas e a organização espacial das facilidades logísticas são fatores decisivos para tornar as organizações mais competitivas, as empresas estão investindo em complexos sistemas para decidirem a localização de suas fábricas e centros de distribuição. Como no caso de Rondônia a situação geográfica lhe é muito favorável para torná-la mais atrativa sugere-se a configuração de uma Plataforma Logística (PL), planejadas e formatadas para melhor atender e ao menor custo, essas demandas e para serem percebidas pelos sistemas de processo decisório. No Brasil o conceito de PL ainda não está consolidado, na Europa, a preocupação já existe e assume papel importante no planejamento da infraestrutura, principalmente nas políticas de infraestruturas regionais de logística e transportes. Para Arruda e Bastos (1997), as Plataformas Logísticas são conjuntos de infraestrutura de caráter público e privado onde se organizam as atividades econômicas do ponto de vista logístico, e seus principais objetivos são: a. A organização espacial – Através da qual se objetiva disciplinar a localização e disposição de atividades que consomem quantidades consideráveis de espaço, tais como áreas de estocagem de produtos, de estacionamento e de manobra de transporte de carga; b. Evitar a “contaminação” do tecido urbano - Sobretudo da periferia, que pode se dar por impactos negativos causados por instalações e infraestruturas de má qualidade estética, que, além disso, geram externalidades negativas como poluição e degradação do meioambiente; PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 155 c. Gerar empregos especializados a nível local – As atividades logísticas são consideradas atividades de médio e alto grau de especialização e contribuem para a geração de empregos especializados, principalmente na área de gestão em todos os níveis. Dentre os principais atributos de sucesso de qualquer grande infraestrutura, construída para ser catalisador do desenvolvimento, neste caso uma plataforma logística, estão a eficiência e eficácia, expressas por serviços de boa qualidade e custos competitivos, é isto que atrai investimentos e atende aos objetivos no nível microeconômico. Entretanto, essas infraestruturas podem atender também aos objetivos dos países ou macro-região nas quais estejam inseridas, tornando-as atrativas às organizações e interessantes aos Estados, na sua área de influência, em função da qualidade dos serviços prestados, dos custos diferenciados, dos empregos gerados e dos impostos arrecadados. Nesse contexto, é proposta a criação de uma PL para Rondônia, como proposta de servir de indutor do desenvolvimento regional sustentável e visando cumprir, simultanemanete, os objetivos de duas ordens: empresariais e de desenvolvimento – disponibilizando infraestrutura e produzindo serviços de forma eficiente e eficaz para aos clientes atuais e potenciais, contribuindo para o crescimento das organizações, mas contribuindo também, para o desenvolvimento sócio-econômico da região, através de geração de emprego e da distribuição espacial da renda, tanto nas suas áreas internas, como também nas suas áreas de influência. Para que se possa criar uma PL de forma a atender essas proposições, torna-se importante conhecer as características dos clientes que demandam os serviços das plataformas logísticas e que devem ser considerados nos estudos de viabilidade. Esses clientes de PL podem estar localizados dentro da plataforma logística, na sua área de influência ou distante delas. Portanto, é importante que o planejamento tenha abrangência espacial e temporal, visando atender toda a área de macro influência no curto, médio e longo prazo, no tocante à demanda por infraestruturas e serviços, definidas de forma atual e potencial. Assim, a configuração das demandas de usuários dos serviços das plataformas logísticas pode ser assim definida: demanda industrial instalada no entorno da plataforma e nas áreas de influência; demanda do setor comercial no entorno da plataforma e nas áreas de influência; outras demandas por transportes, dentro e fora das áreas de influência; 156 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL demanda de serviços de controle e fiscalização (inspeção e vigilância sanitária, despachos e controle alfandegários, serviços de arrecadação de tributos federais e estaduais); demandas por serviços de segurança pública e privada; e demanda de serviços de apoio ao homem e à máquina (comunicação, bancários, alimentação, hospedagens, manutenção, oficinas de reparo e suprimentos diversos). Projeto: Destilados de Frutas da Amazônia E/T-34 Desenvolver uma linha de bebidas destiladas, padronizadas e com controle de qualidade assegurado de acordo com normas brasileiras, agregando valor nessas bebidas destiladas a partir de espécies vegetais da biodiversidade amazônica. Esta proposta visa um melhor aproveitamento de espécies frutíferas da Amazônia e para tanto a Sohervas realizou alguns testes exploratórios para verificar a melhor forma de fermentação e destilação do mosto de algumas frutas, pois a partir da fermentação da polpa seguida de destilação, obtém-se a aguardente de fruta. Nos últimos três anos a Sohervas lançou no mercado uma linha de licores finos de frutas da Amazônia entre os quais se destacam o de Açaí, o de Cupuaçu, o de Camu-camu, o de Jenipapo e o de Cacau. Trata-se dos primeiros licores totalmente legalizados produzidos no Estado do Amazonas. O destilado dessas mesmas frutas é inédito, portanto uma oportunidade de negócio. Esse processo produtivo precisa ser estabelecido, certificado e protegido intelectualmente. De posse desses resultados preliminares, se faz necessário iniciar os processos de adaptação da produção de acordo com a matéria prima escolhida, além do cumprimento do Decreto nº 6871 do Ministério da Agricultura, pois para que seja definida como aguardente de frutas a bebida dever ter graduação alcoólica de 36 a 54% em volume a 20ºC, a ser obtida de destilado simples de frutas ou pela destilação do mosto fermentado das mesmas. É recomendado ainda que a produção seja efetuada de forma que a destilação tenha aroma e sabor dos elementos naturais voláteis contidos no mosto fermentado derivados dos processos de fermentação ou formados durante a destilação, ou ambos. Para o desenvolvimento do nosso PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 157 produto, algumas etapas são necessárias como, por exemplo: Iden tificar fornecedores; estabelecer ações para o fortalecimento da cadeia de fornecimento de matérias-prima concentrando-se numa cadeia de produtos certificados; obter matéria- prima certificada; ajustar os parâmetros de fermentação e rendimento; ensaios físico-químicos e microbiológicos; desenvolver embalagens; rótulos e registro do produto; obter certificação orgânica do produto; e por fim, investir na divulgação em larga escala. E/T-35 Projeto: Novas formas farmacêuticas para o mercado farmacêutico emergente - Nanoencapsulação de fármacos anti-inflamatórios de origem sintética e natural, em matrizes poliméricas para liberação controlada O desenvolvimento de novas formas farmacêuticas na Região Amazônica baseado na nanotecnologia aplicada a fármacos, através do projeto Nanoencapsulação de fármacos anti-inflamatórios de origem sintética e natural, em matrizes poliméricas para liberação controlada, vem consolidar a pesquisa na área de nanotecnologia aplicada a fármacos na Região Amazônica. A proposta visa o fortalecimento da área industrial farmacêutico na Amazônia, no que tange as aplicações de técnicas de caracterização físico-quimica de nanoparticulas e nanoformulações farmacêuticas. A Amazônia possui um bioma riquíssimo, e o Estado do Amapá colabora com uma das maiores biodiversidades do mundo. Sendo assim, a aplicação da nanotecnologia para obtenção de novas formas anti-inflamatórias é de grande interesse da industria farmacêutica, o que pretende-se em curto prazo, interagir com a formação de mão de obra especializada. Após a concretização do desenvolvimento desse projeto, novas classes terapêuticas serão objeto de estudo, principalmente a relacionada a aplicação de antidepressivos e ansiolíticos, de grande interesse na terapêutica no Brasil, representando uma grande fatia no mercado farmacêutico nacional. 158 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL Projeto: Comportamento de concreto asfáltico tendo lodo da eta da cidade de Manaus como Fíler E/T-36 O concreto betuminoso usinado a quente é uma mistura constituída de agregado graúdo, agregado miúdo, material de enchimento (fíler) e ligante betuminoso, misturados a quente em usina apropriada, devendo ser espalhados e comprimidos a quente. O revestimento de concreto betuminoso consiste de uma ou mais camadas, construídas sobre uma base devidamente preparada para o seu recebimento. Este trabalho tem por objetivo gerar alternativas para a pavimentação local, com a utilização de materiais regionais e não convencionais na mistura asfáltica, em substituição aos elementos tradicionais. Para tanto, utilizou-se o lodo, resíduo gerado na Estação de Tratamento de Água (ETA), da Ponta do Ismael, na cidade de Manaus, responsável pelo tratamento da água do Rio Negro, que abastece a cidade de Manaus. Atualmente, estes resíduos são lançados no igarapé do Franco, ocasionando prejuízos ao meio ambiente. O resíduo da ETA foi utilizado como fíler no concreto asfáltico usinado a quente (CBUQ), em substituição ao material tradicionalmente usado nesta região, ou seja, o cimento Portland. Foi feita uma análise comparativa entre as misturas betuminosas, convencional e alternativa, com os dois tipos de fíleres, utilizando o mesmo teor ótimo da mistura com o CAP-50/70. Foram moldados corpos de prova de CBUQ e analisados os resultados concernentes à estabilidade Marshall, fluência a 60 0C e compressão diametral uniaxial estática, módulo de resiliência e vida de fadiga, todos a 25 0C. Os resultados dos ensaios mostram desempenho adequado da mistura confeccionada com o lodo como fíler, comparado à mistura convencional, confeccionada com cimento Portland. PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 159 Projeto: Pescada da Amazonia - peixes secos, cambio e divisas na Amazonia E/T-37 Pescada da Amazonia é a denominação abreviada e acróstico de Peixes Secos, Câmbio e Divisas na Amazônia. Este é um projeto de alerta e atenção que envolve as Tecnologias Socioeconômica, Ambiental e Infraestrutura de Câmbio e Divisa que se estende desde a cidade de Bogotá aos lagos, lagoas e afluentes do grandioso Rio Amazonas; Rio Negro chegando até as cabeceiras do Rio Madeira na Amazônia. Este projeto visa pesquisar, identificar, diagnosticar e tornar público de forma palpável e “verificável” as redes de empreendedores que exploram e comercializam as dezenas de milhares de toneladas de peixe que são transportados anualmente in-natura para a Colômbia, provenientes da Amazônia sem gravame para o Estado ou tributos para a União. A falta de beneficiamento, deste pescado, cerceia a remuneração, a esperança, e a qualidade de vida do pescador ribeirinho. O grande agravo deste Cluster é o grande volume financeiro que envolve todo este sistema, e que, acaba permitindo aos empreendedores a prática cruel do monopólio e domínio a seu bel prazer do cambio na fronteira do Brasil, Peru e a Colômbia, que hora sacrifica brasileiros outra aos mesmo colombianos. O mais interessante é o fato de que ninguém se dar conta que tudo isto acontece desde os belos e magníficos escritórios no setor sul das grandes bodegas frigoríficas onde são armazenados estes peixes na cidade de Bogotá. Projeto: Extratoteca de bioativos aromáticos da Amazônia E/T-38 Estudos dos recursos naturais e patentes de produtos da Biodiversidade Amazônica têm sido feitos, sobretudo em instituições ou empresas do exterior. O desenvolvimento tecnológico no Brasil não tem acompanhado os estudos científicos das plantas e o 160 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL aproveitamento dos recursos da Biodiversidade Amazônica não tem levado à produtos para a Sociedade. A falta de percepção de mercado pode ser a responsável do fracasso verificado nessas empreitadas. Nosso projeto tem por objetivo estabelecer o estudo do potencial de plantas aromáticas do Oeste da Amazônia, para serem transformados em produtos industriais. A estrutura de uma Extratoteca com 250 óleos essenciais e extratos de Plantas da Amazônia (Tabela 1) aromáticas ou medicinais, é a base do projeto. O Banco de Extratos e Óleos Essenciais será caracterizado por Cromatografia e Espectrometria, e pelas atividades Microbiológicas, Biológicas e Toxicológicas, visando o uso como fitocosméticos e perfumes, e eventualmente fitomedicamentos. A Extratoteca será catalogada em um Banco de Dados com informações das análises fitoquímicas, cromatográficas, espectrométricas e de atividade biológica. Instalada na nova Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa) a Extratoteca terá a parceria da Unicamp (Faculdade de Ciências Médicas e Instituto de Química) e da USP (Instituto de Química). O desenvolvimento das atividades científicas e tecnológicas do projeto deve contribuir para a geração de recursos humanos via sistemas de Pós-Graduação das Instituições parceiras. Com a parceria da Empresa Chamma da Amazônia, o projeto desenvolverá 02 protótipos de produtos baseados na Extratoteca, sendo uma matériaprima para Perfume e um Cosmético. Projeto: Entre a cidade e o interior: etnografia de uma comunidade ribeirinha no Igarapé da Fortaleza (AP) E/T-39 O Rio Fortaleza está na fronteira entre os dois maiores municípios do Estado do Amapá: Macapá e Santana. Uma ponte dá seguimento à Rodovia JK estabelecendo uma via de acesso terrestre entre os dois municípios. Ao redor desta ponte está situado o Igarapé da Fortaleza, um local de embarque e desembarque de pessoas e mercadorias que vêm das comunidades ribeirinhas do interior do Estado ou vão da cidade para o interior. Os principais produtos que vêm do interior são o açaí, a farinha e o camarão. Da cidade para aquelas localidades seguem mercadorias como combustível, materiais de construção e o material do rancho: arroz, feijão, açúcar, etc. Existe uma rede que estabelece PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 161 as conexões que levam, por exemplo, o açaí desde sua colheita até o consumo por um morador da cidade, bem como os alimentos comprados na cidade e vendidos no interior. O Igarapé da Fortaleza é assim um espaço onde o modo de vida moderno e a cultura tradicional se encontram e estabelecem fronteiras permeáveis, evidenciando uma relação de alteridade entre cidade-interior que muitas vezes é esquecida pela maioria dos habitantes da cidade, relegando às comunidades ribeirinhas um papel bem menor do que exercem na economia local. Os rios tiveram papel fundamental no surgimento dos núcleos urbanos na Amazônia por serem o principal meio de circulação de mercadorias e pessoas. As cidades ribeirinhas foram se formando ao longo dos rios originando um complexo com posição estratégica na socioeconômica regional, oferecendo resistência ao modo de vida urbana (Trindade Jr. e Tavares, 2008). Espaços como o Igarapé da Fortaleza, que permitem o fluxo do Rio à cidade e da cidade ao Rio, funcionam como pontos de confluência entre culturas distintas, ocasionando não apenas o fluxo de mercadorias e pessoas de um local ao outro, mas alteração no próprio aspecto cultural das localidades (Oliveira e Schor, 2008; Malheiro et al., 2008). Estamos falando aqui das relações entre a cultura cobocla-ribeirinha e a cultura moderna das cidades que se encontram no Igarapé da Fortaleza. Projeto: Desenvolvimento de um teste para diagnóstico rápido de malária causada por Plasmodium falciparum e P. vivax E/T-40 A malária é uma das principais causas de morbi-mortalidade em todo o mundo. A transmissão da malária no Brasil é acometida por três espécies de Plasmodium: P.vivax, P.falciparum e P.malariae, onde o maior responsável pelo o número de casos é o P.vivax com 83,7%. Na Região Amazônica, se encontram mais de 99% dos casos. A transmissão nessa área está relacionada à: fatores biológicos (presença de alta densidade de mosquitos vetores); geográficos (altos índices de pluviosidade, amplitude da malha hídrica e a cobertura vegetal); ecológicos (desmatamentos, construção de hidroelétricas, estradas e de sistemas de irrigação, açudes); sociais (presença de numerosos grupos populacionais, morando em habitações com 162 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL ausência completa ou parcial de paredes laterais e trabalhando próximo ou dentro das matas). Tradicionalmente, o diagnóstico confirmatório da malária é feito pelo exame microscópico do sangue, necessitando de material e reagentes adequados, bem como de técnicos bem treinados para sua realização, objetivando a detecção e diferenciação das espécies de plasmódios. Porém, nos últimos 15 anos métodos rápidos, práticos e sensíveis vêm sendo desenvolvidos, como por exemplo as fitas imunocromatográficas. Atualmente, 86 testes para diagnóstico rápido da malária internacionais estão disponíveis no mercado, não há até a presente data nenhum de origem nacional. Em um estudo realizado no Estado do Pará (Oliveira, 2009) sobre custo-efetividade da utilização do teste comercial para diagnóstico rápido da malária OptiMAL® comparada a microscopia, observou-se que em todos os cenários abordados que o teste rápido foi menos custo-efetivo. Porém, pode-se notar neste estudo que um dos pontos de maior contribuição par a esta conclusão se deve ao elevado preço pago pelo governo federal para a aquisição deste produto, chegando a ser de US$ 0, 60 a 3, 50 por teste. A produção de um kit diagnóstico nacional para malária possibilitaria a utilização deste método em alta escala em áreas endêmicas e áreas de difícil acesso, devido à redução dos gastos federais para a implementação desta tecnologia no Sistema Único de Saúde. Em um trabalho anterior realizado por nosso grupo, desenvolvemos um teste para diagnóstico da malária causada por P. falciparum em sistema de fluxo lateral utilizando anticorpos monoclonais e policlonais anti-HRP2 (Proteína 2 rica em histidina) (ANEXO 3). Neste momento, encontra-se em curso um projeto que visa o desenvolvimento de anticorpos monoclonais e policlonais contra a proteína Lactato desidrogenase (LDH) de Plasmodium sp., o que permitirá o desenvolvimento de um kit capaz de detectar todos os tipos de plasmódios que infectam o homem. Neste projeto, visando à finalização dos trabalhos anteriores, temos como objetivo realizar testes de sensibilidade e especificidade do sistema imunocromatográfico desenvolvido utilizando anticorpos policlonais e monoclonais para a viabilização de sua produção em escala industrial. Para tanto, realizaremos imunização de camundongos Balb/C com proteínas recombinantes dos antígenos HRP2 e LDH (obtido em trabalhos anteriores) para a obtenção de anticorpos policlonais. Quanto aos anticorpos monoclonais, realizaremos o cultivo dos hibridomas (células capazes de produzir anticorpos específicos para regiões únicas de cada antígeno) produtores de anticorpos anti-HRP2 obtidos PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 163 seguindo o protocolo utilizado em nosso laboratório. Novos hibridomas produtores de anticorpos anti-LDH serão produzidos a partir da metodologia padronizada por nosso grupo no ILMD/Fiocruz. O cultivo destas pode ser escalonado possibilitando a obtenção de anticorpos em escala industrial, viabilizando assim a produção em massa deste teste. Os anticorpos serão purificados em coluna de afinidade e acoplados em ouro coloidal. Em seguida, estes serão adicionados à fitas imunocromatográficas (contendo uma linha controle e uma linha teste) para realização de testes utilizando amostras sanguíneas frescas de pacientes com malária causada por qualquer espécie de plasmódio e bem como outras doenças que venham a interferir na especificidade do teste. Projeto: Desenvolvimento de Equipamento para Conservação de Vacinas no Interior do Estado do Amazonas E/T-41 A maior parte da energia elétrica produzida no Brasil, hoje, é de origem hidráulica e térmica, e para o Estado do Amazonas, não poderia ser diferente, pois, o governo brasileiro ainda não incentiva fortemente as fontes alternativas, sendo que o único marco legal existente oferece pouco incentivo para a substituição de fontes convencionais por apenas a opção eólica. Porém, outra alternativa de produção de energia elétrica bastante conveniente para o país, por preservar recursos ambientais, dentre as mais significativas fontes renováveis, a energia solar destaca-se pois, sendo praticamente inesgotável, pode ser usada para a produção de eletricidade através de painéis solares e células fotovoltaicas. No Brasil, em particular a Região Norte, a quantidade de sol abundante durante quase todo o ano estimula o uso deste recurso. Pelo fato da Região Norte ser relativamente mais afastada das demais regiões do país, propicia para os moradores desta Região uma pior qualidade de vida, em relação às demais, e um desses aspectos é a saúde. O Estado do Amazonas pela sua imensidão possui muitas comunidades desprovidas de postos de saúde, e as que possuem estes postos muitas vezes não tem condições de armazenamento e conservação de suas vacinas por carência de eletricidade. A conservação de vacinas é de vital importância e para isso se faz 164 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL necessário um sistema, que possa suprir as necessidades básicas de refrigeração. Tal sistema será capaz de manter esses “insumos” de saúde, nessas esquecidas localidades, apropriados para o uso. E tendo em vista a melhor utilização desta tecnologia, ou seja, a fim de melhor a eficiência da transformação da energia solar em energia elétrica, se faz necessário um sistema de posicionamento automático para os painéis fotovoltaicos, nos quais os mesmo irão acompanhar a trajetória do Sol durante o dia. Projeto: Desenvolvimento de Equipamento para Coleta Seletiva do Cacho de Açaí E/T-42 O potencial do Brasil e da Amazônia para o desenvolvimento da agricultura, cultivo de açaí é imenso. A Região Amazônica é constituída por 58,5 % da extensão territorial do Brasil com aproximadamente sete milhões de km² de floresta e com açaí nativo, Euterpe oleracea, e terras na maior parte do país, mão-de-obra abundante e crescente demanda por açaí no mercado interno e externo, propiciam o seu cultivo, mas existem alguns gargalos no que se refere à coleta seletiva e comercialização do açaí produzido na região. Entre estes gargalos apresenta-se a falta de automatização e eficiência da coleta do cacho de açaí. E desta forma este projeto desenvolverá um sistema tecnológico que reduzirá as perdas de produtividade através de uma coleta seletiva automatizada do açaí. Devido esta necessidade de melhorias no setor primário, não só do Amazonas, mas como no Brasil, este projeto consiste em um sistema automatizado para a coleta do cacho de açaí do açaizeiro a fim de ajudar e facilitar os agricultores produtores de açaí na Amazônia. Compreendendo os requisitos de sistema de controle de subida e descida do equipamento do caule do açaizeiro a uma velocidade controlada, braço eletromecânico com garra de fixação e serra de corte do cacho de açaí e controle para manuseio das funções através de radiofreqüência, considerando desde a subida do mecanismo, retirada do cacho de açaí e descida do equipamento até o solo. PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 165 O açaizeiro é uma espécie de grande importância socioeconômica para a Amazônia, devido ao seu enorme potencial de aproveitamento integral de matéria-prima. Uma das mais rentáveis possibilidades comerciais do açaí na região é a produção e comercialização de seu fruto in natura, para comercialização da polpa e do “vinho” que são utilizados na alimentação popular e na fabricação de sucos, picolés, sorvetes e doces. E suas sementes, são bastante utilizadas para artesanato e adubo orgânico (SUDAM/PNUD, 2000). Desta forma este projeto prevê o desenvolvimento de um equipamento automatizado que possa fazer a coleta e retirada do cacho de açaí do açaizeiro. Pois atualmente a coleta seletiva do cacho de açaí do açaizeiro é feita manualmente, e a muito tempo da mesma forma, na qual consiste na subida do caboclo pelo tronco da palmeira através de uma peçonha feita de palha de palmeira e esta atividade requer muito esforço físico, e para realizar a retirada do cacho do açaí o caboclo utiliza a ajuda de um facão. Atividade esta, ineficiente, dispendiosa e de extremo risco de acidentes, que por muitas vezes chegam a ser fatais. Projeto: Software ERP para Gestão de Imóveis E/T-43 O objetivo do projeto é o desenvolver novos componentes para o software SAI, proporcionando uma maior dinâmica, tecnologia sofisticada e integração entre os módulos, bem como a criação de novas funcionalidades, tais como integração como a Receita Federal no que diz respeito a Dimob, pois o software prestará e estará interligado com o fisco. 166 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL Projeto: Rede de Sensores Sem fio de Baixo Custo para Monitoramento Ambiental E/T-44 Nos últimos anos, as atividades de pesquisa e inovação no Brasil cresceram em qualidade e em quantidade consideravelmente. Especialmente na Região Amazônica, várias pesquisas são realizadas para entender como a floresta funciona, como o impacto ambiental causado pela presença humana e urbana na região a atinge e influencia, como fauna e flora evoluem e se desenvolvem, entre outros temas. Para isso, uma grande quantidade de recursos financeiros é destinada a compra de equipamentos e ferramentas para a realização destas atividades. Contudo, uma vez que no Brasil são oferecidas poucas alternativas específicas para este fim, boa parte destes recursos acaba sendo destinado para a aquisição de ferramentas importadas, fomentando emprego, renda e propriedade intelectual fora das fron teiras nacionais. O presente projeto se refere ao desenvolvimento de uma rede de sensores sem fio capaz de disponibilizar de modo remoto dados referentes a condições ambientais, podendo ser, mas não limitado a temperatura ambiente, umidade relativa do ar e pressão barométrica de uma determinada área, além do armazenamento e gravação dos mesmos, a um baixo custo. Para esta finalidade, são utilizados microcontroladores ARM da mais recente geração, módulos de comunicação que operam em alta freqüência e sensores microeletrônicos capazes de traduzir em dados digitais as informações do ambiente. A adoção de comunicação sem fio favorece a aplicação da solução proposta em pesquisas onde o uso de cabos e fios impacta diretamente nos custos e na infra-estrutura. A aplicação de tecnologias locais em problemas regionais favorece o surgimento de novos grupos de pesquisa e fomenta o desenvolvimento da ciência, tecnologia e inovação locais. Tudo isso aliado à produção de conhecimento e informação acerca do potencial econômico-social da região contribui diretamente para o ideal de sustentabilidade econômica e desenvolvimento sustentável da Amazônia. PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 167 Projeto: Desenvolvimento de equipamentos para o beneficiamento primário de guaraná E/T-45 Tradicionalmente, o processo produtivo do guaraná em pó pode ser resumido da seguinte forma: após a colheita, os frutos são colocados para fermentar, amontoados ao ar livre ou em sacos, por um período de até três dias. Em seguida, faz-se o despolpamento dos frutos e a lavagem dos grãos (já livres das cascas e arilo). Nas comunidades agrícolas, o processo de despolpamento é manual e, na maioria das vezes, as condições higiênico-sanitárias são insatisfartórias. O grão lavado é torrado em forno de barro ou metálico; após a torrefação os grãos são descasquilhados e moídos, geralmente estas etapas são realizadas por terceiros na sede do município. É importante ressaltar, que durante o descasquilhamento do guaraná torrado (manual ou mecânico), há um excessivo reprocessamento da matéria-prima, o qual acarreta comprometimento da qualidade e características intrínsecas do guaraná, pois alguns lotes podem ser reprocessados até 4 vezes. Este retrabalho, resulta em uma baixa eficiência do processo de descasquilhamento, perdas no rendimento e desperdício de matéria-prima. O guaraná em pó é obtido por meio da trituração em moinho tipo martelo e, posteriormente embalado em sacos de polietileno ou potes plásticos, os quais são destinados a comercialização direta ou à intermediários. Assim, considerando a importância econômica e cultural do guaraná para as comunidades de agricultores dos municípios de Maués, Urucará, Parintins e Barreirinha no Amazonas, e as dificuldades no processamento primário deste fruto, propõem-se por meio da presente proposta o desenvolvimento, ou mesmo, a otimização dos meios de beneficiamento do guaraná denominados despolpadeira e descasquilhadeira. A despolpadeira seria uma máquina utilizada para separar meca nicamente, grãos, cascas e arilo. Seu mecanismo de funcionamento contribuiria para melhorar a qualidade do grão despolpado e, aumentar o rendimento do despolpamento. 168 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL A descasquilhadeira seria utilizada para eliminar a película (casquilho) que reveste o grão torrado. Quando esta etapa é realizada em condições inadequadas, o pó do guaraná adquire coloração e con sistência indesejáveis, características que comprometem a aceitação do produto, por parte do consumidor final. E/T-46 Projeto: Criação de um pólo especializado no desenvolvimento tecnológico de curtimento de peles de peixes amazônicos e sua aplicação no agronegócio de produtos acabados As pesquisas desenvolvidas na Coordenação de Pesquisas em Tecnologia do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia com curtimento de pele de peixes tiveram inicio há cerca de uma década, com a implantação de tecnologias voltadas para a adaptação das técnicas de curtimento tradicionais utilizadas no processamento da pele de pescado de água doce capturado e também pesquisando o pescado cultivado A opção por um projeto de desenvolvimento econômico que tenha o uso dos recursos naturais e da inclusão social como seu eixo central é uma das estratégias voltadas para o crescimento da cadeia produtiva dos mais diversos setores de nossa economia e devem prioritariamente contemplar a superação de gargalos de infra-estrutura física, logística, produção e difusão de conhecimentos científicos e tecnológicos como uma estratégia de aumento do valor agregado regional. Uma das mais freqüentes queixas referentes ao modelo de desenvolvimento da Zona Franca de Manaus, consiste em apontar o esquecimento das matérias-primas regionais, no processo produtivo e dentre estas matérias-primas, o peixe assume posição de destaque, seja pela piscosidade dos rios amazônicos, seja pelo incremento da piscicultura regional para o fortalecimento da cadeia produtiva do pescado. Baseado nestes fatos é bom lembrar que seriam mais consistentes as atividades que, a um só tempo, estimulassem os habitantes do interior à produção de matérias-primas e assegurassem sua transformação pelas indústrias de beneficiamento. PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 169 A pesca extrativista, constituí o meio básico da cadeia de produção do pescado e é desenvolvida pelo setor produtivo empresarial que, ao produzir recursos alimentares para a sociedade, gera impacto no meio ambiente pelos resíduos produzidos, uma vez que o produto final é a carne de pescado em forma de filé, picadinho e postas congeladas. No entanto, a pele, pode ser beneficiada e resultar em uma matéria-prima de qualidade e de aspecto peculiar inimitável, após o curtimento, devido à sua resistência e desenho formado na sua superfície, principalmente as peles de peixes são consideradas como um couro exótico e inovador, com aceitação geral em vários segmentos da confecção. Visando o aproveitamento desses recursos (resíduos), propõese sua transformação em produtos comerciais, gerando empregos e criando uma atividade rentável economicamente para a comunidade o que despertou o interesse no aproveitamento da pele de peixe, que é jogada fora pelos frigoríficos e pelos peixeiros criando problemas graves ao meio ambiente. Como resíduos do processamento de peixes considera-se a cabeça, nadadeiras, pele e vísceras que, dependendo da espécie, pode chegar a 66% em relação ao peso total. E dentre esses resíduos está a pele como o principal subproduto. A porcentagem de pele dos peixes varia de 5 a 10%, em função da espécie de peixe e forma de sua retirada. Para minimizar esse impacto, bem como para obter um desempenho eficiente e permanente, o setor pesqueiro deve apoiarse no trabalho de instituições de pesquisa, dentre as quais se inclui as pesquisas da Coordenação de Pesquisas em Tecnologia de Alimentos do INPA, com peles de espécies de peixe da Região Amazônica que demonstraram a viabilidade da transformação da pele de peixe para obtenção de couro a ser utilizado na por outro seguimento que é o da confecção de calçados, roupas, cintos entre outros produtos. Para tanto foi submetido e aprovado pelo INPA um projeto junto a SUFRAMA para a construção de uma unidade de processamento em Manaus com 415,00m2 de área construída e aquisição de equipamentos específicos para as atividades de curtimento no valor total de R$ 1.600.000,00 (hum milhão e seiscentos mil reais) cuja finalidade é a execução de pesquisas e o desenvolvimento de tecnologia de aproveitamento da pele de peixe para transformá-la em couro além da realização de testes dos produtos desenvolvidos com resultados que não agridam o meio ambiente através do uso de taninos para a curtição 170 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL de peles. Outra atividade que será oferecida na unidade são cursos e teóricos e práticos para capacitação de profissionais, estagiários, alunos da Escola Agrotécnica Federal, funcionários de frigoríficos e bolsistas no preparo e curtimento da pele de peixe. Isso porque, essa cadeia de produção só terá condições de assumir um papel de importância na economia nacional, se efetivar um adequado gerenciamento da produção, no qual se inclui reformas importantes, sendo as principais a adequação dos recursos disponíveis. Para tanto, torna-se necessário integrar concretamente os órgãos de produção, de pesquisa, de regulamentação e vigilância, e, ainda, os órgãos de extensão, hoje à margem da atividade pesqueira em muitos estados. A produção sustentável produtiva da Amazônia requer a aplicação de processos diferenciados, de acordo com a sua complexidade com a renovação tecnológica e organizacional das atividades econômicas de reconhecido impacto tecnológico e ambiental, combinando a aplicação de demandas para a difusão rápida de tecnologias inovadoras e adaptadas através da modernização e dinamização de atividades como a pesca, com prioridade para a incorporação de novas tecnologias, que assegurem qualidade e competitividade, além de garantir sustentabilidade dos recursos naturais renováveis. O desenvolvimento e a implantação de novos ramos e atividades de grande potencial econômico e elevada sustentabilidade ambiental torna-se imprescindível para que a Amazônia possa se distinguir das demais regiões do país, a exemplo do pólo industrial e da remuneração compensatória por serviços ambientais. Numa visão planejada do processo de desenvolvimento do Amazonas, a implantação de uma agroindústria para utilização da produção de couro a partir da pele de pescado deve atingir novo patamar de vantagens competitivas. E a necessidade do aproveitamento integral dos subprodutos gerados pelo pescado é crescente, principalmente devido à porcentagem elevada dos resíduos após filetagem que tem sido um problema para o produtor. Assim, busca-se através deste projeto criar alternativas de aproveitamento da pele de peixe para sua transformação em couro por meio de diversas alternativas de curtimento tendo com conseqüência o desenvolvimento do setor que conforme a política industrial delineada pelo Governo do Amazonas que vai além das ações voltadas, prioritariamente, aos pólos incentivados de Manaus, com a inserção de segmentos produtivos integrados aos recursos naturais da Amazônia e PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 171 daqueles destinados ao atendimento aos programas de inclusão social, diretamente associada à geração de emprego e renda. Projeto: Sistema Híbrido Eólico – Solar de Geração Elétrica Sustentável da Ilha dos Lençóis E/T-47 O Programa Luz para Todos do Governo Federal determina que todos os consumidores, residenciais ou não, tenham acesso à energia e sejam atendidas até determinado prazo. Em outras palavras, obriga todas as concessionárias em operação no Brasil a abastecerem eletricamente a totalidade das residências que não disponham de energia elétrica até os dias de hoje, não importando mais se esses consumidores estão dispersos ou se são pequenos. Este é um desafio de grandes dimensões, que para ser atendido, demanda de soluções clássicas e de soluções inovadoras. Este trabalho se concentra na problemática de como atender a comunidades que residem nas numerosas ilhas do litoral Brasileiro, e mais especificamente, no litoral do Maranhão. O Núcleo de Energia Alternativas é responsável por este projeto piloto inovador para atender a esse tipo de comunidades, consistente do desenvolvimento e implantação de um sistema de geração hibrida eólico – solar para atender a ilha de Lençóis, na região de Cururupu. O sistema é composto de três turbinas eólicas de 7.5 kW e um conjunto de 164 painéis fotovoltaicos interligados de forma a gerar uma potência aproximada de 20 kW. O projeto atende às seguintes premissas: a. Transparência no atendimento: Este aspecto constitui uma das principais contribuições inovadoras do Projeto. O serviço elétrico será fornecido transparentemente e com continuidade para o usuário do sistema, sem ele perceber de qual fonte está recebendo a energia. b. Confiabilidade do serviço prestado: a concepção do projeto envolve um sistema de controle com tecnologia segura e robusta, com funções automáticas para evitar o não atendimento da comunidade, ainda em condições de falha parcial. Este aspecto tem sido historicamente, no uso de fontes alternativas para atendimento a comunidades isoladas, um dos fatores negativos e de desgaste assim como perda de credibilidade perante essas comunidades. 172 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL c. Sustentabilidade: O projeto é em si naturalmente sustentável pelas seguintes razões: – As ilhas são povoadas por pescadores, que têm o hábito de ratear custos de combustível de grupos geradores. Logo há uma disposição para pagar pelo serviço, porém dentro das condições econômicas dos moradores; – O projeto estimula ações de geração/aumento de renda na comunidade, tendo impacto benéfico direto na manutenção sustentada do sistema de geração elétrica. d. Respeito ao meio ambiente: A geração de energia elétrica atende a critérios de preservação e respeito ao meio ambiente, contando com a parceria do Ibama. Os estudos realizados do potencial eólico e solar da área indicam que as chances de uso da geração diesel de reserva, no transcurso do ano, são pequenas. e. Integração da comunidade: O projeto torna à comunidade um parceiro do empreendimento, articulando para que a mesma assuma o sistema a ser implantado como próprio. f. Monitoramento via satélite: o sistema em operação será monitorado remotamente, desde o Campus do Bacanga da UFMA, usando tecnologia avançada, porém accessível economicamente, de comunicação via satélite. Isto permitirá prever problemas e realizar estudos de aperfeiçoamento e otimização do sistema, para sua replicação futura em outras ilhas. Projeto: Microcrédito florestal na Amazônia E/T-48 O Acre vem construindo, com muito esforço, uma marca de sustentabilidade. Desde o final da década de 1980, os movimentos sociais conceberam as referencias principais de um modelo de ocupação econômica e social da Amazônia, que tem no ecossistema florestal sua maior e mais importante referência. Assumia-se, assim, que a diversidade biológica existente nesse ecossistema e a presença de um elevado contingente de produtores extrativistas, que sabem PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 173 manejá-lo, são as duas maiores vantagens competitivas que o Acre possui. A idéia principal do projeto é a oferta de recursos financeiros a uma clientela de 7.600 empreendedores segmentados em extratores de borracha (1.200); coletores de castanha (800); manejadores florestais (2.000); beneficiadores de produtos florestais (1.600) e vendedores de produtos florestais (2.000). Sendo que esses quantitativos referem-se à área inicial de atendimento, restrita aos 10 municípios localizados no Vale do Rio Acre, com acesso por via pavimentada. O potencial de expansão dos clientes do microcrédito inclui um total de 3 municípios do Vale do Rio Purus (a serem atingidos após dois anos de operação); 2 municípios do Vale do Rio Envira (a serem atingidos após três anos de operação); e 7 municípios no Vale do Rio Juruá a serem atingidos após cinco anos de operação. O processo de expansão elevará o número de clientes atendidos a 20.748 empreendedores realizando operações médias de R$ 400,00 e totalizando uma carteira orçada em R$ 8.299.200,00. A equipe técnica que deve compor o projeto de crédito florestal é composta por um gerente de microcrédito, por agentes de crédito, e por agentes mobilizadores, além de uma equipe de técnicos que atuarão em atividades meio. O impacto ambiental e social da proposta é impressionante. Apresenta-se como instrumento de inclusão social, de redução da pobreza e consolidação do desenvolvimento sustentável na Amazônia. Afinal os beneficiários são populações tradicionais da Amazônia. Ou seja, são gerações após gerações de comunidades que, desde o final de século dezenove, vem mantendo uma relação produtiva com o recurso florestal. São mais de trezentos anos de ocupação produtiva da floresta que consolidou uma dupla dependência: os extrativistas sobrevivem do recurso florestal e a floresta sobrevive do extrativista. Afinal é o extrativismo, elevado tecnologicamente ao manejo florestal de uso múltiplo, a principal alternativa produtiva e, igualmente, principal barreira para impedir o avanço do desmatamento sobre a floresta. Essa clientela maneja um leque variado de produtos da floresta. A variedade de produtos é do tamanho da diversidade biológica da Amazônia. Estão incluídos nesse leque de produtos os pescados, a fauna silvestre, as resinas, as frutas, as gomas e assim por diante. Cada grupo, ou segmento produtivo, como esses se diversificam em várias espécies, animais e vegetais, com dinâmicas produtivas e realidades de mercado próprias, em uma cadeia infindável de possibilidades de empreender. 174 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL Todas essas possibilidades produtivas podem se transformar em linhas de financiamento de curto, médio e longo prazo, formando a Carteira de Microcrédito Florestal, que tem duas prioridades: permitir o acesso dos extrativistas ao crédito, por meio do uso de garantias de relacionamento entre o agente e o tomador do empréstimo; e, promover uma produção florestal que esteja inserida nos ideais de sustentabilidade atualmente preconizados. Vislumbrando o futuro espera-se que em breve o microcrédito florestal esteja operando um volume superior a 8 milhões de reais, a uma taxa de juros que varia de 4% a.m, a 8% a.m, dependendo do fluxo de caixa e da rentabilidade de cada empreendimento e/ou da atividade financiado. Essas taxas de juros se tornam bastante atrativas, quando comparadas com os concorrentes principais que são os agiotas que chegam a trabalhar com taxas de juros mensais em torno de 18%. A política de concessão de crédito florestal que se irá disponibilizar para as famílias das comunidades extrativistas e para as famílias que moram na cidade, mas, que possuem atividades econômicas com base nos produtos florestais, consiste no crédito para capital de giro que pode variar de R$ 100,00 a R$ 1.000,00, com prazo de pagamento variando entre 01 a 06 meses e, crédito para investimento com valores que podem variar de R$ 200,00 a R$ 4.000,00, sendo que o prazo de pagamento vai até 15 meses. Pelas características que o produto de microfinanças apresenta a venda acontece da seguinte maneira: a) Para os produtores localizados em área rural que inclui o segmento de Extratores de Borracha, Coletores de Castanha e Manejadores Florestais, a equipe de agentes de microcrédito deve utilizar as estruturas existentes nas associações ou nos sindicatos de trabalhadores rurais; b) Para os produtores localizados em área urbana, que inclui os segmentos de Beneficiadores de Produtos Florestais e Vendedores de Produtos Florestais, as operações contratadas em Rio Branco serão realizadas na sede da Andiroba e, para os outros municípios, as liberações do financiamento devem ser realizadas nas instituições na qual o projeto manterá relação de parceria. A estratégia de comunicação também obedece a uma divisão geográfica, considerando os diferentes segmentes que se pretende atingir. Dessa maneira, a estratégia para a área rural inclui: a) visita PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 175 ás unidades produtivas; b) palestras nas organizações de produtores e; c) programas de rádio. Para o segmento urbano a estratégia será: a) contato pessoal com o tomador realizado pelo agente de crédito; b) divulgação do microcrédito por meio de rádios comunitárias e; c) palestras e apresentações realizadas nos centros comunitários das igrejas e da prefeitura municipal. O plano de implementação prevê chegar a 2011 com condições de honrar todos os compromissos com os financiadores e conquistar uma autonomia financeira que permita ao projeto investir os resultados financeiros na sustentabilidade da produção florestal comunitária do Acre. Analisado o fluxo do Demonstrativo de Resultado do micro-crédito florestal, podemos perceber que é um negócio, que logo nos primeiros meses começa a ter um saldo positivo, tornando o empreendimento altamente rentável. Projeto: Plantando o futuro hoje – Banco de sementes e mudas nativas da Amazônia como Bioindústria E/T-49 Os recursos genéticos vegetais são reservatórios naturais de genes com potencial de uso para a produção sustentável de gêneros essenciais à humanidade, tais como alimentos, fibras, cosméticos e medicamentos. Entretanto, devido ao crescimento desorganizado e à exploração sem controle dos ecossistemas e de seus recursos naturais, essa biodiversidade está sendo destruída numa velocidade alarmante. A conservação in situ e ex situ do germoplasma de raças locais, cultivares domésticas e parentes silvestres de espécies agronômicas foi proposta como medida de prevenção desse processo de erosão genética. Considerando a demanda de sementes nas áreas desmatadas das florestas umbrófila e estacional, pertencentes ao bioma Amazônia, torna-se necessário o investimento em tecnologia e produção de sementes das espécies florestais nativas. Tal iniciativa fomentará geração de emprego e renda no interior do Estado do Amazonas e estimulará o extrativismo e o plantio de áreas desflorestadas para o crescimento da produção. 176 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL Atualmente, no Brasil os principais bancos de germoplasma são da Embrapa, que em geral contam com espécies agronômicas, tendo em vista sua missão institucional. Em cada região pesquisadores buscam manter estes bancos de germoplasma ativos, e encontram diversas dificuldades, como armazenamento e recursos. Especificamente, na região Norte, o mercado de sementes está em formação e os agentes envolvidos encontram-se dispersos, as informações não estão sistematizadas, os registros oficiais inexistem e não há comerciantes identificados nesta função. Pode-se afirmar que, atualmente existe apenas a comercialização de mudas no mercado, preferencialmente de espécies ornamentais e paisagísticas e apenas uma pequena parcela de sementes de espécies florestais nativas. As sementes comercializadas restringem-se aos pequenos grupos, como agricultores rurais e comunidades indígenas; e que no geral não possuem certificação pelos órgãos responsáveis. Empresas agroflorestais e eventuais técnicos e engenheiros florestais, vêem uma perspectiva de negócio, que tem por finalidade compensar ecologicamente as áreas degradadas, pelo rematamento e sistemas agroflorestais, com uma projeção de plantio 40 mil ha/ano, o que impulsionará o mercado de sementes e mudas certificadas. A problematização exposta conduz a necessidade da criação de um Banco de Sementes e Mudas da Amazônia como Bioindústria, no intuito de estimular o comércio e o plantio de seus produtos. A sua matriz sediada em Manaus processará a seleção, lavagem, desinfecção, conservação e armazenagem das sementes, bem como o cultivo e fornecimento de mudas. As filiais do referido Banco se estabelecerão nos municípios do Estado do Amazonas, com potencialidades para o extrativismo específico, os quais manterão o fluxo contínuo de remeças com a matriz e vice-versa. Dessa forma, o presente projeto viabilizará os pólos industriais de cosméticos, fitoterápicos, alimentícios, madeireiros e de biocom bustíveis, os quais necessitam do Banco de Sementes e Mudas certi ficadas para suprir a necessidade de matéria-prima para elaboração de produtos e processos para desenvolvimento sustentável da Região Amazônica. Além disso, programas de governo podem utilizar o Banco de Sementes e Mudas certificadas para rematamento de áreas degradadas, estimulando o plantio de hortas comunitárias e fornecimento de mudas de frutíferas para novos conjuntos habitacionais ou assentamentos agrícolas, bem como, incentivar o extrativismo autosustentável nos sistemas silviculturais. PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 177 Projeto: A cura da cárie dentária é possível – Fitoterápicos odontológicos da Amazônia E/T-50 A cárie dentária é uma patologia multifatorial, considerada a mais antiga das doenças da humanidade, a gênese do processo carioso necessita da estabilidade dos microrganismos por aderência no esmalte dentário para a formação do biofilme. A interferência em algum desses mecanismos pode prevenir a formação da cárie dentária ou curá-la. Com a descoberta pelo autor dessa proposta da eficácia na remoção do biofilme e de atividade antimicrobiana dos óleos essenciais das plantas oriundas da flora amazônica brasileira, foram selecionadas as espécies Cyperus rotundus (tiririca), Protium heptaphyllum (breubranco) e Guatteria citriodora (laranjinha). A análise da composição química dos óleos essenciais foi determinada por Cromatografia Gasosa acoplada à Espectrometria de Massas (CG-EM). Para a avaliação microbiológica da CIM e CBM, os métodos escolhidos foram a microdiluição em caldo e cultivo em meio sólido respectivamente, utilizando uma cultura de referência de Streptococcus mutans (ATCC 25175). Com o objetivo de avaliar a toxicidade pré-clínica em roedores os óleos essenciais foram misturados na proporção descrita na patente US20100284943 compondo a amostra RFMAO, que está contida nos produtos. O desenvolvimento dos produtos foi realizado em convênio e parceria entre a UFAM, INPA, CBA e UFRR, visando elaborar o pipeline para produção a partir do portfolio pré-clínico da amostra, para compor produtos odontológicos como pastas de dentes e bochechos e outros, adequando às exigências da legislação brasileira para registro de novos medicamentos fitoterápicos. A análise toxicológica seguiu os protocolos nacionais e internacionais recomendados pelos órgãos controladores da saúde pública, como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no Brasil, Food and Drug Administration (FDA) nos Estados Unidos da América e a Organization for Economic Co-operation and Development (OECD) da Comunidade Européia. Os resultados indicaram segurança dos produtos testados in vivo no Biotério do Laboratório de Farmacologia e Toxicologia (CBA), e a dose máxima (NOAEL-Dose) estabelecida para realização dos testes clínicos em humanos. Os produtos encontram-se 178 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL a disposição para a transferência de tecnologia ou desenvolvimento e produção em parcerias com indústrias interessadas. Projeto: A produção de farinha de mandioca na comunidade de Pratinha no município de Santa Barbara do Pará E/T-51 O referido trabalho faz uma abordagem sobre a produção de farinha de mandioca na comunidade de Pratinha no município de Santa Barbara do Pará, com o intuito de verificar a rentabilidade desse tipo de agricultura no local, visando identificar os benefícios dessa atividade através da análise dos custos envolvidos na produtividade, fazendo um comparativo entre a renda obtida com a comercialização da farinha com o valor do salário mínimo atual. A pesquisa foi desenvolvida com os dois únicos produtores locais da comunidade através de entrevistas feitas na própria propriedade dos agricultores. Com base nos dados obtidos foram elaboradas planilhas com parâmetros da contabilidade de custos para comparar os gastos realizados com as receitas obtidas após a colheita e comercialização da mandioca. Verificou-se que os custos e despesas estão acima dos investimentos feitos no plantio, além da falta de técnicas mais eficientes para melhorar a produção, visto que, o processo de fabricação da farinha permanece muito arcaico se comparado com outras culturas temporárias, pois o processo empregado é extremamente manual. O valor final obtido com a venda deste produto ficou muito abaixo de um salário mínimo mensal, ou seja, os cálculos indicaram que os trabalhadores vivem em condições bem precárias, pois o valor obtido com a farinha de mandioca é muito baixo e serve apenas para a subsistência dessas pessoas. As políticas públicas de incentivo a produção não estão presentes na comunidade e também não há nenhum auxilio técnico para os agricultores, isso dificulta ainda mais a vida deles. Por isso faz-se necessário a implementação de novas técnicas agrícolas, diversificação das culturas e aproveitamento dos derivados da farinha de mandioca para complementar a renda dos produtores. PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 179 Projeto: Modelo de resort ecológico para a Amazônia E/T-52 A apresentação de um modelo de resort ecológico, dentro dos princípios de construção verde, na Amazônia, visa o desenvolvimento sustentável da região, a recuperação de áreas degradadas e, principalmente, a melhoria da qualidade de vida das comunidades do entorno. Visa, ainda, evitar o êxodo rural em áreas que tanto necessitam da presença do homem ribeirinho, até como forma de defesa territorial. A presente proposta tem como objeto a elaboração do Master Plan e Projetos Completos de um Resort Ecológico, numa Comunidade Ribeirinha, zona rural do Amazonas, e a sua implantação em área degradada. Os estudos envolvem a elaboração do Master Plan e dos projetos legais, atendendo a concepção de construção verde e visando a certificação do resort. Construções verdes, também conhecidas como construções sustentáveis, são estruturas que usam recursos como energia, água, materiais e terreno de forma mais responsável do que construções convencionais. Na região do Amazonas existem vários lagos com um grande potencial pesqueiro e muita terra produtiva ora utilizada para a agricultura e o extrativismo. A região reinvindica mais incentivo para garantir a produção e melhor qualidade de vida. Esta proposta seria uma forma de evitar o abandono do campo por seus habitantes, em busca de melhores condições de vida, já que este fenômeno é normalmente acompanhado pela miséria dos retirantes, fazendo com que muitas dessas pessoas acabem como desempregados e marginais nas grandes cidades; quando não morrem devido às consequências da subnutrição. Será definida para a implantação do resort protótipo uma área, parcialmente degradada, numa comunidade às margens de um lago Amazônico. Todos os cuidados necessários serão tomados durante a construção, para prevenir a poluição do local. A construção ocorrerá em área degradada, com recuperação da mata ciliar e tratamento do entorno a fim de proteger, recuperar e tornar a área mais atraente. A recuperação das áreas degradadas será efetuada com foco na reintrodução de espécies nativas da região. Devido ao ciclo das cheias e vazantes, que ocorrem a cada 6 meses, optou-se pela implantação 180 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL de módulos de jardins flutuantes com produção de plantas de corte (que servem para arranjos florais), em conjunto com horta flutuante orgânica. Além de enaltecer a exuberância paisagística, os jardins e a horta suprirão o resort. Serão desenvolvidos projetos para captação e uso de águas pluviais; prevê-se o uso racional da água, utilizando água da chuva na jardinagem e nas bacias sanitárias. No que concerne à energia, os prédios contarão com otimização da performance energética, haverá geração local de energia renovável (solar – painéis fotovoltáicos, além de energia de biogás e de biomassa). A gestão de materiais e recursos envolverá: depósito e coleta seletiva de materiais recicláveis; utilização de materiais regionais, como bambu e madeira certificada. A qualidade ambiental interna será mantida com as seguintes medidas: máximo aproveitamento da ventilação natural; uso de materiais de baixa emissão de voláteis tóxicos (adesivos, selantes, tintas, vernizes); máximo aproveitamento da iluminação natural. O pro jeto contempla um resort ecológico sustentável com chalés em painéis modulados e pré-fabricados em bambu e microconcreto. Contará ainda com trilhas devidamente sinalizadas para incursões científicas e abrigos para morcegos (que ajudarão na disseminação de sementes), horta flutuante, transporte alternativo em aerobarco híbrido com energia solar, captação e utilização de água das chuvas, estação de tratamento ecológico de esgoto com reuso de águas tratadas para irrigação, energia solar fotovoltáica e térmica (para aquecimento de água), uso do lixo orgânico para geração de biogás e de biomassa para geração de energia em planta com queima controlada. Com fins de sustentabilidade do transporte fluvial na região, será efetuado o balizamento virtual de hidrovias de acesso ao resort utilizando GPS (Sistema de Posicionamento Global). Será, também, edificada uma torre de 30 m para observação e monitoramento ambiental. Uma opção atraente para férias e também um excelente local para realização de reuniões de trabalho, conferências, seminários ou comemorações. Requer uma equipe de apoio, devendo ser treinada, para isso, a própria população nativa da área. O resort será um ícone de sustentabilidade em plena selva Amazônica. PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 181 Projeto: Produção biotecnológica de uma nova classe de antibióticos a partir de pele de Tambaqui E/T-53 A resistência bacteriana aos antibióticos convencionais está se tornando cada vez mais prevalente. No entanto, as tentativas recentes para encontrar substitutos eficazes para uso contra infecções têm direcionado esforços para a identificação de novos peptídeos antimicrobianos capazes de superar esta resitência aos antibióticos comercializados. O presente estudo descreve a obtenção de peptídeos sintéticos, com potencial antimicrobiano, criados a partir de modelagem in silico por mutações sítio-dirigidos em peptídeos naturais. Foram utilizados cinco fragmentos de peptídeos antimicrobianos como molde para criação de 25 peptídeos sintéticos utilizando ferramentas computacionais. Os peptídeos criados foram analisados pelo modelo de Árvore de Decisão, o qual indicou o espectro de ação dos peptídeos quanto aos tipos de microorganismos sobre os quais podem exercer atividade. Este modelo, desenvolvido a partir das características físicoquímicas de peptídeos com atividade antimicrobiana já conhecida e disponível em bases de dados públicos, previu que 23 peptídeos sintéticos apresentaram atividade antimicrobiana após as mutações. Os quatro peptídeos mais promissores foram produzidos sinteticamente e testados para verificação da atividade antimicrobiana contra bactérias gram-positiva e gram-negativa. Os peptídeos com melhor previsão de atividade, com sequências COOH-LIIILMKKPGECFLSLIYH-NH2 e COOH-LIVVLMKKPGECFLSLIYH-NH2, apresentaram atividade inibitória na concentração de 5µg/mL contra Staphylococcus aureus e Escherichia coli. Os métodos descritos neste trabalho, bem como os resultados obtidos, serão úteis para a identificação e desenvolvimento de novos compostos com atividade antimicrobiana através da utilização de ferramentas computacionais. 182 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL Projeto: Ciência e tecnologia no Estado do Amapá: evoluções e conflitos de 2001 a 2011 E/T-54 O presente projeto se trata de uma pesquisa base focada na análise da ciência e tecnologia (C&T) no Estado do Amapá, analisando suas evoluções e conflitos no período de 2001 a 2011, no intuito de ampliar o conhecimento sobre o assunto em um âmbito estadual e incitar discussões acerca da C&T amapaense, visto que não há uma cultura científica no Amapá, na medida em que não se credita a devida importância aos investimentos nessas áreas para o desenvolvimento do Estado como um todo, que por se tratar de uma área estratégica para o Brasil (por ser o único Estado brasileiro a fazer fronteira com uma área pertencente ao continente europeu – Guiana Francesa) e para o mundo (por estar inserido na Amazônia) apresenta inúmeras potencialidades que devem ser estudadas, pesquisadas, exploradas e, por fim, aplicadas. Problema: Quais são as transformações concernentes à ciência e tecnologia amapaenses que ocorreram no período de 2001 a 2011? Hipótese: Apesar de se perceber uma pequena evolução da ciência e tecnologia amapaenses – decorrentes do financiamento de pesquisas, da instituição de novos cursos de pós-graduação, da criação de uma universidade estadual e de uma fundação de amparo a pesquisa para o Amapá, bem como de mecanismos como o lançamento do Núcleo Inovação e Transferência de Tecnologia da Universidade Federal do Amapá – UNIFAP, e, do lançamento de acordos de cooperação como o edital franco-brasileiro – ainda se percebe que a ciência e a tecnologia no Estado do Amapá não acompanham a produção científica nacional – resultado das desigualdades regionais percebidas quanto à própria distribuição de recursos necessários aos financiamentos das pesquisas – e, muito menos, desenvolve tecnologia, não se aproveitando – portanto - do potencial natural presente em seu território para investir na tecnologia necessária ao desenvolvimento não só do Estado em si, bem como da região, garantindo sua inserção no cenário técnicocientífico nacional/internacional. Sendo assim, afere-se que apesar da ocorrência dessas transformações, a ciência e tecnologia amapaenses continuam incipientes. PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 183 Projeto: Sistema Inteligente de Automação para Agricultura Familiar (SIAF) E/T-55 Com inserção das Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) nas atividades rurais com fator de competitividade e a fim de oferecer para os micros, pequenos e médios produtores rurais mais qualidade na sua produção, esta proposta propõe um sistema de automação para processos de irrigação, monitoramento e controle de temperatura, umidade, ph entre outros, para agricultura familiar sustentável e limpa voltada para as peculiaridades da Amazônia. Contemplando os agricultores familiares, que são tradicionalmente considerados como excluídos digitalmente, a utilizarem TICs na sua produção para realizar o monitoramento e automação de processos produtivos gerando uma mão de obra mais qualificada, qualidade na produção e competitividade no setor para prover o aumento do desenvolvimento da Amazônia e qualificar a produção dos agricultores familiares. Projeto: Linha de produtos ecológicos para controle de pragas: Fisiorgam E/T-56 O Fisiorgam é um produto de composição química que visa combater as larvas de moscas domestica, Calliphora vomitaria, Stomoxys calcitrans, Chrysomya megacepha e todas as moscas que tem suas fases larvais desenvolvidas em qualquer tipo de esterco. Caracterizada por ser constituída pela combinação dos seguintes componentes, carbonato vitrificado, fosfato de tório, nitrato de manganês, ácido fosfórico e corante alimentício sendo esta fórmula solúvel em H2O, sendo estes elementos combinados em proporções previamente definidas, destacando-se entre elas 28,2% em massa de carbonato vitrificados, 28,2% em volume de fosfato de tório, 28,2% em 184 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL massa de nitrato de manganês e 15,4% em massa de ácido fosfórico e corante alimentício; finalmente, vale ainda ressaltar que este produto foi testado em aplicações diretas no campo alcançando resultado positivo e superior 90% e o resultado das larvas que conseguiram passar ao estágio de pupa não sobreviveram mais de 72hs devido ao retardo que sofreram aos estágios larvais. O produto é aplicado sobre a cama aviária iniciando sua ação logo após sua aplicação, com intervalos de aplicações de 07,15 e 21 dias, alcançando uma proteção da cama aviaria por um período de 21 dias. É verificado que a aplicação deste produto ao mercado tanto regional quanto até mesmo o internacional apresenta grande vantagem comercial. Além disso, no registro de patente este foi classificado como tarja verde, ou seja, menor classificação de toxidade facilitando sua aplicação e manipulação, sem trazer danos ao meio ambiente e aos ecossistemas. Categoria Social Projeto: MMMnnnn mmmmnnnn mmmmnnnn S-01 O Portal www.olhosnegros.org surgiu da necessidade de criar uma ferramenta que funcionasse como um ponto de convergência de todas as ações para a valorização da cultura brasileira afrodescendente na Amazônia. O projeto foi lançado em 20 de novembro de 2010, financiado pelo edital de “Ideias Criativas para o 20 de Novembro” da Fundação Palmares, sendo um dos três contemplados entre os mais de seiscentos inscritos de toda a Região Norte. Por ser um projeto de mídia digital focado no público da Amazônia, o mesmo apresenta peculiaridades para o seu desenvolvimento. Primeiro, foi criado com o objetivo específico de atender à demanda por disseminação e criação de conteúdo sobre história da cultura brasileira afrodescendente que pudesse ser ensinada nas escolas em consonância com a Lei 10.639/2003, a qual afirma que todas as PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 185 Instituições de Ensino devem ministrar o assunto aos seus estudantes. Tal demanda urge por conta da total falta de conteúdo para nutrir as fontes de saber das Escolas, não só da Amazônia, mas do Brasil inteiro. O segundo objetivo, foi o de servir como veículo de informação das iniciativas, ações e eventos que ocorrem em torno da cultura afrodescendente na Amazônia. Por último, torna-se um trabalho de inclusão a partir de ferramentas de educação, mas não focado apenas em afrodescentes, mas toda a sociedade, pois o objetivo não é atender um nicho específico, mas proporcionar através da educação uma sociedade sem motes discriminatórios, em que a cor da pele não seja um elemento de condicionante social. Neste contexto, este artigo, apresenta as características de um projeto de mídia digital na Amazônia com conteúdo educativo social, em que primeiramente irá expor sobre dados da Inclusão Digital e políticas de socialização no Estado do Pará, sobretudo na Região Metropolitana de Belém. A posteriori trará dados sobre as ações inclusivas da cultura afrodescendente na Região, fazendo um diagnóstico do que existe em torno de terreiros, associações e quilombos. Ainda nesta linha, mostrará dados sobre Ensino A Distância (EAD), e sobre os objetos de aprendizagem (OA) como produtos veiculados através do portal. Ao final, serão apresentadas as atividades do Portal Olhos Negros nos seus primeiros oito meses de funcionamento, e os projetos para o ano de 2011 e 2012. Projeto: Prática reflexiva para formação de sujeitos letrados: ação com crianças e jovens em situaçao de risco social S-02 O projeto aqui descrito nasceu a partir de um levantamento com 90 professores que atuam nas escolas do Estado do Amapá com a disciplina Língua Portuguesa, realizado em janeiro de 2006, e se descobriu que as escolas públicas ainda trabalham na perspectiva da tradição, mesmo passados tantos anos desde o advento do Parâmetros Curriculares Nacionais em 1998, que fomentam um ensino numa perspectiva de construção de conhecimento e não mais pautado em memorização de conceitos fora de qualquer realidade. 186 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL No que dizia respeito ao trabalho especifico da formação de leitores, verificou-se que as escolas ainda se prendiaM em regras soltas, descontextualizadas, sem considerar ou promover a construção de conhecimentos que favorecessem a formação de sujeitos letrados, o que gerava altos índices de reprovação e um índice de desenvolvimento da educação abaixo da média nacional. Com essa realidade, percebeu-se que os alunos de ensino fundamental e médio seguem repetindo uma história de fracassos. Alunos que saem após 12 anos de estudos, muitas vezes sem saber sequer decodificar, outros com um domínio precário do código escrito. Uma realidade nacional mostrada pelas pesquisas sobre avaliação da educação básica como o Saeb. Na cidade de Macapá esse quadro é cada vez mais alarmante. Por exemplo, num levantamento em uma escola eleita para um projeto de extensão junto à comunidade, das três turmas de terceira séries totalizando uma média de 85 crianças em cada sala havia pelo menos três que desconhecia o código escrito completamente, o restante sabia decodificar, mas apresentava muitas dificuldades para gerar sentidos. Outro exemplo é o vestibular da Universidade Federal do Amapá, que tem sua provas semelhante ao perfil das provas do Exame Nacional do Ensino Médio, em que se exige sujeito leitores de múltiplas leituras ( inter-relacione, intertextualize, hipotetize, compare, tenha ponto de vista enunciativo, seja critico, faça extrapolações, leia implícitos etc) precisou baixar o índice de corte de sua avaliação que exigia que o candidato entre os 15 pontos da prova específica e que o candidato deveria atingir 3,75 para ser classificado, com os índices baixíssimos apresentados pelos alunos do Estado, a UNIFAP precisou criar uma resolução interna e baixou para 1,5 pontos. Em síntese, não se está formando sujeitos que funcionem de fato na sociedade como cidadãos que atuem na sociedade; não se está percebendo que o letramento proficiente é a peça chave das outras disciplinas para que esses sujeitos sejam qualificados para o mercado de trabalho ou para progredir seus estudos em uma universidade. Esse quadro motivou a realização de uma pesquisa ação que permitisse um fazer diferenciado como possibilidade de renovação do ensino da língua portuguesa/materna (já que é da responsabilidade principal dessa disciplina a formação de sujeitos letrados para que apreendam outros saberes), aproveitando-se das mais recentes abordagens sobre a língua, a linguagem, sobre os diversos objetos a ela implicados. PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 187 Nessa abordagem procurou-se aproveitar as experiências vivenciadas durante o estágio de doutorado Sanduíche com o Grupo de Pesquisa Grafé, coordenado pelo Professor Dr. Bernard Schneuwly na Faculté de Psicologie e des Sciences de L’ Éducation na Universidade de Genebra-Suíça, em que desenvolvemos um trabalho com sequências didáticas (SD), desenvolvidas por Dolz e Schneuwly (1998; 2004). Mas existia um desafio: seria produtivo trabalhar com perspectivas de ensino, que embora com comprovada eficiência, advinham de uma realidade de país de primeiro mundo, cujas crianças chegam à escola com nível de letramento altamente desenvolvido, faltando-lhe sofisticá-lo apenas? Frente a tal desafio, busco-se potencializar esse desafio, quando se elegeu-se para um piloto do projeto uma escola com realidade bem particular cujos sujeitos também tivessem um perfil bem diferenciado que merecesse o desafio. A escola eleita apresentava um perfil diferenciado das demais escolas estaduais, situada a 15 km de Macapá (estrada Macapá Santana) e mais 2,5 km ( de estrada de estrada não asfaltada). Denominada “Escola Agrícola Casa da Hospitalidade II” , mantida por um ONG italiana e gerenciada pela igreja católica e atendia basicamente crianças e jovens advindos de situações de riscos e abandono por parte da família. Os alunos advinham de situações familiares diversas. Uns moravam com os pais; outros moravam somente com um parente ( tia, avó, mãe etc) e outros que moravam na escola. Todos eram advindos de famílias com baixa renda salarial, alguns o ente familiar nem possuía emprego fixo (viviam de prestação de pequenos serviços em troca de algum dinheiro para sobreviverem ou de aposentadorias e bolsas federais). Poucos tinham acesso a computador e a internet. Das crianças e jovens que tinham alguma referência da família, foi possível saber que maioria dos pais ou responsáveis era alfabetizada, porém com grau de escolaridade muito baixo. Um número considerável não sabia nem ler ou escrever, ou seja, não podiam ajudar os filhos a fazer as atividades de casa. Identificou-se também que apenas um responsável (pai) entre os 35 entrevistados concluiu uma graduação. Frente a esse diagnóstico social elegeu-se uma turma que se encontrava na quinta série para realizar o diagnóstico acerca do domínio de leitura e escrita em que se verificou que a maioria não conseguia construir sentidos ao que lia. A leitura oralizada se apresenta ainda muito presa a decodificação soletrada das palavras. Além disso, no que diz respeito a conhecimentos linguísticos se apresentava gritante. Havia 188 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL alunos que desconhecia um substantivo, por exemplo. Para agravar havia o desequilíbrio de idade entre esses sujeitos, alunos de 11 a 16 anos compunham a turma. A partir desse ponto fez a ação direta com aplicação do piloto durante três anos, acompanhando esses alunos da 6ª a 8ª série, desenvolvendo diversas atividades por meio de Sequências Didáticas cujo foco era o trabalho com a leitura, compreensão textual, debate, produção escrita, entre outras, sempre buscando contextualizar e envolver a todos. Os encontros eram realizados todas as quartas e terças-feiras com duas horas aula). Como resultado verificou-se que os alunos desse grupo que participou da pesquisa ação, já no primeiro semestre de 2007 obteve um avanço significativo das médias em todas as disciplinas. Ao final de todo o projeto esses alunos que pouco sabiam ler, ou expressar-se verbalmente, demonstraram uma grande progressão e crescimento no nível de leitura, escrita e desempenho na linguagem oral. Entre as capacidades de linguagem desenvolvidas destacaramse: as capacidades de ação (definição clara sobre o objeto, ou seja, sobre o gênero) a) Gênero: reconhecer/saber que gênero está envolvido na produção ou na leitura de um texto; b) Participantes: os possíveis locutores/interlocutores; c) Contexto de produção textual: precisa-se entrever o contexto onde o gênero será construído, para a produção e para a leitura recuperar este contexto de produção; d) Finalidade: para que serve determinado gênero? O sujeito irá ler ou produzir determinado gênero, com qual objetivo? Além das capacidades de ação, também foram desenvolvidas as capacidades discursivas (o que pode ser dito através desse objeto e a organização desse dizer no objeto, auxiliando tanto para o tema quanto à forma de composição do gênero). a) Elaboração dos conteúdos do gênero: a construção/elaboração dos conteúdos temático do gênero; b) Plano do texto/organização textual: a organização seqüencial de acordo com o gênero: ordem do narrar, do descrever, do argumentar, da exposição, da injunção. Por fim, as capacidades linguístico-discursivas (como pode ser dito, auxiliando no estilo do gênero). a) Operações de textualização: orientação sobre a conexão/coesão de acordo com o gênero; organização das partes, dos segmentos e das intervenções; a separação, as ligações ou a integração entre os enunciados, os períodos e as convenções; b) Escolha lexical: vocabulário apropriado ao gênero e conforme a situação de comunicação; c) Tomada de posição enunciativa ou ponto PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 189 de vista enunciativo: trata das relações entre as diferentes vozes que podem aparecer dentro de um texto. Diz respeito às modalizações, apreciações valorativas etc. Frente ao sucesso alcançado, se comprovou que o trabalho com SD, mesmo em contexto “desfavorável”, do ponto vista econômico, estrutural e social, e apesar das dificuldades, é de uma eficiência considerável. Desse modo, o projeto agora está em processo de ser aplicado em outro contexto, agora para alunos do Ensino médio, em realidade escolar periférica também. Projeto: Projeto multi/transdisciplinar de construção de material didático para escolas indígenas da população indígena da região do oiapoque amapá S-03 O Amapá como Estado de fronteira, abriga diversas etnias indígenas, é considerado um dos estados que apresenta maior preservação natural brasileira e o primeiro a demarcar as terras indígenas. Essas marcas impõem à se debruçar nas investigações científicas para compreender e atuar nessa realidade. Em função dessa situação sociogeográfica, histórica, cultural e linguística, verifica-se a necessidade de se trabalhar numa perspectiva inter/multi/ transdisciplinar. Como professora do curso intercultural indígena, com a disciplina “Didática para as escolas indígenas”, verificamos que os povos indígenas, bem como os professores que atuam com esses povos, se ressentem da falta de material didático que represente e respeite suas singularidades linguísticas e culturais, garantidas por lei, conforme se pode ver no art. 5º da Resolução n.º 3, de 10/11/1999, do Conselho Nacional de Educação, que defende que a formulação do projeto pedagógico da escola indígena deverá considerar: I. As Diretrizes Curriculares Nacionais referentes a cada etapa da educação básica; II. As características próprias das escolas indígenas, em respeito à especificidade étnico-cultural de cada povo ou comunidade; III. As realidades sociolingüísticas, em cada situação; IV. Os conteúdos curriculares especificamente indígenas e os modos próprios de constituição do saber e da cultura indígena; V. A participação da respectiva comunidade ou povo indígena. 190 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL Por isso, tem-se como principal objeto de reflexão neste projeto uma realidade ampla e complexa, que pouco tem recebido o olhar sobre suas dificuldades e potencialidades, a realidade educacional das populações indígenas da região do Oiapoque-Amapá em fronteria com a Guiana Francesa. Desse modo, busca-se propor práticas de ensino por meio da elaboração de material didático exclusivo para os povos indígenas waiãpi, galibis do oiapoque e galibis marworno, palikur, tiryó, karipuna, kaxywãna, wayana e apalay.Mais precisamente para os primeiros anos de ensino da educação básica, 1º ao 5º ano. Assim, o objetivos se pautam também na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, que garantiu aos povos indígenas a oferta de educação escolar intercultural e bilíngüe. Projeto: Transferência de conhecimento sobre tecnologias regionais para tratamento das águas brancas e pretas da Região Amazônica S-04 Através de informações oficiais sobre saneamento, verificam-se baixos índices de atendimento por água potável na Região Norte do Brasil, que chega a um percentual menor do que 40% no Estado de Rondônia. Neste contexto, o desenvolvimento de tecnologias sobre sistemas alternativos de tratamento de água, adaptados à realidade da Região Amazônica, atende a uma demanda por água tratada nos inúmeros municípios e comunidades isoladas e/ou ribeirinhas, as quais, na grande maioria das vezes, não possuem qualquer sistema de potabilização e abastecimento de água, além de também atender Item V do Art. 2º da LDNSB (Lei 11.445/2007) que indica a “adoção de métodos, técnicas e processos que considerem as peculiaridades locais e regionais”. Lembra-se que a Bacia Hidrográfica Amazônica é marcada por uma complexa rede hídrica, onde os rios que a compõem apresentam três diferentes características de água bruta, sendo elas as águas claras (ou verdes), brancas (ou turvas) e pretas (ou negras). O projeto Transferência de conhecimento sobre tecnologias regionais para tratamento das águas brancas e pretas da Região PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 191 Amazônica é uma proposta de disseminação do conhecimento gerado por meio de uma pesquisa de doutorado, financiada por uma instituição bancária, uma instituição de investimento, um instituto de pesquisa e uma universidade, que teve como resultado o desenvolvimento de sistemas de tratamento para potabilização de dois tipos de água típicos da Amazônia, tendo como base a captação das águas superficiais do Rio Solimões (águas brancas) e do Rio Negro (águas pretas). A tecnologia desenvolvida para o tratamento das águas brancas é composta por três unidades de filtração e a injeção de solução coagulante, já para a tecnologia para o tratamento as águas pretas é composta de quatro unidades de filtração. Objetiva-se, com este projeto, proporcionar encontros de capacitação para que profissionais da área de engenharia, a partir do conhecimento transferido, juntamente com o material bibliográfico disponibilizado, possam elaborar projetos de estações de tratamento de água para atendimento à população amazônica, com a potencialização de sua implantação e operação e a futura e conseqüente redução do déficit de atendimento por sistemas de abastecimento de água potável na região, melhorando as condições de saúde e qualidade de vida da população, além da viabilização agregação de valor aos produtos regionais que passarão a ser manuseados, processados e/ou produzidos com água potável, além do fomento às atividades turísticas. O principal produto deste projeto é a realização de sete encontros de capacitação técnica nas capitais dos estados da Região Norte com a participação do autor da tese de doutorado, para disseminação de todo o conhecimento sobre o desenvolvimento das tecnologias para tratamento e potabilização das águas brancas e pretas típicas da Região Amazônica. Propõe-se que os encontros de capacitação contemplem as temáticas de: Características hidrográficas da Região Amazônica; Características das águas superficiais da Região Amazônica; O serviço de saneamento na Região Hidrográfica Amazônica; Sistema de tratamento que serviu de base para o desenvolvimento das tecnologias; Tecnologias desenvolvidas de forma regionalizada para o tratamento das águas brancas e pretas da Região Amazônica; e, Critérios de projetos para as dimensionamento de estações de tratamento de água a partir das tecnologias desenvolvidas. Esta proposta busca a difusão de conhecimento, potencializando a capacitação de profissionais para a elaboração de projetos de estações de potabilização de água, de maneira a atender de toda a 192 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL população amazônica que vive às margens dos rios de águas brancas e pretas, o que representa a maior parte da população Amazônica. Como ilustração da importância da disseminação das tecnologias geradas de forma regionalizada, cita-se que em 2007, excetuando-se o município de Manaus e o estuário do Rio Amazonas, existia uma população superior a um milhão de habitantes vivendo em áreas de várzea e, em sua grande maioria, desprovidas de qualquer serviço de saneamento básico. A disponibilização de água potável, a partir da implantação de sistemas de abastecimento de água, além de significativas melhorias nas condições da saúde e da qualidade de vida da população, também contribui para o desenvolvimento regional sustentável de toda a Amazônia, a partir não só do aparecimento de novas cadeias produtivas locais e/ou regionais (de elaboração de projetos, de construção e de operação de estações de tratamento de água), mas também a agregação de valor aos produtos oriundos das comunidades por ela atendidas, a partir de seu manuseio, processamento e/ou produção com água potável, o que potencializa a geração de emprego e renda nos municípios amazônicos. A disponibilização de água potável também é uma condição primordial para a ampliação da rede de turismo sustentável na Amazônia. Após a conclusão do projeto e o início da elaboração e execução e operação das estações de tratamento de água por ele fomentados, além do grande benefício da redução dos problemas de saúde pública provocados pelo manuseio e consumo de água com baixa qualidade pela população, haverá o potencial de implantação de equipes regionais de elaboração de projetos e de construção e operação das estações de tratamento de água utilizando a tecnologia disseminada, além do incentivo e valorização de todas as atividades produtivas que utilizarão água potável no seu processo de manuseio, beneficiamento e/ou fabricação, apontando para geração de novas potenciais demandas por produtos regionais de qualidade e de novas opções de atividades econômicas sustentáveis, tanto sob os aspectos ecológicos e ambientais, como também sociais e econômicos. PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 193 Projeto: Reserva Ecoturística Cachoeira do Espelho: Turismo Ecológico e Cultural como Instrumento de Inserção Social e Conservação Ambiental S-05 Este projeto apresenta uma nova estratégia de conservação da biodiversidade amazônica, em que o turismo surge como valiosa alternativa para o desenvolvimento sustentável. Ou seja, uso da terra por meio de manejo integrado de grandes extensões de terra mediante o uso gradativo de seus recursos, possibilitando benefícios econômicos, integração social e preservação da identidade do lugar. É uma iniciativa que valoriza os recursos naturais e conhecimento tradicional local, de forma a servir como um poderoso instrumento gerador de emprego, renda e inclusão social. Com propósito de criação da Reserva Ecoturística Cachoeira do Espelho na parcela São Francisco do PA Itapuama, localizada em Altamira/Pará, faz-se necessário obter uma visão geral do projeto e suas expectativas de futuro. Este documento vem para nortear ações que possibilitem sua viabilidade econômico-ambiental, servindo para identificar aspectos ecológicos, sociais e econômicos da área, bem como fornece subsídios para o licenciamento ambiental do futuro empreendimento junto à Secretaria Estadual de Meio Ambiente (SEMA/PA). Para a execução deste projeto, e seu subseqüente sucesso, faz-se necessário a busca, captação e potencialização de recursos para a manutenção de ações de conservação e uso sustentável da biodiversidade da área. Para tanto, é essencial o apoio e incentivo de organizações e instituições públicas, privadas, ONG’s e da sociedade para o fortalecimento dos atores ativos deste processo, dando-lhes alicerce para que dêem continuidade às atividades iniciadas, garantindo a proteção de mananciais, o controle de erosão e o extrativismo, que têm suas bases diretamente relacionadas à conservação ambiental. 194 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL Projeto: Ludoteca Itinerante S-06 De acordo com Huizinga (1980) apud Ornelas, desde que o mundo é mundo, o homem sempre manifestou uma tendência lúdica – uma competência inata para brincar e jogar - sendo por isso denominado, além de homo sapiens, homo ludens. Para este historiador, o jogo é um fenômeno presente em todas as sociedades, sendo inegável a sua existência como elemento da cultura. Nesse sentido, reconhecer e dar lugar ao lúdico na sociedade e na educação significa buscar satisfazer a um impulso natural do ser humano. Com base nesse principio, atualidade e relevância para a realização das atividades em torno do brincar se evidenciam na medida em que as crianças em geral estão apartadas do brinquedo. Este projeto visa destacar dois aspectos importantes no contexto educacional e social: Contribuir com a Formação de professores da Educação Infantil e Séries iniciais do Ensino Fundamental proporcionando uma reflexão em torno da prática pedagógica, visando dar um enfoque específico sobre a Importância do ato de brincar e sua relevância pra o desenvolvimento infantil; Resgatar as brincadeiras tradicionais de antigamente, enfatizando a importância desse momento para o resgate da cultura lúdica infantil, oferecendo um espaço para o desenvolvimento dessas brincadeiras na Cidade de Manaus. Projeto: RDS-Tupé: cidadania e justiça S-07 O projeto desenvolvido na Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Tupé, em Manaus com o título RDS-Tupé: Cidadania e Justiça tem o plano de ação voltado ao acompanhamento dos problemas enfrentados pelos moradores da RDS do Tupé, caboclos e indígenas, através de visitas individualizadas dos voluntários PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 195 cadastrados no projeto junto ao Núcleo de Práticas Jurídicas (NPJ) da Instituição de Ensino Superior, semestralmente, para estudo e organização das atividades. A cada semestre é realizada uma visita dos voluntários, orientada por professores do curso de Direito à RDS, com atividades de atendimento e assessoria jurídica. Após a primeira visita semestral é realizada uma atividade que se caracteriza por um evento denominado Mutirão Assistencial. O mais recente Mutirão assistencial foi realizado no dia 16 de abril de 2011, nas dependências do NPJ, com a participação de professores, alunos e funcionários. Participaram deste evento tanto os moradores do segmento caboclo quanto, pela primeira vez, os moradores do segmento indígena. Durante o evento foram oferecidos, gratuitamente aos 160 visitantes da RDS, os seguintes serviços: Consultoria e assessoria jurídica em todas as áreas do Direito; Expedição de documentos (Certidão de Nascimento, Carteira de Identidade e CPF); Exames médicos e vacinação; Doação de alimentos, vestuários e calçados; Palestras educacionais relacionadas à Prevenção de Doenças Sexualmente Transmissíveis e Prevenção ao Câncer de Mama e Colo de Útero; Cortes de cabelo; Atividades lúdicas com crianças. As atividades iniciam com um farto café da manhã comunitário a todos os presentes. O sucesso do evento contou com a parceria de várias organizações, tanto do setor público quanto do setor privado. Como resultado geral do projeto, destaca-se a aproximação dos dois segmentos populacionais da RDS-Tupé, os quais, antes da implementação do projeto, apresentavam uma relação conflituosa. Hoje, após a interferência do projeto, os movimentos interculturais indígenas contam com o apoio das comunidades caboclas e ribeirinhas da RDS, havendo mais harmonia na convivência entre os dois segmentos populacionais, inclusive com troca de experiências e apoio mútuo em prol da qualidade de vida na Reserva. Os resultados do presente projeto, portanto, permitem afirmar que os mesmos superaram todas as expectativas de seus organizadores e participantes. 196 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL Projeto: Projeto sobre a escritura de livros de cálculo diferencial e integral com noções de análise S-08 Este projeto está orientado à escritura de dois volumes sobre Cálculo Diferencial com Noções de Análise, pois contém um primeiro volume de funções de uma variável e um segundo de funções de várias variáveis os quais resolverão em grande medida os problemas de Bibliografia de seis disciplinas do curso de Matemática. Estes livros além de conter os diferentes conteúdos das disciplinas de Cálculo I, II e III, Equações Diferenciais Ordinárias, Introdução à Análise e de Física Matemática; se caracterizará pela presença de notas históricas que falam das origens do Cálculo Diferencial e Integral, os principais Matemáticos que contribuíram na sua criação e aqueles que depois continuaram seu desenvolvimento. Além de estes dois volumes apresentam a modo de exemplos e como problemas a resolver situações características da região, dando lugar assim a uma contextualização da etnia do Estado. As maiores dificuldades que apresentam os estudantes do curso de Matemática reside no distanciamento entre as questões completamente teóricas e a prática quando estudam as disciplinas específicas do curso, por isso estes volumes têm entre outros objetivos que se tenham conteúdos implícitos que permitam desenvolver sem muitas dificuldades a disciplina de Introdução à Análise e que desde o início sem fazer ênfase nisso o estudante vá familiarizando-se com esses conteúdos. Projeto: Projeto de manejo de população canina e felina na zona norte de Manaus S-09 A Saúde da Família é entendida como uma estratégia de reorientação do modelo assistencial, operacionalizada mediante a implantação de equipes multiprofissionais em unidades básicas PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 197 de saúde. Estas equipes são responsáveis pelo acompanhamento de um número definido de famílias, localizadas em uma área geográfica delimitada. As equipes atuam com ações de promoção da saúde, prevenção, recuperação, reabilitação de doenças e agravos mais frequentes, e na manutenção da saúde desta comunidade. A responsabilidade pelo acompanhamento das famílias coloca para as equipes saúde da família a necessidade de ultrapassar os limites classicamente definidos para a atenção básica no Brasil, especialmente no contexto do SUS” (Brasil,2007). O médico veterinário se insere muito facilmente ao grupo de profissionais de saúde por estar habituado a proteger a população contra as enfermidades coletivas. O tipo de formação recebida pelo veterinário está em harmonia com o desenho organizativo de vigilância à saúde, que considera todos os fatores que determinam e condicionam a saúde coletiva, sem limitar-se às necessidades do indivíduo (Organización Mundial de La Salud, 1957). As atividades da saúde pública veterinária são: as zoonoses, a higiene dos alimentos e os trabalhos de laboratório, de biologia e as atividades experimentais. A luta contra as zoonoses se constitui em uma das principais atividades da saúde pública veterinária. Essas enfermidades constituem um importante fator de morbidade e pobreza, pelas infecções agudas e crônicas que causam aos seres humanos e pelas perdas econômicas ocasionadas na produção animal. A prevenção e a eliminação desse tipo de enfermidade no homem dependem, em grande parte, das medidas adotadas contra essas doenças nos animais. No Segundo Comunicado Técnico de Especialistas em Zoonoses (World Health Organization, 1959) foi reconhecida a existência de mais de cem zoonoses, o que fez com que aumentasse a importância dos programas de prevenção, controle e erradicação dessas enfermidades. “A saúde pública Veterinária (SPV) é um componente das atividades de saúde pública devotado à aplicação das habilidades, conhecimentos e recursos da profissão veterinária para a proteção e melhora da saúde humana” (World Health Organization, 1975). No documento, há uma nota explicativa afirmando que a medicina veterinária é um braço estendido da medicina, que se ocupa da saúde de outras espécies animais que não os seres humanos. A saúde pública veterinária desempenha diversas funções na saúde pública que obedecem à vasta comunhão de interesses existentes entre a medicina veterinária e a medicina humana e oferecem a oportunidade de uma proveitosa interação entre ambas. Como profissão cruzada, a 198 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL saúde pública veterinária apresenta natureza interdisciplinar, voltandose simultaneamente para ambas as direções: os seres humanos e os animais. Atualmente, as atividades básicas de proteção da saúde animal, com especial atenção para o combate às zoonoses fazem com que as concepções de saúde e doença da Medicina Veterinária Preventiva sejam as mesmas da saúde pública veterinária formando um modo único de pensar – a preocupação com a promoção da saúde na coletividade, constituindo um estilo de pensamento de Medicina Veterinária Preventiva e Saúde Pública (Pfuetzenreiter, 2003). Os médicos veterinários podem desempenhar dois tipos de função dentro da saúde pública. O primeiro tipo estabelece as atividades para as quais o veterinário tem uma qualificação única. O outro abrange as atividades que podem ser desempenhadas igualmente pelos veterinários, pelos médicos e pelos demais profissionais do setor. A publicação da OMS resultante de uma reunião de especialistas em saúde pública veterinária (World Health Organization, 1975) procurou especificar essas contribuições da Medicina Veterinária para a Saúde Pública, como será detalhado a seguir. São inúmeras as contribuições da Medicina Veterinária para a saúde humana. A primeira e mais básica função do sanitarista veterinário está fundamentada no contexto puramente veterinário por sua conexão com os animais inferiores e suas doenças, relacionado à saúde e bem-estar humanos. Essas atividades refletem as qualificações específicas dos médicos veterinários e normalmente são a base da formação do veterinário de saúde pública dos organismos de saúde. O encargo relacionado diretamente com os animais inclui: a) diagnóstico, controle e vigilância em zoonoses; b) estudos comparativos da epidemiologia de enfermidades não infecciosas dos animais em relação aos seres humanos; c) intercâmbio de informações entre a pesquisa médica veterinária e a pesquisa médica humana com vistas à aplicação desta para as necessidades da saúde humana; d) estudo sobre substâncias tóxicas e venenos provenientes dos animais; e) inspeção de alimentos e vigilância sanitária; f) estudo de problemas de saúde relacionados às indústrias animais, incluindo o destino adequado de dejetos; g) supervisão da criação de animais de experimentação; h) estabelecimento de interligação e cooperação entre as organizações de saúde pública e veterinária com outras unidades relacionadas com animais; i) consulta técnica sobre assuntos de saúde humana relativos aos animais. PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 199 Outros contextos das atividades desempenhadas pelo sanitarista veterinário são o biomédico e o generalista. Ainda que o médico veterinário exerça atividades puramente veterinárias como as acima mencionadas, sua ampla formação básica nas ciências biomédicas o qualifica para desempenhar muitos papéis adicionais na saúde pública, que são comuns aos médicos e a outros membros da equipe como: a) epidemiologia em geral; b) laboratório de saúde pública; c) produção e controle de produtos biológicos; d) proteção dos alimentos; e) avaliação e controle de medicamentos; f) saneamento ambiental; g) pesquisa de saúde pública. A expressão saúde pública veterinária é utilizada para designar o marco conceitual e a estrutura de implementação das atividades de saúde pública que empregam conhecimentos e recursos da medicina veterinária para proteger e melhorar a saúde humana. A saúde pública veterinária vincula a agricultura, a saúde animal, a educação, o ambiente e a saúde humana. Seus princípios de base estão fortemente ligados nas ciências biológicas e sociais que se encontram amplamente difundidos na agricultura, na medicina e no meio ambiente (Arámbulo, 1991). A proteção dos alimentos e o controle e erradicação de zoonoses permanecem as funções de maior interesse na área. Também ganham destaque outros três enfoques: os modelos biomédicos (pesquisas em animais para estudar os problemas de saúde dos seres humanos), o desenvolvimento dos serviços de saúde pública veterinária, e o ensino e formação em saúde pública. Em relação ao último tópico, recomenda-se a mudança de abordagem dos currículos – com concentração excessiva na clínica – para fornecer uma educação mais voltada para os aspectos de saúde pública (Arámbulo, 1991). O Distrito de Saúde Norte é uma base operacional Integrante do Sistema Único de Saúde(SUS) do município de Manaus.É responsável pelo desenvolvimento das ações de Vigilância Ambiental e Epidemiológica que engloba as zoonoses.Com este projeto pretende-se levar ás unidades de saúde do SUS “novos fazeres” para o enfrentamento velhos problemas que permeiam a relação homemanimal, no município de Manaus e inicialmente na Zona Norte do município. 200 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL Projeto: A reeducação ambiental através de práticas artesanais utilizando resíduos sólidos S-10 A Educação Ambiental preexistente na cultura nacional e podemos dizer mundial, é uma educação muito doméstica. Conceitos como: não jogue papel no chão ou até mesmo lave as mãos antes do almoço ou jogue isso na água devem ser substituídas por jogue o papel na lixeira correta, lave freqüentemente as mãos ou não jogue lixo nos rios. Ha muito tempo existe a necessidade de uma Educação Ambiental com ênfase na reeducação, baseada em fundamentos científicos para que realmente se alcance o objetivo de conscientização para o problema ambiental em escolas, comunidades e sociedade em geral. Nos dicionários, a palavra “lixo” é denominada como sujeira, imundice, coisas inúteis, velhas, aquilo que se varre para tornar limpa uma casa ou cidade, o que ninguém quer ou sem valor comercial, o que se joga fora, entulho, qualquer material produzido pelo homem que perde sua utilidade e é descartado. A definição de lixo (resíduos sólidos) deve ser revista, pois o material descartado por um indivíduo pode vir a ser útil para outro, “... aquilo que foi descartado e que, após o emprego de determinados processos, ou não, pode ser útil e aproveitado pelo homem.” Seria uma nova definição sugerida por Maria Cristina, Claudia Saldanha e Ellen Kathilen, pesquisadoras e participantes do Projeto de Implantação de Coleta Seletiva na UFAM. A produção de resíduos sólidos é um processo inevitável na sociedade contemporânea, meios de tratamentos desses resíduos e locais para destinação dos mesmos, para que eles tenham um menor impacto no meio ambiente, existem, mas não são de totalmente eficazes. Porém, a utilização dos 5R, pode diminuir esse impacto. Os 5R são: 1. Repensar o problema do lixo 2. Redução do lixo 3. Recuperação de materiais 4. Reutilização PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 201 5. Reciclagem Este projeto tem como intenção a realização de oficinas de artesanatos confeccionados com resíduos sólidos. Poderá aguçar o interesse dos jovens pela reciclagem artesanal e levar a conscientização dos mesmos sobre a necessidade de produzirmos menos lixo e/ou darmos uma destinação correta a ele. A Educação Ambiental não irá resolver sozinha, os problemas ambientais, mas é um grande passo para isso. Quando são utilizados recursos artísticos como ferramentas para a Educação Ambiental, se trabalha a alegria, o lúdico, a criatividade e a capacidade de cada indivíduo e do meio em que ele esta. A cultura, a necessidade e os objetivos devem ser levados em conta, para fixar qual a arte com melhor apelo pedagógico que deve ser utilizada. A arte não deve ser um mundo paralelo, tem que fazer parte do real, para ser uma ferramenta eficaz na Educação Ambiental. Segundo Paulo Freire (1996) a arte pode ser “... O espaço pedagógico para a esperança.” Projeto: Cidades rurais autossustentáveis S-11 O projeto tem por objetivo criar cidades rurais planejadas e autossustentáveis. A autossustentabilidade se dará em cima da atividade da construção civil, envolvendo toda a produção dos materiais que serão utilizados na construção de uma cidade (infra-estrutura, saneamento, rede elétrica, residências, escolas, postos de saúde, farmácias, mercados, praças, etc). A autossustentabilidade se dará também na área agrícola, seja produzindo alimentos (cereais, verduras, vegetais, hortaliças, frutas, carnes, peixes, ovos, leite, etc). A autossustentabilidade se dará também na área da silvicultura (produção de mudas de árvores para madeira, árvores nativas para recuperação de matas ciliares e degradadas, árvores frutíferas, 202 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL árvores para paisagismo, etc), produção das áreas de reserva legais de produtores rurais, bem como reflorestamento e produção de flores. Entre os projetos agrícolas está a produção da árvore denominada “pau de balsa” que fica pronta para corte em 3 anos (1º corte) até 8 anos (último corte) ao valor de venda estimado de R$ 400,00 por árvore. E também na exploração do bambu para utilizar na construção civil e em produção de móveis. O bambu também está pronto para corte a partir do terceiro ano e é uma fonte inesgotável. Após plantado é para sempre. Retira-se 20% ao ano. O restante fica para rebrota. Este projeto tem por princípio básico a AUTOSSUSTENTABI LIDADE de todos os participantes do projeto. Serão criadas cidades planejadas totalmente autos-sustentáveis, produzirão atividades que gerarão renda para todos os participantes. Além de renda própria, terão educação profissionalizante, saúde,atividades esportivas, lazer, cidadania, e aumento de qualidade de vida. Terão ascensão sócio-econômica, passando da miséria para cidadãos da classe média. Os participantes farão cursos profissionalizantes para desenvol verem as atividades profissionais com qualidade e eficiência. Terão qualificação inicialmente nas áreas da construção civil para construir toda a infra estrutura das cidades, além de suas residências, escolas, fábricas, clubes de lazer, academias, hospitais, etc. Aprenderão a trabalhar com rapidez, eficiência e profissionalismo. Trabalharão criando uma cidade para uso próprio, com direito a renda, produzirão todo tipo de alimentos para seu sustento próprio e venda do excedente, agregando valor em todos os produtos. O princípio fundamental é a autossustentabilidade, pois sabemos que o cidadão de bem não quer esmola, o que ele que é emprego. Emprego que lhe dê renda para sustentar sua família com dignidade e que o mantenha no campo com qualidade de vida, com todo o conforto de um cidadão de classe média (saúde, transporte, educação, alimentação, vestuário, inclusão digital, Lazer de qualidade, prática de esportes, segurança financeira, férias, etc.). Essas cidades planejadas terão tudo o que uma cidade média (tipo Londrina, Maringá, Ribeirão Preto, etc. ) tem disponível para os PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 203 moradores usufruírem e que os mantenham ali, sem necessidade de recorrer à cidades vizinhas. O objetivo do projeto é que os participantes gostem de sua cidade e que ali permaneçam. Que não sintam necessidade de voltar para os grandes centros. Para isso é necessário a autossustentabilidade permanente, formando um círculo produtivo que gere renda e riquezas para a cidade. As cidades planejadas serão divididas em diversas áreas. 1. Área industrial (fábricas de matérias de construção, móveis residenciais, portas, janelas, etc.) 2. Área residencial (residência dos participantes do projeto) 3. Área de lazer (clube social, quadras de esportes, piscinas, pistas de atividades esportivas, pistas de Cooper, academias, etc) 4. Áreas de serviços (mercados, mercearias, panificadoras, açougues, oficinas, postos de saúde, escolas, clínicas, etc.) 5. Áreas agrícolas subdividas em: a. Área de hortaliças: vegetais, legumes, verduras b. Área de cereais: feijão, arroz, trigo, soja, café, aveia, etc. c. Área de frutas: melão, mamão, uva, kiwi, figo, goiaba, laranja, maçã, abacate, abacaxi, etc. d. Área de criação de animais: boi, vaca, suíno, galinha, búfalo, cavalo, avestruz, codornas, coelho, etc. e. Área de criação de peixes (tilápia, carpa, pacu, dourado, etc.) f. Área de produção de carne (frigoríficos) g. Área de produção de farinhas (trigo, milho, mandioca, etc.) h. Área de viveiros de mudas de árvores frutíferas i. Área de produção de árvores para madeira (teça, eucalipto, guanandi, pau de balsa, mogno, pinus, etc.) j. Área de produção de árvores nativas (para recuperação de matas ciliares) k. Área de produção de árvores ornamentais l. Área de produção de flores m. Áreas de reflorestamentos n. Área de produção de palmito (pupunha e Jussara) o. Área de produção de cogumelos 204 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL p. Área de Confecções (produção de todo tipo de roupas: calça, camisa, camiseta, casacos, vestidos, etc.) q. Área de produção de artigos de couro (botas, sapatos, sandálias, cintos, bolsas, etc.) r. Área de beneficiamento de alimentos (queijo, salame, embutidos, conservas, compotas, doces, etc) s. Área de criação de abelha para produção de mel e polinização Note que todas essas áreas necessitam de mão de obra qualificada. Para isso a cidade planejada terá constantemente cursos profissionalizantes nas mais diversas áreas de produção. Com essas áreas em plena atividade haverá emprego e geração de renda para todos os participantes do projeto, os quais trabalharão de forma remunerada, inicialmente através de fornecimento de alimentos, educação, saúde, vestuário, esporte, lazer, atividades sociais, etc. Projeto: Protetor de mala Happy bag S-12 Confeccionar capas protetoras de malas de viagem com material resistente (nylon impermeável), tipo saco de viagem, em diferentes tamanhos e cores, com identificador na frente feito com borracha siliconada tendo impregnado folhas secas identificadas de árvores da Amazônia. Projeto: Projeto revisão solidária S-13 O Projeto Revisão Solidária (PRS) surgiu no ano de 2003 quando um grupo de estudantes universitários se reuniu a pedido de alguns PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 205 alunos de escolas públicas de Barcarena, os quais gostariam de revisar a matéria da escola para prestar o vestibular para o curso técnico do IFPA (antigo Cefet), até por essa conjuntura de revisão e devido a não cobrança de mensalidade o PRS adotou esse nome que nunca foi mudado. Nos anos seguintes, foi identificando que havia na comunidade demandas além da revisão, então o PRS passou a desenvolver ativi dades que ultrapassam o contexto educacional e alcançam a questão da cidadania, a qual engloba conhecimentos, econômicos, ambientais, culturais e entre outros aspectos da vida fora da sala de aula. O PRS é composto por um grupo heterogêneo pessoas, estudantes de graduação, pós-graduação e colaboradores já formados nos mais diferentes ramos do conhecimento que são empenhados em ajudar os jovens das escolas públicas de Barcarena a elevar seu nível educacional e cultural, por meio de aulas de revisão, palestras e atividades culturais. Adicionado ao trabalho com os jovens existe a percepção de que os voluntários são beneficiados ao desempenhar essas atividades, pois, além da própria experiência de interagir e ajudar com pessoas, eles podem desenvolver suas habilidades acadêmicas e pessoais com o público curioso e questionador; adicionado a isso participam de debates de idéias para melhoria da sociedade ou simplesmente aumentam a rede de amigos. Nesse sentido o PRS dispõe de dois grupos de pessoas que interagem e se beneficiam desse trabalho: os alunos que são ajudados e os voluntários que ganham uma experiência enriquecedora. Dessa maneira, observa-se que o PRS possui metas objetivas e subjetivas. A meta objetiva é auxiliar aos estudantes que desejem entrar em instituições de ensino técnicas do Estado do Pará. Para cumprir tal objetivo o PRS se incube de levar aos estudantes, educadores voluntários dotados do programa do processo seletivo. Já a meta subjetiva é ambiciosa, pois visa quebrar o paradigma do pensamento corrente de que a sociedade atual é individualista. O PRS vem mostrando ao longo desses anos aos alunos e demais integrantes da sociedade que existem pessoas interessadas na melhoria qualitativa da sociedade e que entende que o desenvolvimento social de uma região ou nação somente pode ser alcançado no progresso conjunto. Assim, os voluntários do Projeto Revisão Solidária disponibilizam parte de seu tempo nos fins de semana para ajudar os interessados a alcançar seus objetivos educacionais. Dentro do PRS existe a percepção de que as atividades extrasalas de aula são de suma relevância para afirmar a riqueza cultural 206 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL do Brasil, sobretudo para cultura da Região Amazônica e de que há necessidade de informações diferentes as vinculadas comumente nas escolas e veículos de mídia, dessa maneira sempre que possível temse a participação de palestrantes que tragam novas idéias e possam incutir mais interesse e ambição aos participantes do PRS. Projeto: Programa para a produção de etanol amiláceo S-14 A produção de etanol (álcool etílico) por meio da hidrolise e da fermentação de raízes de mandioca, obtida de modo autônomo em organizações de produtores de base familiares, tem por objetivo construir um suporte energético em unidades produtivas destinadas à produção de alimentos. Essa iniciativa promove uma intensificação das forças produtivas de natureza inestimável, certamente superior a qualquer outro programa convencional de fomento agrícola já realizado na Amazônia. Os novos atores não serão reconhecidos como produtores de energia, mas como produtores de alimentos com baixa dependência a programas governamentais regionais. Desse modo, o etanol produzido não é necessariamente o objetivo fim, mas a oxigenação dos meios de produção, de transporte e de comercialização de produtos agrícolas. A escolha da mandioca como biomassa para compor o Programa de Produção de Etanol Amiláceo (energia-alimento), se dá por ser a espécie mais representativa e promissora do bioma tropical, e principalmente porque ela já é alimento, ou melhor, é o registro da historia alimentar das populações amazônicas. Apenas para citar uma das inúmeras vantagens desse cultivo é que durante os primeiros três primeiros meses após o plantio, a mandioca ainda apresenta uma baixa densidade de folhas, criando com isso espaços na área que permanecem ociosos durante todo o período inicial de cultivo permitindo que se cultivem juntos o arroz, o feijão, o milho e outras espécies alimentares, sem prejuízos para a primeira. Assim, com o aumento da área plantada com a mandioca para a produção de etanol, ao contrário do que ocorre com o monocultivo da cana-de-açúcar, ampliam-se os espaços e as oportunidades para a produção de mais alimentos. PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 207 A opção de produzir energia para o autoconsumo, a partir da mandioca, em sistemas consorciados, evita que o arranjo produtivo se estabeleça através de monoculturas e contrarie o ambiente amazônico que se caracteriza pela diversidade. Além do mais, o consorcio da mandioca com outras culturas economiza o uso de outras áreas da propriedade destinadas à produção de alimentos. Outros atributos que ajudam a eleger a cultura da mandioca para compor o “Programa de Produção de Etanol Amiláceo”, na Amazônia, são as práticas culturais seculares do cultivo dessa espécie em todo o bioma tropical, que lhe dão robustez, facilidade de propagação, elevada tolerância à estiagem e ao excesso de chuvas, bons rendimentos mesmo em solos de baixa fertilidade, baixa exigência por insumos modernos, potencial resistência/tolerância a pragas e a doenças, elevado teor de amido nas raízes, possibilidade de consórcio com inúmeras plantas, resistência à propagação do fogo, alternativa para reutilização das áreas degradadas, cultivo e colheita em qualquer época do ano e geração de energia de baixo impacto ambiental. Os ganhos sociais e ambientais com a produção descentralizada de álcool de mandioca são incalculáveis, pois além de remunerar melhor o trabalho das pessoas e não agredir o meio ambiente e utiliza o subproduto do processo de fabricação do álcool - a vinhaça - na alimentação de bovinos confinados. Assim, ao invés desses subprodutos virarem poluentes, constitui-se em matéria-prima que servirão de base para a produção de carne e de leite. Exemplificando: a vinhaça, resíduo do processamento industrial da mandioca para a produção do etanol, pode ser utilizada em um projeto complementar de alimentação de vacas semiconfinadas para a produção de leite, leite em pó, queijo etc. Pode também ser utilizada para engorda de gado de corte. E ainda, o esterco gerado pelos animais confinados pode alimentar biodigestores para produzir gás e fertilizantes para a agricultura. Projeto: Missão Haitiama S-15 Cooperação técnica multidisciplinar envolvendo vários órgãos e entidades do poder e da sociedade civil que visa incluir imigrante 208 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL haitianos na sociedade amazonense, proporcionando-lhe condições de sustentabilidade, desenvolvimento e cidadania por meio de ensino da língua portuguesa, qualificação profissional e inserção no mercado de trabalho. Projeto: Rádio comunitaria S-16 Este trabalho fala sobre Projeto de Extensão de uma rádio Comunitária, realizado no Bairro de Novo Reino, que ocorrera através de um programa de rádio (auto falante). O principal objetivo do projeto é promover a comunicação comunitária, realizado por acadêmicos de diversas áreas, como também profissionais através de programas educativos. pertinentes a vida da comunidade de Novo de Novo Reino. Todos os sábados e domingos, entre às 16h e às 17h, o programa será transmitido ao vivo na Rádio, com a participação direta de cidadãos das comunidades convidados para entrevistas e debates, e com repórteres nas ruas, trazendo novas opiniões e anseios das comunidades através de reportagens. Projeto: Ração de Igapó, alimento natural de espécies aquáticas S-17 No processo de extração ou na colheita manual das favas ou produtos naturais em ambientes locais, isto é nos igapós na época do inverno onde há uma diversidade de frutas ou sementes naturais onde estar intimamente ligada a fertilidade do alimento natural das espécies aquáticas, que juntando varias espécies tal como Juarí, mungubá, capitari, caferana etc. tudo isso triturado em ambientes PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 209 naturais misturado com outros derivados dará uma massa homogenia e compactada em grãos tornaram isso um alimento natural às espécies subaquáticas na alimentação em cativeiro. Favorecendo aos produtores uma nova fonte de alimento agregando valores naturais regionais, onde a mão de obra comunitária ou família torna-se a o meio de arrecadação financeira através do processo de aproveitamento e tecnologia com potencial rentável na fabricação na formulação, onde existem estudos e avaliações relacionadas á implantação e manutenção dessa nova cultura onde na Amazônia e principalmente nas áreas de várzeas a uma larga escala em abundancia. Este produto depois de processado e agregado a outras misturas já conhecidas, beneficiara comunidades ao redor da implantação de uma fabrica gerando assim importante desenvolvimento local e regional. Projeto: Gestão escolar: Experiências inovadoras no ambiente escolar S-18 A Escola Cândida é uma escola democrática que Viabiliza Valores como Respeito, Justiça, Igualdade, Solidariedade, Ética, Dignidade e Honestidade, garantindo assim, uma Educação de Qualidade que vise a Formação de Cidadãos mais comprometidos, consciente e solidários, capazes de contribuir para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária. A Escola Municipal de Ensino Fundamental “Cândida Santos de Souza com a contribuição de funcionários, alunos, pais e comunidade desenvolve há três anos consecutivos o Projeto de “Revitalização da Escola: Direito de usar, dever de preservar” com intuito de buscar e incentivar a Conservação e Preservação do Patrimônio Público, a Escola, incentivando a utilização correta do espaço escolar procurando a conscientização de todos os segmentos acerca dos benefícios que a escola dispõe. O Projeto Consumo Consciente Agir e Viver por um Mundo Melhor trazendo o tema: Manejo do Lixo no Bairro, Diga não ao Desperdício. Sensibilizando a comunidade para a importância de se cuidar do seu Lixo evitando grandes desperdícios que agridem o Meio Ambiente e suas gerações futuras. 210 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL Juntamente com estes projetos desenvolvido na escola temos o Projeto Cultura de Paz na Escola que mostra a escola como um espaço de estudo, um recorte de nossa sociedade onde evidenciamos as “diversidades”, é que buscamos neste espaço um novo olhar sob o mundo, dinamizando a vida para uma Cultura de Paz, uma cultura de não-violência, construindo novas relações humanas onde propicie conhecimentos que gerem consciência de deveres e direitos para com o social rejeitando a violência e respeitando a vida em sua totalidade. A Revitalização Escolar é uma ação educativa que busca estratégias para uma preservação mais eficaz onde evidencie a preocupação dos discentes com seus atos e o dos colegas. O Projeto de Revitalização do espaço escolar visa alcançar estas estratégias de forma bem dinâmica, onde os próprios alunos serão os responsáveis em concretizá-lo e nossa meta é amenizar ou sanar os problemas que envolvem as más condutas dos discentes e estes terão como dever fazer as devidas fiscalizações cotidianas ao chegar e sair de sua sala de aula mostrando-se determinados a preservar o meio em que estudam. Assim, com certeza, os discentes valorizarão muito mais o espaço escolar, pois tudo foi concretizado mediante seu esforço e como diz o velho ditado: Quando as coisas saem do meu bolso e com meu esforço, aprendo a valorizar muito mais. Neste contexto, há necessidade de chamar a atenção de toda a comunidade para se praticar a cidadania, preservando o meio ambiente, pedindo ajuda a Escola e Comunidade para que unidas executem ações que combatam a agressão ao patrimônio público, promovendo a conservação dos bens escolares. Projeto: Varal feito à mão S-19 Esse projeto visa gerar renda para as comunidades carentes e interessados residentes nos bairros São Francisco, Centenário e Jardim Floresta por meio de capacitação das mulheres na arte de bordar, utilizando sobras de tecido e pedraria com a técnica de patchcolagem, técnica derivada do patchwork, mas sem uso de máquina de costura. PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 211 Por meio de convivência com pessoas que desenvolvem serviços voluntários nos bairros citados observou-se a dificuldade das famílias em ter uma ocupação rentável. A técnica é feita totalmente à mão e em qualquer lugar. A metodologia da capacitação é de forma prática, onde a transferência do conhecimento se dá por meio da execução do trabalho e se aperfeiçoa com a experiência, ou seja, trata-se de uma metodologia intuitiva acessível a qualquer pessoa e não exigindo conhecimento teórico na área. O material utilizado para a produção das peças é de fácil aquisição e de preço acessível, podendo ser solicitado por meio de doação ou com baixo investimento de custo. São eles: camisetas de cores lisa, retalhos de algodão, linha para bordar, agulha, tesoura, pedrarias diversas, papel termocolante ou cola para tecido, carbono e lápis. Para a exposição das peças usa-se apenas corda e pregadores de roupa, não necessitando de uma logística com uso de móveis específicos oferecendo assim uma facilidade em transportar o material a ser vendido em todos os lugares onde há aglomeração de pessoas. Os valores obtidos serão revertidos entre as mulheres com o objetivo de melhorar a renda familiar e consequentemente a qualidade de vida dessas famílias. Projeto: Gente da mata S-20 Divulgar o talento dos artistas locais em todos os segmentos artísticos (música, teatro, dança e artes plásticas). Possibilitando assim o reconhecimento de sua arte. 212 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL Projeto: Casa feita com material reciclado (polímero) S-21 Com um mercado em crescimento acelerado nos últimos anos, os plásticos tomaram conta do mundo moderno. É na forma de embalagens, isolantes e substituindo algumas peças em aço, esta resina termodinâmica que compõe os polímeros pode ser reciclado e empregado em diferentes funções, como, por exemplo, a fabricação de cadeiras, tapetes, linhas, cordas, vassouras, escovas de dente e demais. Sempre que uma nova utilidade é encontrada para os plásticos, o meio ambiente agradece, afinal o mundo produz em torno de 150 milhões de toneladas ao ano desses plásticos cuja expectativa é de 400 anos para se degradar em aterros sanitários. A empresa HVS desenvolveu uma nova utilidade estes plásticos (PP, PE, PS, PET, e outros), onde o coordenador da empresa Francisco Sávio, descobriu mais uma nova função para estes polímeros reclicados: a fabricação de tijolos para a construção civil. O produto além de ser um 100% reciclado, também melhor custo beneficio em relação aos similares, qualidade superior como: Inquebrável, mais leveza, melhor acústica e em cores variadas. Projeto: Jovens e Adolescente: qualificar é a solução para o mercado de trabalho S-22 Tem por finalidade o pleno desenvolvimento do educando, preparando assim os jovens e os adolescentes para o pleno exercício da cidadania e qualificando para o mercado de trabalho. Propiciando a interação entre a educação escolar e as práticas sociais, estimulando assim, o aprender a aprender. PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 213 Diante disso, este projeto visa capacitar o ser humano, pois cada um tem sua capacidade, suas competências, habilidades, valores e atitudes. O ser humano tem essa disponibilidade para ser competente, mas e essencial que nos educadores incentivemos, motivemos cada um, dentro do cotidiano escolar e assim ajudar cada um a sair do mundo das drogas, gravidez na adolescência, violência verbal e doméstica. Nesse sentido, este projeto vem contribuir para com a melhoria da qualidade da educação da Escola Municipal Francisco Canindé Cavalcante, de forma ativa significativa e transformadora. Portanto, o papel dos Tutores: Gilmara Gomes da Rocha, Maria Adeudi C.Gonçalves, Andreice Cardoso da Silva, Rosineth Pereira da Cruz, Elizabeth Maria Yamané Dinelli e José Reinaldo Quintino Paiva, será essencial para que haja um bom andamento das atividades, das técnicas e práticas dos cursos, pois os referidos professores são capacitados. Ao final dos cursos os alunos (a)s receberam certificados da conclusão, pois estarão aptas a ingressar no mercado de trabalho e procurando fazer mais cursos para sua qualificação profissional. Projeto: Água tratada com energia solar para populações rurais na Amazônia S-23 O Projeto “Água tratada com energia solar para populações rurais na Amazônia” provou, pelo projeto piloto na “Reserva Extrativista do Rio Ouro Preto” ser tecnicamente viável. Socialmente o projeto facilitou a vida das pessoas que viajam entre a Reserva e a Cidade Guajara Mirim consideravelmente. Para permitir que outras comunidades remotas também tenham os benefícios de água potavel está sendo planejada a implementação de mais três sistemas, numa nova etapa. O suporte do equipamento já é prometido pelos habitantes das comunidades, do ICMBio, da Prefeitura da Guajará Mirim e da Universidade Federal de Rondônia. O ICMBio vai permitir o acesso para as regiões do projeto e fornecer o transporte junto com a prefeitura de Guajará Mirim. A prefeitura também vai fazer seminários e treinamento para melhorar as condições de higiene nas reservas. As associações das reservas vão dar o suporte para instalar os sistemas nas regiões. Assim, uma grande parte dos recursos necessários já está garantida. 214 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL Para o restante, outros financiadores e os prêmios do Prof. Benchimol e do Banco Amazônica podem ser utilizados. Projeto: Projeto Ilhas: ilha de apoio a sustentabilidade sócio-ambiental S-24 O Projeto sócio-ambiental Ilhas está sendo realizado no município de Lauro de Freitas, Bahia, através da ação desenvolvida pelo Núcleo de Educação Sanitária e Ambiental - NUESA da Secretaria Municipal do Meio Ambiente de Lauro de Freitas - SMARH, que contratou os serviços do professor Henrique Moitinho para implantar e executar o projeto em todas comunidades carentes da região. No projeto ILHAS (Ilha de Apoio a Sustentabilidade), é realizada uma mobilização para a coleta seletiva de equipamentos eletroeletrônicos, que são descartados em casas e empresas das comunidades. A mobilização tem a participação dos alunos do projeto, inscritos em um curso profissionalizante de Técnico de Informática em Manutenção de Computador. Projeto: Fortalecendo relações de gênero na agricultura familiar por meio de metodologias participativas para autogestão de unidades produtivas S-25 Os enfoques de desenvolvimento rural nas décadas de 60 e 70 se baseavam na transferência de tecnologias e excluíam principalmente mulheres e jovens rurais, tanto na elaboração como na execução dos projetos. O modelo difusionista, ainda hoje adotado por muitos profis sionais que atuam junto aos agricultores familiares, tem uma natureza autoritária, pois trabalha com a idéia da mudança induzida de fora para dentro. O problema está no fato de que, quanto mais se transfere PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 215 conhecimento, menor é a capacidade de desenvolvimento da cons ciência crítica e o envolvimento da comunidade. O processo de metodologias participativas propõe mudanças de estratégias, capazes de contribuir para o desenvolvimento rural sustentável, o fortalecimento da agricultura familiar e das suas organizações, integrando as dinâ micas locais, valorizando o conhecimento dos grupos beneficiários e suas tradições, buscando valorizar as condições para o exercício da cidadania, as questões de gênero e a melhoria da qualidade de vida da comunidade. Na realidade, se trata de um enfoque de intervir, sem interferir na tomada de decisão, constituindo-se num esforço coletivo e planejado, que considera a participação popular, a produção de base familiar, os princípios agroecológicos e o envolvimento da família, como orientação para a promoção de sistemas sócio-ambientais sustentáveis e economicamente viáveis. As metodologias participativas são um conjunto de técnicas e ferramentas que permitem que as comunidades façam o seu próprio diagnóstico e a partir daí comecem a auto-gerenciar o seu planejamento e desenvolvimento da unidade produtiva e também da comunidade. Desta maneira, os participantes poderão compartilhar experiências e analisar os seus conhecimentos, a fim de melhorar as suas habilidades de planejamento e ação. Dentro da proposta metodológica, busca-se diagnosticar e avaliar os problemas e as oportunidades de solução, identificando os possíveis projetos de melhoria dos problemas mais destacados e, portanto, das condições de vida de homens, mulheres e jovens, ou seja, vendo a unidade produtiva familiar como um todo, num processo contínuo de AÇÃO – REFLEXÃO – AÇÃO. Neste contexto, esta proposta pretende fortalecer as relações de gênero no ambiente familiar e comunitário por meio da adoção de metodologias participativas como ferramenta estratégica para autogestão de unidades produtivas no meio rural; despertar as famílias rurais para a autogestão das organizações e agregação de valor à produção agrícola local; suscitar e socializar as experiências exitosas na agricultura familiar, os modos alternativos de exploração agrícola; garantir o acesso a informação e participação nas decisões familiares e comunitárias, a todos os membros da família; assegurar a participação dos beneficiários em todas as fases do processo de desenvolvimento: diagnóstico, planejamento, monitoramento, avaliação e reprogramação de ações; promover a inclusão social das famílias rurais, principalmente, mulheres e Jovens, e reduzir o êxodo rural. 216 S-26 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL Projeto: Metodologia inovadora de disseminação do conhecimento científico e tecnológico: criação de núcleo itinerante de apoio educacional informal para a modernização da agricultura familiar de comunidades rurais do Estado do Amazonas A presente proposta contempla um conjunto de atividades que possibilitarão capacitar recursos humanos nas comunidades rurais da Amazônia por meio da divulgação científica e tecnológica, principalmente na conscientização dos agricultores jovens para o novo paradigma no que tange às iniciativas governamentais de aproveitamento sustentável do potencial econômico dos municípios, bem como proteção e adaptabilidade dos ecossistemas no desafio das mudanças climáticas e da produção de combustíveis alternativos. Dessa forma o grupo de pesquisadores do Laboratório de Estudos em Palmeiras do INPA (Labpalm), pretende por meio da popularização e divulgação da pesquisa efetuada durante 15 (quinze anos) sobre ecossistemas florestais em áreas manejadas na Amazônia, criar e implementar um núcleo itinerante (com propósitos multiplicadores) que forneça por meio da comunicação científica, uma visão integrada onde o trabalhador rural possa encontrar melhor forma de incorporar à comunidade uma estratégia comum para agregação de renda e superação de barreiras econômicas e sociais. Esta iniciativa a qual tem propósito inovador no sentido de uma sinergia entre a comunidade acadêmica e a rural (por meio da comunicação e difusão do conhecimento científico e tecnológico), visa a melhoria da qualidade de vida do homem do campo, salvaguardando a integridade ambiental e cultural dessas famílias. Trata-se de um projeto de pesquisa institucional e multidisciplinar, o qual enfatiza a valorização e sustentabilidade dos recursos vegetais por meio da divulgação científica e tecnológica já existentes, incluindo o seu uso como fonte energética alternativa renovável e visando colaborar na implantação de um desenvolvimento sustentável na Amazônia e a identificação de novos produtos. A presente proposta contempla também produção bibliográfica de divulgação científica e tecnológica da comunidade acadêmica com a comunidade rural, no intuito de estabelecer uma dinâmica e interrelações centradas na difusão do conhecimento por meio da produção de manuais técnicos, livros, cartilhas, folders, interface com os meios PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 217 de comunicação como: jornais, revistas, rádio urbana e comunitária, oficinas, tv, internet, cursos e palestras. Serão ministrados cursos de apoio técnico contínuos durante o período do projeto na capacitação de jovens e adultos para articulações entre as dimensões ambientais; de aproveitamento sustentável de sub-produtos e visão integrada por meio da divulgação científica e tecnológica. No futuro essas ações poderão favorecer a implementação de redes entre as comunidades rurais, como forma de organização social. Vale ressaltar que a referida proposta, além da propagação do conhecimento científico e tecnológico adquirido pelo grupo do Labpalm (durante uma longa jornada de pesquisas na Amazônia), identificará as tendências conceituais e metodológicas utilizadas pelas comunidades rurais, no sentido de preservar e respeitar os valores humanos já estabelecidos nessas regiões. Todas as etapas serão acompanhadas por pesquisadores e técnicos, subsidiando por meio da difusão científica, a educação ambiental e as ações de minimização que demonstrem o valor da "floresta de pé", em especial nas áreas antropizadas da Amazônia Central. Estas ações devem ser praticáveis tecnologicamente sem serem incompatíveis do ponto vista estratégico, ambiental e sócioeconômico. A partir da idéia de valorizacão integrada dos produtos vegetais da Amazônia, pretende-se avançar sobre o terreno teórico no que diz respeito ao estabelecimento de conhecimentos científicos para a comunidade rural sobre as possibilidades de manejo sustentado da área em estudo. Projeto: Aproveitamento de fibras vegetais para a construção sustentável S-27 A construção civil tem uma grande participação nas mudanças climáticas, devido ao elevado volume de materiais que o setor utiliza e a interferência de suas atividades que produzem impactos ambientais. Segundo relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma, 2011), o setor da construção civil responde por mais de um terço do consumo de recursos do planeta, o que inclui 12% do consumo mundial de água doce, além de gerar 40% de todos os resíduos sólidos do mundo. 218 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL De acordo com o Pnuma, esses dados são fundamentais para que os agentes, tomadores de decisão, criem oportunidades e instrumentos que minimizem os impactos ambientais gerados pela construção civil e no Brasil, onde o déficit habitacional é altíssimo, abrem-se possibilidades para a exploração de novas gerações de construções com tecnologias inovadoras, utilizando materiais de origem vegetal, em substituição à madeira sólida e seus derivados (compensado, aglomerado, MDF e OSPB), além da alvenaria. Na Amazônia, surgem oportunidades para a utilização de fibras vegetais na construção civil através do desenvolvimento de chapas confeccionadas com as fibras das espécies curauá (Ananas erectifolius L. Merril), abacaxi (Ananas comosus L. Merril) e abacaxi-ornamental (Ananas bracteatus L. Merril), todos da família Bromeliaceae. Essas plantas multiplicam-se por divisão da touceira e pelas mudas formadas na coroa do fruto. As fibras da espécie curauá são produzidas em larga escala por comunidades tradicionais amazônicas, principalmente no Estado do Pará. Essas fibras podem substituir a fibra de vidro, pois apresentam resistência mecânica similar e ainda tem as vantagens de serem biodegradáveis, mais baratas, cerca de dez vezes que a fibra de vidro e, também, menos abrasivas aos equipamentos de processamento. O curauá vem sendo utilizado na produção de artefatos para a indústria automobilística, tecidos e até papel. Outro material de origem vegetal, que pode ser adicionado às fibras vegetais, para a formação de chapas é a resina de mamona. O Brasil tem 8% da área de mamona plantada no mundo e detém a tecnologia necessária para utilização desse polímero na confecção de diversos produtos como, próteses, combustíveis, lubrificantes, dentre outros (SOARES & COLZATO, 2006). Conforme o exposto apresenta-se a proposta de desenvolver chapas literalmente confeccionadas com matérias-primas vegetais para utilização na construção civil (forros, divisórias e paredes). PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE S-28 219 Projeto: Documentos históricos do judiciário amazonense: diagnóstico de acervo e organização do Arquivo Permanente do Poder Judiciário do Estado do Amazonas (1833-1933) O projeto consiste em promover a organização e a recuperação de documentos datados de 1833 a 1933, que compõem o acervo permanente do Arquivo do Poder Judiciário do Estado do Amazonas. Isto representa realizar um diagnóstico do acervo, comportando etapas e procedimentos característicos da arquivística, ao que se seguirá sua organização física e a elaboração de instrumentos de pesquisa: guia do arquivo, catálogo e inventário. O conjunto dessas operações visa dotar o Arquivo Geral do Poder Judiciário do Estado do Amazonas das condições que permitam o acesso público ao seu acervo e a recuperação segura dos documentos por meio dos recursos de pesquisa a serem desenvolvidos. Previsão de execução de 12 meses. A equipe conta com uma bolsista AT2, dois bolsistas IC e uma voluntária. Projeto: Marchetaria: arte para jovens do interior do Amazonas S-29 O projeto de Marchetaria: Arte para jovens do interior do Amazonas originou-se da constatação de que os fabricantes de móveis comuns do interior do Estado queimam restos de madeira nobre porque não foram educados para transformá-los em objetos de arte. A principal razão para criar a escola de MARCHETARIA foi – e continua sendo – ensinar aos jovens do interior as técnicas para transformar pedaços de madeira em objetos de arte, mudando-lhes, assim, a realidade sociocultural. 220 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL Projeto: Cidadania: inclusão digital, social, educacional e cultural S-30 Nosso município onde situa nossa organização não tem uma sede do Ministério Público, os Conselhos existentes não desempenham bem as suas funções por falta de apoio, não há um Conselho Muni cipal do Idoso, nem um espaço próprio para trabalhar com as crianças, adolescentes e idosos. Os problemas acontecem há todos os instantes, entre eles: crescimento do numero de adolescentes com gravidez precoce, tendo acesso livre às drogas, contaminação de DST devido à sexualidade sem prevenção, entre tantos outros problemas. A regional do Ministério Público fica em uma cidade vizinha, não consegue resolver os problemas, às vezes há punições simples, porem não surte efeito, pois necessitamos de condições físicas e financeiras para investir em ações educativas e preventivas de tais problemas. O que nossa organização percebeu ao longo de seu trabalho, como causa e efeito desses problemas, é que há uma carência por parte principalmente da criança, do adolescente e do idoso, de atividades simples que contribuam para a preparação dos mesmos para a inclusão social, como por exemplo: o trabalho coletivo, o incentivo e aproveitamentos da capacidade de cada um, em oficinas produtivas, de arte, lazer, esporte, cultura entre outros. Projeto: MMMMnnnn mmmmnnn mmmmnnnn S-31 O Amazonas possui 62 municípios, no território estadual, e que em 2014,Manaus será uma das sedes da Copa do Mundo. Para preparação deste momento, pretende – se levar este projeto aos bairros da periferia de Manaus, com o apoio de várias instituições de ensino, pois é visível o grande índice de violência contra a criança e contra o adolescentes nessas áreas de risco. Desta forma o projeto PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 221 levará através da leitura a cidadania, Direito Humanos, às crianças e adolescentes, em um período que compreende o ano de 2012 até o ano de 2014, com a finalidade de prevenção, valorização e garantir os direitos e resgate à cidadania nas comunidades periféricas de Manaus. Pretende-se buscar parcerias com as Universidades,tendo em vista que a Universidade é a grande responsável em proporcionar o espaço voltado para o ensino, pesquisa e extensão, a preocupação em trabalhar temas que atendam os Direitos da Criança e do adolescente em sua totalidade como, direito a uma boa educação, a saúde, ao esporte, ao lazer, cultura e outros direitos, tem sido fortalecido no Núcleo dos Direitos da Criança e do Adolescente do Amazonas. Neste sentido, a promoção e a valorização da criança e do adolescente dentro dos espaços da Universidade, se dará através de ações e boas práticas que já estão preconizadas no ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) e no ODM (Objetivos do Milênio). Desse modo, professores e alunos buscam desenvolver projetos que contemplem os Direitos Humanos especificamente o direito da Criança e do Adolescente. Os trabalhos poderão iniciar nos bairros que atendem as comunidades do Prosamim, proporcionando as crianças e adolescentes à leitura com temáticas ambiental e Direitos Humanos, bem como as crianças e adolescentes que residem no bairro da Glória, em igarapés, sem condições de receber e garantir os direitos à saúde, educação, à cultura, esporte e ao lazer. Certamente este projeto Amigos da biblioteca: promovendo e valorizando a leitura no Amazonas em prol dos Direitos Humanos da Criança e Adolescente, trará a cada dia novas demandas sociais, valorizando e estimulando a leitura no Amazonas numa proposta interdisciplinar, proporcionado a cidadania. Desta forma, a relevância, social e cultural se deu em estimular não somente a criança e o adolescente como também os bibliotecários e servidores a buscar interagir e a utilizar o espaço não–formal, biblioteca, como meio de incentivar, a questionar, a pesquisar, vivenciar na prática as questões ligadas a leitura e ao meio ambiente, proporcionando o desenvolvimento cognitivo.Pois certamente é este público futuramente chegará nos espaços acadêmicos. 222 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL Projeto: Plano e ação de desenvolvimento integrado e sustentável municipal para a Amazônia: formação e intervenção S-32 A realidade brasileira, multicultural possui suas riquezas e vantagens, no entanto, enfrenta problemas complexos, que por uma visão predominantemente fragmentada da realidade, e conseqüente ação também fragmentada, impede de compreender e intervir nesses mesmos problemas com sucesso. Esses problemas acabam resultando no baixo nível de desenvolvimento humano, em muitas regiões brasileiras, foco de nossa “pré-ocupação” e intervenção, buscando possibilidades de sua superação de modo sustentável. O baixo índice de desenvolvimento humano no Brasil, enfraquece as possibilidades de a população modificar o quadro de desigualdade e exclusão social, pois afeta as condições de mobilização e participação capazes de construir a solidariedade entre os cidadãos. Para se alcançar a cidadania é preciso superar esse problema. E para superar esse desafio é preciso um conjunto de políticas integradas de melhor distribuição de rendas, redução da pobreza, busca de padrões de vida mais elevados, aperfeiçoamento das instituições, das práticas democráticas, e ao mesmo tempo, uma Reforma do Estado e uma preocupação com a preservação ambiental. Segundo o relatório do IPEA (1996) esse processo supõe interação entre Estado e iniciativa privada, pluralismo econômico, social e político. O relatório ainda apresenta opções estratégicas que se colocam para o Brasil: no âmbito das políticas sociais, a Educação Básica, qualificação da mão de obra e o combate à pobreza; no âmbito da política econômica, a expansão do emprego, e, no âmbito da política ambiental, o aperfeiçoamento dos instrumentos de gestão. Apesar da importância da Educação, no Brasil, os resultados não tem sido satisfatórios, com alto índice de repetência, evasão e conseqüente defasagem idade-ano escolar. Falta investimento no atendimento aos portadores de deficiências, a educação infantil, particularmente, nas creches (atendimento à criança de 0 a 3 anos), na qualificação e formação profissional, na oferta de ensino médio e superior. Também na oferta de educação de jovens e adultos, que se ofertado com qualidade poderá vir a ser uma boa estratégia para o atendimento aos jovens e adultos em grande defasagem idade-ano escolar. Esses problemas não são da ordem de recursos, e quanto ao PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 223 acesso houve um avanço na sua democratização, no entanto, o mesmo não aconteceu com a permanência do aluno na escola, faltando eficiência e eficácia dos sistemas educacionais, nos diferentes níveis. Já a geração de empregos depende do crescimento sustentado, embora não suficiente para garantir postos de trabalho para todos. É preciso construir políticas de geração de empregos associadas às políticas de ampliação do mercado de trabalho. Com relação ao meio ambiente, é preciso ampliar os mecanismos de gestão ambiental. E nessa realidade e nessa direção que o projeto pretende trilhar. A grande questão social abordada pelo projeto é o desen volvimento humano local sustentado. Para atingi-lo, todas as áreas do desenvolvimento local serão abordados. Embora o foco das ações desse projeto nas suas três etapas sejam os líderes e executores dos serviços prestados à população do município piloto, o objetivo é beneficiar toda população municipal, desde a criança pequena até a melhor idade, como reflexo da ação integrada e sustentável do atendimento a essa população, visando o desenvolvimento humano local e sua sustentabilidade. A escolha por essa questão se deve justamente por pretendermos selecionar um município de baixo desenvolvimento humano local e sustentável, e, através de uma formação em gestão estratégica e sustentável, de um estudo de sua realidade, e do estabelecimento de políticas públicas sociais e econômicas que levem o município ao desenvolvimento desejável, atendendo a uma Educação de qualidade e democrática no acesso e permanência nos diferentes níveis escolares, superando assim, seus problemas; ampliando o mercado de trabalho, e consequentemente a oferta de empregos, descobrindo e explorando sua vocação econômica e seus nichos, e, um compromisso muito sério com a construção de uma cultura e prática de preservação do meio ambiente. Assim, trabalhando com todas as áreas de atendimento e com todos os setores da sociedade envolvidos com esses atendimentos. O impacto dos resultados e o número de pessoas impactadas dependerá do perfil do município piloto a ser selecionado, a partir de fatores tais como: interesse do município em participar do projeto, indicação da instituição financiadora e estar dentro do perfil de baixo índice de desenvolvimento humano local. 224 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL Projeto: Reciclagem de lixo digital: comprometimento social e ambiental S-33 É evidente a importância da tecnologia no mundo de hoje, isso não pode ser ignorado. Porém, nem sempre percebemos as consequências o que essa modernidade tecnológica traz a sociedade e ao meio ambiente. No âmbito social, a tecnologia ao invés de aproximar as pessoas com seus recursos potencializados, é evidenciada no mundo contemporâneo como um abismo entre as sociedades, de um lado aqueles que possuem “certo” poder aquisitivo cultural e econômico, do outro, os que estão à mercê de um mundo tecnológico, onde são meros espectadores. Além disso, percebe-se então que à medida que a tecnologia evolui, a ideia de ter um mundo mais limpo e menos desigual está ficando cada vez mais distante. Em virtude disto, um novo lixo digital se apresenta, tão ou mais tóxico que as peças e engrenagens descartadas pelas máquinas das décadas passadas. O crescimento exponencial da quantidade de aparelhos vendidos - e também descartados - é o que mais preocupa no lixo digital. Por exemplo, o número de computadores pessoais no mundo cresceu cinco vezes de 1988 a 2002. Hoje, são mais de 500 milhões. Mas além deles há 1,14 bilhão de celulares, que não passam de computadores de bolso. O que será feito desses computadores ou celulares quando estes forem obsoletos? No Brasil, o número de aparelhos obsoletos também cresce. A empresa Itautec Philco, uma das principais fabricantes, calcula que sejam descartados 3 milhões de computadores todo ano. Só o que eles contêm de chumbo (um metal pesado) em soldas, baterias e circuitos integrados é o equivalente a 1.900 toneladas (Lixo Digital, 2011). A organização não governamental Greenpeace estima de 20 a 50 milhões de toneladas de lixo eletrônico são gerados no mundo a cada ano. Ainda de acordo com a ONG, o chamado e-lixo (e-waste, em inglês) respondem hoje por 5% de todo o lixo sólido do mundo, quantia similar às das embalagens plásticas. Com a diferença de que, quando descartados de maneira inadequada, os eletrônicos podem ser mais nocivos (Projeto Reciclagem Digital, 2011). Alguns equipamentos eletrônicos contêm centenas de diferentes materiais, incluindo metais PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 225 pesados, como mercúrio, cádmio e chumbo, que podem poluir o ambiente e prejudicar a saúde das pessoas. Paralelamente a esse contexto informatizado, existem milhares de pessoas espalhadas pelo Brasil que podem ser considerados analfabetos digitais, mas especificamente no município de Itacoatiara, que ainda se encontram em um nível de analfabetismo ou semianalfabetismo digital desse universo tecnológico. Visando colaborar com a inclusão sócio-digital e contribuir com a diminuição do lixo digital, criou-se o projeto Reciclagem de Lixo Digital: Comprometimento Social e Ambiental para recolher computadores antigos e que estão inoperantes nas instituições públicas e privadas nas cidades de Manaus e Itacoatiara, a fim de montar computadores para que pessoas da comunidade possam utilizá-los. Para isso, é importante fazer uma triagem daquilo que ainda funciona, além de separar os diferentes tipos de cabos, plásticos e metais, entre outros elementos, os quais deverão ser destinados para empresas que trabalhem com a reciclagem destes materiais, além de boa parte ser usada na confecção de artefatos artesanais, evitando, portanto que estes sejam depositados em via pública. Projeto: Requalificação Urbana e Ambiental na Área Habitacional da Zona Portuária Baixada do Ambrósio, Santana, AP S-34 O projeto propõe adoção de um novo padrão arquitetônico e de serviços básicos, principalmente, saneamento para áreas palafíticas situadas em áreas urbanas na Amazônia. Manter a maioria dos moradores na Baixada do Ambrósio com qualidade de vida ao invés de movê-los para outro local é base do projeto contratado e aprovado, em 2006, pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), mas nunca construído. O BID pretende aplicar os resultados deste projeto em outras áreas semelhantes na Amazônia. O projeto define que a maior parte das habitações palafíticas da Baixada do Ambrósio não serão removidas, será instalado no local 226 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL um sistema de saneamento básico inovador, a drenagem natural do terreno será recuperada e preservada. Do total de 783 unidades habitacionais existentes, 170 serão removidas para permitir a construção de passarelas e decks comu nitários. Serão construídas 304 novas unidades habitacionais em quatro modelos diferentes: com quatro, duas e uma habitações familiares e, com isso, somente 21% das habitações precisarão ser relocadas. O projeto visa integrar a área com a cidade de Santana, integrar à dinâmica portuária e com o Projeto de Revitalização do Setor ComercialPortuário de Santana e desenhar equipamentos e espaços urbanos, vias ou passarelas. Os estudos optaram por buscar soluções simples mesmo diante de uma realidade bastante complexa. Foram projetadas unidades habitacionais, respeitando os aspectos arquitetônicos regionais, para módulos habitacionais unifamiliares, para duas e quatro unidades habitacionais e um módulo misto para duas unidades habitacionais e um comércio A maioria das casas receberá uma “edícula sanitária”, uma construção anexa a casa e composta por banheiro, jirau/lixeira e tanque de lavar roupa. Nos locais onde não há espaço para sua construção, as casas receberão banheiros internos. Os aspectos inovadores do projeto são vários: (i) a construção de habitações mistas (madeira e alvenaria) em obras públicas; (ii) o entendimento que o projeto de saneamento básico iniciar com a construção de instalações sanitárias dentro das casas; (iii) a concepção da edícula sanitária; (iv) o desenho de uma rede de esgoto ancorada ao solo para que a mesma não flutue no solo alagado; (v) a manutenção do jirau, importante acessório das casas palafítica, mas que terá uma caixa de gordura que, por sua vez, será conectada ao sistema de esgoto; (vi) o estudo de drenagem que permite manter a passagem da maré por baixo das casas. S-35 Projeto: Visage Amazônica: escola técnica de formação e cooperativa de produção artística para grupos sociais em situação de vulnerabilidade e exclusão social na Amazônia Acreditanto que um dos principais fatores de transformação social para a Amazônia é o resgate da nossa identidade, da nossa auto- PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 227 estima coletiva, das nossas experiências ancestrais de compreensão da vida, da capacidade do nosso povo de se amar, de se orgulhar de suas tradições, de querer perpetuar seus melhores valores, o projeto tem como meta a criação de uma escola técnica de formação e cooperativa de produção artística de excelência para grupos sociais em situação de vulnerabilidade e exclusão social na Amazônia, oportunizando visibilidade nacional e internacional para suas produções culturais. VISAGE é um termo regional que designa aparição fantasmagórica, mas que tem outro sentido em inglês e em francês, como rosto, face, aparência. O projeto se organizará em diferentes fases para atingir sua meta: inicialmente construindo um curriculum de formação artística através de oficinas para atuar paralelamente às escolas públicas de Manaus e a entidades que já trabalham com pessoas em vulnerabilidade social, forjando uma equipe multidisciplinar para investir nos talentos detectados e para construir vínculos nacionais e internacionais que possiblitem a projeção desses talentos. Paralelamente, vamos organizar uma OSCIP para poder, em até 10 anos, construir uma escola técnica nos moldes da atual Fundação Nokia, com bolsa integral e envolvimento de famílias dos talentos selecionados, com cursos em Artes Plásticas (pintura, escultura, fotografia) e Digitais, Teatro, Cinema Digital, Música, Dança e Literatura; e que também sirva como base de uma cooperativa e centro cultural para promoção, exibição e treinamento de artistas. S-36 Projeto: Aproveitamento tecnológico do couro de jacaré açú (Melanosuchos nigger) procedente de unidades de Manejo Sustentável do Estado do Amazonas: Processo de Curtimento industrial No início da década de 70, o Jacaré Açu foi vítima de caça implacável por parte dos denominados coureiros – caçadores clandestinos que só aproveitavam o couro do bicho. Leis restritivas e protetoras por parte do Ibama, bem como uma contagem muito esparsa e de pouca acuidade da quantidade de indivíduos da espécie, tiveram como efeito uma quase explosão demográfica que, além de desequilibrar as espécies das quais se alimentam, ainda os fazem atacar e colocar em risco as populações locais. As Leis de proteção e restrição foram também iguais para o País inteiro, e não apenas para os lugares em que o Jacaré, a continuar a caça predatória, estaria em risco de extinção 228 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL No Amazonas, desde os anos quarenta, o Curtume Crocodilo, depois Curtume Canadense, iniciou o curtimento de peles de répteis para exportação. Após a proibição da captura de jacarés pelo então IBDF, hoje Ibama, o curtume procurou alternativas como a pele de peixe, porém devido à falta de demanda, as atividades desse curtume restringiram-se ao curtimento da pele de gado. Hoje todos os curtumes amazonenses estão desativados, com exceção do curtume Peles do Norte, que trabalha com peles de dourada, tubarão, jacaré, pirarara, surubim e pescada marinha, cujo pessoal foi treinado pelos pesquisadores nas dependências dos laboratórios do INPA onde participa diretamente senhor José Jorge Rebello que a partir de 1994, passou a trabalhar na pesquisa e que trouxe sua experiência de mais de 40 anos de trabalho no curtimento de peles de bovinos e de animais silvestres na indústria coureira de Manaus, para o projeto do Couro de Peixe. Desde novembro de 2004 a secretária de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável_ SDS em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia -INPA tem investido no Projeto de Manejo do Jacaré, em Mamirauá com aplicação de ações visando o aproveitamento da pele de jacaré uma vez que os pesquisadores detêm a tecnologia de curtimento do couro e onde se fazem estudos visando a aplicação destas e de novas tecnologias para o aproveitamento da cadeia produtiva completa em relação aos subprodutos do réptil, considerado de grande potencialidade. O Projeto de Governo de Manejo do Jacaré estabelecido na RDS (Reserva de Desenvolvimento Sustentável) de Mamirauá, situada a 534 quilômetros de Manaus, tem como objetivo aproveitar o potencial de comercialização da carne e dos subprodutos do réptil e que conta com o interesse de parceiros comerciais. O mercado de pele de jacaré está avaliado em cerca de 200 milhões de dólares anuais e a produção de carne chega a 20 mil quilos por ano. A carne e o couro do jacaré representam lucros elevados. Hoje é possível ter avaliações científicas para estimar quanto a Amazônia pode render, num futuro visível, se for feito o chamado aproveitamento racional, que busca tirar riquezas preservando o Ecossistema. As peles obtidas devem ser comercializadas tanto no mercado interno quanto externo uma vez que existe demanda para a comercialização e valor agregado é o não falta à pele do réptil, sendo considerada de primeira qualidade pela industria coureira e o produto PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 229 resultante atenderá outros mercados interessados no couro. A exemplo, se um calçado de cromo alemão é cotado a R$ 800,00 em média, um dos mais caros quando o assunto é couro de boi, o mesmo não sairia por menos de R$ 2.700,00, se fosse confeccionado com o couro de jacaré. Estudos estão sendo feitos ns laboratórios do INPA onde os pesquisadores fazem estudos visando a criação de tecnologias para criação e aproveitamento da cadeia produtiva completa em relação aos subprodutos do réptil, considerado de grande potencialidade. Sendo assim, o principal objetivo do projeto é utilização dos conhecimentos científicos e tecnológicos para fazer uso de manejo sustentável, que equilibre a interação ecológica, preserve o Meio Ambiente, gere empregos e renda para a população local e conseqüentemente para o Município, Estado e País. Tirando proveito do que a natureza pode fornecer, de forma equilibrada e racional, sem agressão nem destruição do Ecossistema. Projeto: “Creche-Escola Sustentável, no Assentamento Abril Vermelho, em Santa Bárbara do Pará: uma construção no campo” S-37 Este projeto social tem por objetivo implantar uma creche-escola sustentável no Assentamento da Reforma Agrária denominado Abril Vermelho, localizado no Município de Santa Bárbara, Estado do Pará. A iniciativa de elaborar o presente projeto surgiu da identificação junto aos assentados do principal problema social atualmente enfrentado por eles, que é o mais grave comparativamente a outros problemas como precariedade das estradas, dificuldade de acesso a postos de saúde, falta de saneamento básico, dentre outros. Feito um diagnóstico da situação atual, com a identificação das causas e consequências decorrentes desse problema, este projeto foi elaborado de forma participativa, contando com o apoio de uma equipe multidiscliplinar como economistas, pedagoga e assistente social ligadas aos seguintes órgãos: Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), Incubadora da Universidade Federal do Pará, Agência de Defesa do Pará (ADEPARÁ), Secretaria de Estado de Justiça e Direitos Humanos (SEJUDH) e Conselho Regional de Economia do Estado do Pará (CORECON-PA). 230 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL As dificuldades das crianças e adolescentes de acesso às escolas localizadas fora do assentamento, especificamente, no Município de Santa Bárbara, exigindo sacrifício de acordar às 04h da madrugada e chegar, muitas vezes, às 17h00 no assentamento, associado ao fato da proposta pedagógica das escolas urbanas estar dissociada da realidade vivenciada num assentamento de reforma agrária, constituem fatores que transformam esse problema numa demanda social efetiva por parte dos assentados, exigindo medidas urgentes por parte das autoridades governamentais. Este projeto foi elaborado de forma articulada com diversas instituições do Governo, em especial, a Prefeitura Municipal de Santa Bárbara, que será responsável pela manutenção da crecheescola sustentável, além da participação de representantes de várias instituições, conforme citado anteriormente, que mobilizaram esforços para a elaboração deste projeto, que visa resolver esse grave problema social vivenciado por 370 famílias, correspondente a 1.000 pessoas. A creche-escola beneficiará diretamente, 440 pessoas, entre crianças, jovens e adultos, que terão acesso a uma educação de qualidade e a ensinos técnicos profissionalizantes, capazes de, em médio e longo prazos, promover profundas transformações econômicas, sociais e ambientais no Assentamento Abril Vermelho. Para a implantação deste projeto será necessário o montante de R$ 400.854,00, sendo que o Índice de Custo-Eficiência calculado foi de R$ 911,03 por beneficiário direto. Ressalta-se que este valor corresponde a apenas 25% do custo per capita do Governo no sistema penitenciário (R$ 1.600,00/detento), justificando, dessa forma, a relevância desta proposta, em função de sua viabilidade econômica, social e ambiental, associado ao fato de que o acesso à educação constitui prioridade do Governo Federal, no âmbito do Programa Brasil Sem Miséria. Projeto: MMMnnnn mmmmnnnn mmmnnnn S-38 Em 2009 iniciou-se na UFT/Araguaína, a coleta de dados do projeto de pesquisa Mapeamento da Inclusão em Araguaína, com o escopo de verificar aspectos da vida das pessoas na faixa etária de 50 anos e mais, na cidade de Araguaína, Estado do Tocantins. Os dados mostraram uma população de mais de 3(três) mil pessoas nessa faixa PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 231 etária. A maioria relatou sentimento de abandono pela sociedade, pela família, falta de lazer, dentre outras. Esse grupo, a priori, fragilizado pela exclusão social, saiu da opacidade e passou a reivindicar do Poder Público a sua parcela de atenção. Ofereceu-se um projeto de extensão visando bem-estar e oportunidade de convivência com coetâneos. No entanto, ao se analisar as cartas de intenção escritas pelos alunos no pré-ingresso ao projeto de extensão, verificou-se que muitos referiram o desejo de estudar e não apenas participar de um projeto de entretenimento para idoso. Esses manifestaram vontade de aprender línguas, posturas, cultura, contribuir com a sociedade e a família dentre outras ambições educacionais comumente vistas nos jovens. Para atender a demanda, criou-se a Unienva. Desde então, busca-se a Pedagogia suficiente para satisfazer as necessidades desse público ciente da oportunidade recebida numa região historicamente esquecida pelo Poder Público. O projeto construiu uma metodologia de trabalho em constante aprimoramento. Aos alunos idosos a metodologia da Unienva favorece a aprendizagem lúdica. Também focaliza a responsabilidade do aluno em gerir o seu próprio processo de aprendizagem e empreender o papel multiplicador no meio social. A metodologia permite ao docente o pensamento crítico a respeito do fazer pedagógico. Aliando o cuidado à missão de conduzir ao processo de ensino-aprendizagem, a Pedagogia do Envelhecimento inscreve-se como novo ramo das Ciências da Educação e em uma nova linha de ensino e pesquisa Educacional Especial, da qual cerca de 13,8% da população brasileira fará parte até o ano 2025. A Unienva propõe uma educação continuada, oferecida às pessoas com idade igual ou superior a 50 anos, no sentido de possibilitar atualização cultural dos participantes na área de Geriatria, Gerontologia, Direitos, Políticas Sociais e Meio Ambiente, valorizando a magnitude do conhecimento e a ampliação teórico-metodológica multidisciplinar a respeito do envelhecimento no Estado do Tocantins e na região Norte. Em decorrência disso, observa-se a busca incessante das pessoas pós 50 anos, pelo ingresso na Unienva, em reconhecimento as propostas elencadas na estruturação do projeto, emergidas em resposta à compreensão e divulgação dos atuais participantes, a respeito da educação para idosos e do fenômeno do envelhecimento. 232 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL Projeto: Projeto Japiim de Responsabilidade Social S-39 Inserção social e consciência de cidadania são algumas das práticas adotadas no Projeto Japiim, desenvolvido pelo Grupo Alubar junto às mães de crianças atendidas pela Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), de Barcarena. O projeto se transformou numa fonte de renda para essas mulheres, que recebem oficinas de corte e costura, materiais e infraestrutura para produzir uniformes das áreas operacional e administrativa do Grupo Alubar e terceirizadas da empresa. O valor arrecadado é revertido de forma igualitária entre as participantes. O Projeto Japiim iniciou atividades em 2006, após uma minuciosa pesquisa feita pelo setor de Relacionamento Comunitário do Grupo Alubar. As mães que integram o projeto recebem aulas de corte e costura, orientadas por pessoas da própria comunidade, e a Alubar promove treinamento profissional, em segurança no lar e combate a incêndio. Projeto: “Feras do Garcitylzo de Futebol” S-40 Projeto gratuito onde serão atendidas cerca de 100 crianças e adolescentes entre 10 a 14 anos, com a formação de 01 equipe de 23 atletas para disputa dos jogos do Distrito 03 da Seduc (AM), Jeas (AM) e Copa Coca Cola Etapa Regional. As crianças e adolescentes beneficiadas pelo Projeto, receberam os mais diversos tipos de orientação, desde aulas de futebol de campo, além do acompanhamento de cada uma dentro da rede escolar, regularmente matriculadas na escola. PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 233 A faixa etária escolhida está dentro da fase em que essas pessoas são formadas e os modelos de vida nessa fase passam a ser a referência para o resto de suas vidas. Será escolhido um técnico (professor de educação física), auxiliar técnico (estagiário) e um preparador físico (professor de educação física), para avaliar a necessidade de cada integrante do projeto. Dentro da própria escola, o aluno poderá se destacar através do esporte sua vida educacional quanto a formação intelectual. Projeto: Pós-Carreira: um estudo na Embrapa Acre S-41 O conceito de crescimento econômico e desenvolvimento vêm sendo discutidos em destaque a partir da década de 1960 como associados, porém, divergentes em termos de sustentabilidade. O termo sustentabilidade está presente nas diversas áreas do conhecimento como administração, economia, sociologia, direito entre outros e faz parte do dia-a-dia das pessoas, no entanto, como conceito sistêmico, foi um termo usado pela primeira vez em 1987 na Noruega por Gro Broundtland quando da sua atuação como presidente da Comissão das Nações Unidas e da publicação do livro Nosso Futuro Comum onde relaciona meio ambiente com progresso. Em essência, o conceito de desenvolvimento sustentável é fazer uso dos recursos naturais suprindo as necessidades do presente sem comprometer as gerações futuras sendo que a proposta não é apenas de preservação, porém, não esgotar os recursos naturais para que as gerações futuras usufruam destes de modo a atender suas necessidades. Parte-se do pressuposto de que sustentabilidade, não descarta a idéia de crescimento econômico, social, ecológico, político que pode ser aplicado a um país, a uma família ou a qualquer empreendimento humano. Para Dally (2005) não dá mais para fingir que se vive em um ecossistema ilimitado onde se faz necessário desenvolver novas maneiras de pensar economicamente como uma biosfera finita. “Quanto mais perto a economia se aproxima da escala da Terra, mais 234 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL ela terá que se conformar ao modo de comportamento físico da Terra. Vinha (2008, p. 3). Para o autor o modelo de comportamento é de um comportamento estável que implica numa mudança de foco na política econômica, social e nas equações contábeis. Em um contexto de mudança quanto a formas de pensar, despertar a capacidade humana em expandir a liberdade de escolhas é entender como posição de agente e beneficiário atuante em processo de desenvolvimento pessoal e local em detrimento da capacidade de escolhas. A capacidade das pessoas e as escolhas que cada um possa ter são infinitas, mesmo, variando conforme o tipo de vida que escolham viver, no entanto, a capacidade de escolhas infinitas podem não estar tão presentes na vida de um profissional próximo a aposentadoria o que instiga ainda no ambiente das organizações uma maior sensibilidade para ações voltadas para este fim. É preciso buscar outras formas de enxergar a Aposentadoria como possibilidades de crescimento, recomeço. A responsabilidade por esta mudança de mentalidade, metanóia, não é deve ser apenas atribuída ao profissional em fase de aposentadoria mais às empresas sejam Públicas, Privadas, Sem Fim Lucrativo, Escolas, Universidades ambientes entre outros, que propiciam o compartilhamento de interes ses comuns, senso crítico, crescimento que atendam preceitos sociais sustentáveis. Apoiar o empregado em um período que antecede a aposentadoria como proposta de uma pós carreira é uma forma de instigar, incentivar pessoas a refletirem sobre o seu futuro com entusiasmo, com alter nativas viáveis de continuidade profissional agregando valor a pessoas em seu entorno. A proposta de um programa pós carreira como contribuição de desenvolvimento pessoal e social tem como finalidade refletir no âmbito das empresas quanto: o que pensa o empregado em relação ao seu futuro como aposentado? O que representa para as empresas o vínculo profissional de determinado empregado em detrimento de sua experiência profissional e a herança dos serviços prestados para a empresa? Qual a sua contribuição em nível local? Como será o dia seguinte? A literatura sobre o tema aposentadoria apresenta dados importantes, oportunos e preocupantes no tocante a aferir que, em média, após dois anos de aposentado essas pessoas morrem e as causas podem estar associado a ausência do convívio social, não se sentirem produtivas, o valor do benefício e ausência de uma atividade PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 235 não suprem financeiramente suas responsabilidades para com a família, entre outros. O ingresso de um trabalhador em uma empresa é a oportunidade de desenvolver suas habilidades, competências para as atividades na construção de seus objetivos, fatores importantes para sua condição humana na realização da vida pessoal e profissional. O sentimento de se sentir importante, útil, reconhecido, motiva as pessoas a serem produtivas. Nessa fase, o tempo, comumente denominado experiência que se adquire cronologicamente, é visto como aprendizagem, realização, perspectiva de crescimento para o empregado. É possível que para muitos trabalhadores a falta de perspectivas frente a aposentadoria possa representar uma brusca descontinuidade da relação trabalho e vida social. É comum associar aposentadoria a velhice, a doenças, ao sentimento das pessoas de não se sentirem mais importantes pela ausência de significados com processos produtivos em um contexto social. Para Zanelli, Silva e Soares (2010) a existência de uma pessoa influencia o contexto social que ao longo do tempo é enraizada de significados construídos na busca de conhecimento de si mesmo e na forma como as pessoas captam estímulos e interpretam significados através de uma identidade socialmente construída. A formação da identidade socialmente construída resulta da herança do que as pessoas pensam, organizam, planejam quanto a um ambiente mais propício, ameno, favorável à realização de objetivos pessoais. A valorização dos desejos das pessoas em se sentirem responsáveis e controlarem seu próprio destino, acreditando em suas capacidades infinitas, podem ser relevantes e duradouras, porém precisam ser continuamente estimuladas, transformadas. No entendimento de Rousseau (1998) apud Meyer, Becker e Dick (2006) a identidade social é a base de interesses dependentes de uma estrutura internalizada e sugestões de características coletivas à partir do autoconceito de alguém e conceito de si que pode ter implicações a longo prazo quando estas sugestões situacionais passam a ser relevantes e duradouras. Para Skinner (1974, p. 28) “o mundo exterior é interiorizado, não como uma reprodução fotográfica ou fonográfica mas por um processo que transforma [...]” . 236 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL Essa transformação estaria relacionada ao autoconhecimento, estágio em que o indivíduo se encontra em melhor posição para prever e controlar seu próprio comportamento e para tanto é necessário saber a razão de algo a que se propõe para que a informação recebida estimule uma resposta. Nesse contexto busca-se responder o seguinte questionamento: um estudo nas organizações visando orientar empregados para a aposentadoria na perspectiva de um pós carreira estimularia um comportamento evidenciando potencialidades socialmente sustentáveis? Acredita-se que respostas a indagações dessa natureza possam sinalizar quanto a aspectos importantes a desenvolvimento e construção de uma identidade socialmente sustentável. A preocupação das empresas em orientar seus empregados a refletirem o significado de uma aposentadoria sob uma nova mentalidade, o pós carreira acredita-se ser importante, relevante, necessária para o desenvolvimento pessoal e local. Projeto: Ensino e aprendizagem no cemitério de São João Batista S-42 A proposta de trabalho apresentada tem o objetivo de evidenciar aspectos materiais e imateriais encontrados na pesquisa empreendida no Cemitério de São João Batista Manaus, AM para o mestrado da Faculdade de Educação da UFAM, ( 2009) . Objetiva-se que o presente estudo sirva de suporte a educação no que se refere a estudos da cidade de Manaus pois evidencia aspectos histórico-geográficos, artísticos, representação simbólicas, encontrados neste sitio, e, tam bém para balizar ações das esferas municipal e estadual que resultem em práticas concretas para a manutenção deste sitio de memória individual e coletiva localizado num bairro central da cidade de Manaus, sendo plausível ações que envolvam e, que incentivem o turismo guiado por dentre as quadras do Cemitério de São João Batista entre outras ações conservacionistas. PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 237 Projeto: Em defesa da Amazônia e do interesse social S-43 O lar deveria sempre ser o lugar de bem-estar físico , sinônimo de paz, tranquilidade, segurança e conforto. Mas, essas qualidades se tornam quase impossiveis em se tratando de assentamentos rurais que surgem ao longo dos cursos d’água, a exemplo das primeiras cidades conhecidas que apareceram na Mesopotâmia, tais como Ur, ao longo do Rio Nilo, e na China, ao longo do Rio Amarelo, entre aproximadamente sete a cinco mil anos atrás, geralmente, resultantes de pequenos vilarejos. A preferência por esta localização se dá geralmente pela praticidade, já que associadas a grandes rios encontramos terras férteis para a produção necessária de alimentos complementares à caça, à pesca e algum extrativismo vegetal, além do transporte, tendo o Rio como elemento unificador destes assentamentos. Juntando as preocupações ambientais e de segurança da Amazônia e dos próprios ribeirinhos que habitam as mais adversas áreas, a necessidade de fixar este mesmo homem que, com sua sabedoria, experiência de vida própria e a herança de seus antepassados que viveram nas mesmas condições, nos levou a elaborar uma proposta envolvendo a implantação nestes assentamentos de uma pousada sustentável e com toda segurança, oferecendo descanso, lazer e um porto seguro para os viajantes, servindo também como local para turismo. Dada a sua localização, a única maneira de impor segurança seria através da criação de postos de polícia militar. A ampliação da presença militar ou o fortalecimento das mesmas, irá também desestimular irregularidades provenientes da cobiça de invasores, tais como a especulação imobiliária e a biopirataria, não esquecendo que Manaus teve sua origem na função militar. A exemplo da arquitetura e cultura local, o complexo seria composto por cabanas palafitas protegidas das maiores enchentes, assim como cabanas mais escondidas na floresta. Um mirante deverá ser incluído. Restaurante e uma área polivalente que poderá servir como mini-auditório com capacidade para 70 pessoas, proporcionando emprego e renda e uma melhor qualidade de vida aos moradores locais. Em geral, são famílias de pequenos produtores, carentes de recursos 238 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL tecnológicos e financeiros. Trabalham com macaxeira, para a produção de farinha, tucupi e goma, caça, pesca, marcenaria, artesanato e roça. Como forma de diminuir a carência de profissionais, principal mente na área de educação (incluindo educação ambiental) e saúde, uma vila ecológica com 8 casas, a exemplo da que foi criada na reserva florestal Adolpho Ducke, faria parte do complexo para abrigar temporariamente estes profissionais e estagiários destas áreas. Para isso, um convênio com universidades deveria ser firmado. Seria uma forma de ganhar maior experiência prática para os futuros profissionais. A vila da Reserva Ducke é um protótipo de construção sustentável não-convencional, incluindo o bambu como material de construção das paredes e que está atendendo às necessidades de alojamento da comunidade científica que necessita de abrigo temporário. Possui coleta e aproveitamento da água das chuvas e estação de tratamento ecológico de esgoto. Necessitamos de providências urgentes no campo econômico e social destas regiões. Somente a geração de postos de trabalho e uma segurança impecável poderá melhorar as condições de vida e criará uma esperança de futuro para os jovens dessa região, onde a sobrevivência é sempre um ato de heroísmo e aventura. Trata-se de um trabalho de “formiguinha”, aparelhando as comunidades com reforço às iniciativas governamentais do Programa Luz para Todos e do Bolsa Verde. Projeto: Cogumelos comestíveis de ocorrência na Amazônia como alternativa alimentar e melhoria da qualidade de vida S-44 Fungos comestíveis são importantes fontes de proteína e alimentos apreciados. Nos últimos anos tem aumentado a produção de cogumelos no mundo, porém, apenas algumas espécies têm sido cultivadas (Stamets, 1993). Muitos cogumelos silvestres que ainda não são cultivados comercialmente têm uma grande importância etnomicológica como alimento e devem ter o seu potencial avaliado. Entre as muitas espécies de fungos comestíveis de ocorrência no Estado do Amazonas estão o Pleurotus ostreatus, Lentinus strigosus e o Polyporus arcularius (Sales-Campos, 2008). A implantação do PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 239 cultivo de cogumelos em qualquer região do país é de fundamental importância, por se tratar de cultivos que não exigem mão-de-obra abundante, melhoram as condições ambientais, além disso, também é uma alternativa rápida de obtenção de alimentos de qualidade nutricional elevada (Andrade et al., 2008). A produção de cogumelos comestíveis é desenvolvida em diferentes países com a utilização de diversos substratos de origem florestal e resíduos agroindustriais disponíveis localmente (VargasIsla; Ishikawa, 2008). No Brasil, o resíduo florestal mais utilizado tem sido o Eucalyptus sp. No entanto, devido à baixa disponibilidade desta arbórea na Região Amazônica, é necessário avaliar a utilização de insumos regionais e sua viabilidade econômica para a produção de cogumelos comestíveis (Sales-Campos e Andrade, 2011; SalesCampos et al., 2010). Com a grande exploração de madeira na Amazônia, são necessárias medidas com relação ao aproveitamento de seus resíduos, gerados pelo processamento inadequado da indústria. O potencial de uso dessa enorme quantidade de resíduos vem sendo subestimado pela indústria madeireira regional (Barbosa et al., 2001). Com a utilização de resíduos alternativos locais pretende-se apresentar outras opções de substratos a utilização no cultivo de cogumelos no Estado do Amazonas e diminuir os impactos ambientais ocasionados pelo seu descarte na natureza. Assim, este estudo terá como meta testar a potencialidade de uso de resíduos madeireiros regionais da Amazônia visando à aplicação de cunho econômico na produção de cogumelos comestíveis e uso como suplemento de fonte de proteína da população. S-45 Projeto: O mapeamento da cadeia produtiva dos empreendimentos da economia solidária em Boa Vista incubados pela Itcpes/UFRR com base na utilização do insumo-produto O projeto intitulado O Mapeamento da Cadeia Produtiva dos Empreendimentos da Economia Solidária em Boa Vista Incubados pela ITCPES/UFRR com Base na Utilização do Insumo Produto tem como objetivo geral identificar os principais agentes econômicos que 240 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL constituem os fornecedores e os compradores dos produtos e serviços dos empreendimentos da Economia Solidária de Boa Vista, Estado de Roraima, incubados pela Incubadora de Tecnológica de Cooperativas Populares e de Empreendimentos Solidários, Itcpes, da Universidade Federal de Roraima, UFRR, Campus do Paricarana em Boa Vista. Projeto: Jovem Aprendinz, Fututo CEO S-46 Este projeto proporcionará aos jovens em idade escolar, conhecimento na área empresarial, por meio de palestras e treinamento. O tema a ser tratado será: 1° Emprego, o que devo fazer? Abordando o Emprego X Empregabilidade. Projeto: Projeto Hidrologia e Educação na Amazônia (Hieda): a hidrologia como ferramenta na melhoria do acesso à educação em áreas ribeirinhas na Amazônia S-47 Os rios são vias de acesso a diferentes recursos na Amazônia. Não só aos recursos naturais, mas também a um conjunto de serviços proporcionados pelas políticas públicas do Estado, o que inclui a educação. Assim, os rios na Amazônia são também úteis como meio para o transporte dos alunos até as escolas, em especial nas áreas ribeirinhas. No entanto, a variação do pulso de inundação (Junk, 1989), em muitos rios e localidades da região compromete o acesso dos alunos às escolas ribeirinhas. Tanto na seca (águas baixas), quanto na cheia (águas altas), a variabilidade do nível das águas dos rios pode gerar momentos durante o ano que impedem o acesso dos alunos às escolas fora do período das férias escolares o que gera um alto índice de absenteísmo, além de uma redução significativa do tempo em sala de aula e de dias letivos no ano. Esse fato pode chegar a níveis abaixo do recomendado pelo Ministério da Educação indo de encontro ao que PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 241 proclama a Lei 9394/96 (Leis de Diretrizes e Bases da Educação), no que se refere à igualdade de condições para acesso e permanência na Escola. Nas áreas ribeirinhas da Amazônia, os alunos são transportados para as escolas com o uso de lanchas rápidas, conhecidas regionalmente como “voadeiras”. Em período de cheia muitas escolas ficam inundadas ou são invadidas por animais peçonhentos trazidos pelas águas com perigo para as crianças. Da mesma maneira, no período das secas as escolas ficam isoladas. O caminho é muitas vezes feito a pé ou arrastando as “voadeiras” e mais uma vez as crianças ficam expostas aos perigos de acidentes tanto com as lanchas, como com os animais. O calendário escolar da Região Amazônica e em especial das escolas ribeirinhas não se encontra devidamente adaptado às variações do pulso de inundação. Algumas tentativas têm sido feitas, porém de modo empírico, sem levar em conta os dados hidrológicos. A Agência Nacional de Águas (ANA) tem em seu banco de dados hidrológicos, séries de dados que permitem uma avaliação concreta dos regimes hidrológicos da Bacia Amazônica e identificar os períodos mais críticos para diversas atividades hidro-dependentes (Brasil, 2006), como a da presente proposta. Essas informações hidrológicas permitem levar em conta de forma regionalizada esse fenômeno natural. Seja nos períodos de cheia, onde muitas escolas são invadidas pelas águas, ou nos períodos de seca onde as escolas ficam isoladas. Como a Amazônia apresenta um regime hidrológico diferenciado, onde há uma quase oposição de fase entre os regimes do Norte e do Sul da Bacia (Filizola et al., 2002, 2009), se pode pensar em um calendário escolar diferenciado segundo esses regimes. Os tributários dos grandes rios, em face do efeito de barramento hidráulico (Meade et al., 1991), seguem o comportamento dos respectivos cursos princi pais de cada bacia, o que permite um certo grau de regionalização. Este fenômeno e outros associados ao regime hidrológico da região constituem importante fator para a vida do ribeirinho, o que já motivou importantes escritos a respeito (Tocantins, 2000). A presente proposta buscará fazer uso de técnicas estatísticas, incluindo a análise de séries temporais, correlações e regressões lineares, além do uso de imagens de satélite (determinação de áreas inundadas temporariamente e permanentemente) para definir melhor as áreas atingidas em períodos de cheia/seca e mapeamento de rotas com GPS e o uso da cartografia digital com uso de Sistemas de Informações Geográficas (SIG). Assim, com base no acima colocado se pretende atingir os objetivos destacados no item 3 a seguir. 242 S-48 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL Projeto: Uso da tecnologica do pescado na capacitação do piscicultor familiar na Amazonia atraves do repasse de técnicas reaplicáveis para geração renda e melhoria das condições de vida e o seu desenvolvimento social O brasileiro consome 6,8 kg/ano de peixe, enquanto a média mundial gira em torno de 16 kg/pessoa/ano e a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda como ideal 12 kg/pessoa/ano. A tendência mundial de busca de alimento mais saudável reforça a previsão de que há espaço para o crescimento do consumo, tanto no mercado interno quanto externo, indicando aumento da demanda por peixe nas próximas décadas. Na Região Amazônica a maior importância do peixe está relacionada, sem dúvida, à alimentação humana e o amazonense tem no pescado sua principal fonte alimentar, consumindo em média 60 kg de peixe por ano, o que representa mais de dez vezes o consumo médio nacional per capita/ano. Assim como em todo o Brasil os amazonidas desde o inicio da década de 80 começavam a perceber que os peixes poderiam ser produzidos em cativeiro, sob condições controladas e planejadas, diferentemente da tradicional pesca extrativista. A perspectiva de aumentar o consumo de um alimento nobre passou a fazer parte do dia a dia da população e o setor produtivo percebeu uma excelente alternativa de negócio. Apesar de lentas, algumas mudanças significativas ocorreram nas últimas duas décadas na área da piscicultura, sendo possível prever para os próximos anos excelentes oportunidades de negócios. O setor produtivo deve se organizar e orientar as políticas públicas de acordo com as suas necessidades para um crescimento sustentável. A perspectiva é de atração crescente de novos investimentos à medida que a cadeia produtiva da piscicultura melhore seu nível de estruturação. Varias ações governamentais pontuais tem sido tomadas e várias indústrias de processamento de peixes cultivados foram construídas nos últimos dez anos. Porém, observou-se que a solução para o crescimento sustentável dessa atividade é mais complexa que a simples construção de processadoras de peixes. PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 243 O processamento do pescado mostrou-se como a forma mais óbvia para a continuidade do crescimento da atividade, porém trouxe a necessidade de um sistema de produção mais criterioso em termos qualitativos e com taxas de lucro mais conservadoras. Apesar das boas perspectivas de novos investimentos na piscicultura brasileira, seguem informações sobre alguns entraves que precisam ser minimizados nos próximos anos. Destacamos a dificuldade da falta de capacitação técnica dos produtores. No âmbito da capacitação técnica, temos, de um lado, um universo imenso de mão de obra familiar e produtores pouco ou nada qualificados e um serviço público de extensão rural sucateado. De outro, um grande contingente de profissionais bem qualificados saindo das universidades e de cursos profissionalizantes, ávidos por uma oportunidade para mostrar suas capacidades. Estabelecer políticas públicas voltadas à integração desses dois universos é um dos caminhos mais promissores para o desenvolvimento da atividade. Neste contesto a capacitação de piscicultores familiar na Região Amazônica pode proporcionar o acesso ao conhecimento técnico e de gestão, para que possam participar da atividade econômica em melhores condições de concorrência, contribuindo para o crescimento do setor aquicola alem de fortalecer as organizações associativas que desenvolvem a piscicultura. Um dos maiores entraves na Cadeia Produtiva da Piscicultura no Amazonas é a falta de conhecimento das técnicas de criação de peixes por parte do Produtor Familiar que ainda trabalha de forma empírica. Por ser uma atividade agrícola nascida do Conhecimento Cientifico, o exercício da piscicultura requer o uso da tecnologia desenvolvida para o setor capaz de aumentar a produtividade, a qualidade do pescado e conseqüentemente a renda do piscicultor. Para tanto o projeto vem de forma embrionária atender essa demanda elevada de produtores de modo a suprir essa necessidade formando mão-de-obra capacitada para a pratica tecnologia do pescado voltada para a piscicultura visando o desenvolvimento, sistematização e difusão de conhecimentos, tecnologias e metodologias nas suas áreas de competência, voltados para a formação de recursos humanos e para a promoção da cidadania. 244 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL Projeto: Espimîn Paa’tia Makunai’mî Paa’taya (Plantando Melancia na Terra de Makunaima) S-49 Diante dos trabalhos voltados a agricultura com os indígenas, macuxi, wapixana e taurepang em Roraima e o destaque que a cultura da melancia vem adquirindo neste contexto, percebe-se a necessidade de ampliar e apoiar os trabalhos destes povos na pratica da agricultura. Dentre as comunidades trabalhadas com o cultivo da melancia, é significativo enfatizar o modo de produção da Comunidade Indígena Ilha, envolvendo os grupos familiares e agregando o interesse dos jovens na pratica desta cultura agrícola. Projeto: Fortalecimento das Organizações Produtivas de Pescadoras e Agroextrativistas no Território do Baixo Amazonas S-50 A Região Amazônica pela sua diversidade étnica e racial em cenários de alta diversidade biológica acaba determinando para o desenvolvimento de populações rurais modelos de alta plasticidade funcional. O Território do Baixo Amazonas à oeste do Estado do Pará, composto por 11 municípios é um exemplo do mosaico étnicoracial e biológico contemporâneo. Quilombolas, indígenas, nativos e imigrantes interagem com ecossistemas da mesma forma diversos, como as várzeas, as florestas de terra firme e as savanas. Destas interações surgem modos de produção historicamente praticados e atualmente reproduzidos que nem sempre geram desenvolvimento rural. Neste contexto geopolítico, o gênero feminino desempenha papel fundamental na economia familiar rural do Baixo Amazonas. Tal fato, motivou a criação desta proposta com o intuito de fortalecer as organizações produtivas rurais femininas em alguns municípios do Território do Baixo Amazonas, através da construção participativa de modelos de desenvolvimento feminista rural. PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 245 Candidato: Instituição: Cidade/Estado: Pará - PA S-51 Projeto: Capacitação Profissional para Jovens no Município de Mocajuba Sabe-se que o Brasil vivencia grande crise social, principalmente, quando se refere aos jovens. Um em cada quatro jovens entre 15 e 24 anos de idade não frequenta escolas e/ou estão fora do mercado de trabalho no Pará. O dado faz parte do Relatório de Desenvolvimento Juvenil de 2003, divulgado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco), que deu ao Pará o, incômodo, décimo nono lugar entre os estados brasileiros que oferecem as melhores condições de vida para seus jovens. No que se refere à Belém Capital Paraense, existem 68 bairros, divididos em oitos distritos administrativos onde pôde se evidenciar grandes mazelas sociais, como: desemprego, criminalidade e uso de drogas. Considerando a elevada taxa de adolescentes em situação de risco social, expostos a criminalidade, desestruturação familiar, abuso de álcool e outras drogas, gravidez precoce e etc. Projeto: Cartinha Amazônia Legal S-52 O presente projeto busca orientar crianças na fase inicial escolar para a importância da meio ambiente em nossas vidas. Partindo da afirmação que o futuro é feito e formado pelas crianças do hoje, é primazia que no início de sua vida escolar onde tem o segundo maior contato com a vida social, conheça de forma interativa e dinâmica os valores da fauna e flora. Os desastres ambientais acontecidos ultimamente estão causando perplexidade na população dos lugares atingidos direta ou indiretamente por eles. O fato é claro “devemos mudar nossas 246 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL atitudes no presente para que o futuro possa existir”. Na década de 80 o homem se deu conta que a natureza não era fonte inesgotável da matérias primas, começou a perceber que nela existiam recursos renováveis e não renováveis ou mesmo aqueles que levariam muitos anos para voltarem a existir, desde então começou a luta para salvar a natureza em prol de salvar sua própria existência. Através de uma visão holística o meio ambiente é complexo, foi partindo disso que a informação sobre a importância da preservação, conservação da natureza ficou somente entre as pessoas que dominam o assunto. A mudança para serem alcançados pontos positivos em função de exercer a sustentabilidade, deve ser justamente nisso, independe da classe social, idade, sexo, todos devem ser sensibilizados, devem ter acesso à importância que cada um tem no meio ambiente urbano e natural. A educação é a forma mais eficiente de passar informação, as atitudes tomadas pela geração atual devem sofre alterações, no entanto essas não ocorrem da noite para o dia, essas mudanças nos valores éticos e ambientais são projetos de médio ou longo prazo, mas em um momento eles devem ser iniciados. E porque não iniciar na fase em que estamos construindo nossas personalidades? Conforme a psicologia tudo que a criança aprende até os sete anos de idade prevalece por toda sua vida. A empresa, sediada em Manaus no CIDE- Centro de Incubação e Desenvolvimento de Empresarial desenvolve projetos tecnológicos para educação, cultura e turismo. Tem como missão tornar o conhecimento humano acessível e prático através das tecnologias inovadoras. O produto: O produto é um livro interativo sonorizado, desenvolvido especialmente para atender as necessidades de materiais complementares para o ensino na educação infantil voltado para a educação ambiental. Os produtos são apresentados em kits compostos por uma Caneta Interativa Pentop, um Livro Interativo Infantil, uma bolsa ecológica (que substitui a embalagem), carregador USD, cabo USB e manual do usuário. O objetivo idealizado é ajudar a criança a aprender de maneira interativa, divertida e dinâmica os valores ambientais fundamentais para o equilíbrio ecológico. Os livros contêm ilustrações sonorizadas que simulam os sons emitidos por pessoas, animais e fenômenos da natureza, ajudando a criança a relacionar figuras a palavras, a conceitos e principalmente à importância que cada ser vivo tem no meio ambiente. PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 247 Aproveitando a fase da criança onde ela possui muitas dúvidas de tudo e principalmente ensinando-lhes sobre a vida dos animais e plantas existentes na maior floresta do mundo. O Estado do Amazonas que leva o nome da maior floresta do mundo possui uma diversidade ecológica inigualável. Lugar que des perta curiosidades em muitos, sua grandeza deve ser vista, conhecida e entendida pela população local e isso deve ser proporcionado a nossas crianças. Explicar a elas que a vitória-régia é uma planta aquática que só existe nos rios amazônicos, em nosso País é típica da região norte, possui a maior flor das Américas, nos primeiros dois dias sua flor é banca e quando a flor fica rosa já esta pronta para ser polinizada por único e exclusivo besouro. São esses tipos de informação que contarão na cartinha. A nova geração no ensino e aprendizagem anseia por novos métodos aliados aos tradicionais, diante deste paradigma a Caneta Falante Pentop tonará o aprender mais dinâmico ela possui o recurso de fazer as leituras dos impressos, seja texto ou figura, trazendo também música e poesia da região. Ainda pode ser utilizada como gravador de voz, armazenar arquivos e mp3 em som estéreo Hi-Fi. Projeto: Desenvolvimento de equipamentos para o beneficiamento primário de guaraná S-53 Tradicionalmente, o processo produtivo do guaraná em pó pode ser resumido da seguinte forma: após a colheita, os frutos são colocados para fermentar, amontoados ao ar livre ou em sacos, por um período de até três dias. Em seguida, faz-se o despolpamento dos frutos e a lavagem dos grãos (já livres das cascas e arilo). Nas comunidades agrícolas, o processo de despolpamento é manual e, na maioria das vezes, as condições higiênico-sanitárias são insatisfartórias. O grão lavado é torrado em forno de barro ou metálico; após a torrefação os grãos são descasquilhados e moídos, geralmente estas etapas são realizadas por terceiros na sede do município. É importante ressaltar, que durante o descasquilhamento do guaraná torrado (manual ou mecânico), há um excessivo reproces 248 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL samento da matéria-prima, o qual acarreta comprometimento da qualidade e características intrínsecas do guaraná, pois alguns lotes podem ser reprocessados até 4 vezes. Este retrabalho, resulta em uma baixa eficiência do processo de descasquilhamento, perdas no rendimento e desperdício de matéria-prima. O guaraná em pó é obtido por meio da trituração em moinho tipo martelo e, posteriormente embalado em sacos de polietileno ou potes plásticos, os quais são destinados a comercialização direta ou à intermediários. Assim, considerando a importância econômica e cultural do guaraná para as comunidades de agricultores dos municípios de Maués, Urucará, Parintins e Barreirinha no Amazonas, e as dificuldades no processamento primário deste fruto, propõem-se por meio da presente proposta o desenvolvimento, ou mesmo, a otimização dos meios de beneficiamento do guaraná denominados despolpadeira e descasquilhadeira. A despolpadeira seria uma máquina utilizada para separar mecanicamente, grãos, cascas e arilo. Seu mecanismo de funcionamento contribuiria para melhorar a qualidade do grão despolpado e, aumentar o rendimento do despolpamento. A descasquilhadeira seria utilizada para eliminar a película (casquilho) que reveste o grão torrado. Quando esta etapa é realizada em condições inadequadas, o pó do guaraná adquire coloração e consistência indesejáveis, características que comprometem a aceitação do produto, por parte do consumidor final. Projeto: Uma contribuição do serviço social na educação infantil, em instituições filantrópicas de Belém S-54 O tema do projeto de pesquisa, centra-se na investigação sobre a contribuição do profissional do serviço social na educação infantil. A pesquisa desenvolve-se no âmbito das instituições filantrópicas de ensino de Belém. O profissional de Serviço Social é o agente intelectual habilitado para estabelecer as relações entre as instituições filantrópicas e a população demandante de vagas para suas crianças, e PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 249 entre o conjunto de serviços prestados e a solicitação de tais serviços pelos interessados. Diante deste desafio, cabe indagar como o profissional de Serviço Social está contribuindo para a formação e integração das crianças assistidas nas creches? A compreensão deste fenômeno pode ser dimensionada nas seguintes questões norteadoras da pesquisa. Qual a visão da assistente social da creche sobre essas crianças assistidas, e como está se realizando a interação social da família com a creche? E de que forma a assistente social percebe a inter-relação entre as práticas psicopedagógicas com o conhecimento de sua área profissional, e como participa junto aos educadores da construção de práticas inovadoras voltadas para a formação e integração dos alunos? A resposta para essas questões requer conhecimento e articulação sobre a visão que o assistente social da creche tem sobre as crianças assistidas, e sua forma de realizar seu trabalho na interação social da família com a creche, e como percebe a inter-relação das práticas psicopedagógicas para a formação e integração social dos alunos. Nesse contexto, as relações de fundamentos são indissociáveis entre a educação infantil e as famílias, pois dão sustentação para a formação humanística de um cidadão capaz de conviver e enfrentar os problemas do cotidiano da sociedade moderna. Com relação ao trabalho do Serviço Social, sua visão é de que funciona como um trabalho de extensão, que veio para favorecer e dar suporte as famílias assistidas da creche. É de fundamental importância para aproximar os objetivos institucionais dos objetivos sociais das famílias, que é obter uma boa educação e orientação de cidadania para seus filhos. A compreensão e aplicação integrada dos conhecimentos nas áreas de Psicologia da Educação e Serviço Social, em benefício da educação infantil, pode, decisivamente, contribuir para a formação integral dos estudantes. A ação do assistente social contribui para o aprofundamento das relações sociais entre as instituições filantrópicas e as famílias assistidas, gerando como resultado melhorias na formação intelectual e humanística, assim como a integração dos alunos no seio da família e da sociedade. Pelo que se observa, o trabalho foca duas áreas: Psicopedagogia e Serviço Social, sendo aplicadas simultaneamente pelos assistentes sociais no seu cotidiano ao lidar com a mediação de problemas entre a instituição e as famílias assistidas, entre as crianças e seus pares e com 250 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL os professores, assim como as questões intrínsecas à aprendizagem das crianças. A pesquisa será desenvolvida em quatro creches, que atuem como instituição filantrópica ligada ao serviço público, com a missão de prestar serviços sociais às crianças de dois a seis anos, com vistas ao desenvolvimento físico, psicológico, educacional e social das crianças. Trata-se de um estudo de caso para identificar e analisar as questões vinculadas aos postulados teóricos do Serviço Social e da Psicologia Educacional na efetiva ação do assistente social no desempenho de suas funções neste tipo de instituição, de acordo com a percepção das famílias assistidas. As informações serão obtidas por meio de um levantamento e estudo da bibliografia relacionada ao tema. O conhecimento obtido nesta primeira fase metodológica oferece os subsídios para a elaboração da pesquisa de campo, que será feita por meio da aplicação de um formulário envolvendo questões abertas e fechadas, para dar oportunidade aos entrevistados manifestarem suas opiniões com respeito às questões formuladas. O universo da pesquisa será formado pelos profissionais de Serviço Social que atuam nas creches a serem investigadas. Neste caso, serão entrevistados os assistentes sociais que atuam nas creches filantrópicas. Serão eleitas quatro creches para a pesquisa, ou seja, quatro assistentes sociais, já que em cada creche trabalha apenas um assistente social. A pesquisa visa analisar os aspectos das ações desenvolvidas pelo assistente social no que atine a proximidade com as práticas psicopedagógicas, assim como compreender a percepção do assistente social sobre as crianças assistidas, as 3 famílias a as creches. Buscase, também, o entendimento de problemas sociais mais amplos gerados entre as ações internas e as ações realizadas pelas creches no que tange ao enfrentamento dos problemas que envolvem o ensino e aprendizagem das crianças, o acesso a esses serviços social por famílias carentes, diante dos postulados legais. Estes aspectos serão incluídos nos formulários para a obtenção de respostas quantitativas e qualitativas das questões norteadoras deste trabalho. A pesquisa, conforme Ludke e André (1986) e Marconi e Lakatos (2003), enquadra-se como descritiva e interpretativa, pois se fundamentou na revisão bibliográfica do tema e nos dados primários obtidos diretamente das entrevistas realizadas com quatro assistentes sociais. A abordagem é qualitativa, pois será empregada a técnica da entrevista em profundidade para se obter informações sobre as ações PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 251 desenvolvidas pelo assistente social e sua importância para a formação intelectual e humana dos alunos e quantitativa no sentido de se fazer análise de dados quantitativos por meio de tabelas de frequência e matriz de correlação entre as variáveis levantadas nos formulários aplicados nas creches. Com relação ao enfoque metodológico, de acordo com Pereira (2011), a investigação permeia os enfoques empírico-analítico, em função dos métodos estatísticos e formas de controle na obtenção dos dados e sua análise interpretativa, e o crítico-dialético, pelo questionamento analítico sobre a dinâmica das realidades observadas no ambiente das creches, e a interação com o meio externo configurado pelas famílias assistidas. Com isto, pode-se chegar mais próximo da realidade pesquisada, por meio da busca de visualizar e tentar compreender a interação dos dilemas, conforme descrito e analisados em Brandão (2003), que contempla a subjetividade e a objetividade, a quantidade objetiva e a qualidade intersubjetiva, assim como as diversas descobertas que devem surgir com o diálogo, desenvolvidos por meio das entrevistas em profundidade. Para delimitar explicitamente esta análise, apresenta-se o objetivo geral e os específicos do trabalho. S-55 Projeto: Inovação tecnológica para a reprodução por indução (laboratório) da espécie Brachyplatystoma flavicans peixe (dourada) e a criação de um dos grandes bagres da Amazônia ameaçado de extinção, na bacia do Rio Madeira principalmente na área de influência dos futuros reservatórios das UHE’s Santo Antonio e Jirau no município de Porto Velho – RO O projeto objetiva aplicação de inovação tecnológica, para a criação sustentável da espécie Brachyplatystoma flavicans peixe (dourada da Amazônia) com a introdução dos anelídeos na cadeia alimentar minimizando custo com a ração industrializada, proposta de um projeto piloto para reprodução por indução (em laboratório) com o intuito da manutenção da espécie na bacia do Rio Madeira principalmente na área de influência dos futuros reservatórios das UHE’s Santo Antonio e Jirau no município de Porto Velho (RO). A introdução de um laboratório para a reprodução de espécies selvagens, espécies ameaçadas de extinção e espécies economicamente 252 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL viáveis, Tal iniciativa prende-se ao fato, de desenvolver um trabalho que privilegie uma estratégia de proteção ambiental, que busque soluções aos problemas sociais, ambientais, e que gere alternativa de emprego e renda para as comunidades do entorno dos reservatórios das UHE’s Santo Antonio e Jirau e profissionais da pesca associados às colônias de pescadores do Estado de Rondônia. Em ambiente natural a proliferação da dourada é de aproxima damente 500 alevinos ano. No entanto uma fêmea produz aproxi madamente 10.000mil óvulos o aproveitamento é de mais ou menos 5%. Com a reprodução em laboratório (indução) com o auxilio de hormônio podemos alcançar uma aproveitamento de mais de 80%, o que representa 8.000 mil alevinos por fêmea. A proposta inicial é trabalhamos com 50 fêmeas, o que nos proporcionará uma produção de aproximadamente 400 mil alevinos ano. Com três anos o projeto estará alto-sustentável, uma vez que, com esta idade, inicia o ciclo reprodutivo da espécie dourada em ambiente natural. A metodologia para a implantação do projeto está planejada para ser desenvolvido em três ambientes e três fases: Na primeira fase e ambiente, o projeto compreenderá uma área do Estado de Rondônia na bacia do igarapé Bate-Estacas, um ecossistema com características propicia para a reprodução e a criação dos alevinos da espécie dourada até a fase de juvenil mais o menos 20 cm de comprimento, uma vez que, as características fisicoquimica da água têm as mesmas propriedades das águas do Rio Madeira habitat natural da espécie dourada. Na segunda fase e ambiente, o projeto compreenderá uma área do Estado de Rondônia na bacia do Rio Jamari, uma vez que, a jusante da UHE Samuel nas margens direita e esquerda existe aproximadamente mais de 22 lagos naturais ambientes propícios para o desenvolvimento até a fase de adulto, pois neste lagos há alimentos vivo em abundancia, peixe (forrageira) sem valor econômico no inicio da cadeia alimentar, com composições nutrientes e oferta em qualidade e quantidade semelhantes às existentes no estuário na foz do Rio Amazonas com o Oceano Atlântico. Na terceira fase e ambiente, o projeto compreenderá a bacia do Rio Madeiras e demais afluentes do Rio Amazonas, sendo que com o período pluviômetro da região e o aumento do nível da água dos rios. Os lagos são inundados pelas águas da bacia do Rio Madeira e os peixes do projeto voltarão a calha dos rios e a área dos futuros reservatórios PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 253 das UHE’s Santo Antonio e Jirau, como um produto com potencial para implementação do desenvolvimento sustentável na região. Projeto: Projeto sócio-cultural Inclusão Tech S-56 O Projeto Sócio-Cultural Inclusão Tech consiste na realização de ações de Cultura e Cidadania. No entanto, de natureza multidisciplinar, ou seja, no Projeto Inclusão Tech a literatura da Amazônia se aproxima da juventude como forma de arte por meio de recursos tecnológicos mediante a realização de diversas atividades culturais concentradas numa pré-inclusão digital objetivando principalmente dimensionar uma cultura popular entre a juventude. Contudo, objetiva dimensionar o conhecimento da cultura popular paraense sobre o saber da floresta; sobre as lendas, costumes e crenças que permeiam o seu imaginário social da Amazônia por meio de atividades alicerçada na Inclusão Social, na ação participativa da mídia como canal de conhecimento para a aquisição de aprendizagens significativas. Projeto: Projeto Esfinge S-57 Sistema de controle de acesso de pessoas e insumos ao prédio e sistemas computacionais de agências bancárias composto de soluções prediais/arquitetônicas, equipamentos (inclusive um modelo de caixa eletrônico específico), softwares específicos e métodos de operação e segurança/vigilância avançada utilizando-se recursos não-invasivos e armas não-letais. O sistema e soluções derivadas são baseados em uma visão mais ampla da biometria que passa a considerar mais de um parâmetro ou parâmetros pouco usuais inclusive comportamentais e culturais. 254 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL No cerne do sistema está uma proposta simples para embasar a construção de algorítimos de controle capazes de associar n parâmetros biométricos ou não chamado Teoria da Biovalidação. O Projeto Esfinge propõe a humanização do ambiente bancário reduzindo sua insalubridade com procedimentos preventivos e aplicação de métodos de controle de acesso, segurança e vigilância que dispensam o uso de armas letais e bloqueiam o acesso de intrusos principalmente armados. Propõe ainda a máxima satisfação do cliente face a customização da interface com os sistemas computacionais da agência com segurança e máximo conforto uma vez que dispensa integralmente o uso de cartões e senhas de acesso. Beneficiários diretos também são os trabalhadores e colaboradores bancários em todos os níveis que passam a dispor de um ambiente laboral tranquilo e absolutamente seguro com os respectivos ganhos de produtividade. S-58 Projeto: Leishmaniose tegumentar americana na região metropolitana de Manaus e a proposição de um método de monitoramento de áreas de risco a partir de informações de satélite ambiental As leishmanioses são doenças inflamatórias crônicas do tegumento, mucosas ou das vísceras, cuja transmissão se dá, principalmente, de animais para o ser humano por meio da picada da fêmea infectada de vetores flebotomíneos. No Estado do Amazonas a leishmaniose cutânea é a de maior predomínio, principalmente, na região de Manaus. Em relação aos transmissores da Leishmaniose Tegumentar Americana (LTA), esses são primariamente silvestres, denominados de flebotomíneos que pertencentes a várias espécies e diferentes gêneros. Ainda, vetores e reservatórios têm alta relação com os fatores ambientais e climáticos, os quais influenciam diretamente no comportamento da doença. Neste sentido, considerando que os vetores das doenças são muito sensíveis às mudanças do meio ambiente, parâmetros ambientais como precipitação, direção e velocidade do vento, umidade relativa do ar, solos, temperatura, enfim, elementos climáticos, podem ser quantificados e sua influência na PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 255 distribuição e manutenção das doenças numa determinada região, melhor avaliados. Além disso, uma vez que a presença e a flutuação estacional das populações de flebotomíneos, em uma determinada região geográfica, estão inter-relacionadas aos elementos climáticos e, aos fatores fisiográficos (altitude, relevo e tipo de vegetação), as análises desses fatores constituem uma variável importante no monitoramento da distribuição sazonal e abundância relativa da LTA visando estabelecer o período mais favorável para a sua transmissão e direcionar as medidas de prevenção e controle químico do vetor. Neste sentido, esse projeto teve por objetivo analisar a distribuição sazonal dos casos de LTA na região metropolitana de Manaus e suas relações com as características da vegetação, com a temperatura da superfície e com a variabilidade climática, a fim de conhecer as características ambientais mais favoráveis para a transmissão de LTA para subsidiar a adoção de políticas públicas que resultem numa maior vigilância regional desta infecção, particularmente, na transmissão ao homem. Assim, na ausência de fatores biológicos e/ou sociais a variabilidade climática tem um importante impacto na epidemiologia de LTA sobre a região de estudo. Como resultado deste trabalho tem-se um modelo de monitoramento contínuo na área de saúde, o qual possibilita identificar áreas de risco de ocorrência de LTA na Região Metropolitana de Manaus (RMM). Projeto: Atenção integral ao idoso indígena S-59 O presente trabalho é um esforço da Prefeitura Municipal de Santa Isabel do Rio Negro para propor soluções a um conjunto de problemas relacionado ao Atendimento Integral do Idoso. Sabe-se que a população de idosos vem aumentando nas últimas décadas em todo o mundo, e no Brasil não poderia de ser diferente. No Amazonas há um grande percentual da população pertencente a alguma etnia indígena ou mestiça, e em Santa Isabel do Rio Negro, onde a maioria da população é indígena( mais de 10 etnias), há uma grande população de idosos. Diante desse problema o município resolveu inovar desenvolvendo um modelo de atendimento holístico, focado 256 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL na Resolutividade, tendo como base a Humanização, a Integralidade e a Intersetorialidade das ações. Para isso, criamos uma parceria mais estreita entre a Secretaria Municipal de Assistência Social e Secretaria Municipal de Saúde, e criamos uma Unidade Básica de Saúde, dentro do Centro de Convivência do Idoso(CCI). Assim, dentro do CCI ofertamos os seguintes serviços: Consulta Médica e Entrega de Medicamentos e Exames Complementares(Laboratório Básico, RX, ECG e Ultrassonografia), Acupuntura, Eletroacupuntura, Eletroestimula ção,Auriculoterapia,Reflexologia Podal, Massagem, Plantas Medicinais/ Fitoterápicos, Artesanato(Tricô, Bordado, Macramê, Cipó, Artesanato com materiais reciclados como tampas de latas de refrigerante e garrafas pet), Atividade Física, Festas Tradicionais(Dia do Índio, Dia do Idoso, Dia das Mães, Dia dos Pais, Páscoa, Natal, Fim de Ano), Viagem de Passeio de Fim de Ano e nossa mais nova conquista que são as Aulas de Alfabetização. Projeto: Centro de Apoio e Integraçao Social da Pessoa com Deficiência (IAD) S-60 O Censo realizado no ano de 2000 detectou que cerca de 24,6 milhões de brasileiros apresentam algum tipo de deficiência, essa pesquisa também detectou que dentre os indivíduos que apresentam deficiência intelectual encontra-se o maior numero de analfabetos ou pessoas com baixa escolarização. Outros indicadores apresentam que as famílias dos indivíduos com necessidades especiais sofrem com os valores altos dos tratamentos e manutenção desses, por se tratar em sua grande maioria de pessoas com poder socioeconômico abaixo da media. Observa-se assim, a falta de oportunidade e de participação no contexto social. Desta forma o Instituo Anjos de Deus, OSCIP registrada sob o cnpj 08716315/0001-41vem propor a criação de um centro de integração e promoção social da pessoa com deficiência. Esse Centro oferecerá á partir de uma triagem social, a detecção dos problemas sociais referentes a pessoa com deficiência e sua família, pessoas de baixa escolarização e menores carentes oferecendo o direcionamento de possíveis soluções através de encaminhamento para os diversos serviços de apoio oferecidos como: suporte emocional e orientação PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 257 com psicólogos para os cuidadores e família, apoio multidisciplinar para a pessoas com deficiência através da equoterapia, orientação e realização de serviços através das assistentes sociais, psicólogos e advogado, tendo em vista que o público são as pessoas com deficiências entre outras disciminadas pela sociedade, de qualquer natureza, em sua maioria carentes. Projeto: Arte em Pneus S-61 Conscientizar e capacitar jovens e adolescentes através de oficinas, tendo como propostas a inclusão social, educação ambiental e geração de renda através de técnicas em pneus inservíveis. Projeto: Efeitos dos alcalóides de Geissospermum urceolatum A. H. Gentry (acariquara-branca) na pressão arterial e na contração do músculo liso de ratos S-62 Na Amazônia, o controle epidemiológico com antimaláricos comuns não impediu a representação e o desenvolvimento de resistência do parasito. Novos fármacos e novas estratégias para tornálos acessíveis aos enfermos de alto risco são prioridades na saúde pública. O presente projeto pretende correlacionar o estudo fitoquímico e a avaliação da atividade farmacológica dos compostos isolados dos extratos aquosos e etanólicos da casca de (Geissospermum urceolatum (Apocynaceae) em mamíferos, provenientes de duas áreas de coletas da Região Amazônica. Além da qualidade de suas madeiras, as cascas da espécie do gênero são usadas comumente na forma de infusões pela medicina popular da Região Amazônica para tratamento além da febre e de malária. Plantas da família Apocynaceae estão incluídas fitogeneticamente na ordem Gentiales e gênero Geissospermum sendo consideradas como espécies dicotiledôneas bem evoluídas e são caracterizadas normalmente pela presença de látex. Possuem distribuição geográfica na Amazônia Central, Oriental, Guiana. Árvores 258 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL de dossel são plantas com látex branco e abundante, em alguns casos visíveis apenas nos ramos terminais e, neste caso, com coloração diferenciada vermelho sangue ou acastanhado. Para tanto, utilizou-se do conhecimento tradicional da região, e de levantamentos científicos para completar as informações referentes à planta descrita. Projeto: Expedição S-63 A Expedição busca promover a leitura em comunidades rurais da Amazônia Legal brasileira, integrando as expressões culturais da região ao processo de desenvolvimento das habilidades de leitura e escrita. O intercâmbio cultural promovido pelo programa abarca uma série de ações: a) Criação de bibliotecas comunitárias em que os livros são considerados objetos desse intercâmbio cultural, já que por meio da leitura as comunidades tem a oportunidade de conhecer outras histórias e ampliar a sua visão de mundo. b) Formação de mediadores, pessoas responsáveis por desenvolver ações de leitura na comunidade, apresentando a leitura de forma prazerosa, como uma ação cultural. c) Rodas de história e Produção de livros artesanais para valorizar os saberes locais e registrar as histórias que compõem o patrimônio cultural das comunidades. d) Ações de incentivo a gestão, para que as comunidades desenvolvam ferramentas para gerir as bibliotecas e discutam o desenvolvimento local. A multiplicação da metodologia foi a melhor ferramenta para potencializar essas ações. Os multiplicadores são moradores dos municípios e comunidades beneficiados pelo programa, que recebem capacitação continuada para se e apropriarem da metodologia. Eles passam a ter papel central na replicação do trabalho em outras comunidades: formam novos mediadores, monitoram e avaliam o trabalho das bibliotecas e articulam parcerias locais. Com a incorporação da leitura no cotidiano das crianças, jovens e adultos das comunidades espera-se em longo prazo contribuir com a melhoria dos indicadores de educação na região, garantindo uma educação de qualidade nas áreas rurais da Amazônia. PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 259 O Programa Expedição contribui assim para atingir dois dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio da Organização das Nações Unidas (ONU): “Educação básica de qualidade para todos” e “Qualidade de vida e respeito ao meio ambiente”. S-64 Projeto: Apadrinhamento de Crianças em Unidades de Conservação estaduais do Amazonas: um projeto piloto de investimento social privado para beneficiamento de famílias ribeirinhas O projeto Piloto de Apadrinhamento de Crianças em UCs do Amazonas utiliza uma metodologia de captação recursos largamente empregada por uma organização brasileira afiliada a um fundo internacional. Neste modelo de captação de recursos uma rede de pessoas físicas realizam doações mensais em favor dos programas e projetos que beneficiam uma criança escolhida por doador e sua família. Além de mantenedores dos projetos, os doadores, chamados de “padrinhos” ou “madrinhas”, mantém um relacionamento de gene rosidade e solidariedade por meio de uma comunicação via cartas e tornam-se promotores do desenvolvimento da criança escolhida além de importantes parceiros na redução da pobreza infantil. O modelo tem mais de 40 anos de experiência no Brasil e através dele são implementados programas e projetos em 892 comunidades nos estados de Minas Gerais, Ceará, Pernambuco e Rio Grande do Norte. Através de parcerias com 93 instituições, os programas e proje tos beneficiam cerca de 110 mil crianças nessas regiões em situação de pobreza, exclusão e vulnerabilidade. Desde dezembro de 2010 a instituição em parceria com esta proponente vem planejando um modelo de projeto de apadrinhamento ajustado ao contexto amazônico, a ser desenvolvido com comunidades moradoras e usuárias das unidades de conservação estaduais do Amazonas. Neste piloto está previsto a captação de recursos para aportar projetos de desenvolvimento local com famílias comprometidas com a redução do desmatamento e com a segurança e bem-estar das crianças, jovens e adolescentes. Os projetos subsidiados pelos doadores terão foco nas atividades de produção agrícola de subistência, em modelos de gestão associativa e cooperativa, em educação, saúde e promoção dos direitos 260 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL da criança e do adolescente. Os doadores – padrinhos/madrinhas, terão a oportunidade de manter uma comunicação autêntica com as famílias beneficiárias através de uma plataforma digital (rede social privada) onde será possível estabelecer uma comunicação saudável e estimulante. No modelo digital os doadores poderão acompanhar com maior rapidez, quantidade e qualidade de informação a evolução dos projetos, além de poder orientar e participar amistosamente da vida familiar, tornando-se além de doador um parceiro da família. As principais atividades para implantação do projeto piloto são: a. execução de um componente de sensibilização e comunicação onde as famílias serão informadas sobre os objetivos do projeto e a metodologia de trabalho; b. execução de um diagnóstico participativo para definição das prioridades e planejamento das ações de curto, médio e longo prazo; c. execução da prospecção dos padrinhos/madrinhas (doadores); d. instalação de um sistema digital de comunicação para interação entre padrinhos/madrinhas e famílias beneficiadas; e e. capacitação de lideranças locais para execução e acompanhamento dos projetos. Projeto: Curso de xadrez básico, virtual e avançado S-65 O xadrez é segundo esporte mais praticado do mundo. Algumas vantagens de quem pratica esse esporte: Contribui para o desenvolvimento da memória; contribui para a formação de melhores cidadãos; é um grande impulsionador da imaginação; melhora a autoconfiança; vem enriquecer o nível cultural do indivíduo; ganha segurança na tomada de decisões; aumenta a velocidade de raciocínio: desempenha um papel social por ensinar a lidar com a derrota e com a vitória; mostra conseqüências de atitudes displicentes; estimula a auto-estima; é uma competição saudável; melhora o trabalho em equipe; contribui na aquisição de valores morais; melhora a capacidade de concentração; estimular o hábito de refletir antes de agir; ensina a arcar com as responsabilidades dos próprios atos; ajuda a superar problemas de convívio em grupo e de conduta. PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 261 Em vários pontos do nosso país, o xadrez é matéria obrigatória. Uma pesquisa na Europa e EUA, comprova que para os praticantes dessa modalidade esportiva, obtém-se excelentes resultados no desempenho escolar. Projeto: Curso de Educação Financeira – Indústrias e Comércios S-65A Nas organizações, esse tema ainda não recebe a atenção merecida pelos gestores ou administradores. Contudo, funcionários endividados rendem muito menos. Assim, a educação financeira pode trazer bons retornos. Além de abordagem às questões como o combate às dívidas e o ensino de estratégias de investimentos, o seu alcance é bem maior do que apenas ensinar às pessoas a manusear melhor o dinheiro para manter as contas em dia, sendo um instrumento de cidadania. “É um conjunto de orientações que ajudam as pessoas a mudar posturas e atitudes diante de questões financeiras. A Educação Financeira pode fazer muito pelas pessoas, pelas famílias e pela sociedade. Categoria Personalidade Projeto: MMMnnn mmmnnnnn mmmmmnnnn P-01 Apesar das grandes dificuldades encontradas para realizar seus estudos, Thiago de Mello é um nome reconhecido internacionalmente como um intelectual engajado na luta pelos Direitos Humanos, pela Ecologia, pela Paz mundial e pela sua qualidade poética. Reconhecido 262 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL como um ícone da literatura regional amazônica, é considerado um dos grandes escritores brasileiros e um dos mais traduzidos, com obras publicadas no Chile, Portugal, Uruguai, Estados Unidos da América, Argentina, Alemanha, Cuba, França e outros mais. Com seu trabalho tem contribuído para as artes, a cultura e defesa da Amazônia. Homenagear Thiago Mello é reconhecer a importância desse poeta para as gerações de escritores, para as pessoas que têm nele uma referência, não somente poética, mas de humanidade, de ser humano. Projeto: MMMMnnnn mmmnnn mnnnn P-02 Muito do que se tem hoje nas instituições produtoras de Ciência, Tecnologia e Inovação atuando na Amazônia tem a contribuição do indicado. Foi ele que estruturou o grupo de Geociências da UFPA, Presidiu Para Minérios, fortaleceu o Museu Paraense Emilio Goeld; Criou o programa de Interiorização, quando Reitor da UFPA com conseqüências sociais extraordinária em todo o Estado do Pará. Deu nova vida ao Impa (Instituto de Pesquisa da Amazônia). Criou e dirigiu a Unamaz por dez anos, congregando e mobilizando a comunidade cientifica da Panamazônia para cooperação. Atualmente é Reitor da Ufopa onde implanta um projeto inovador que busca a integração do homem a natureza o desenvolvimento regional. A atuação do indicado sempre tem sido com grande talento e compromisso com a sociedade, criando projetos inovadores, defendendo os interesses regionais e ampliando oportunidades educacionais e de acessos de jovens para a carreira científica. PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 263 Projeto: MMMnnnn mmmnnnn mmmmnnn P-03 O Dr. Euler Esteves Ribeiro, hoje com 70 anos, desenvolve pesquisas científicas sobre o segredo da longevidade dos homens da floresta amazônica, tendo sido instigado pelo resultado do IBGE de 2007 que declarou estatisticamente que a população da região no Município de Maués-AM concentra no grupo etário de 80 anos e mais o correspondente a 1% da população, quando a média brasileira dentro dessa faixa etária é de 0,5%. Sua pesquisa já foi publicada em revistas internacionais na área da Medicina. Sua luta em favor dos idosos vem desde 1996 quando foi escolhido para ser um dos relatores da Reforma da Constituição Federal de 1988. Em 2007 criou a Universidade Aberta da Terceira Idade – UnATI , órgão suplementar da Universidade do Estado do Amazonas, onde é diretor. Hoje a UnATI/UEA funciona com 14 colaboradores e 1500 idosos matriculados em cursos e oficinas. Mas sua luta continua, tendo hoje como sua grande meta a transformação da UnATI em Fundação e a conquista de uma sede própria adequada ao público atendido. Faz atendimento médico voluntário no Centro de Atenção Integral à Melhor Idade – CAIMI Paulo Lima, localizado na Colônia Oliveira Machado, no horário das 8 às 1oh, às 2as. e 5as. feiras, semanalmente. É referência na Geriatria e Gerontologia no Estado do Amazonas e por este motivo recebe vários convites para falar sobre o Envelhecimento Humano nas rádios, programas de televisão, congressos nacionais e internacionais, seminários, workshops e demais atividades inerentes ao tema de seu maior conhecimento. Possui um programa de televisão chamado Homem da Floresta na AMAZONSAT, com enfoque na realidade amazônica ressaltando os costumes e as tradiçoes do homem caboclo, buscando a valorização do povo da floresta e que é exibido todas 2as. feiras no horário das 14:00h e reprisado em horários alternados na própria emissora. Além disso é um líder nato, simpático e educado, altivo e ao mesmo tempo humilde, sempre contagiando a todos que o cercam com seus conhecimentos e história de vida, instigando-os a buscar 264 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL mais sabedoria através dos livros de forma a garantir uma melhor qualidade de vida para aqueles que tiveram o privilégio de envelhecer. Projeto: MMMMnnnnn mmmnnn mmmnnn P-04 João Alberto Rodrigues Capiberibe (Capi) Nesta oportunidade a Universidade do Estado do Amapá (UEAP), representada pela magnífica Reitora Maria Lúcia Borges, apresenta a indicação do Ex-Governador João Alberto Rodrigues Capiberibe ao Prêmio Samuel Benchimol e Banco da Amazônia e de Empreendedorismo Consciente de 2011, na Categoria Personalidade Amazônica, pelas contribuições e práticas inovadoras de políticas públicas na promoção do crescimento econômico e do desenvolvimento científico, tecnológico, cultural e socioambiental do Estado do Amapá e, por extensão, uma grande parte da Região Amazônica. Realizações que expressam e materializam os quatro paradigmas implicados no conceito de desenvolvimento sustentável que Samuel Benchimol defendia para a Amazônia, ao afirmar que estas deveriam ser “economicamente viáveis, ecologicamente adequadas, politicamente equilibradas, e socialmente justas”. Ou numa outra variante, como sentenciava o mestre Professor Benchimol, o desenvolvimento oikopolítico, cuja etimologia original inclui os conceitos de lar, patrimônio, hábitat e pátria. Quando João Alberto Capiberibe, que nasceu no município de Afuá, Ilha de Marajó, chegou aos sete anos em Macapá, ficou encantado quando viu pela primeira vez uma cidade com ruas iluminadas, avenidas e praças. Em 1954, Macapá era ainda um pequeno vilarejo, com pouco mais de 30 mil habitantes, mas para uma criança ribeirinha que vivera até então às margens do Rio Carapucu, onde existiam poucos elementos da vida moderna, esta cidade era mesmo digna de deslumbramentos. Todavia, a nova vida na cidade não era nada fácil, a insuficiência do salário do pai, empregado como cozinheiro da mineradora Icomi em Serra do Navio, o obrigou, desde o início de sua chegada, a complementar a renda familiar com a venda de revista, jornal, loteria e frutas. PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 265 Cursando o ensino primário no Grupo Escolar Barão do Rio Branco, que era a mais bem equipada escola de Macapá, aos 10 anos ingressou como seminarista na carreira religiosa. Depois de três anos, verificando que não tinha vocação, pediu para sair. Em 1960, matriculou-se no Instituto de Educação do Território Federal do Amapá, que formava professores para o ensino médio. Nesse curso, conheceu sua companheira Janete, que o acompanhou na política estudantil, nos embates ideológicos e nos estudos extra-classe de marxismo. Em 1968, viajou para Brasília e em seguida matriculou-se na Escola Agrícola, onde ficou pouco tempo, pois com intuito de cursar Economia, deslocou-se para Belo Horizonte, capital de Minas Gerais. Porém, esse projeto acadêmico foi interrompido em 1969, quando em um encontro com Carlos Marighella, da Aliança Libertadora Nacional (ALN), recebeu a incumbência de organizar a rebelião camponesa na Amazônia. Em 1970, como membro da ALN, juntamente com Janete com quem casara, cumpriam a missão recebida no Bico do Papagaio (GO). Porém, neste mesmo ano, ambos foram presos no Estado do Maranhão e transferidos, posteriormente, para o presídio São José em Belém do Pará. Depois de três meses de prisão, Janete foi solta porque estava grávida de nove meses e já havia sinais da proximidade do parto. Preso em um ambiente muito insalubre, João Capiberibe adoeceu gravemente ao ponto de ser necessário interná-lo no hospital da Santa Casa de Misericórdia, onde permaneceu sob escolta policial por três meses e meio. Janete, com um bebê de quase 10 meses nos braços, arquitetou a fuga de Capiberibe que continuava sob cuidados médicos na Santa Casa. Contando com a ajuda do médico Almir Gabriel, hoje ex-governador do Pará, a operação foi bem sucedida e o casal acompanhado do seu bebê Artionka, hoje professora doutora de Antropologia da UNIFESP, seguiu rumo ao Porto do Sal, embarcando logo em seguida numa insegura canoa com destino a Santarém. Navegaram pelo Rio Amazonas, até chegar ao oeste paraense. Em seguida, passaram por Manaus, Porto Velho e Guajará-Mirim, seguiram para a Bolívia, Peru e Chile, onde no último fixou moradia. Em consequência da deposição de Salvador Allende em 11 de setembro de 1973, a família, agora aumentado com o nascimento dos gêmeos Camilo e Luciana foi obrigada a reiniciar nova peregrinação. Sob proteção da ONU (Organização das Nações Unidas), a família teve três opções de escolha de países para o exílio: Canadá, Nova Zelândia e Cuba. A escolha recaiu sobre o Canadá, onde a família viveu na Capital Montreal por aproximadamente quatro anos, período em que 266 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL Capiberibe aproveitou para fazer o curso superior em Zootecnia. Com essa graduação, tornou- se funcionário da Cooperação Internacional e do Canadá seguiu com a família para trabalhar no continente africano. Em Moçambique residiu por dois anos e, com a Anistia de 1979, resolveu voltar para o Brasil. Muitas foram as dificuldades e dissabores encontrados no exílio. Porém, este foi também um período de aprendizagem, análise e reflexão. No Chile, Capi aprendeu in concreto o amanho da terra na agricultura, técnicas de tratos com animais) e o papel da organização e cooperação dos trabalhadores e pequenos produtores rurais. Os conhecimentos adquiridos no Canadá e na África possibilitaram a Capiberibe um alargamento de visão e um aprofundamento de uma análise crítica sobre o modelo econômico vigente no Brasil da época, em que se aumentava progressivamente a produção, mas que não havia preocupação com a distribuição das riquezas. Que aproveitava mal e dilapida os recursos naturais, por não levar em consideração os etnoconhecimentos, onde as populações tradicionais eram, quase sempre, excluídas do processo de desenvolvimento. Apesar do longo aprendizado de convivência com a diferença fora do País, Capi considerou que lhe faltava a experiência com o Nordeste, pelo qual tinha fascínio. Assim, em seu retorno decidiu trabalhar como Assessor do Governador de Pernambuco, Miguel Arraes. Com credenciais de técnico da FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação), permaneceu no Estado de Pernambuco por dois anos, trabalhando na organização dos trabalhadores dos canaviais. Nesse trabalho, de forma parcimoniosa, foi possível obter frutíferos resultados em prol das comunidades rurais, quanto às condições de trabalho e diálogo com canavieiros e proprietários de usinas. Em 1982 retornou ao Estado do Amapá para participar do processo eleitoral como candidato do PMDB ao cargo de Deputado Federal. Teve boa votação, mas não se elegeu. Em 1984, aceitou a proposta do Governador Nabor Junior, para trabalhar no Estado do Acre. Lá assumiu a Subsecretaria do Desenvolvimento Agrário do Vale do Juruá, com sede em Cruzeiro do Sul. Nesse trabalho, em dois anos de gestão, Capiberibe ajudou a organizar 15 organizações comunitárias de base agrária e deixou outras seis em processo de organização. Sua passagem pelo Acre agregou-lhe um novo elemento: o papel do conceito de desenvolvimento local sustentável como instrumento de política pública. PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 267 Mesmo com o sucesso dessa experiência no Acre, a família Capiberibe decidiu voltar para o então Território Federal do Amapá. Em 1985, logo após sua chegada, João Capiberibe foi nomeado Secretário de Agricultura pelo Governador Jorge Nova da Costa. Depois de alguns anos de trabalho na pasta, desfrutando de grande popularidade em razão dos projetos implantados nas comunidades rurais, Capi aproveita a abertura democrática promovida pela Constituição de 1988 e cria o Partido Socialista Brasileiro – PSB no Amapá. Com grande poder de articulação consegue organizar uma frente de esquerda e lança-se candidato a Prefeito de Macapá. À frente da Prefeitura, apesar do insucesso na criação de conselhos populares, fez grandes conquistas na modernização da administração pública, na melhoria da educação, da saúde, do asfaltamento de ruas e avenidas e da remuneração do funcionalismo. Com o apoio dos movimentos sociais e contundente no combate à corrupção, inaugura um estilo de governar com transparência, possibilitando o acesso público dos dados de receitas e despesas dos órgãos do Governo, iniciativa embrionária da Lei da Transparência, de autoria do próprio exSenador Capiberibe, que foi sancionada pelo Presidente Lula em 27 de maio de 2009. Após deixar o cargo de prefeito, Capiberibe liderou um grupo de servidores públicos, políticos e profissionais liberais, para delinear um novo estilo de governar que toma com base uma premissa pontuada pelos quatro vetores seguintes: o aproveitamento seletivo da experiência acumulada no exílio, a valorização da democracia participativa, a ideia de Chico Mendes sobre a floresta como meio de vida e os empates como estratégia de luta contra o uso predatório dos recursos naturais e a incorporação do meio ambiente como componente de um processo de desenvolvimento. Neste caso, tomou o livro Nosso Futuro Comum e os textos da Eco-92, especialmente a Agenda 21, como referência basilar das análises. Estavam definidas as linhas mestras do programa inovador de Capiberibe para governador do Estado do Amapá no primeiro mandado de 1995 a 1998 e do segundo mandado de 1999 a 2002. Programa de Desenvolvimento Sustentável como matriz de políticas públicas do Governo. Ao assumir o Governo do Amapá, em 1994, João Alberto Capiberibe estabeleceu como matriz da sua gestão um programa concebido a partir dos princípios da Agenda 21, os quais foram delineados pelos dirigentes e comunidade científica mundial dois anos 268 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL antes, por ocasião da Rio-92. Esse documento inovador denominado “Programa de Desenvolvimento Sustentável do Amapá” – PDSA, foi o primeiro instrumento oficial implantado no Brasil, que tinha como paradigma central o conceito de desenvolvimento sustentável. Até hoje esse projeto é de vanguarda. Em outras Unidades da Federação e, mesmo no Governo Federal, o desenvolvimento sustentável limita-se a um tema transversal ou uma atribuição setorial dos órgãos do meio ambiente e ciência e tecnologia. A adoção do PDSA por Capiberibe resultou de sua avaliação crítica da experiência acumulada e de sua intuição. Havia ainda muitas incertezas e precariedade de conhecimentos sobre o assunto, mas Capiberibe foi em frente, apostando no seu feeling, na diversidade de vivências e no apoio de cientistas do calibre de Azis Ab’Saber, Professor Emérito da USP, Alain Ruellan, docente da Universidade de Montpelier e Professor Emérito da Universidade de Rennes, de Bertha k. Becker, Professora Emérita da UFRJ. Também confiou na capacidade dos amapaenses de incorporarem a cidadania ecológica. Mais que o ineditismo, os riscos que assediaram o PDSA viriam de outras fontes. O Estado estava desequilibrado financeiramente e sem recursos para investimento. Os funcionários eram desmotivados em razão de atrasos de pagamento, da falta de valorização profissional e da ocupação das funções melhor remuneradas por critérios de apadrinhamento político e nepotismo. Além disso, havia uma oposição articulada para desestabilizar e inviabilizar o Governo de Capiberibe, por parte de alguns membros do Tribunal de Justiça do Estado, do Tribunal de Contas do Estado e, sobretudo, da Assembleia Legislativa. Sem esmorecer, Capiberibe enfrentou esses desafios. O déficit na relação receitas-despesas, que era de mais de 26% em 1994, em 1996 caíra para pouco mais de 7%, tornando-se crescentemente positivo a partir de 1997. Isto num período em que a quase totalidade dos estados encontrava-se em Estado falimentar frente ao Governo Federal. Os funcionários passaram por sucessivos treinamentos, graças à criação do CEFORH – Centro de Formação e Desenvolvimento de Recursos Humanos. Um Centro que reciclou 60 mil pessoas. Treinamentos que melhoraram o desempenho e a auto-estima dos servidores, transformando-os em indivíduos confiantes e entusiasmados por seu trabalho. Melhorias substanciais ocorreram na educação e atendimento aos cidadãos de um modo geral do Estado do Amapá. Na educação, como novo paradigma de pedagogia da sustentabilidade, foi implantado o inovador projeto da Escola Bosque no Arquipélago do PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 269 Bailique (município de Macapá). Na saúde, a redução de filas através do agendamento de consultas e humanização do parto e o resgate das Parteiras Tradicionais. O contingente de médicos e enfermeiros foi aumentado com contratações por concurso público. Outra área onde ocorreu significativa melhoria diz respeito aos aspectos culturais, como no caso da parceria com o Governo Federal que resultou no resgate e restauração da Fortaleza de São José de Macapá, a maior Fortaleza construída pelos portugueses no Brasil. Sob a égide do PDSA, uma gama de iniciativas foi tomada, visando impulsionar uma socioeconomia sustentável no Amapá. Programas específicos foram implantados com vistas a apoiar os extrativistas da castanha, os coletores de açaí, os pescadores artesanais, os agricultores familiares, as serrarias e marcenarias. Negociação bemsucedida foi realizada com grandes empresas para harmonizar suas atividades com as exigências de sustentabilidade ambiental. Esse foi o caso dos cultivos de grande porte de eucalipto e pinus no cerrado amapaense para a exportação de cavacos. A Área de Livre Comércio de Macapá e Santana foi valorizada, uma vez que o Governo centralizou nela suas compras de material permanente. Cuidou-se da recuperação e ampliação da pavimentação de ruas e da melhoria das estradas estaduais. Para viabilizar essas iniciativas, Capiberibe adotou medidas administrativas e engajou-se na busca de parcerias em nível nacional e internacional. No nível do Estado, fortaleceu a Secretaria de Meio Ambiente, Ciência e Tecnologia, criou o Batalhão Ambiental da Polícia Militar. Com o aumento significativo dos recursos destinados ao setor de C&T, o Estado do Amapá disponibiliza, uma moderna instituição de pesquisa destinada aos estudos típicos da Amazônia: o “Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Amapá” – IEPA, com foco específico no conhecimento e uso sustentável dos produtos da sociobiodiversidade, acervo museológico, gestão territorial e desenvolvimento de tecnologias avançadas voltadas às populações tradicionais. Um feito notável desse processo de inovação é que o Governador Capiberibe transformou, em menos de 10 anos, uma unidade de pesquisa que atuava meramente como apoio a instituições externas, em um instituto de pesquisa de reconhecimento local, nacional e internacional. Contratando por concurso público vários pesquisadores mestres e doutores, o IEPA gerou e difundiu conhecimentos científicos e tecnológicos de interesse imediato da comunidade amapaense; grandes projetos nacionais foram gerenciados, como no caso do 270 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL Zoneamento Econômico e Ecológico (ZEE), Programa de Proteção das Florestas Tropicais do Brasil (PPG-7); Cooperações internacionais foram realizadas com a JICA, GTZ, e Fefem. Com apoio do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), da Universidade de São Paulo, da Universidade de Brasília e Universidade Federal do Pará, assim bem como de ONGs como o Instituto Socioambiental (ISA), Instituto Pobreza e Meio Ambiente (Poema) e do Instituto do Homem e do Meio Ambiente (Imazon) foi possível responder com mais agilidade a demanda tecnológica requerida pelo PDSA. As relações internacionais estabelecidas pelo Governador João Capiberibe entre Amapá e Guiana Francesa prosperaram tanto que a ponte binacional ligando Brasil e França já está concluída, faltando apenas sua inauguração. Todavia, no que tange à questão internacional a visão de Capiberibe vai muito mais além, a ideia é estabelecer uma cooperação entre todas as unidades do Platô da Guiana, incluindo Guiana Francesa, Suriname e República da Guiana. Através dessa cooperação envolvendo a Amazônia e os Países da América do Sul, poder-se-á chegar ao objetivo da grande cooperação que poderá ocorrer entre os dois blocos econômicos Mercosul e União Européia. Parte substancial das conquistas e dificuldades do PDSA do Governador João Alberto Capiberibe estão documentadas no livro dos professores franceses, Alain Ruellan e Françoise Ruellan: O Desenvolvimento Sustentável no Amapá (2000); e no livro do professor da USP, Manoel Cabral de Castro: Desenvolvimento Sustentável e Gestão Ambiental na Formulação de Políticas Públicas A experiência do Estado do Amapá. No denso livro do escritor e Ex-deputado Federal pelo Estado do Bahia, Domingos Leonelli, cujo título é: Uma Sustentável Revolução na Floresta é possível encontrar uma das mais sólidas avaliações críticas do PDSA. Sua conclusão é que se trata de uma experiência inovadora e viável que delineia uma estratégia de desenvolvimento capaz de assegurar para a Amazônia um dinâmico crescimento econômico com equidade social, valorização da cultura e sustentabilidade ambiental. Com um orçamento equilibrado, sob a vigilância contínua do gasto público e a aplicação de critérios racionais de eficiência alocativa na partilha do orçamento, Capiberibe consolidou o PDSA através da manutenção dos programas em curso e implantação de outros. Por isto, na fase que envolveu o segundo mandato (2002-2005) não foi só uma oportunidade de colheita dos frutos do primeiro mandato, mas também da implantação de uma segunda geração de projetos. PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 271 Listar todas essas iniciativas tomaria um espaço grande, por isto serão mencionadas apenas as estratégicas. Na educação, os avanços compreenderam o atendimento de praticamente toda a população escolar potencial do ensino fundamental e médio. Progressos significativos foram alcançados em termos de qualidade, tornando o ensino público outra vez atraente para a classe média. A oferta de ensino técnico foi ampliada e sua qualidade melhorada, instalando-se com a assessoria e apoio da Universidade de Montpelier o Centro de Referência do Desenvolvimento Sustentável, como coordenadora do ensino técnico-científico e de extensão tecnológica. A Escola Bosque do Bailique consolidou-se como unidade de ensino capaz, tanto de integrar os conhecimentos da C&T modernas com os saberes das populações tradicionais como de inserir na socioeconomia do Amapá os jovens do meio rural. A Secretaria Estadual do Meio Ambiente ganhou eficiência no controle e fiscalização do uso predatório dos recursos naturais, no combate ao desmatamento, à caça ilegal, às queimadas e ao corte ilegal de madeira, contando com o apoio da Polícia Militar Ambiental. Implementou o Plano de Manejo da Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Rio Iratapuru, incluindo assessoria na instalação e funcionamento da planta de industrialização da castanha. Com apoio do IEPA e SPRN/PPG-7, realizou o ZEE do Sul do Amapá e implantou nesse espaço o Projeto Integrado de Gestão Ambiental. Estabeleceu, em convênio com a Secretaria Estadual de Educação, um abrangente programa de educação ambiental. A Secretaria de Indústria, Comércio e Turismo empenhou-se em instalar o Distrito Industrial junto ao Porto de Santana, criando incentivos para que no mesmo se implantassem pólos na área da movelaria, da produção de jóias, na fabricação de telhas, tijolos, na produção de fitofármacos, na instalação de laboratórios de tecnologia da madeira e de produtos cerâmicos. Um projeto de beneficiamento de pescado foi implementado na cidade de Calçoene. Assessoria e recursos financeiros foram alocados para a melhoria e a expansão da produção de farinha de mandioca. A agricultura familiar recebeu prioridade em termos de apoio técnico da extensão rural, da liberação de recursos financeiros e do transporte da produção. Iniciativas foram tomadas para criar e fortalecer fluxos de turismo ecológico. Projetos de pesquisa do IEPA sobre cadeia produtiva do açaí e do pescado foram financiados. 272 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL Dentre as inovações mais significativas dessa fase do PDSA, além do CRDS, destaca-se a criação do CAP (Central de Atendimento à População) e da Secretaria Estadual de Ciência e Tecnologia (SETEC). O CAP, que hoje é chamado de Super-Fácil e está localizado em um prédio moderno, informatizado e confortável, facilitou a vida dos cidadãos ao permitir, de modo centralizado e ágil, a retirada de sete tipos de documentos, sem custo financeiro. No que tange à área de Ciência, Tecnologia e Inovação, dois aspectos merecem destaque. O primeiro é que o IEPA se consolidou como centro de pesquisa no uso da biodiversidade do Amapá, tornando-se reconhecido por sua competência nesse campo, tanto no meio acadêmico como no âmbito das instituições de financiamento da pesquisa. Já a implantação da SETEC possibilitou não só articular as políticas públicas em C,T&I, como constituiu lócus de preparação de importantes projetos sobre a socioeconomia sustentável. Desde o primeiro ano de sua instalação, conseguiu estabelecer parcerias com o Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT) que redundou na elaboração de um portfólio de 17 projetos, envolvendo a exploração de fontes de energia renovável, cadeia produtiva do dendê para fins energéticos, reciclagem do lixo e incubadora de empresas. A Secretaria de Ciência e Tecnologia, em uma parceria com outras sete Secretarias, elaborou o Programa de Manejo Sustentável das Florestas do Estado do Amapá (Floram), que foi implantado em caráter experimental em floresta do Rio Maracá, na Reserva Extrativista do Rio Cajari. De grande alcance foi aprovação do projeto Uso Sustentável da Biodiversidade do Sul do Amapá pelo Fundo Francês para o Meio Ambiente Mundial (Ffem) no valor de 1,200 milhão de euros por um período de três anos. Outra relevante cooperação foi estabelecida com o MMA, através do Proben (Programa de Biologia Molecular para o Uso Sustentável da Biodiversidade da Amazônia) com destaque para a execução do projeto de manejo sustentável de açaizais in situ, realizado pela Embrapa Amapá e cujo sucesso credenciou esta instituição de pesquisa científica como referência na Amazônia sobre manejo do açaí de várzea. Em 1998, no final do primeiro mandado do Governador Capiberibe, o Estado do Amapá recebeu o Prêmio Paulo Freire, conferido pela Fundação Roberto Marinho pelo projeto “Resgate e Valorização das Parteiras Tradicionais”. Neste mesmo ano, recebeu também o Prêmio Gestão Pública e Cidadania, oferecido pela Fundação Getúlio Vargas e Fundação Ford. Ainda no ano de 1998, o Estado do Amapá foi homenageado com a Medalha de Ouro professor Moacyr Álvaro, da PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 273 Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo pelo projeto “Visão para Todos” cujo objetivo era viabilizar a cirurgia de catarata aos pacientes atendidos pelo projeto. No ano de 2000, o Governo do Estado do Amapá recebeu novamente o Prêmio Gestão Pública e Cidadania, da Fundação Getúlio Vargas e Fundação Ford, pelo projeto “Escola Bosque do Amapá”, que é uma instituição de ensino onde a educação ambiental é o eixo central de todas as atividades pedagógicas. Neste mesmo ano, o Estado do Amapá foi agraciado com o Prêmio Habitat 2000, que foi oferecido pela ONU em Dubai nos Emirados Árabes, pelo programa de Capacitação Permanente em Segurança Pública Com Vista a Promover os Direitos Humanos e Cidadania. Em 2001, novamente o Estado do Amapá esteve entre os vencedores do Prêmio Gestão Pública e Cidadania, da Fundação Getúlio Vargas e Fundação Ford pelo Programa Família Cidadã que consistia de um auxílio financeiro às famílias em situação de risco social, com filhos de 7 a 14 anos matriculados na rede de ensino. Era oferecido também, qualificação profissional aos dirigentes familiares, além dos cursos de educação sexual, ambiental e de higiene. Neste mesmo ano de 2001, o Governador João Alberto Capiberibe recebeu o Prêmio de Os Melhores da Administração Pública Brasileira, oferecidos pela Brasmarket, Revista Isto É e Sistema Brasileiro de Televisão - SBT. No ano de 2002, mais uma vez o Estado do Amapá aparece entre estados que foram contemplados com o Prêmios Gestão Pública e Cidadania, da Fundação Getúlio Vargas e Fundação Ford pelo projeto de “Resgate e Valorização das Parteiras Tradicionais do Amapá”, onde as parteiras cadastradas foram capacitadas e recebem bolsa com o material necessário para a realização de partos domiciliares além do benefício financeiro de meio salário mínimo. Neste mesmo ano 2002, o Governo do Estado do Amapá foi agraciado com o Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade, oferecido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), órgão do Ministério da Cultura, pela execução do projeto Educação Patrimonial da Fortaleza de São José de Macapá, que institucionalizou o programa em que os estudantes, professores e comunidade em geral recebiam informações e atividades relacionadas à história do monumento, visando sua preservação deste patrimônio histórico que é o mais bonito e completo monumento construído pelos portugueses no Brasil, na época do império. Tantos outros feitos positivos da implementação do PDSA, formulado com sabedoria e implementado com exímia competência 274 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL pelo Governador Capiberibe, onde o que comove é a lembrança da alegria de uma população que se sentia partícipe de um projeto transformador de suas vidas e que lhes restituíra a auto-estima e o entusiasmo por se perceberem sujeitos e não eventuais receptores passivos das políticas de governo. Nesta condição, aparecem as nações indígenas que receberam educação de qualidade em sua língua nativa, aprendendo o português como segundo idioma. Que viram sua música gravada em CD e seus instrumentos integrar-se numa orquestra de músicos eruditos. Comunidades negras que tiveram sua cultura e sua socioeconomia apoiadas por ações do governo que promoveu o marabaixo dos negros do Laguinho e estruturou a Área de Proteção Ambiental do Rio Curiaú que um dos mais importantes redutos quilombolas do Estado do Amapá. A ressonância desse modelo inovador de gestão pública na Amazônia brasileira repercutiu na imprensa nacional (Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo, Rede Globo/Jornal Nacional, TV Senac, etc.); nos escritos de jornalistas como Zuenir Ventura, Elsom Martins, Marcio Moreira Alves; nos trabalhos de cientistas renomados, como Ignacy Sachs, Azis Ab’Saber, Armando Mendes, Bertha K. Becker, Mary Allegretti. Esses sons, ainda, foram audíveis em insignes e prestigiados jornais da imprensa internacional, como New York Times e Le Monde, os quais, por ocasião dos 10 anos da morte de Chico Mendes (1998) reconheceram que apenas o Amapá, com o PDSA, correspondia à proposta de Chico Mendes para o desenvolvimento sustentável da Amazônia. Em suma, o desempenho do PDSA e seu alcance inovador, cujos projetos receberam mais de 10 prêmios, foram objeto de extensa bibliografia na forma de monografias de graduação, dissertações de mestrado, teses de doutorado e livros. Embora às vezes com ajustes, o PDSA é aprovado como um programa capaz de apontar e inspirar caminhos viáveis para o desenvolvimento sustentável da Amazônia, em que se articulem o sucesso na economia com avanços na equidade social e na conservação e preservação do meio ambiente. Parte significativa dessas conquistas foi analisada na coletânea de livros e artigos citados anteriormente, assim bem como na tese de livre-docência intitulada “Desenvolvimento Sustentável O debate teórico e importância nas políticas públicas da Amazônia”, defendida na USP em 2007 pelo professor Manoel Cabral de Castro. Na finalização deste texto, três pontos sintetizam as considerações feitas. O primeiro é que o PDSA, em seu ineditismo, demonstrou que é viável alavancar um dinâmico processo de desenvolvimento da PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 275 Amazônia, sem destruí-la. O segundo concerne ao fato de que, em termos práticos, o PDSA correspondeu genuinamente à ideia central de Chico Mendes de que é imperativo conservar a Amazônia como meio de vida das populações que a habitam, portanto utilizando, de modo sábio e sustentável, seus recursos naturais. O terceiro é que, em relação ao avançado pensamento teórico de Samuel Brenchimol, tal qual se encontra no livro Zênite ecológico e Nadir econômico-social Análises e propostas para o desenvolvimento sustentável da Amazônia (2001), há plena coincidência entre as propostas desse autor e as que se encontram no PDSA. Esta coincidência é patente na priorização do uso sustentável dos recursos naturais relativamente às propostas preservacionistas de intocabilidade desses recursos, centradas na criação de Unidades de Conservação (UC) de proteção integral, um equívoco que ainda permeia muitas das políticas públicas nos níveis federal, estadual e municipal. Projeto: MMnnnnn mmmmnnn mmmmnnn P-05 O Centro Especializado em Gestão dos Recursos Pesqueiros do Litoral Norte (CEPNOR) executa suas ações na área de pesquisa e gestão dos recursos pesqueiros, desenvolvendo seu papel institucional com a multiplicação de informações e ações que possibilitem o fortalecimento das comunidades extrativistas utilizadoras dos recursos de uso comum. A presente pesquisadora possui o perfil necessário para o desenvolvimento de ações dentro da proposta apresentada por este Centro de Pesquisa, valorizando as comunidades extrativistas, principal público alvo das ações de educação ambiental, fortalecimento da gestão ambiental. Possuindo, ainda, técnicas de mediação de conflitos e organizações de eventos relativos as propostas de discussões de temas relevantes de execuções de políticas públicas, relacionados com o desenvolvimento sustentável.Possui dinamismo e senso de coletividade, sabendo lidar com situações extremas de escassez de recursos.Buscando sempre parcerias para as atividades a que lhe são conferidas, coordenando o núcleo de Educação Ambiental deste Centro de Pesquisa desde 2004.Uma das principais ações que 276 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL lhe são conferidas a execução, responsabilidade e coordenação é a ação com o público infanto-juvenil do município do Mojú, por título Agentes ambientais Mirins; em que são trabalhadas as atividades que despertem a preocupação com o cuidado com o meio ambiente, tratanto de temas de preservação e conservação ambiental e desenvolvimento sustentável, bem como a inserção e valorização do ser humano neste processo de utilização racional dos recursos de uso comum. Projeto: MMMMmmm mmmmmnnn mmmmnnn P-06 Carlos Eduardo de Souza Braga nasceu na cidade de Belém, no Estado do Pará, em 6 de dezembro de 1960. É empresário e engenheiro formado pela Universidade Federal do Amazonas, no curso de Engenharia Elétrica. Iniciou sua carreira política aos 21 anos, como vereador de Manaus. Uma atuação combativa na Câmara dos Vereadores acabou por valer ao jovem político uma expressiva votação para deputado estadual, em 1986. Na Assembléia Legislativa do Estado foi um dos mais atuantes deputados, sendo líder do Governo e relator da Constituição do Amazonas. Em 1990, Eduardo Braga foi eleito deputado federal, obtendo a maior votação do seu partido. Foi eleito vice-prefeito de Manaus em 1992 e assumiu a Prefeitura Municipal em março de 1994. Com um trabalho inovador, Eduardo Braga realizou obras nas áreas de infraestrutura, saúde, educação e habitação que transformaram a capital amazonense. Em 1996 Braga deixou a Prefeitura de Manaus com 98% de aprovação da população, o maior índice da história da cidade e do País. Em 2002 foi eleito com maioria absoluta no primeiro turno das eleições para o Governo do Estado do Amazonas. É o criador de programas revolucionários para a população do Amazonas, com destaque para o Zona Franca Verde, que tem levado desenvolvimento ao interior do Estado, o Programa Social e Ambiental dos Igarapés de Manaus, o Prosamim, responsável pela maior transformação urbanística da capital nos últimos 50 anos, e o Sistema Público de Ciência e Tecnologia do Amazonas que foi uma ação do Governo ocorrido em 2003, que decidiu mudar a realidade no PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 277 Estado com a criação do referido sistema, que é composto por quatro instituições: a Secretaria do Estado de Ciência e Tecnologia (SECT), a Fundação de Amparo à Pesquisa (Fapeam), a Universidade do Estado (UEA) e o Centro de Educação Tecnológica (Cetam). Apesar da criação da SECT e Fapeam já terem sido mencionadas na elaboração da Constituição do Estado, em 1988, quando foi relator da mesma, tanto a Secretaria e quanto a Fundação só saíram do papel em 2003. Elas têm como função ampliar a geração de conhecimentos científicos e tecnológicos, possibilitando alternativas para o desenvolvimento sustentável humano e solidário. Em 2006 foi reeleito no primeiro turno com 50,63% dos votos válidos. É o autor da primeira Lei de Mudanças Climáticas e Conservação Ambiental do Brasil, que consolida o compromisso do Estado com os seus povos, a floresta, a evolução tecnológica e o bem-estar do planeta. No seu governo foi o primeiro a criar a legislação estadual de inovação, em novembro de 2006, com a lei nº 3.095. É o criador do Programa Bolsa Floresta, recompensa financeira paga pelo Governo do Amazonas aos moradores de Unidades de Conservação Estaduais (UCE), considerados verdadeiros guardiões das florestas. É o criador da Fundação Amazonas Sustentável, principal esteio de sustentação da política de combate às mudanças climáticas implementada pelo Governo do Amazonas. No dia 31 de março de 2010, Eduardo Braga renuncia para poder disputar vaga para o Senado Federal. Nas Eleições 2010, é eleito senador do Amazonas pelo PMDB, com 42,07% dos votos (1.236.970 votos). No Senado, defende o desenvolvimento sustentável, a integração regional, a Reforma Político-eleitoral, entre outros temas de relevância para o Amazonas e o Brasil. O senador é presidente da Comissão de Ciência, Tecnologia, Comunicação, Inovação e Informática (CCT) do Senado e membro titular das Comissões de Assuntos Econômicos (CAE), InfraEstrutura e Meio Ambiente. É ainda suplente nas de Constituição e Justiça (CCJ), Assuntos Sociais e Mista de Orçamento. Como presidente da Comissão de Ciência, Tecnologia, Comuni cação, Inovação e Informática (CCT), o senador pretende aproximar a comunidade científica da população, trazendo para o Senado temas que afetem as pessoas diretamente como a busca pela cura de doenças negligenciadas e soluções científicas para reduzir os impactos de grandes desastres naturais. 278 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL Projeto: MMMMnnnnn mmmmnnn mmmnnnn P-07 Davi Kopenawa nasceu em Toototobi comunidade indígena Yanomami, no Estado de Roraima próximo da fronteira com a Venezuela, em 1956. Ele é um xabori, palavra Yanomami para xamã, e também é o principal porta-voz indígena brasileiro no exterior, sobretudo em parlamentos europeus. Durante mais de 20 anos, Davi tem proferido, em suas visitas a vários países, uma mensagem sobre a importância do respeito aos direitos dos povos indígenas e do cuidado que todos devem ter com a conservação da floresta amazônica para benefício da humanidade. Ficou conhecido como porta voz de seu povo no Brasil e no exterior. Foi convidado pelo Centro de Direitos Humanos da ONU para discursar na sede da entidade, em Nova York, em dezembro 1992, na abertura oficial do Ano Internacional dos Povos Indígenas, representando os índios da floresta amazônica. Participou da conferência Internacional do Conselho Mundial dos Povos Indígenas do Ártico, em Tromso, na Noruega, em 1990, como porta voz dos Yanomami e dos índios brasileiros. Por meio de contato estabelecido com a Cooperação da Agencia Norueguesa de Desenvolvimento, há 25 anos, o povo Yanomami continua recebendo o apoio dos Noruegueses, por meio da Rainforest Foundation, para consolidar a organização do povo Yanomami, a Associação Hutukara, que atua nas áreas da educação e saúde. Kopenawa mantém contato regular na Europa com grupos de defesa dos direitos humanos ligados aos direitos humanos, saúde e meio ambiente. Quando visitou a Alemanha, em abril, a Deutsche Welle o chamou de o dalai-lama da floresta. Davi se posiciona veementemente em defesa da conservação da Amazônia. Está construindo a unificação de seu povo, por meio da Associação Hutukara, envolvendo as muitas comunidades Yanomami no Brasil. Uma tarefa desafiadora do ponto de vista antropológico, uma vez que nesta sociedade tradicionalmente não existia a figura do “chefe”. Com uma população de cerca de 30 mil indígenas, dos quais 17 mil vivem em território brasileiro (os demais, na Amazônia PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 279 venezuelana), distribuídos em 300 comunidades, Kopenawa alcançou grande projeção internacional às vésperas da Eco-92, o encontro internacional que permitiu a construção de propostas para que o governo brasileiro demarcasse o território Yanomami, uma área de 9,7 milhões de hectares. Os linguístas classificam quatro subgrupos que falam línguas da mesma família (Yanomae ou Yanomama, Yanomami, Sanöma, Yawari, Waika, Yanomami, Xirixana e Ninam). Há ainda um conjunto cultural e linguístico composto de nove línguas Yanomami e a língua Ye’kuana que também está presente em nosso território. Categoria Empreendedorismo Consciente EC-01 Projeto: Projeto consumo consciente: agir e viver por um mundo melhor A Escola Cândida é uma escola democrática que viabiliza valores como respeito, justiça, igualdade, solidariedade, ética, dignidade e honestidade, garantindo assim, uma educação de qualidade que vise a formação de cidadãos mais comprometidos, consciente e solidários, capazes de contribuir para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária. A Escola Municipal de Ensino Fundamental Cândida Santos de Souza com a contribuição de funcionários, alunos, pais e comunidade desenvolve há três anos consecutivos o projetos: de Revitalização da Escola: Direito de usar, dever de preservar com intuito de buscar e incentivar a conservação e preservação do patrimônio público escolar, incentivando a utilização correta do espaço escolar procurando a conscientização de todos os segmentos acerca dos benefícios que a escola dispõe. Juntamente com este Projeto desenvolvido na escola temos o Projeto: Planeta Sustentável: Agir e Viver por um Mundo Melhor, com 280 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL o objetivo de estimular a preservação do meio ambiente e o respeito à vida promovendo a reciclagem e ações educativas que promovam a sustentabilidade. E em 2009 damos continuidade a estes trabalhos com o Projeto Consumo Consciente Agir e Viver por um Mundo Melhor trazendo o tema Manejo do Lixo no Bairro, Diga não ao Desperdício. Sensibilizando a comunidade para a importância de se cuidar do seu Lixo evitando grandes desperdícios que agridem o Meio Ambiente e suas gerações futuras. Neste contexto, há necessidade de chamar a atenção de toda a comunidade para a preservação do meio ambiente, pedindo ajuda a Escola e Comunidade para juntas se executar ações conjuntas que combatam a agressão do planeta e possibilite a harmonia na Terra. EC-02 Projeto: Desenvolvimento de Material Proveniente do Reaproveitamento dos Resíduos Sólidos Urbano para Aplicação na Construção Civil, Arquitetura, Logística, entre outras O brasileiro produz, em média, 1,2 Kg/dia de lixo, o volume diário no Brasil chega a 195.000 toneladas resultando em 60,8 milhões de toneladas de lixo, sendo que pouco mais de 10% deste montante não foi sequer coletado, indo parar em córregos, terrenos baldios, ruas e rios. O objetivo deste projeto é apresentar soluções para a problemática acima por meio do desenvolvimento de compósito a partir da reutilização de Resíduos Sólidos Urbanos, para aplicação na Construção Civil, Arquitetura, Logística, entre outras. O processamento dos resíduos dará origem a materiais alternativos com qualidade e valores que atenderão aos requisitos do mercado. Esses produtos poderão ser utilizados como substitutos ou complementos da madeira, concreto, argamassa armada, cerâmica entre outros, dependendo da aplicação. O projeto está previsto para ser executado em 3 anos e o custo estimado em R$ 596.000,00 (Quinhentos e Noventa e Seis Mil Reais). As expectativas a partir dos resultados desse projeto são contribuir para: diminuição do volume de resíduos sólidos depositado nos lixões e/ou aterros sanitários; redução da extração dos recursos naturais; agregação de valor aos resíduos; estímulo à organização de PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 281 cooperativas ou empresas que realizam coleta seletiva e demais fases da cadeia da reciclagem de resíduos sólidos; melhoria de vida das populações da Região Amazônica por meio da geração de postos de trabalho e renda. Projeto: Projeto Paca de Acrelândia, Acre EC-03 A possibilidade de se alterar a maneira como se dava a produção agropecuária na Amazônia chegou à região no final da década de 1980. No Acre foi, precisamente, em 1989 que a Fundação de Tecnologia do Acre (Funtac) começou a delinear um consórcio de espécies florestais e agrícolas a serem cultivadas na mesma tarefa do roçado do produtor. Era o início do que viria a ser reconhecido na área técnica como Sistema Agroflorestal ou SAF. O SAF consorcia, mistura, na mesma área, espécies ditas permanentes ou semi-permanentes, de ciclo médio ou longo, florestais ou não, com espécies da agricultura branca tradicional, de ciclo curto, sobretudo milho, arroz, feijão e macaxeira. No início do plantio, quando as mudas das árvores e arbustos ainda estão no primeiro estágio, o produtor pode conseguir renda com a cultura branca. A partir do segundo ou terceiro ano, quando o produtor normalmente abandona o plantio para ir em busca de novas áreas, deixa para trás um plantio formado de espécies frutíferas e madeireiras. Na verdade, o produtor enriquece a área de pousio, que periodicamente é tomada pela capoeira. Ocorre que é tradicional na produção agrícola regional a utilização de determinada área de roçado para cultivos de subsistência e comerciais, por um determinado período consecutivo e, depois, seu abandono para o descanso, ou pousio, por período superior a cinco anos. Nesse intervalo de tempo, com a instalação do SAF, ao invés da formação de uma capoeira sem utilidade aparente, o produtor terá, já no segundo ano, uma capoeira com espécies de valor comercial. Esse rendimento com culturas permanentes pode auferir renda para o produtor - de maneira periódica, todo ano e permanente, por um período de mais de 15 anos. 282 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL A idéia básica é contornar o problema do desgaste agronômico do solo, resultado das sucessivas queimadas, plantios e colheitas das culturas brancas, por meio de seu descanso prolongado. O produtor não mexe na terra e as culturas permanentes possibilitam melhoria sensível nas condições físicas e químicas do solo. Após esse longo período, o produtor tem novamente uma terra com boas condições para receber novos plantios de milho, arroz. Além disso, há outra significativa contribuição dada pela tecnologia do SAF. É que, com o passar do tempo, os pequenos e médios produtores, em especial aqueles que conseguiam certo nível de capitalização, viam na pecuária bovina uma opção importante para realizar investimentos. A instalação do SAF faz com que o produtor volte sua atenção para um outro tipo de produção. Em vez de seguir no rumo da agricultura destinada a amansar a terra para a pecuária, o produtor pode ir além na própria agricultura, saindo do ciclo curto, que exige um trabalho árduo da família, para o ciclo médio e longo, com produtos de maior valor agregado e, o que é melhor, que exigem menos sacrifícios ergonométricos da família do produtor. Mas o SAF encontra resistência por parte do produtor devido ao seu longo período de maturação. O que foi descrito nessa experiência como “pousio econômico” desanimava o produtor a investir no SAF. É nesse contexto que se insere o presente trabalho. Tomando por referência a instalação de um dos primeiros SAFs do Acre, localizado no município de Acrelândia, e fruto do trabalho isolado realizado com rara determinação pelo próprio produtor há 20 anos, o SAF foi elevado tecnologicamente à condição de Sistema Agrosilvipastoril, SAS, por meio da introdução de animais silvestres amazônicos. Como se poderá notar na descrição a seguir, o projeto constatou que a introdução do componente animal além de fornecer proteína para própria unidade familiar de produção, se configura como importante fonte de renda em um período intermediário no qual o SAF permaneceria ocioso. Ocorre que em determinado momento o sombreamento realizado pelas espécies florestais já não permitem a produção da cultura agrícola de ciclo curto, mas, no entanto, essas espécies de ciclo longo ainda não começaram a produzir plenamente. A produção de carne e derivados do animal silvestre, mesmo que em pequena escala, nesse período de pousio econômico, eleva a renda gerada na propriedade de maneira significativa. PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 283 Trata-se de uma tecnologia importante para conservação de espécies de animais silvestres da Amazônia cuja escassez é percebida com facilidade. Mas, também trata-se de iniciativa com elevada importância social na medida em que contribui no fornecimento de proteína animal para agricultores familiares e para promoção de uma cultura de produção primária que reconheça a importância da diversidade biológica presente na Amazônia. Todavia a opção por inscrevê-la na categoria tecnlógica/econômica deu-se em função de suas características de inovação tecnológica ao consorciar espécies vegetais e animais, silvestres da Amazônia, e, assim, elevar a renda da agricultura familiar praticada na Amazônia. Uma experiência pioneira na região com profundos efeitos sobre a pequena produção rural atualmente praticada. EC-04 Projeto: Fábrica de produtos a partir de restos de madeira de construções e de sobras de móveis Trata-se de uma proposta de desenvolvimento de uma metodologia para trabalhar com restos de madeira, das marcenarias, madeireiras e construções, os quais serão utilizados para a fabricação de artesanatos e objetos de pequeno porte, até biojóias. Os empreendimentos citados anteriormente, geram grandes quantidades de resíduos diariamente, os quais seriam despejados na natureza/meio ambiente gerando entulhos que deixam a cidade com aspecto desagradável e entopem os bueiros, vão para os rios ocasionando os alagamentos, como temos visto nos últimos anos em nosso Estado. Infelizmente em nosso Estado ainda existem poucas empresas que os reutilizam, sendo assim, será montada essa fábrica com a certeza que haverá uma grande quantidade de pessoas que serão beneficiadas social e financeiramente falando, sem contar o quão importante ele será se ter um mundo melhor para as futuras gerações. 284 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL Outro foco são os trabalhos que venham contemplar os presos de Cacoal (RO), tanto do regime de semi-aberto e fechado (as peças semi-prontas poderão ser levadas ao presídio para que os mesmos façam os acabamentos sem precisar sair), esses produtos poderão ser comercializados em feiras e exposições em geral, por que não dizer para exportação? O que trará grandes benefícios a Região Amazônica também, pois será levado em suas etiquetas o nome de nossa região. Para que possa trazer mais benefícios, pode-se realizar a doação de brinquedos às crianças carentes de vários municípios, pois quanto mais peças feitas maiores serão os lucros, sejam financeiros ou para o meio ambiente, que são valores incalculáveis. Fala-se muito em inclusão social, mas em razão do “pré-conceito” muito pouco se tem feito, poucos são os ex-presidiários que tem uma oportunidade para ter uma vida melhor, bem como ter a condição de ajudar a sua família e ter um destino feliz, para que isso ocorra é fundamental a valorização e o respeito com o próximo que muitas vezes não teve outra saída a não ser o mundo obscuro do crime. Com a realização dessas atividades será incluído também os cursos para jovens em condições de risco, essa prática ainda não tem sido utilizada em muitos lugares, porém não basta reclamar ou questionar, tem-se que fazer algo, pois os resultados com certeza serão positivos e dessa política surgirá uma sociedade mais justa e consciente no que tange ao meio ambiente. Com certeza será visado sempre à melhoria da qualidade de vida de todos no presente, bem como das futuras gerações, de forma moderna e com tecnologia de ponta, com o auxílio de terceiros do setor privado moderno nacional ou internacional, e com certeza sempre assistidas pelo poder público. Contando sempre com o apoio dos organismos não-governamentais e governamentais que defendem o meio ambiente e a vidas que dependem de um planeta mais saudável, dentre elas pode-se destacar a sociedade civil organizada ou não, pelos governos federal, estadual e municipal, pelos sindicatos e órgãos de defesa de classes, pelos empresários essa soma de forças é que fará desse projeto um sonho realizado. Diga-se de passagem, Rondônia tem se destacado mundialmente falando, no turismo ecológico que embora um pouco tímido ainda, já tem evoluído consideravelmente, com valorização dos recursos e riquezas de cada localidade, e isso proporcionará maior lucratividade com as vendas desses produtos, como se vê não faltarão clientes, pessoas que possam trabalhar e se beneficiar desse honrado empreendimento. PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 285 Buscaremos apoio das Universidades, das Faculdades, já temos convênio com algumas, bem como das escolas Públicas e Privadas, as quais deverão participar, principalmente, com o auxílio dos professores e alunos de todos os cursos desde iniciantes, passando pela graduação, especialização, mestrado e doutorado nas mais variadas áreas, pois vários outros projetos poderão ser efetuados paralelamente, como por exemplo, pessoas para fazerem os desenhos das peças, outro exemplo, lugares e pessoas que possam vender a produção. O resultado desses trabalhos deverá servir também para que alunos possam ter material empírico para elaborar teses, dissertações e monografias sobre os problemas e soluções encontrados no desenvolvimento do projeto e dos trabalhos, que envolvem cada setor da sociedade, desde a coleta da matéria prima (que são os resíduos), até o produto final, vale ressaltar que esse projeto é um exemplo de desenvolvimento sustentável. O presente projeto visa também a Conscientização e Educação Ambiental nas escolas com o apoio da SEMED (Secretaria Municipal de Educação e Secretaria Estadual de Educação), bem como de outros órgãos como: Secretaria Municipal e Estadual de Cultura, SEMA (Secretaria Municipal de Meio Ambiente), SEDAM (Secretaria de Estado do Desenvolvimento Ambiental), Policia Militar, Agente Penitenciários de Cacoal, Secretaria Municipal e Estadual de Saúde e nas comunidades, bem como a Inclusão Social de ex-presidiários e presidiários do Mini Presídio de Cacoal, para tanto, pretende-se realizar processo de formação continuada e capacitação dessas pessoas, outrora sem oportunidade nenhuma a vista. A estruturação, a sensibilização e a mobilização da comunidade serão alcançadas mediante a implantação e divulgação das ações do projeto, para alcançar essa gama de pessoas serão feitas palestras e divulgação através da impressa falada e escrita, pois somente assim obterá êxito total. Vale ressaltar que, a metodologia participativa fará com que as atividades sejam desenvolvidas por meio de sensibilização e mobilização dos alunos, presidiários e ex-presidiários, dos parceiros e da comunidade através de reuniões, palestras, cursos com temas relevantes ao meio ambiente e à gestão ambiental, distribuição de material informativo e educativo com micro orientação, de modo que ocorra a divulgação com maior alcance possível. O projeto abrangerá principalmente o município de Cacoal, buscando a sua replicabilidade em vários outros municípios circunvizinhos, atingirá um número de beneficiários diretos e indiretos incalculáveis. 286 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL Projeto: Categoria Empresas na Amazônia EC-05 A empresa iniciou sua organização a partir de 1929, com a chegada dos primeiros imigrantes Japoneses, às margens dos Rios Acará e Tomé-Açu/Pará, que organizaram a Cooperativa de Hortaliças do Acará (a primeira Cooperativa agrícola da Amazônia), cultivando Cacau, Hortaliças, Arroz e Juta. Introduziram a Pimenta-do-Reino na década de 30, transformando em 1949, na atual Cooperativa Agrícola Mista de Tomé-Açu (Camta), que após a 2ª Guerra Mundial, elevou Tomé-Açu no maior pólo de produção nacional e o Brasil ao topo da exportação mundial. A região alcançou prosperidade e riqueza com a Pimenta-do-Reino, apelidada de ‘’Diamante Negro’’, fase que entrou em crise a partir da década de 60, com o surgimento da doença Fusariose, dizimando os extensos monocultivos. Superando adversidades, plantaram-se Frutíferas e Florestais da Amazônia, consorciadas com a Pimenta-do-Reino, originando o Sistema Agroflorestal de Tomé-Açu – Safta, garantindo o desenvolvimento com sustentabilidade econômico-ecológico e social, através da agroindústria de frutas tropicais, construída para atender o grande volume de frutas produzidas nas regiões do Vale do Acará e Baixo Tocantins. Atualmente, a Camta absorve diretamente a produção de 2.800 produtores cadastrados, beneficiando as comunidades com preços justos, sem atravessadores, prestando Assistência Técnica, aumentando consideravelmente as condições de renda, trabalho e a qualidade de vida destas populações, compartilhando sua tradição de cooperativismo, sua tecnologia do Safta, com as comunidades no Brasil e na Bolívia, sendo realizadas através de parcerias com diversas entidades nos projetos Sócio-Ambientais. PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE EC-06 287 Projeto: Inovadores no processo de gestão e produção de sacolas de resíduos gráficos O Projeto Incentivadores no Processo de Gestão e Produção de Sacolas de Resíduos gráficos é uma iniciativa microempresarial que surge da preocupação com a problemática da gestão ambiental e da necessidade de dispor no município de Coari de um produto de embalagem com uma durabilidade e resistência superior às freqüentemente utilizadas, visando introduzir um subsidio de estética agradável que estimule a sociedade a utilizar estas sacolas com a finalidade de ao menos diminuir o uso das sacolinhas de supermercados, ação que se propõe a atenuar aos impactos ambientais causados com o descarte inadequado destes insumos, bem como, agregar valor estético ao potencial de reciclagem para reutilização disponível nas gráficas do município. Sensibilizar a sociedade do Município de Coari, para a utilização de sacolas uso permanente. A construção de uma proposta de Gestão e Produção de Sacolas de Resíduos gráficos comprometida com exercício da busca de qualidade de vida exige a explicação de pressuposto que devem fundamentar sua prática, entre os quais: O meio ambiente ecologicamente equilibrado é direito de todos, bem de uso comum essencial à sadia qualidade de vida. No tocante ao ambiente ecologicamente equilibrado não se limita simplesmente à vida e sim perpassa da vida aos efeitos ocasionados aos outros seres que diretamente estão vinculados no processo de ações inadequadas realizadas pelo desenvolvimento não estruturado da humanidade. Em virtude desta abordagem é relevante aferir que preservar e defender o meio ecologicamente equilibrado é dever do poder público e da coletividade e é um compromisso ético com as presentes e futuras gerações. A pesquisa no Processo de Gestão e Produção de Sacolas de Resíduos Gráficos deve proporcionar condições para produção e aquisição de conhecimento e habilidades e o desenvolvimento de atitudes visando à participação individual e coletiva dos membros da empresa, de modo que os sujeitos da ação devem ser prioritariamente 288 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL a equipe de executabilidade da proposta assessorada pelos segmentos sociais que são afetados e onerados, de forma direta, pelo ato de Gestão da Empresa em analise. Segmentos sociais que dispõe de menos condições para intervirem no processo decisório, bem como o próprio gestor empresarial. O presente Projeto propiciará promoção à saúde e qualidade de vida, introduzindo subsídios (Incentivando no Processo de Gestão e Produção de Sacolas de Resíduos Gráficos) para conscientizar e sensibilizar a gestão da empresa das patologias geradas em indivíduos inseridos na sociedade, os quais podem vir a conviver com os efluentes sólidos dos insumos de sua produção, visto que estes produtos podem apresentar determinadas propriedades inadequadas a vida. A presente proposta é uma forma de incentivar as ações que visam serem executadas com sucesso, bem como ampliar as ferramentas do Processo de Gestão e Produção de Sacolas de Resíduos Gráficos, assim evidenciar a relevância das ações incumbidas no Processo de Gestão Ambiental. EC-07 Projeto: Aproveitamento dos resíduos de peixe: em busca da emancipação socioeconômica de mulheres pescadoras da Baía do Sol, na Ilha de Mosqueiro, no Estado do Pará As comunidades da Ilha do Mosqueiro, Distrito de Belém, Estado do Pará têm como base de sua economia a pesca, entretanto, os resíduos gerados pela atividade pesqueira não são aproveitados de forma a contribuir para a geração de renda na Ilha. Tais resíduos são descartados na natureza, gerando graves impactos ao meio ambiente. Considerando a necessidade de aproveitar de forma integral todos os resíduos gerados, surgiu a idéia de elaborar o presente projeto, que tem por finalidade capacitar as mulheres pescadoras da comunidade Baía do Sol para o aproveitamento dos resíduos do peixe (pele e escama) no curtimento e transformação em couro para confecção de artesanato, contribuindo, dessa forma, para a melhoria de qualidade de vida das pessoas que vivem da pesca na Ilha do Mosqueiro, além de promover a qualificação e conscientização para diminuição de resíduos que são descartados no meio ambiente. PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 289 Trata-se de um projeto piloto, nunca implantado na Região Amazônica, que demandará recursos da ordem de R$ R$ 223.052,70, cujos benefícios econômicos, sociais e ambientais gerados justificam a sua importância para o desenvolvimento sustentável local, que se traduz em melhoria da qualidade de vida da comunidade da Baía do Sol. EC-08 Projeto: Turismo ecológico nas mesorregiões do Amazonas: transporte turístico a sítios e chácaras com rios na BR-174 A pesquisa Turismo ecológico nas mesorregiões do Amazonas: Transporte de turista a sítios e chácaras com rios na BR-174, é a oportunidade que os proprietários de sítios e chácaras precisavam para criar uma renda maior e com isso realizar mais contratações de mãode-obra de moradores ao redor dos locais, gerando emprego e renda. Na outro lado dessa questão, encontramos os turistas que visitam a cidade de Manaus, esse público vem a nossa cidade para conhecer nossos pontos turísticos, mas por falta um projeto de turismo ecológico, esses turistas vão embora da nossa cidade sem ter o contato com as maravilhas da natureza dos rios em nosso Estado. Por isso, esse projeto busca criar uma ligação entre os donos desses ambientes com rios na BR-174 e as empresas de transporte turístico e as agências de turismo para vender pacotes para turistas terem contato com a calma e a natureza refrescante dos nossos rios e incentivar o emprego e renda com o transporte, lazer e serviços oferecidos pelos trabalhadores e moradores das comunidades na BR-174. Projeto: Coleta de lixo orgânico e químico (lixo branco) EC-09 O presente trabalho tem por escopo demonstrar o quanto é importante a coleta do lixo orgânico e químico, ou seja, do “lixo 290 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL branco” para a questão da saúde pública e, consequentemente, da sustentabilidade do meio ambiente em que vivemos. Para qualquer região do país, isto seria de suma importância, na sua aplicabilidade, já que estamos em busca de todos os meios possíveis para preservar o nosso ecossistema. É-me imperativo apresentar trabalhos ou subsídios à toda e qualquer região, como contribuição para a melhoria, preservação do seu meio ambiente e, acima de tudo, a defesa da nossa saúde e bemestar. É este, pois, o significado do meu modesto trabalho, na certeza da melhor acolhida possível. Valho-me, nestas primeiras palavras, do artigo 225 da nossa Constituição de 1988: “Todos têm direito ao meio ambiente ecologi camente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações”. Pois bem. Em todas as palavras e conceitos que se possa empregar o texto do artigo 225, poder-se-á também inserir a questão do lixo branco: direto ao meio ambiente salutar, equilíbrio ecológico, qualidade de vida sadia, responsabilidade do poder público e dos cidadãos, defesa e preservação do sistema ambiental e, finalmente, a utilização desse modelo para o benefício das gerações de hoje e as do amanhã.. Vamos, então, pelas considerações gerais: Tem sido muito discutido a questão da contaminação por parte do lixo branco, isto é, o lixo de origem orgânico e químico. Quando este lixo é apanhado, transportado e depositado no denominado “lixão”, ocorre um longo processo de contaminação do ar, das pessoas – do ecossistema, enfim. A manipulação de tal lixo é sempre algo preocupante, já que se sabe das muitas notícias de transmissão de doenças, contágios, acidentes, etc. O coletor do lixo (lixeiro), os seus transportadores e o “lixão” em si, são sempre os mais afetados. Isto, sem falar dos catadores de lixo que atuam nestes “lixões”. É todo um complexo tal, que devemos estar constantemente atentos. Produtos de hospitais, laboratórios, etc. (como seringas, agulhas, frascos de remédios, partes orgânicas mutiladas ou extraídas), assim PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 291 como de laboratórios químicos, com composições diversas e perigosas, exigem, pois, uma disciplina especial para o seu manuseio. Assim é que o projeto envolve a todos os que estão nestas áreas, visando preveni-los de qualquer contágio ou acidente. O invólucro destes produtos, o seu apanho e o seu transporte até o incinerador deve ocorrer com todo cuidado possível, para que todos estejam perfeitamente isentos de qualquer contágio. Pessoal qualificado, treinado, utilizando equipamentos adequados, são primordiais para o êxito do projeto e sua praticidade. Com um custo reduzido, isto é possível realizar, contando com: pessoal treinado para a coleta e transporte até o incinerador, veículo tipo “furgão” fechado, Instalação do incinerador só para este tipo de lixo (orgânico e químico), supervisão da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, supervisão da Secretaria Municipal da Saúde, Secretaria Municipal da Fazenda, Secretaria Municipal de Obras e Manutenção Pública. Eis, pois, em linhas gerais, o que o projeto pode permitir ao município, dentro dos parâmetros legais de cidade limpa, contribuindo, assim, com o meio ambiente salutar. Para a efetiva viabilização do projeto, há uma série de órgãos e empresas, numa colaboração mútua. Em vista do exposto e em razão do problema de coleta de lixo orgânico e químico, pela contaminação que isto pode ocorrer, elaborei este projeto, visando o envolvimento dos seguintes: como órgão público: Prefeitura Municipal (Serviço de Coleta de Lixo, Pessoa Especializado e Secretaria da Fazenda do Município). Já na questão da empresas privadas, temos: Hospitais, Laboratórios de Análises, Clínicas Veterinárias, Consultórios Médicos, Clínicas Médicas, Farmácias, Farmácias de Manipulação, Drogarias, Consultórios Dentários, Clínicas Dentárias, Pronto Socorros, Postos de Saúde, Clínicas Radiológicas Pela Prefeitura Municipal, teríamos a elaboração de uma lei para a cobrança dessa taxa de recolhimento, que poderá se efetivar através do carnê do IPTU ou carnê distinto, cuja cobrança será mensal. Além desse dispositivo, é necessário: – A construção de um incinerador para que este material coletado seja extinto, com aparelhos de descontaminador (filtro) do ar, produzido por essa queima. 292 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL – A devida orientação e treinamento do pessoal de coleta, em veículo próprio, sendo que estes funcionários deverão estar equipados com proteção, principalmente nas mãos. – Que o resultado dessa taxa seja exclusivamente direcionado para a manutenção desse pessoal, renovação de equipamentos, frota de veículos e manutenção destes, aquisição de material de embalagem, etc. – Que a Prefeitura aplicará as devidas multas por não observância do que dispõe a lei. – Que terá o envolvimento da Secretaria da Saúde e do Meio Ambiente, para a efetiva orientação e aplicação desta coleta. – Que a Prefeitura Municipal distribuirá um folheto explicativo a todos os envolvidos, a fim de esclarecê-los dessa necessidade e da importância que este “lixo branco” seja coletado independentemente do lixo comum. – Que a Prefeitura Municipal elabore um cadastro geral de todos os envolvidos, mantendo-o sempre atualizado. – Que a Prefeitura Municipal elabore um cronograma de retirada do material, que deverá constar os dias da semana e os seus respectivos horários de coleta. Pelo lado das empresas envolvidas, neste caso a sociedade civil como um todo, teríamos: – A plena conscientização do programa de coleta e seus benefícios. – A adesão ao programa, em compromisso de não colocar o “lixo branco” junto com o lixo comum. – A disponibilidade de acatar estas diretrizes estabelecidas, visando, acima de tudo, o não contágio dos coletores de lixo, bem como das prerrogativas de defesa do Meio Ambiente. – A manutenção do cadastro junto a Prefeitura Municipal, com o endereço do estabelecimento, razão social, telefone, etc. – A participação efetiva no programa, com sugestões para a elaboração desta lei, em comum acordo, sempre tendo como objeto o não contágio do pessoal coletor e não poluição do Meio Ambiente. Em síntese, é um projeto de alcance geral e que poder-se-ia contar com recursos financeiros do próprio município ou de outros órgãos fomentadores da sustentabilidade. O próprio Ministério do Meio Ambiente, em conjunto com as Secretarias de Meio Ambiente PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 293 dos Estados e Secretarias ou Departamentos de Meio Ambiente dos Municípios, poderiam arcar com a locação de valores, num primeiro plano de instalação ou realização do projeto. Cabe-me ressaltar, nesta oportunidade, que estamos vivenciando um perigo enorme com os ditos “lixões”, onde se joga de tudo e tudo é depositado a céu aberto, provocando a interferência no meio ambiente com a sua contaminação por materiais orgânicos e químicos desprendidos de produtos ou dos componentes orgânicos de tais organizações e entidades. Partido de nossa sugestão, a Prefeitura Municipal de Indaiatuba, no ano de 1989, através da Lei no. 2566, de 28.12.1989, oficializou esta coleta e, até hoje, ela permanece na sua essência, muito embora esta mesma coleta seja feita terceirizada. Com isso, tenho a certeza de que os seus resultados são promissores e de alcance geral. Cabe-me, todavia, dar a partida para a efetiva aplicação que, não sendo de valor astronômico, causará um grande impacto na diminuição de componentes poluidores nas cidades. Sendo assim, os objetivos do projeto alcançam a finalidade da sustentabilidade na Terra; os resultados serão, como dissemos, promissores, a se ver pela constatação na cidade de Indaiatuba, SP; o volume de recursos financeiros para a aplicabilidade do projeto não excederá a R$ 100.000,00 (compra de veículo, instalação de incinerador, equipamentos para coleta, cursos, etc.); a quantidade de beneficiários será, de um modo geral, a população isenta da contaminação, inclusão social, geração de empregos e especialização de profissionais; metodologia empregada será de inovação, com sistema de gestão de trabalho intenso e contínuo; as regiões envolvidas serão sempre os municípios da aplicação do projeto; os impactos ocorridos serão os mais benéficos para a população que se livra do contágio e das contaminações provenientes de produtos químicos e orgânicos. Eis, pois, o que tenho a apresentar, na certeza da melhor acolhida por parte de todos os que desejam um ar limpo, uma melhor qualidade de vida e um ambiente salutar, como disse já no início. Espero, desta forma, que as autoridades políticas sejam sensíveis aos reclamos dessa coleta seletiva e possam promovê-las em todas as cidades, buscando o melhor para as comunidades como um todo Lembro, aqui, que o projeto teve a acolhida da Inova Campinas, da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) no ano de 2007, dentro dos projetos de alcance social e colocado à disposição de todos os interessados, sem qualquer custo. 294 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL O mais importante é que tenhamos a plena consciência do grau de periculosidade que o lixo branco representa numa época como a nossa, quando os descartáveis tomam esta enorme dimensão, principalmente nas grandes cidades. Aos poderes públicos, nesta hora, está a determinação ambiental eficaz, pronta e realmente colocada em prática. Projeto: Projeto Despertando Talentos EC-10 No Wikipédia encontramos uma informação realista e que diz muito sobre a atual situação econômica do Município de Tocantinópolis “No que se refere à economia local, dados estatísticos demonstram que apesar dos significativos avanços ocorridos ao longo da última década, o município de Tocantinópolis, apresenta um quadro eco nômico de características deficitárias. A economia compõe-se basicamente dos seguintes setores: funcionários públicos, comércio varejista, prestadores de serviços, atividades agropecuárias, pequenas indústrias, e também pelo mercado informal.“ Com este cenário a perspectiva para os jovens talentos se perdem no horizonte, sendo que este horizonte tem uma riqueza cultural, extrativista e histórica que podem ser trabalhadas através de Módulos na Oficina da Jubiart, focando alunos do ensino médio, que serão selecionados por afinidade com a área artesanal, sendo a primeira turma de dez multiplicadores. Atualmente a cidade de Tocantinópolis, como qualquer cidade do interior do Estado do Tocantins, tem limitação em opção de curso técnico e entretenimento para a juventude, principalmente focada na arte popular/artesanal. O olhar do senso comum banaliza a riqueza regional e cultural, impedindo uma visão empreendedora que num futuro próximo pode gerar uma nova profissão, despertar para novos caminhos, estimulando a autoestima da comunidade para o seu legado histórico e cultural. PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE EC-11 295 Projeto: Viabilidade técnica, economica e comercial da industrialização de produtos de alto valor agregado a partir de frutos exóticos da Amazonia Brasileira - uma abordagem sustentavel para a produção de alimentos orgânicos e geração de renda para as comunidades locais a partir da Castanha do Pará: um modelo “fair trade” para a Etinia Kayapó A idéia central da ação é a agregação de valor aos frutos típicos de origem da região do Amazônia Brasileira (Estado do Pará), que atualmente são negociados como uma “commodity” devido a sua baixa industrialização. As comunidades coletam frutos de forma extrativista e os comercializam em sua forma in natura ou na forma produtos caseiros com pouco valor agregado (licores e rações), gerando apenas renda de subsistência. Uma vez que as comunidades não dominam as técnicas de produção, assepsia, utilização de embalagens adequadas e técnicas de processamento, as mesmas não conseguem comercializar seus produtos em mercados locais e regionais. Assim, fica clara a contribuição da universidade na disseminação desses conhecimentos técnicos através dos alunos de engenharia de alimentos, que recebem matéria-prima das comunidades, tem suas aulas praticas/ experimentais com essa matéria-prima (gerando produtos que depois serão comercializados). Desta forma, temos um ciclo de sustentabilidade interessante entre: Comunidade (Gerando renda), alunos (desenvolvendo novos produtos e compartilhando técnicas) e Universidade (gerando conhecimento e tendo seus custos de aquisição de matéria prima para as aulas reduzidos), produzindo então um modelo de comercio justo (Fair Trade). Projeto: Monitoramento de dióxido de carbono EC-12 O Brasil está comprometido com a preservação ambiental e com a redução dos gases que produzem o efeito estufa como o dióxido de carbono (CO2), produzido pelas queimadas principalmente na Região Amazônica. Este compromisso tem sido reafirmado em reuniões 296 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL internacionais tendo o país assinado protocolos e se comprometido com metas de redução neste sentido. Do ponto de vista econômico a comunidade internacional e as Nações Unidas movimentam-se no sentido de criar um mercado de negociação de créditos de Carbono através de um programa colaborativo de redução de emissões causadas por desflorestamento e degradação de florestas (REDD). Para isto o país tem que monitorar e medir estas quantidades de emissão de uma forma eficiente e aceita para arbitragem internacional. O Brasil tem atuado de maneira internacionalmente reconhecida para monitorar o desmatamento através de satélites de sensoriamento remoto e processos de medição destas áreas. Este recurso tem permitido aos órgãos do Governo atuar com mais eficácia na repres são ao desmatamento. Já há no país o conhecimento para este monitoramento e esta tecnologia está sendo inclusive exportada para outros países da região tropical. Entretanto para a medição de emissões de modo a permitir uma maior inserção internacional do país nestas negociações o país ainda não possui meios para isto, muito embora a infra-estrutura de satélites já seja de domínio do país. Isto porque os custos para uma missão como esta com o uso de satélites é muito elevado e esta tecnologia está surgindo agora no mundo. O Brasil inicia também o desenvolvimento de pequenos satélites dento do padrão conhecido como cubesats, que têm o formato de um pequeno cubo com 10 cm. de aresta e 1 kg. de massa. Estes satélites são de baixíssimo custo quando comparados aos de maior porte, inclusive para o seu lançamento e operação. A proposta do projeto é a medição de dióxido de carbono emitido na região da floresta amazônica através de sensores (câmeras) infra vermelhos embarcados em cubesats. EC-13 Projeto: Desenvolvimento de Equipamento para Manutenção e Transporte de Banana O potencial do Brasil e da Amazônia para o desenvolvimento da agricultura, cultivo, plantio de banana é imenso. A Região Amazônica constituída por 58,5 % da extensão territorial do Brasil com aproximadamente Sete milhões de km² de floresta possui terras PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 297 e várzeas disponíveis a agricultura e ainda relativamente baratas na maior parte do país, mão-de-obra abundante e crescente demanda por banana (theobroma graniflorum), no mercado interno e externo, propicia o cultivo de banana, e poderá contribuir para o abastecimento da população Brasileira, mas existem alguns gargalos no que se refere ao transporte e comercialização de banana produzida na região. Entre estes gargalos apresenta-se a falta de um equipamento que facilite, evite perdas e permita um transporte seguro propiciando uma melhor qualidade de comercialização de bananas. O projeto possibilitará estabelecer sistema tecnológico que reduzirá as perdas econômicas no transporte de banana. A bananeira é uma espécie de grande importância socioeconômica para a Amazônia e para o Brasil, devido ao seu enorme potencial de aproveitamento integral de matéria-prima. Uma das mais rentáveis possibilidades comerciais da banana na região é a produção e comercialização de seu fruto in natura, para comercialização de vários derivados que são utilizados na culinária como alimentação popular e na fabricação de farinha, banana frita, sucos, picolés, sorvetes e doces. E sua casca é bastante utilizada como fonte de proteínas no alimento e para fins de adubo orgânico (Sudam/Pnud, 2000). Devido à necessidade de melhoria no setor primário, não só no Amazônia, como também no Brasil, Este projeto consiste em desenvolver um equipamento container para manutenção e transporte de banana em cacho pendurado que venha facilitar etapas de transporte e ajudar os agricultores, produtores de banana, compreendendo requisitos de sistema de encaixe do talo do cacho da banana na tampa com trava de segurança, pino inferior de fixação do cacho, proteção contra machucados avarias na banana resistência do material do equipamento para empilhamento, considerando desde a colheita até chegada nos mercados e feiras. Desta forma o projeto prevê o desenvolvimento de um equipamento container de banana que possa ser empilhado e transportado a pequena e longa distância por via terrestre em carreta e caminhão, fluvial barco e aérea avião. Atualmente as bananas são transportadas em carroceria de carreta e caminhão de forma desordenada, amontoadas uma por cima da outra, sem nenhuma proteção contra machucados. Este processo é ineficiente e são relatadas muitas perdas e avarias no transporte comprometendo parte da produção economicamente. 298 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL Os desafios construtivos do equipamento demandam por conhecimentos em sistemas de designe mecânico construtivo e de resistência do material empregado no equipamento. Neste sentido os pesquisadores proponentes atendem a estes requisitos. O desenvolvimento do projeto se dará em uma instituição de pesquisa do Estado do Amazonas e contemplará os passos necessários para o desenvolvimento mecânico do sistema no equipamento, sistema de manutenção e resistência do equipamento. Na primeira etapa do projeto será feito o desenvolvimento das etapas de otimização de transporte e proteção das bananas, resistência e manutenção do equipamento. Na segunda etapa do projeto este equipamento será testado pela equipe de suporte técnico em escala menor, quando será disponibilizado para o Idam e Secretaria de Produção Rural para realização de teste em escala real. Após os testes em escala real, serão feitos os testes mecânicos do sistema. No final do projeto será feito um pedido de proteção intelectual do produto gerado na pesquisa. EC-14 Projeto: Rede de Consumo da Região Metropolitana de Belém Criar uma rede de consumo física e virtual que vise beneficiar os dois lados da sociedade capitalista: o produtor e o consumidor. No que se refere ao produtor, este será beneficiado pela consolidação de seus empreendimentos, firmação conquistada pelo apoio organizacional que este projeto proporciona, assim como também cria e solidifica a cultura empreendedora baseada nos valores da economia popular solidária, tornando suas atividades empreendedoras auto-sustentáveis. No tocante ao consumidor este será beneficiado por produtos de maior qualidade (pois o intuito do projeto é contemplar em sua maioria produtos orgânicos), a preços mais acessíveis (pelo projeto eliminar todo e qualquer atravessador que antes existia na cadeia produtiva) e possibilitar a entrega direta na casa do consumidor (agregando uma comodidade maior a uma vida cada vez mais corrida). PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 299 A rede de consumo é física e virtual, pois será operacionalizada por uma associação criada com a finalidade de criar pontos de consumo para comercialização da produção e para criar estratégias de captação da produção, excluindo todo e qualquer atravessador, favorecendo com isso o produtor e o consumidor. O meio virtual da rede de consumo será realizado através de uma home page no qual o consumidor pagará somente o que está comprando, acrescentando-se apenas cinqüenta centavos (em forma de taxa) a mais a cada compra, possibilitando ao consumidor a escolha da maneira que deseja receber suas compras: em sua residência (não sendo cobrada taxa de entrega) ou em um dos postos de entrega fixo; todas as compras serão entregues sempre em sacolas de papel reciclado. EC-15 Projeto: Pousada Ecológica voltada à Exploração do Ecoturismo em vista a incentivar o Turismo Sustentável na Amazônia O empreendimento a ser construído é uma pousada ecológica de pequeno porte voltada à exploração do ecoturismo, que traz na sua essência o contato com a natureza, respeitando-a, distanciando o hóspede da vida agitada dos grandes centros urbanos. O complexo será composto de apartamentos, num padrão de construção do tipo econômico, bastante preocupado com o conforto e o bem-estar da clientela. Para isso se utilizará a Permacultura como metodologia de planejamento onde envolverá as pessoas em atividades de auto-produção dos aspectos básicos de suas vidas quanto a abrigo, alimento, transporte, saúde, bem-estar, educação e energias sustentáveis com serviços pioneiros no Estado do Amazonas. 300 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL Categoria Empreendedorismo na Amazônia Projeto: MMMmmmmm mmmmnnn mmmnnnn EA-01 A Amazônia possui um grande potencial a ser explorado de maneira sustentável como fornecedora de biocompostos com alta atividade antioxidante. Entre eles, os compostos fenólicos, classificados como bioativos, têm merecido um destaque particular na última década na prevenção de doenças crônico-degenerativas e na formulação de cremes fitoquimioprotetores, os quais auxiliam na regeneração da pele após exposição a agressões externas. Um dos grandes problemas em estabelecer um desenvolvimento sustentável para a Região Amazônica está no pouco conhecimento científico e tecnológico disponível que atenda a demanda da região. Atualmente, os investimentos brasileiros na Amazônia Legal ainda são tímidos quando comparados com as demais regiões do país, apesar do reconhecimento de que houve na última década uma postura favorável por parte do Estado Brasileiro buscando a mudança desse quadro. A Empresa insere-se neste cenário econômico promissor para alavancar e fortalecer, também, a economia regional, uma vez que esta empresa utiliza a cadeia comercial da agricultura familiar para adquirir suas matérias-primas, principalmente, por meio de cooperativas agrícolas, como a Cofruta (Cooperativa dos Fruticultores de Abaetetuba); a Camta e a Asdecono. O modelo de negócio da empresa contribui para um aumento de renda para as famílias de pequenos produtores que cultivam estas plantas e frutas, já que a Empresa sempre adquire estes insumos a preços superiores aos praticados pelo mercado, além de realizar significativos investimentos de melhoria na infra-estrutura e certificações industriais das cooperativas utilizadas (i.e. mais de R$ 100 mil investidos na cooperativa Cofruta ao longo do ano de 2010 e previsão de R$ 150 mil em 2011, fora os treinamentos coordenados). PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 301 Esta empresa realmente tem a chance de se tornar a primeira fornecedora global de antioxidantes naturais (biocompostos) e óleos naturais a partir de espécies nativas do Bioma Amazônico, transformando um velho sonho mundial de aliar desenvolvimento econômico, inovação tecnológica e preservação ambiental em um caso concreto de sucesso. Com a tecnologia de ponta e o conhecimento científico inovadores utilizados pela empresa na agregação de valor sócio-econômico a partir de folhas de árvores (Inga edulis, ingá e Byrsonima crassifolia, muruci) e frutas (Euterpe oleracea, açaí) típicas do Bioma Amazônico, o modelo de negócio desta empresa também contribui com a redução da taxa de desmatamento ao explorar espécies nativas como o açaí e com a recuperação de áreas degradadas ao explorar sustentavelmente as folhas de espécies regeneradoras do solo, como o ingá e o muruci. Projeto: Projeto 3E: eu escolho estudar EA-02 A Fundação Aquarela é o braço social da Rede Energia, um dos maiores grupos empresariais privados do setor elétrico brasileiro que atua na distribuição, comercialização e geração de energia. As nove distribuidoras que formam o grupo levam energia a 17 milhões de brasileiros, em 578 municípios, de sete diferentes estados: Pará, Tocantins, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Minas Gerais e São Paulo. A empresa é responsável por levar luz elétrica para 34% de todo o território nacional. A Fundação é uma entidade privada, sem fins lucrativos, formalmente declarada de utilidade pública federal pela Portaria n 1.584, de 01 de Outubro de 2007, e tem suas ações direcionadas a projetos de responsabilidade social para crianças e jovens nas áreas de educação e esporte. A missão da organização consiste em proteger e desenvolver as virtudes e talentos do cidadão brasileiro ainda na infância, com a convicção de que para nossa nação crescer justa e líder, nossas crianças devem crescer na plenitude de sua cidadania. 302 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL A Fundação Aquarela foi criada e é mantida pelas empresas da Rede Energia, surgiu da experiência de seus idealizadores, Jorge Queiroz de Moraes Junior e Regina Rusca Queiroz de Moraes, com o projeto Cidadania no Campo, implantado em 1999, na cidade de Bragança Paulista no Estado de São Paulo, que atende a aproximadamente 100 crianças. EA-03 Projeto: Obtenção de Enzimas Amilolíticas e Lignocelulolíticas a partir da Micobiota isolada do Papelão A empresa Ecobios foi criada em agosto de 2007 com a finalidade de prestar serviços de Consultoria Ambiental e Análise Microbiológica no Estado do Amazonas, colaborando para a conservação do meio ambiente e o desenvolvimento sustentável dos recursos naturais em benefício principalmente da população regional. Tendo em vista o surgimento e crescimento na área de meio ambiente no Amazonas, como conseqüência da implantação de um conjunto de leis e regulamentos ambientais, visando o controle às atividades industriais e urbanas. As finalidades previstas de acordo com cláusulas de sua criação são oferecer serviços de análise microbiológica de águas, ar atmosférico e produtos diversos, promovendo e executando estudos, pesquisas científicas e desenvolvimento tecnológico relacionado com o meio ambiente natural e com os sistemas sócio-econômicos-culturais da Região Amazônica, assim como realizar atividades de extensão, com vistas à aplicação do conhecimento científico e tecnológico ao desenvolvimento regional. No que se refere as empresas no ramo de Análise Microbiológica, sabe-se que ocorre baixa capacidade local instalada para realizar pesquisas na área biológica, farmacológica e tecnológica. Toda esta problemática acaba se refletindo numa dificuldade para as empresas e indústrias que precisam utilizar serviços de laboratórios fora do Estado, na maioria com custos altos de análise, encarecendo os serviços e muitas vezes com a demora para o recebimento dos resultados. PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 303 A Ecobios contribui na região com a implantação de serviços de Análise Microbiológica às Pessoas Físicas e Jurídicas, com o objetivo de promover o desenvolvimento do Estado do Amazonas e fornecer subsídios para a correta prestação de serviços ao consumidor de acordo com as exigências da legislação, além da possibilidade de prestar assessoria a estas empresas na busca pela excelência dos serviços, garantindo a saúde da população, promovendo-se assim o desenvolvimento regional. A colaboração entre pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz/IOC/RJ (Micologia) e Universidade Nilton Lins, permitirá o desenvolvimento das ações propostas, preenchendo uma grande lacuna existente nessas áreas de pesquisa na Região Amazônica. Categoria Projetos Estruturantes PE-01 Projeto: Proposição de novas cadeias produtivas sustentáveis na Amazônia visando à preparação de adsorventes para remediação de recursos hídricos contaminados Os recursos hídricos são elementos fundamentais, já que seus múltiplos usos são indispensáveis ao desenvolvimento dos seres vivos. A preocupação com a poluição desse recurso natural se deve aos problemas ambientais causados pelas diversas atividades antrópicas. As atividades industriais e agropecuárias contribuem para o aumento da contaminação das águas e sendo assim, torna-se indispensável um estudo ambiental mais direcionado, visando uma proposição da recuperação deste importante recurso natural. Além de um acompanhamento da qualidade das águas, faz-se necessário a busca de meios sustentáveis para a remediação deste compartimento ambiental contaminado. Existem muitas alternativas que possibilitam a recuperação dos recursos naturais e uma opção para remoção de contaminantes é o processo de adsorção, especialmente quando se usam adsorventes naturais, tais como os co-produtos agroindustriais. Esta proposta propõe a utilização de materiais adsorventes alternativos, tais como a torta das sementes de Jatropha curcas (pinhão manso), 304 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL Moringa oleífera (moringa) e de Crambe Hochst abyssinica (crambe), pois estas três culturas tem se destacado como uma excelente alternativa na produção de óleo para fabricação de biodiesel. Dessa forma, o objetivo principal deste trabalho é utilizar estes resíduos na preparação de materiais com alta capacidade de adsorção e, desta forma, obter alta eficiência na redução e/ou remoção de metais pesados tóxicos e agrotóxicos (organoclorados e organofosforados), utilizando este biossorvente alternativo e sustentável na remediação de águas contaminadas. Espera-se que, em sendo alcançados estes objetivos, esta proposta possa incentivar uma maior produção destas espécies vegetais e que seus resíduos sejam transformados em materiais adsorventes alternativos e sustentáveis visando a remediação de recursos hídricos, consolidando estas culturas como cadeias produtivas sustentáveis, com regeneração contínua dos recursos naturais. PE-02 Projeto: Parceria Público Privado (PPP) essencial para um Arranjo Produtivo Local (APL) visando o desenvolvimento da pipeline de Fitoterápicos na Amazônia Recentemente o Conselho de Desenvolvimento Econômico do Amazonas aprovou a inclusão da indústria de medicamentos genéricos EMS no programa de desoneração de ICMS do Estado. Detentora de um mercado anual estimado em R$6 200 000.000,00 (seis bilhões e duzentos milhões de reais) a empresa ocupa o 1º. lugar nas vendas de medicamentos genéricos do país. Os benefícios fiscais terão sua contrapartida na instalação de uma fábrica de comprimidos e cápsulas no parque industrial de Manaus, com investimento total de R$180 milhões. A decisão política, de cunho econômico imediatista, traz consigo a criação de posições de trabalho em vários níveis, o aprimoramento técnico-científico de profissionais da área farmacêutica, a demanda de produtos e serviços necessários à manutenção da planta de medicamentos. Com a nova inclusão, a Governança do Parque Industrial de Manaus será fortalecida e poderá aumentar o suporte estrutural a futuros empreendimentos do Arranjo Produtivo Local (APL) na área da Saúde e medicamentos. PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 305 O Brasil foi um dos muitos países a se beneficiar com a política de genéricos na área da saúde, mas ao contrário dos demais concorrentes internacionais imediatos (BRICS), não desenvolveu a química sintética para abastecer o mercado local com produtos genéricos “bioequivalentes”. Em consequência, é obrigado a recorrer à importação, nem sempre satisfatória, de insumos duvidosos produzidos por seus competidores, principalmente da Índia e da China. Dos 98 fabricantes de medicamentos genéricos no Brasil, a maioria funciona como montadores de cápsulas e comprimidos. É voz corrente que a “química brasileira perdeu o barco da saúde há algumas décadas”. Nem por isso os benefícios trazidos com a política dos genéricos deixaram de ser marcantes do ponto de vista social (menor custo e acesso a medicamentos) e econômico (mercado equivalente a 20% da venda total de medicamentos no Brasil). No entanto, do ponto de vista de inovação e competitividade, a perspectiva científica no país não será melhorada apenas com o grande empacotamento de genéricos. A autonomia terapêutica na saúde brasileira exige investimentos em pesquisa e desenvolvimento de novos produtos globalmente competitivos. A crise de inovação na área de medicamentos é internacional. Não é situação local, mesmo porque o Brasil não tem tradição de desenvolver medicamentos. A crise é sentida e analisada com preocupação principalmente nos países que dominam a tecnologia e a inovação de fármacos. O insucesso prolongado na obtenção de novos medicamentos forçou o escrutínio crítico em escala crescente nos países centrais: todos os atores passaram pelo banco dos réus. Primeiramente foram culpadas “as burlas às patentes nos países menos desenvolvidos” que diminuíram o retorno dos investimentos “onerados pelo ônus e burlados no bônus”; este argumento perdeu sustentação ao longo do tempo. O insucesso repetido repassou a culpa aos modelos animais, considerados inadequados ao não reproduzirem as enfermidades humanas; finalmente, a culpa chegou aos cientistas “despreparados” para a inovação. Principalmente os de países periféricos, que sequer animais de qualidade conseguem criar. A cadeia de culpas pode não ter se esgotado, mas qualquer outro motivo será irrelevante se pelo menos parte desses argumentos mencionados for verdadeira. Se os cientistas não sabem e os animais não servem, será preciso mudar os paradigmas da pesquisa de medicamentos estabelecidos há quase 100 anos. A situação é preocupante. 306 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL O fato é que dos 85 registros de novos medicamentos esperados no NIH americano, o ano registrou apenas 17 (!!), preocupação para uns que vêem suas patentes serem vencidas sem reposição do portfolio, contentamento para outros que trabalham com genéricos. No Brasil, a aquisição da indústria de medicamentos genéricos Medley pela multinacional Sanofi-Aventis, em 2009, é sinalizadora dos novos rumos que tomam as empresas multinacionais. A caducidade das patentes não impacta, porém, o parque industrial instalado na Amazônia, porque Fitoterápicos raramente as tem. Por outro lado, o laboratório químico natural “escondido” na Biodiversidade Amazônica é nosso grande trunfo e esperança de inovação medicamentosa. Seria desastroso perder mais uma vez o barco de medicamentos por falta de infraestrutura científica atuante, moderna e confiável! É nesse contexto de dificuldades e esperanças que este projeto estruturante propõe a criação de um Centro Vocacional Produtivo de Animais (CVPA) essencial ao Arranjo Produtivo Regional que se estabelece na Amazônia para o desenvolvimento de fitoterápicos, fitomedicamentos e cosméticos naturais. O objetivo principal é garantir que as pesquisas farmacológicas e toxicológicas realizadas nas 16 Universidades Federais, nas 5 Universidade Estaduais, nos 5 Institutos de Pesquisa, nas 36 Universidades privadas e nas poucas empresas regionais, contem com animais de qualidade em todos os 07 Estados da Amazônia que guardam nossa riqueza “escondida”. Atualmente a criação de animais para pesquisa é inexistente na região, ou é de baixo nível; os insumos são de baixa qualidade, as instalações são rudimentares, os pesquisadores e técnicos mal treinados. Consequentemente, ressalvadas as exceções que fogem à regra, os resultados obtidos não são confiáveis e tem baixa credibilidade. Portanto, embutido na responsabilidade de disponibilizar animais de qualidade num projeto estruturante, está o propósito de aumentar a credibilidade nos fitoterápicos oriundos da Biodiversidade Amazônica. PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE PE-03 307 Projeto: Desenvolvimento de um Sistema de Estabilização Transversal para Embarcações Regionais na Amazônia Amazônia legal corresponde a 42% do território brasileiro. Possui a maior bacia hidrográfica do mundo, com 20% das reservas mundiais de água doce. Esta região possui população estimada em 22 milhões de brasi leiros que dependem diretamente da malha fluvial dos rios para suas atividades econômicas e deslocamentos entre cidades e povoados, uma vez que a sua malha rodoviária é a mais limitada do país. As embarcações regionais desempenham papel essencial no transporte de carga e passageiros na região. Notadamente no Estado do Amazonas, a relação entre hidrovias e rodovias é ainda mais acentuada. Infelizmente, todo ano ocorrem diversos naufrágios tendo como consequência a perda de vidas e prejuízos materiais. Parte destes naufrágios se dão por instabilidade transversal nas embarcações (tombamento), ocasionados por motivos diversos. A estabilidade de embarcações depende de parâmetros de arquitetura naval, presentes na execução do projeto e em função da distribuição da carga sobre o casco, Fossen(1994), Gilmer (1982) e Clayton (1982). Ou seja, a estabilidade transversal é obtida graças a parâmetros de projeto e da distribuição de carga ao longo do casco. Esta abordagem emprega, em última instância, condições de controle estáticas enquanto a embarcação está submetida a uma ambiente essencialmente dinâmico. Perturbações causadas pelo ambiente externo, ou interno, podem produzir o deslocamento da carga, conduzindo a embarcação para inclinações transversais além do limite de estabilidade, produzindo seu tombamento. Entretanto, a condição de perturbação oscilante produzida pela natureza das forças agindo sobre a embarcação pode ser atenuada com o emprego de servossistemas. Ou seja, propomos uma abordagem dinâmica para um problema dinâmico. A implementação de um controle de estabilização transversal deve reduzir as condições para que a embarcação atinja ângulos de inclinações críticos para sua estabilidade transversal. Deve portanto ser capaz de melhorar a segurança do transporte de cargas e passageiros, reduzindo as perdas humanas e 308 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL materiais. Este trabalho propõe o projeto e construção de um modelo de estimação para a estabilidade transversal de embarcações amazônicas, utilizando dados reais, para o desenvolvimento de um dispositivo de estabilização transversal aplicado a embarcações regionais. Espera-se que o desenvolvimento de tal modelo permita uma compreensão aprofundada da estabilidade transversal e com isso seja possível propor soluções, sejam elas dinâmicas ou sejam elas emergenciais, de modo a reconduzir a embarcação para inclinações seguras, garantindo robustez efetiva na segurança de cargas e vidas humanas. Projeto: Projeto Sinergia PE-04 O projeto Sinergia, executado pela Oscip Centro de Pesquisas do Pantanal e financiado pelo CNPq, vem propiciando integração acadêmica supracontinental na construção e compartilhamento de informações científicas relacionadas às adaptações às mudanças climáticas, em articulação com outros importantes setores da gestão dos recursos hídricos: múltiplos níveis de governos, setor privado e sociedade civil, a fim de gerar uma agenda de recomendações de políticas públicas e privadas para adaptação as mudanças climáticas na bacia do Rio Paraguai (compartilhada por Brasil, Bolívia, Paraguai e Argentina). Projeto: Sorvetes GAM PE-05 Objetiva otimizar as práticas de trabalho, facilitando a visualização administrativa do negócio e dando a todos melhores possibilidades para produzir mais. PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE PE-06 309 Projeto: Luminárias fotovoltaicas integradas a iluminação pública urbana A iluminação pública é um serviço assegurado pela constituição, em seu artigo 30. É classificado como indicador para qualidade de vida, asseguração da integridade física e patrimonial em contenção a ações degradantes que ocorrem na sociedade. A disponibilidade de um centro urbano suprido com iluminação sustentável advinda de luminárias fotovoltaicas propostas neste modelo é capaz de proporcionar menores custos para manter o serviço, além de poder entregar energia ao atual sistema. Projeto: Zero PET no Lixo PE-07 Incrementar a logística reversa dos produtos que utilizam garrafas PET, utilizando amassador de garrafa plástica manual e de fácil operação, proporcionando maior eficiência na organização da coleta, armazenamento, transporte e, com isso, aumentar a quantidade de matéria prima ofertada para as empresas de reciclagem de plástico sediadas Manaus. 310 PE-08 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL Projeto: Compostagem de resíduos orgânicos para fins de adubação de hortas caseiras A compostagem é uma técnica milenar, praticada pelos chineses há mais de cinco mil anos, nada mais é do que o processo natural de decomposição biológica de materiais orgânicos (aqueles que possuem carbono em sua estrutura) de origem animal e vegetal pela ação de microorganismos. Para que ela ocorra não é necessária a adição de qualquer componente físico ou químico à massa do lixo. Nada muito diferente do que natureza faz a bilhões de anos desde que surgiram os primeiros microorganismos decompositores. Através de uma simples composteira (uma caixa de plástico, lixeira, caixote de madeira, etc) podemos recriar o ambiente onde os microorganismos decompositores transformam os resíduos orgânicos em um composto rico em nutrientes e húmus que pode ser utilizado de diversas formas. A compostagem pode ser aeróbia ou anaeróbia, em função da presença ou não de oxigênio no processo. Na compostagem aeróbia, processo mais adequado ao tratamento do lixo domiciliar, a decomposição é realizada por microorganismos que só vivem na presença de oxigênio. A temperatura pode chegar a até 70ºC. Os odores emanados não são agressivos e a decomposição é mais veloz. O processo de compostagem aeróbio de resíduos orgânicos tem como produto final o composto orgânico, um material rico em húmus e nutrientes minerais que pode ser utilizado na agricultura como recondicionador de solos, com algum potencial fertilizante. O processo de compostagem aeróbia pode ser dividido em duas fases. A primeira, chamada de "bioestabilização", caracterizada pela redução da temperatura da massa orgânica que, após ter atingido temperaturas de até 65°C, estabiliza-se na temperatura ambiente. Esta fase dura cerca de 45 dias em sistemas de compostagem acelerada e 60 dias nos sistemas de compostagem natural. A segunda fase, chamada de "maturação", dura mais 30 dias. Nesta fase ocorre a humificação e a mineralização da matéria orgânica. O composto pode ser aplicado ao solo logo depois de encerrada a primeira fase, sem prejuízo da maturação nem do plantio. PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 311 O controle de alguns fatores pode favorecer a proliferação rápida e homogeneamente dos microorganismos em toda massa, a citar: temperatura; umidade; aeração; relação C/N; pH; tamanho das partículas. Quanto maior for à exposição ao oxigênio da matéria orgânica, maior será a sua velocidade de decomposição. Dessa forma, quanto menor for o tamanho da partícula maior será a superfície de exposição ao oxigênio e conseqüentemente menor o tempo de compostagem. O processo de aeração do composto pode ser feito revolvendose o material com pás carregadeiras ou máquinas especiais. Em pequenas unidades, este reviramento pode ser feito à mão. Desenvolveremos o trabalho coletando resíduos orgânicos, dispondo-os em uma composteira de engradado de PVC ou de madeira, alternando camadas de composto já pronto, resíduos e material inerte (folhas secas, galhos, podas). As composteiras serão monitoradas diariamente, onde serão observados e anotados parâmetros como umidade, odor e temperatura. Categoria SDR-Educacional SDR-ED-01 Projeto: Integrando família e escola: uma proposta de ação-reflexão-ação visando beneficiar crianças da Educação Infantil da rede municipal de ensino de Boa Vista-RR A educação é um direito inalienável do homem, sendo a família a responsável pela transmissão dos valores e das normas, além de contribuir para o desenvolvimento cognitivo, afetivo e social da criança em conjunção com o trabalho das escolas. É na infância que grande parte das informações adquiridas se processa e a escola pode promover ou não o acesso ao conhecimento mais elaborado pelo indivíduo, o que depende diretamente da intencionalidade e sistematicidade do trabalho pedagógico nela desenvolvido. A educação infantil, primeira etapa da Educação Básica, necessita pautar-se em propostas pedagógicas que promovam o pleno desenvolvimento da criança, oferecendo à ela 312 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL subsídios para que construa significados e cultura, em colaboração contínua com a família. A família e a escola devem oferecer a base necessária para que se estruture na criança uma personalidade efetivamente humanizadora. A proposta atual é de que creches e préescolas não substituam a família e nem antecipem práticas tradicionais de escolarização, que se prendem a atividades pré-fixadas que, na maioria das vezes, estão distantes das reais necessidades dos pequenos, não respeitando e nem valorizando as potencialidades dos mesmos, nem as suas possibilidades de aprender. É preciso que a formação dos profissionais da Educação Infantil busque transformar o olhar sobre a infância, modificando a concepção de criança passiva, limitada e inconsistente. É preciso, ainda, que a família possa compreender o real papel do espaço pedagógico no processo de desenvolvimento e aprendizagem da criança pequena. Assim, este projeto será direcionado aos professores, gestores e demais profissionais do município de Boa Vista, que atuam na Educação Infantil, e às famílias das crianças, na busca de contribuir para que se ampliem os debates sobre as questões relacionadas ao tema, visando desfazer conceitos errôneos acerca do que é criança, do que é infância, do que é educação infantil, contribuindo, desta forma, para a valorização e respeito das especificidades infantis e o reconhecimento da criança enquanto sujeito de direitos. Projeto: Barco para fins Turísticos Científicos SDR-ED-02 O projeto tem o objetivo de fazer a adaptação de um abraço regional para que o mesmo sirva para receber turistas com interesse específico na área científica, mais especificamente na área de águas, interface água-solo, comunidades ribeirinhas e flora. O desenvolvimento do projeto se dará em uma instituição de pesquisa do Estado do Amazonas e contemplará os passos necessários para o desenvolvimento projeto. O barco será adaptado para turismo de contemplação, mas incluirá informações técnicas e científicas aos turistas para que os mesmos possam vivenciar as atividades dos pesquisadores amazônidas e realizar um intercâmbio com o conhecimento tradicional de forma organizada com a finalidade principal que é o conhecimento científico. O projeto prevê a adaptação PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 313 de um barco equipado com sistemas de coleta e análises de parâmetros básicos de qualidade de águas, microscópios, sistema de georreferenciamento, batimetria, internet e sistema de vídeo-aulas permitindo que o turista nacional ou estrangeiro participe de uma pequena expedição pelos rios da Amazônia. Projeto: Ensino Superior Público Federal SDR-ED-03 Proposta sintetizada no formulario Criação e implantação da UFOPA. Projeto: Rastrear: A arte de ver SDR-ED-04 O presente projeto visa a preservação ambiental e organização social, através da implantação do Núcleo Rastrear no município de Muaná, contando com um espaço físico no qual serão ministrados cursos diversos voltados à Educação Ambiental, em parceria com as escolas da região, e que servirá também como ponto de apoio para pesquisas científicas, reunião de lideranças locais, e principalmente para o treinamento de um grupo de jovens de Muaná, visando a geração de competências empreendedoras a partir do ecoturismo e observação da natureza, por meio da técnica de rastreamento de pegadas. 314 SDR-ED-05 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL Projeto: UCA Manaus: pesquisa e desenvolvimento de jogos educativos para uso nos laptops do programa Um computador por aluno e seus impactos no processo ensino-aprendizagem O projeto UCA Manaus foi concebido para compreender a importância da implementação do Programa do Governo Federal Um Computador do Aluno, e suas contribuições para o processo ensinoaprendizagem na Escola Municipal João Alfredo em Manaus, tomando por base a utilização de jogos educativos e os impactos sociais, comunicacionais e de inclusão digital provocados pelo uso do laptop educacional. SDR-ED-06 Projeto: Manejo da adubação potássica e da irrigação no progresso de doenças fúngicas e produtividade da melancia Entre as principais doenças da melancia, o crestamento gomoso do caule (Didymella bryoniae) e o míldio (Pseudoperonospora cubensis) se destacam devido às grandes perdas que causam na produtividade e qualidade de frutos. Foram conduzidos dois ensaios em condições de campo em Gurupi, Tocantins, nos anos de 2009 e 2010. No ensaio I, objetivou-se avaliar a influência da adubação potássica no progresso do crestamento gomoso e produtividade da melancia. Utilizou-se delineamento em blocos ao acaso, sendo os tratamentos constituídos de três doses de potássio aplicadas em cobertura (0, 50 e 100 kg ha-1 de KCl) e 12 repetições. Foi avaliada a severidade do crestamento gomoso, por meio de uma escala de notas e os dados de produção e qualidade dos frutos. No ensaio II, objetivou-se estudar a influência da lâmina de água e intervalo de irrigação no progresso do míldio. Utilizou-se delineamento em blocos ao acaso com quatro repetições, em esquema fatorial de 3 x 3, três lâminas de irrigação (100, 300 e 500 mm de água durante o ciclo da cultura) e três intervalos de irrigação. Avaliou-se além da severidade do míldio, também a produção e a qualidade dos frutos. Constatou-se que as doses de potássio não PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 315 influenciaram no progresso do crestamento gomoso e no número, peso médio e qualidade dos frutos. As lâminas de irrigação aplicadas influenciaram no progresso do míldio. Maiores níveis de severidade do míldio foram observados nas plantas mantidas sob irrigação com lâmina de 500 mm de água. As lâminas de água aplicadas também influenciaram significativamente na produção e qualidade dos frutos. Observou-se a presença de maior número de frutos deformados ou tortos nas plantas mantidas sob déficit hídrico, na lâmina de 100 mm. As maiores produtividades comerciais e totais foram obtidas nas plantas irrigadas com a lâmina de 500 mm de água. SDR-ED-07 Projeto: A educação ambiental no 2º segmento da EJA Esse trabalho tem como objetivo avaliar a educação Ambiental na Educação de jovens e adultos, e reverter as situações .que precisamos pensar,na Educação Ambiental de forma que todos venham exercendo e frisando a sustentabilidade das ambiental proporcionando qualidades de vida atendendo necessidades do presente sem comprometer a capacidade das gerações futuras. SDR-ED-08 Projeto: Gestão educacional em áreas de transição: uma contribuição à metropolização Podem, certamente, compor a gestão educacional no planeja mento das ações da política educacional as “áreas de transição” que constituem faixas territoriais não homogêneas quanto aos aspectos sociopolíticos e econômicos. Tais ações exigirão um aprofundamento do conhecimento da cultura local, de tal forma que venham a ser coerentes com as propostas educacionais integradas, no caso, em uma região metropolitana. As dificuldades e deficiências das áreas de 316 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL transição serão caracterizadas pela forma como nelas se organizam as políticas públicas. Para compreender a formulação dessas políticas, é necessário que se considerem os processos que conduzem à sua definição, em especial no quadro mais vasto de elaboração, no qual a amplitude do espaço político dá-se na relação entre a reprodução global da sociedade e a representação de cada setor específico para o qual se concebe e implementa-se determinada política. Na busca de uma hegemonia política para os processos a serem utilizados, despreza-se a transformação dos seus significados, a fim de que seus procedimentos, suas categorias, suas concepções e seus discursos venham a adquirir um novo sentido para a realidade, podendo, assim, ser novamente denominada. Silva (1996, p.82) alertanos para o fato de que a “[...] transformação do campo semântico não é condição apenas para o estabelecimento dessa hegemonia, ela é parte integrante desta transformação”. Neste processo, terão de ser incluídos os meios de articulação da unidade escolar com os órgãos da administração do sistema educacional. O envolvimento da escola com a comunidade por meio da integração e da participação deverá ser entendido como a forma pela qual todos os atores exprimem seus anseios, vale dizer, a de realizar coisas, em que possam afirmar-se a si mesmos mediante objetivos e significados comuns. Deste modo, tornam-se as relações menos diretivas e progressivamente centradas naquele que aprende. Uma Gestão Escolar impõe-se pouco a pouco, pautada em dimensões relativas à “[...] Gestão Democrática, à Gestão Pedagógica, à Gestão de Pessoas, à Gestão de Serviços de Apoio e também aos Recursos Físicos e Financeiros e aos Resultados do trabalho colegiado”, (Brasil, 1998, p.19), na busca de utilização e otimização dos recursos a serem disponibilizados para a execução dos planos federal, estadual e municipal de educação. Ao promover a integração e participação na gestão escolar por meio de uma gestão democrática, a direção, ao elaborar suas normas regimentais, envolverá, como conseqüência desta ação, a participação de órgãos e entidades públicas e privadas de caráter cultural e educativo nas ações educacionais. Este envolvimento mostra que a motivação do aluno para o estudo não depende apenas da sua capacidade, mas, igualmente, das condições sociopolíticas e econômicas em que ele e sua escola estão inseridos. PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 317 Pensar, por conseguinte, que o problema da educação no Brasil esbarra na falta de recursos, tem um fundo de verdade “[...], mas, se vierem os recursos, a escola mudará necessariamente? Computadores, satélites, parabólicas e televisões não substituem o homem, pois as escolas não se fazem somente com recursos técnicos, muito embora estes ajudem e muito”. (Alves, 1996, p.1). O que se nos apresenta, então, são situações previstas no processo da educação que nos levam a questionar os modelos de gestão adotados e a buscar meios de revisá-los. Aguilar (1997, p.6) corrobora tal assertiva, ao diz: “[. . . ] não obstante, devemos lembrar que os problemas educacionais não dependem unicamente do controle de qualidade, nem de um gerenciamento eficaz e sim da diversidade social, econômica, cultural e histórica que, sendo estrutural e conjuntural, determina os limites de ação dos dirigentes educacionais”. Isso significa que, na educação, programas, conteúdos, métodos, formas de organização tendem a elevar a qualidade de ensino e, mais ainda, se a eles se somem as condições reais dos alunos não apenas individualmente, mas, em especial, em sua ação coletiva. A estratégia por excelência para a promoção da qualidade do ensino está na participação da sociedade, comprometida com a conquista da “[...] democracia mediante a prática efetiva dessa mesma democracia, que possibilita enfrentar as desigualdades econômicas, políticas e culturais armazenadas com o desenvolvimento humano”. (Sander, 1996, p.77). Além disso, há uma realidade incontestável: o crescimento acelerado das grandes cidades o qual compromete a qualidade de vida e a qualidade de ensino oferecida à população, o que ocorre em razão da falta de infraestrutura física, sanitária, educacional, social, etc. Deste modo, essa qualidade já não poderá ser tratada isoladamente em cada município, mas no conjunto das políticas públicas de cada área geográfica. Como forma de melhorar a qualidade de vida da sociedade “[...] a Conferência das Nações Unidas sobre os Assentamentos Humanos, realizada em Istambul na Turquia em junho de 1996, evento que ficou conhecido pelo nome de Habitat II, em sua agenda na seção dedicada à Gestão Democrática do Território, assinalava a descentralização do Estado e o fortalecimento dos governos locais”. (Martins, 1998, p.63). O fortalecimento do poder local e a descentralização da estrutura do Estado poderão, portanto, intensificar a participação das grandes 318 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL cidades na solução de seus graves problemas sociais, a fim de garantir a governabilidade e o progresso social. As regiões como estas caracterizam-se pela metropolização, nas quais as cidades já estão legalmente constituídas, e são, então, organizadas pelo conjunto de municípios contíguos e integrados social, política e economicamente em torno de um município pólo, envolvendo serviços públicos e infra-estruturas comuns. Cada região elabora, por meio de um conselho deliberativo, representado pelo Estado e por um conselho consultivo formado por representantes de cada município integrante da região, seu planejamento integrado de desenvolvimento. Para isto, deverão ser tratadas de forma global as ocorrências do conjunto da área metropolitana, as quais anteriormente eram campo de ação apenas da prefeitura de cada município. A formulação de políticas educacionais, portanto, deverá levar em conta aspectos como a conurbação, que se constitui no encontro entre duas ou mais cidades, normalmente uma maior e outra, ou outras, menores; a favela, formada pelo conjunto de habitação construído de forma irregular em locais sem infra-estrutura social básica; a periferia, contorno indicativo da delimitação geográfica pelo conjunto de bairros distantes do centro urbano de uma cidade, e as áreas de transição, faixas territoriais em que não há certa homogeneidade definida. Em relação aos aspectos espaciais dá-se ênfase especial à questão de domínios, em contraponto com a forma atual de conceituar o rural e o urbano, na medida em que o termo zona não mais atende às necessidades na identificação de uma região em processo de metropolização. Neste sentido, a opção de se trabalhar com a Região Metropolitana de Campinas deu-se pelo fato de seu surgimento apontar para a capacidade de catalisação da cidade e região, apresentada pelo seu reconhecimento na caracterização demográfica apresentada pelo IBGE no censo de 1970 e pelo reconhecimento e importância nacional. A identificação de uma área de transição dentro daquela região metropolitana com aspectos de favela, periferia, meio rural e urbano recaiu sobre a região situada entre Valinhos e Campinas, por apresentar este espaço todos os elementos socioeconômicos necessários ao desenvolvimento do trabalho de campo. Convém salientar, porém, que outros municípios apresentam igualmente características de áreas de transição, mas encontram-se já em elevado processo de conurbação. Tomando-se por base a caracterização da área de transição, objeto deste estudo, buscou-se dentro desta área, identificar a unidade PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 319 educacional que sofre influência do modo como o espaço geográfico é ocupado e como as demandas pela educação vão sendo equacionadas, independente de a escola estar localizada em um município e precisar atender alunos de outro. Dentro deste contexto, cabe-nos evidenciar que são inúmeras as localidades na região metropolitana em que as unidades educacionais estão localizadas nas divisas e atendem municípios vizinhos, porém este universo não é objeto deste trabalho, por não apresentarem as características necessárias objetivadas em uma área de transição, tratandose, por vezes, de processos de conurbação. SDR-ED-09 Projeto: Encauchados de Vegetais da Amazônia: educação profissional e inclusão socioprodutiva em comunidades indígenas e extrativistas Conforme o artigo 1ª da Lei n.º 9.394/96 (Lei de Diretrizes e Bases da Educação), “a educação abrange os processos formativos que se desenvolvem na vida familiar, na convivência humana, no trabalho, nas instituições de ensino e pesquisa, nos movimentos sociais e organizações da sociedade civil e nas manifestações culturais”. Dever da família e do Estado, a educação tem como uma de suas finalidades a qualificação para o trabalho, e no seu artigo 3º, inciso XI, expressa como um de seus princípios a vinculação entre a educação, o trabalho e as práticas sociais. Da educação profissional, a lei inclui aí a qualificação do trabalhador e expressa que seu desenvolvimento se realizará por diferentes estratégias de educação continuada, que podem ser oferecidas no ambiente de trabalho. Os debates internacionais colocam a qualificação profissional como direito do trabalhador, e, no âmbito do Ministério do Trabalho e Emprego, é articulada como política pública que busca garantir tal direito por meio de ações implementadas de acordo com planos específicos de qualificação (Planos Territoriais, Projetos Especiais e Planos Setoriais). Em relação aos Planos Territoriais e Projetos Especiais de Qualificação, podem ser aplicados recursos em parceria com entidades sem fins lucrativos e organizações não governamentais, atendendo demandas com base na territorialidade e para o desenvolvimento de metodologias e tecnologias de qualificação social e profissional. Nesse 320 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL sentido, esta proposta, considerando especificamente os processos formativos que se desenvolvem na vida familiar, na convivência humana, no trabalho e nas manifestações culturais; considerando a educação, o trabalho e a qualificação profissional como direitos humanos e como ferramentas capazes de promover transformação social; e atendendo demandas localizadas no território amazônico, tem o objetivo de buscar a qualificação profissional de trabalhadores extrativistas e indígenas da Amazônia para sua inclusão socioprodutiva, resgatando uma atividade tradicional – a borracha, parte integrante de sua cultura –, combinando conhecimento científico e conhecimento popular, sem interferência em seus modos de vida. Esta nova maneira de transformação do látex em borracha resgata técnicas indígenas milenares, mas também insere técnicas atuais da ciência, adaptadas e aprimoradas para serem realizadas no rústico ambiente da floresta. Os Encauchados de Vegetais da Amazônia, tecnologia social desenvolvida pela parceria entre a Universidade Federal do Acre (UFAC) e o Pólo de Proteção da Biodiversidade e Uso Sustentável dos Recursos Naturais (Poloprobio), e premiada em 2006, na categoria Econômico-Tecnológica, é um dos mecanismos que tem possibilitado a consecução de tais resultados. Projeto: “Feras do Garcitylzo de Futebol” SDR-ED-10 Projeto gratuito onde serão atendidas cerca de 100 crianças e adolescentes entre 10 a 14 anos, com a formação de 01 equipe de 23 atletas para disputa dos jogos do Distrito 03 da Seduc/AM, Jeas-AM e Copa Coca Cola Etapa Regional. As crianças e adolescentes beneficiadas pelo Projeto, receberam os mais diversos tipos de orientação, desde aulas de futebol de campo, além do acompanhamento de cada uma dentro da rede escolar, regularmente matriculadas na escola. A faixa etária escolhida está dentro da fase em que essas pessoas são formadas e os modelos de vida nessa fase passam a ser a referência para o resto de suas vidas. PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 321 Será escolhido um técnico (professor de educação física), auxiliar técnico (estagiário) e um preparador físico (professor de educação física), para avaliar a necessidade de cada integrante do projeto. Dentro da própria escola, o aluno poderá se destacar através do esporte sua vida educacional quanto a formação intelectual. SDR-ED-11 Projeto: Identificação de estudantes com potencial para Superdotação e Criatividade, em escolas de Manaus As políticas para a inclusão educacional e social assim como a inclusão de estudantes com potencial em altas habilidades/superdotação é um tema que vem sendo discutido por especialistas da área, tendo em vista a necessidade de um olhar diferenciado para suas necessidades educativas como previsto em lei (Brasil,1994). Estudos estatísticos indicam que aproximadamente 3 a 5% da população apresentam potencial acima da média estimada em diversos contextos sociais. São vários os programas citados em lei para o atendimento educacional de alunos com Altas Habilidades/superdotação tais como: atividades de enriquecimento em classes regulares; ensino individualizado; estudos independentes; agrupamentos especiais; utilização de salas de recursos complementares; programas de orientação individual ou grupal; atividades especiais suplementares e diversificadas (Maia-Pinto e Fleith,2004) O conhecimento sobre a distinção entre as formas iniciais da superdotação com forte participação da hereditariedade até seu completo desenvolvimento na forma adulta de superdotação implica ter conhecimento sobre como o potencial e a aptidão se realizam na juventude. Altas habilidades/superdotação e criatividade são três palavras que falam do fato de que todos os seres humanos possuem aspectos a serem desenvolvidos, mas que necessitam fundamentalmente da participação do contexto envolvendo a família, a escola e os recursos da comunidade para ensino de artes, esportes, ciências e tecnologia. Em pesquisa realizada em 2010 e que tratou sobre a “ Inclusão de pessoas com potencial para altas habilidades/ superdotação em Manaus e em Porto Alegre”, observou-se que no Amazonas o serviço é recente, instituído a partir da implantação dos 322 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL núcleos para atendimento previstos em lei (Mec/Seesp,2005), e em Manaus atinge uma parcela ínfima da população escolar. Do ponto de vista tecnológico foi constatado que não existem computadores para os alunos, fora o único que foi doado inicialmente pelo MEC e que é utilizado pela coordenação do Núcleo de Atendimento ao Alunos com Altas Habilidades/Superdotação (NAAH/S). Esta é uma questão muito séria que necessita ser divulgada já que se sabe que o uso de tecnologia é fundamental para os alunos desenvolverem atividades de pesquisa e possam ter contato com seus pares de outros lugares e conheçam realidades distintas da sua. Considerando ser este foco muito importante para o desenvolvimento pessoal e inclusão social dos alunos superdotados, e tendo em vista ser o Amazonas um Estado de fronteira com outros países e, além disso, sendo um lugar estratégico para o futuro do clima mundial, o investimento em recursos humanos futuros que saibam cuidar tanto dos recursos naturais como tecnológico é de fundamental importância. Nesse sentido é necessário que a universidade planeje ações, sendo uma primeira ação a identificação dos alunos mais capazes nas escolas e como desdobramento, possibilitar que desenvolvam projetos de seu interesse utilizando recursos tecnológicos dentro da universidade. O projeto prevê o trabalho com as escolas estaduais dos bairros adjacentes à Universidade Federal do Amazonas. SDR-ED-12 Projeto: “Creche-Escola Sustentável, no Assentamento Abril Vermelho, em Santa Bárbara do Pará: uma construção no campo” Este projeto social tem por objetivo implantar uma creche-escola sustentável no Assentamento da Reforma Agrária denominado Abril Vermelho, localizado no Município de Santa Bárbara, Estado do Pará. A iniciativa de elaborar o presente projeto surgiu da identificação junto aos assentados do principal problema social atualmente enfrentado por eles, que é o mais grave comparativamente a outros problemas como precariedade das estradas, dificuldade de acesso a postos de saúde, falta de saneamento básico, dentre outros. Feito um diagnóstico da situação atual, com a identificação das causas e consequências decorrentes desse problema, este projeto foi PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 323 elaborado de forma participativa, contando com o apoio de uma equipe multidiscliplinar como economistas, pedagoga e assistente social ligadas aos seguintes órgãos: Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), Incubadora da Universidade Federal do Pará, Agência de Defesa do Pará (Adepará), Secretaria de Estado de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh) e Conselho Regional de Economia do Estado do Pará (Corecon-PA). As dificuldades das crianças e adolescentes de acesso às escolas localizadas fora do assentamento, especificamente, no Município de Santa Bárbara, exigindo sacrifício de acordar às 04h da madrugada e chegar, muitas vezes, às 17h00 no assentamento, associado ao fato da proposta pedagógica das escolas urbanas estar dissociada da realidade vivenciada num assentamento de reforma agrária, constituem fatores que transformam esse problema numa demanda social efetiva por parte dos assentados, exigindo medidas urgentes por parte das autoridades governamentais. Este projeto foi elaborado de forma articulada com diversas instituições do Governo, em especial, a Prefeitura Municipal de Santa Bárbara, que será responsável pela manutenção da crecheescola sustentável, além da participação de representantes de várias instituições, conforme citado anteriormente, que mobilizaram esforços para a elaboração deste projeto, que visa resolver esse grave problema social vivenciado por 370 famílias, correspondente a 1.000 pessoas. A creche-escola beneficiará diretamente, 440 pessoas, entre crianças, jovens e adultos, que terão acesso a uma educação de qualidade e a ensinos técnicos profissionalizantes, capazes de, em médio e longo prazos, promover profundas transformações econômicas, sociais e ambientais no Assentamento Abril Vermelho. Para a implantação deste projeto será necessário o montante de R$ 400.854,00, sendo que o Índice de Custo-Eficiência calculado foi de R$ 911,03 por beneficiário direto. Ressalta-se que este valor corresponde a apenas 25% do custo per capita do Governo no sistema penitenciário (R$ 1.600,00/detento), justificando, dessa forma, a relevância desta proposta, em função de sua viabilidade econômica, social e ambiental, associado ao fato de que o acesso à educação constitui prioridade do Governo Federal, no âmbito do Programa Brasil Sem Miséria. 324 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL Projeto: Projeto São Lucas Solidário SDR-ED-13 O Projeto São Lucas Solidário surgiu em 2006 com o nome de Projeto D um Abraço: o dia da responsabilidade social. Inicialmente com uma edição por ano. Após a percepção por parte dos seus idealizadores a proposta de uma edição anual foi insuficiente face as necessidade e a aceitação das comunidades atendidas com a proposta, de integrar alunos, professores e parceiros. O Projeto São Lucas Solidário alçou voos mais altos, buscou ampliar suas ações e beneficiar uma parcela maior da comunidade. Ainda na primeira versão do projeto o escopo dos serviços oferecidos estava voltado a área de prestação de serviços com a promoção da saúde preventiva e do acesso a cidadania, que se dava por meio da orientação e atendimentos básicos, mobilizando alunos de todos os cursos da Faculdade São Lucas. Em 2008 o projeto, face às enormes demandas comunitárias passou a ter oito edições por ano, firmando parcerias com empresas de expressão nacional e juntos proporcionaram serviços com maior e melhor qualidade, elevando o número de atendimentos em cada edição. Atualmente o projeto mobiliza em cada uma das oito edições aproximadamente 100 voluntários entre alunos, professores, colaboradores e voluntários. A proposta do Projeto São Lucas Solidário é a de realizar atendimentos de saúde, educação e cidadania com a atenção especial a mulher, a criança e ao idoso, nas comunidades do município de Porto Velho e distritos que por qualquer maneira estejam em situação de risco social eminente. Além da importância social que rege o projeto, o mesmo contempla a atividade educativa, cultural e cientifica agregando dois grandes pilares da universidade, o ensino e a pesquisa, sendo considerada a terceira vertente ou o grande elo de integração entre a universidade e a sociedade. Esse elo contribui para a formação do aluno, com maior senso de responsabilidade social, para que esse compreenda sua importância na construção de sociedades mais justas. PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 325 Projeto: Escola ecossustentável: siga em frente! SDR-ED-14 O desenvolvimento e está lecionando a disciplina iniciação científica em escola pública, proporcionou-me a efetiva condução de ações pró-ativas capazes de transformação do contexto sócio-escolar somando-se aos esforços de estudantes empenhados no trabalho continuado à melhoria do espaço ao qual integram. O alvo focado pelo projeto tem sido a qualidade da consolidação e compreensão pelos estudantes e comunidade em geral das inúmeras iniciativas a serem adotadas e definidas em sua caminhada acadêmica, tornando possível a implementação do projeto de interação participativa da relação dicotômica escola - comunidade. Nesse contexto, insere-se o Prêmio Jovem Cientista, que torna possível a efetivação dessa proposta pedagógica como inovadora oportunidade de incrementar políticas públicas de base sustentável e inclusiva ao processo de ensino-aprendizagem, permitindo a união da teoria à prática, fortalecendo a presença do estudante em nível de interação social e principalmente pela incorporação de gestão de pessoas; envolvidas em modelos de preservação ambiental e desenvolvimento educacional para a garantia de utilização racional dos recursos artificiais e naturais às gerações presentes e futuras; tornando ainda mais qualitativa à interação com o meio. Assim, o projeto destina-se a adoção de medidas transformacionais eficazes à melhoria da qualidade de vida da população e manutenção sustentada e ordenada da prática diária de reciclagem em nossa rotina. SDR-ED-15 Projeto: Análise físico-química da água dos poços artesianos do bairro Maracajá na Ilha do Mosqueiro Água fonte de vida, o ser humano necessita desse bem para infinitas utilidades, higiene pessoal, consumo humano, além do corpo 326 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL apresentar 80% de água, sendo ela a responsável pelo transporte de nutrientes e substâncias para dentro e fora das células, além de controlar a temperatura corporal e eliminar substratos tóxicos advindos do metabolismo energético. Ao longo dos anos com o crescimento populacional à água vem se tornando cada vez mais escassa, pois Um sexto da população mundial, mais de um bilhão de pessoas, não têm acesso a água potável, 40% dos habitantes do planeta (2.400 milhões) não têm acesso a serviços de saneamento básico, cerca de seis mil crianças morrem diariamente devido a doenças ligadas à água insalubre e a um saneamento e higiene deficientes. Segundo a ONU, até 2025, se os atuais padrões de consumo se mantiverem, duas em cada três pessoas no mundo vão sofrer escassez moderada ou grave de água, podendo gerar conflitos sociais. Para amenizar o problema da falta de água em regiões desprovidas de acessos básicos como água potável, acabam perfurando poços artesianos para obtenção de água, entretanto ainda não foi feito estudo sobre a qualidade que a população desprovida de tratamento de água potável utiliza, pois na maioria das vezes não são apenas para uso da higienização e sim para o consumo, sem levar em conta que águas de poços e nascentes são contaminadas em sua maioria (principalmente em centros urbanos), ou seja, Impróprias para o Consumo devido à existência de contaminação por produtos químicos, esgotos domésticos, lixo, etc., que penetram no solo por infiltração de chuvas ou até mesmo pelo rompimento de redes de esgotos em centros urbanos, trazendo a contaminação de águas subterrâneas e também funcionando como veiculação hídrica de vários agentes patológicos, muito comuns em países em desenvolvimento como o Brasil. Sendo assim este trabalho atenderá a comunidade do Bairro Maracajá na Ilha do Mosqueiro, onde alunos do ensino médio através de analise físico-química da água dos poços artesianos ajudará a população informando sobre a qualidade da água que estão ingerido e orientando sobre o uso racional da água. PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE SDR-ED-16 327 Projeto: Safo - Sistema Integrado de Agroindústria Florestal: Alternativa de Desarrollo en Zonas de Fronteras en la Selva Amazónica (SAFO) Pensar desarrollo económico en zonas de selva Amazónica, su realidad y las posibilidades disponibles a partir de la triple frontera Brasil-Colombia-Perú, es resultado de un estudio sobre cuál modelo de desarrollo es lo más adecuado para estas areas, por sus peculiares características sociales, económicas y en especial medio ambientales, cuya discusión está en la agenda de los debates internacionales, acerca de lo que las sociedades están promoviendo hacia la preservación del planeta. No fuera el Rio que separa Brasil y Perú las tres ciudades involucradas en eso estudio: Tabatinga (Br), Santa Rosa (Pe) y Leticia (Co), serian una completa conurbación de las tres principales “zonas urbanas”. Los idiomas español y portugués predominan en sus respectivos países de origen, pero la comunicación está establecida en cualquier uno de ellos y en cualquier de los lados de la frontera. La sencillez y la hospitalidad es una característica del hombre (mezcla de indios, ribereños y caboclos) que vive en las márgenes del Rio Amazonas y en los bosques en su entorno. Con un promedio de 5,4 hijos por familia, parece vivir a esperar soluciones para su vida y consecuentemente para el medio ambiente, donde toma su alimento (bosque y el Rio), observando día después de otro, el crecimiento de la destrucción que mata peces, seca el río, hace las arboles desaparecieren, en fines, observa la extinción de la abundancia vivida por sus antepasados recientes. El debatís pasa por el actual modelo de Libre Comercio practicado en esa área analizando como el “modos vivendi” de las comunas de los aspectos sociales de la aglomeración humana y sus consecuentes problemas tales como la violencia, el trafico de estupefacientes, la precariedad de los servicios públicos: atendimiento y acceso a la educación y salud, a la agua, alcantarillado, la energía eléctrica, transportes entre comunas y sistemas viarios. Con bases en los beneficios y daños del Modelo de Libre Comercio practicado en esa zona, el estudio ofrece un Modelo alternativo de desarrollo para las aéreas de floresta/frontera, que a lo mismo tiempo 328 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL ocupa y integra el territorio, desarrolla económicamente las familias, atendiendo las preocupaciones con la seguridad nacional de los países fronterizos. El modelo descripto en este trabajo: el Sistema Integrado de Agroindustria Forestal hinca bases en el trípode: agricultura familiar; cooperativismo; y sistemas agroforestales (con especies nativas), por el lado de las comunidades. Por el lado del Gobierno el apoyo a las familias inseridas en eso modelo, estaría en la necesaria educación a los niños; la capacitación técnica a los adultos; la asistencia técnica rural; al fomento; y a la investigación. El resultado de la aplicación del Modelo Safo es la disminución de la pobreza, el aumento del nivel educacional y el consecuente aumento de los índices de calidad de vida de las poblaciones de la frontera. Con la integración de las familias con el medio ambiente, queda visible la protección de la foresta y de los rios satisfaciendo “las necesidades presentes, sin comprometer la capacidad de las generaciones futuras de suplir sus propias necesidades” Esta versión del Modelo Safo fue adaptada exclusivamiente para presentación en el Premio Samuel Benchimol 2011. Esta versión del Modelo Safo fue adaptada exclusivamente para presentación en el Premio Samuel Benchimol 2011. Otros detalles podrán ser solicitados se necesario. SDR-ED-17 Projeto: Treinamento em Teste de Software de Estudantes de Universidades Públicas da Região Norte do Brasil, Especialmente as Localizadas em Municípios Interioranos e Inclusão desta Mão de Obra no Mercado de Trabalho para Realização de Teste de Software à Distância (Offshore) Gerando Emprego e Renda na Região Amazônica Este projeto tem a proposta de treinar e incluir no mercado de trabalho estudantes universitários de instituições públicas especialmente as localizadas nos municípios do interior dos Estados que compõe a Região Norte do Brasil. Capacitando esta população em uma profissão que leva oportunidade de ingresso numa área reconhecida mundialmente com perspectiva de excelentes ganhos salariais e conseqüente melhora da situação econômica e social da população assistida, preservando os recursos florestais, pois a PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 329 atividade é de baixo impacto ambiental. A inovação consiste em fazer o estudante trabalhar em uma área em ascensão no cenário mundial, que é o Teste de Software, sem que o mesmo precise se deslocar de sua cidade natal para conseguir emprego na área, pois os testes podem ser feitos à distância (offshore) não apenas para as capitais dos Estados do Norte, mas, como para todo o país e para o exterior, inicialmente os testes serão realizados em sistemas desenvolvidos na região visando à melhoria da qualidade destes softwares e com isto a melhoria de competitividade do nosso produto, aumento de renda dos desenvolvedores, satisfação dos clientes que encomendam os sistemas e crescimento do mercado de teste na região. Categoria SDR-Empresarial Projeto: Produtos ecológicos SDR-EM-01 O setor madeireiro é uma das vocações naturais da Região Amazônica. Projetos empresariais como o que apresentamos aqui que se propõe a utilizar resíduos transformando-os em produtos de significativo valor agregado. Há muito se fala em conceitos como agregar valor às nossas matérias-primas, verticalizar a produção, e outros mais. Aqui apresentamos um projeto concreto, com enorme potencial econômico e que por isso mesmo traz implícito todos esses nossos desejáveis conceitos. 330 SDR-EM-02 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL Projeto: Integração sistêmica das cadeias de valor de base agrária e desenvolvimento sustentável na Amazônia Na região Norte, segundo informações do Censo Agropecuário de 2006 (IBGE 2009), existiam 479.158 estabelecimentos agropecuários, explorando uma área de 67,46 milhões de hectares e ocupando 1,66 milhão de pessoas. Cerca de 80% destes estabelecimentos operam com mais de uma atividade produtiva, sendo, portanto, unidades diversificadas. Assim, em 11,2% dos estabelecimentos as lavouras são o produto principal, em 49,2% a pecuária e em 39,6% as matas e florestas. Todas essas atividades, com raras exceções, são desenvolvidas em sistemas extensivos de uso do solo. As características de atomização da produção em milhares de unidades produtivas, com decisões não cooperadas sobre o que e quanto produzir e a entrega dos produtos destinados à venda sendo feita, predominantemente, para a rede de agentes intermediários da comercialização, tornam a governança das cadeias produtivas de base agrária determinada pelo mercado. Neste caso, as informações entre os agentes de produção, agregação de valor e comercialização são fortemente assimétricas, o que gera problema de mensuração, e os agentes que detêm maior nível de informação sobre o mercado determinam as dinâmicas das cadeias produtivas. Neste cenário, os produtores são os que detêm menos informação e, portanto, são os que menos se apropriam dos resultados dos negócios vinculados aos produtos agropecuários (Santana, 2008; 2011). Na atividade rural, o baixo nível e efetividade das relações organizacionais dos produtores e, praticamente, ausência de contra tos de integração nas relações comerciais entre produtores, ou cooperativas, com as agroindústrias e/ou com os mercados atacadistas e varejistas, torna a capacidade de gerar trabalho e renda, a partir do excedente da produção, limitada para acumular capital e mover o desenvolvimento ascendente a partir do local. Neste ambiente, não há como os produtores melhorarem a qualidade dos produtos, adotarem tecnologias sustentáveis, amplia rem o número de empregos e o valor e distribuição da renda entre os agentes participantes das cadeias produtivas de base agrária. Por conseguinte, as iniciativas de estímulo ao desenvolvimento de PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 331 atividades locais, com vistas a contribuir para o empoderamento das mulheres e dos grupos de pobres e, por consequência, melhorar a qualidade de vida das populações rurais, torna-se fortemente limitadas. Para mudar este quadro de inércia socioeconômica, apresenta-se um modelo de integração sistêmica para orientar o desenvolvimento local e sustentável das cadeias de valor a partir da dotação dos recursos existentes, do conhecimento tácito e outras expertises dos agentes, na forma de parceria com as instituições vinculadas direta e indiretamente a tais cadeias. A organização dos produtores em associações, sindicatos e cooperativas de produção, venda e/ou de compra dos produtos e insumos é um passo fundamental para concentrar a produção, criar escala e planejar a logística de distribuição para atender à demanda dos mercados exigentes em qualidade e regularidade da oferta. Para isso, é necessário construir um processo de gestão coletiva, para que os princípios de confiança, cooperação, reciprocidade e reputação contribuam para reduzir as tentações de interesses egoístas, próprios da situação atual do ambiente operacional a que toda a pequena produção está submetida. A alternativa para atenuar o poder dos intermediários é a implantação de centrais de negócios coletivas, para criar escala e, por consequência, poder de negociação com parceiros comerciais, agroindústrias e com os mercados atacadistas e varejistas. Iniciativas do tipo podem encadear uma trajetória de reestruturação produtiva, por meio da articulação em cadeia para trás e para frente, mantendo as características culturais e dos sistemas de produção, mediante a organização produtiva e a utilização do conhecimento tácito disponível, combinado com o aprendizado cognitivo, para viabilizar a difusão das inovações tecnológicas e de gestão (Barquero, 2001; Hirschman, 1958). Cria-se, com isto, oportunidade para o trabalho da mulher na gestão e comercialização da produção, o que contribui para o seu empoderamento e das comunidades locais. Qual a diferença desta proposta em relação a tantas outras alternativas que caminham em busca de obter os mesmos propósitos, mediante a integração da pequena produção agrícola, pecuária, produtos não madeireiros, artesanato e o turismo rural? A principal diferença não está nos fundamentos teóricos e metodológicos em geral, mas na forma de implantação. As iniciativas em uso, geralmente, começam com a implantação de agroindústrias que impõem aos integrados ou ofertantes de matérias primas a 332 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL lógica urbana do comércio. Para isso, impõem sistemas de produção e rotinas para definir escala, qualidade de produto e regularidade de entrega. Ocorre, que tais atividades, geralmente destroem os sistemas tradicionais para serem implantados outros sistemas completamente diferentes na forma e na escala, sem o tempo necessário para que os sistemas produtivos em uso sejam passo a passo adaptados por meio da organização comunitária locais. O resultado é que tais iniciativas, com o tempo, promovem o crescimento e a acumulação da renda e dos ativos nas mãos de poucos e limita a evolução do desenvolvimento local e sustentável. Portanto, a proposta que ora se apresenta, preserva e fortalece as raízes das interações econômicas, sociais e ambientais dos sistemas de produção rurais e produz a estrutura socioeconômica, ambiental, cultural e política que viabiliza o processo de mudanças, em escala evolucionária, a partir da organização dos próprios agentes locais. Com isto, busca-se o “desenvolvimento como liberdade”, conforme Sen (2000) para as populações amazônicas. SDR-EM-03 Projeto: Estratégias Colaborativas para Micro e Pequenas Empresas do Estado de Roraima Este projeto tem como objetivo contribuir para o aumento da competitividade das micro e pequenas empresas do Estado de Roraima sob a luz dos conceitos de estratégias colaborativas. No atual ambiente organizacional é necessário que as empresas atuem de forma conjunta e associada. Os modelos organizacionais baseados na associação, na complementaridade, no compartilhamento, na troca e na ajuda mútua surgem como possibilidade concreta para o desenvolvimento empresarial, tomando como referência o conceito de redes, distinto de cooperativismo em uma série de elemntos conceituais. As redes de empresas representam uma forma inovadora de obter competitividade e sobreviver no mundo globalizado. Fundamentado na teoria da estratégia em rede, esse projeto tem por objetivo dotar as MPEs do Estado de Roraima, de setores econômicos selecionados, de ferramentas gerenciais que lhes possibilitem um aumento de competitividade e o fortalecimento de sua capacidade inovadora. Por meio da atuação em redes de colaboração, uma estratégia da gestão inovadora, as MPEs, PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 333 ao alcançarem economia de escala, terão maior poder de barganha nas negociações de compras e reduzirão o custo de logística, além de poderem adotar tecnologias de gestão e de produção de bens e serviços que atualmente não estão ao seu alcance. A disseminação da estratégia de cooperação em redes para outros segmentos da economia contribuirá para a maior competitividade das MPEs na economia local e regional, e para um aumento da atividade econômica local, com a subsequente geração de emprego e renda. SDR-EM-04 Projeto: Cadeia produtiva do leite de búfala – Desenvolvimento sustentável de agricultores O presente projeto visa a implantação de uma cooperativa de produtores de leite de búfala, com pastagens dentro do sistema silvipastoril, e uma pequena agroindústria para a produção de queijo marajoara, aproveitando as potencialidades já existentes na região e que no momento são subutilizadas, tendo em vista a melhoria das condições socioeconômicas da população muanaense e a preservação ambiental. Projeto: Rota Judaica da Amazônia SDR-EM-05 O presente projeto estabelece objetivos, justificativas, planeja mento estratégico e as vias para a criação e implantação de um novo e inédito produto turístico, do gênero cultural e étnico, para a Região Amazônica (Pará e Amazonas): a rota judaica da Amazônia. 334 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL Projeto: Residências verdes inteligentes na Amazônia SDR-EM-06 Este projeto visa desenvolver uma tecnologia de Domótica Inteligente, onde dados obtidos dos sensores da casa (temperatura, corrente elétrica, iluminação, etc) devem ser avaliados de modo a tornar possível o controle remoto da residência, além de adaptar as regras de automação do ambiente ao comportamento dos habitantes, ou seja, um sistema de automação residencial inteligente que cria regras em função do aprendizado com o comportamento dos habitantes de uma casa, dando ênfase à obtenção, tratamento e manutenção das regras, bem como a otimização da eficiência energética nas unidades consumidoras, como residências, edifício, condomínios, entre outros. Com isso busca-se também gerar novas tecnologias para que as novas redes inteligentes, em breve, sejam automatizadas com medidores de qualidade e de consumo de energia em tempo real, ou seja, as residências serão dotadas de um canal de comunicação com a empresa geradora e/ou distribuidora de energia e, em um futuro próximo, até fornecer eletricidade para ela. A inteligência artificial também será aplicada no combate à ineficiência energética, isto é, a perda de energia ao longo da transmissão. Projeto: Compensado de Miriti SDR-EM-07 O projeto Compensado de Miriti tem como proposta a melhoria da qualidade de vida das comunidades ribeirinhas localizadas em sua área de abrangência, através da utilização de hastes da palmeira de miriti na fabricação de placas de compensado, utilizando novos métodos e processos tecnológicos disponíveis, gerando ganhos ambientais. PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 335 Projeto: MMMnnnnn mmmnnnn mmmmnnn SDR-EM-08 O estilo de vida que as pessoas levam hoje em dia faz com que elas busquem muito mais informações no meio virtual, por considerarem mais dinâmico e instantâneo. Essas pessoas utilizavam as redes sociais e comentavam sobre situações que observavam no trânsito, porém estes comentários ficavam restritos à sua rede de contatos. Então foi criado um canal no portal de microblogs Twitter que recebe as informações que os usuários postam e repassa novamente para todos os usuários, disseminando assim a informação de forma muito mais abrangente. Agregando essas informações recebidas pelos usuários a outras que nós mesmos (operadores) observamos, as recebidas de outros veículos de comunicação da cidade e, mais recemente, algumas enviadas pelo Instituto Municipal de Trânsito e Transportes, criamos um grande repositório de informações acompanhado por mais de 28.000 (vinte e oito mil) pessoas, que as recebem através da ferramenta Twitter, além de outras formas de interação social como Facebook, TwitPic (imagens), Aplicativo (Sistema IOS e Android), Site, YouTube (vídeos), e graças a uma nova função do Twitter, até mesmo através de SMSs solicitadas pelo usuário (caso não possua dispositivo conectado à Internet). A utilização de redes sociais online no Brasil tem crescido de tal forma que nos últimos anos o Brasil tornou-se um dos 5 países que mais passa tempo conectado (média de 8 horas/dia), levando assim o Português, a ser a língua mais utilizada no Orkut e segunda mais usada no Twitter. Utilizando esse modelo, as informações podem vir de órgãos jornalísticos (rádio, televisão ou sites), do instituto municipal de trânsito e das pessoas. Como os dois primeiros nem sempre conseguem abranger a área metropolitana inteira, o terceiro o faz por utilizar constantemente algum dispositivo eletrônico para estar conectado (laptops ou smartphones), contribuindo com informações de forma mais rápida e informal sobre alguma ocorrência nas vias, como por exemplo, acidentes automobilísticos. 336 SDR-EM-09 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL Projeto: Sistema Integrado de Inovação Tecnológica Social: Assentamento (SITECS Assentamento) Este Projeto tem por objetivo promover a viabilidade econômica e sustentabilidade social e ambiental de empreendimentos extrativistas e de agroindustrialização de produtos agrícolas e da sociobiodiversidade em Mato Grosso, através da estruturação sistêmica de assistência técnica vivencial iniciada em assentamentos da região da Baixada Cuiabana e das cabeceiras do Rio Paraguai. Serão atendidos inicialmente 10 empreendimentos econômico-solidários (EES) em atividades de geração de trabalho e renda, de gestão e incubação para a produção agroecológica, agroindustrialização e comercialização dos produtos desses empreendimentos com base nos princípios do Comércio Justo, através de uma ação articulada capitaneada pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) contando com diversas entidades parceiras. A metodologia adotada toma por base um conjunto articulado de projetos, com uma administração descentralizada, com coordenadores para cada um desses projetos, sob responsabilidade de profissionais com experiência e/ou formação na área de administração, marketing, comercialização e contabilidade. SDR-EM-10 Projeto: Produção de chuvas localizadas – tecnologia inovadora para ajudar a mitigar os efeitos das mudanças climáticas na Amazônia As mudanças climáticas, o aquecimento global e o desmatamento geram fenômenos extremos de secas, enchentes e inundações, promovem impactos na agricultura, biodiversidade e abastecimento de rios, represas e mananciais, contribuem para o avanço dos processos de desertificação, savanização, destruição de florestas e desaparecimento de especies animais em vários biomas. PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 337 Ações e tecnologias limpas que possam mitigar os efeitos das mudanças climáticas, aquecimento global e desmatamento devem ser incentivadas e apoiadas por iniciativas nacionais, internacionais e programas governamentais. A Tecnologia de produção de chuvas localizadas utiliza uma aeronave equipada com dispositivos patenteados para semear nuvens cumulus com agua potável, estimulando seu crescimento e precipitação. Ao chover, esta água se torna uma contribuição para diversos fins: preservar florestas, aumentar recursos hídricos, fonte de água para abastecimento , agricultura, energia, saneamento, saúde. Criar uma unidade produtora de chuvas (aeronave, equipamentos, radar, equipe qualificada) para atuar na floresta amazônica e integrar monitoramento local e mecanismos que ajudem a mitigar os efeitos do aquecimento global e do desmatamento, pode ser uma ação inovadora e efetiva para reduzir a emissão de gases do efeito estufa. A proposição é que ao contribuir para que chuvas naturais e chuvas produzidas serem otimizadas na Amazônia, estaremos ajudando a floresta a se manter vigorosa, umidificada e com menor risco de incêndios e emissões. Estimulando o ciclo hidrológico, ajudamos a manter/preservar a normalidade do regime de chuvas, diminuir riscos de seca e de avanço do processo de savanização. Para isto, é necessário criar um projeto experimental e metodologia em conjunto com organizações que atuem com as questões relacionadas ao clima na Floresta Amazônica. SDR-EM-11 Projeto: Central de beneficiamento de polpas de frutas regionais da Amazônia O consumo de diversas frutas, e sua aplicação na indústria alimentícia, muitas vezes é dificultado pela sazonalidade e a manutenção indevida, a maioria das frutas tem sua safra por alguns meses e só poderão atender o mercado se forem processadas e estocadas. Polpa de fruta é o produto natural obtido de partes comestíveis das frutas maduras, extraídos por meio de processos tecnológicos e condições sanitárias adequadas. A presente proposta visa beneficiar a produção 338 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL de fruta in natura, com máximo de aproveitamento do potencial de produção de frutas, objetivando o desenvolvimento econômico sustentável e o abastecimento do mercado regional e nacional. Para tanto pretende-se instalar uma central de beneficiamento de polpas na zona rural do Município de Iranduba, Amazonas. Está iniciativa vai oportunizar o desenvolvimento do setor primário, por meio do mercado fruticultor ainda pouco explorado nesta região. Dentre as principais frutas na região com potencial para a extração de polpa destacam-se as tropicais tais como: cupuaçu, abacaxi, açaí, caju, carambola, goiaba, graviola, jaca, mamão, manga e maracujá. Este projeto possui sede própria no referido local e tem prazo para iniciar no ano corrente. O investimento tem grande potencial para contribuir com fortalecimento da economia da Amazônia com atividades sustentáveis, proporcionando renda e fixação ao homem do interior. PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 339 PRÊMIOS PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL E BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 2011 Capítulo 5 Organizadoração 340 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL Presidente Executiva Telma Lúcia de Azevedo Gurgel, Presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amapá (FIEAP) Coordenação Geral José Rincon Ferreira, Assessor de Relações Institucionais da Bemol Coordenação Estadual Tinale Silva, Assessora da FIEAP Comissão Organizadora Douglas André Muller Lillian Alvares Márcia Antunes Caputo Meyer Alberto Abecassis Neto Comissão Técnica Ana Anspach Anelise de Souza Santos Benayas Inácio Pereira Claiton Caicer Pereira da Silva Cláudia Closs Cinara da Silva Cardoso Daniel de Souza Tapajós Edel Meri Nahoum Mota Pinho Eduardo Taveira Elane Medeiros da Silva Elizangela Bezerra Queiroz Emerson Souza da Rocha Gonzalo Renato Núñez Melgar Helder Feijó Pontes Henrique Rodrigues da Silva Hudson Malinowski Ivani Gama Maia Jaime Kuck Janaína dos Santos Martins Jhony Herberth de Sousa PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE Jorge Felipe da Silva Cavalcante Karina Dutra Márcia Maristela Moraes Marcos Vinicius Rodrigues de Sena Maria Domingas Ribeiro Nika Yuki Otsuka Normando Lira Rafaela Oliveira de Souza Raquel Queiroz Raphael Barbosa di Salvi Rodrigues Reison Queiroz Silva Roberto Matias Rodrigo Araújo de Lima Rosângela de Paula Arruda Poliana Tavares Silva Samaya do Socorro Fonseca da Silva Sheyla Maria Soares Sobreira Sidney Jose de Andrade Silva Suzy Elen Queiroz da Silva Vanessa A. Dias Gonçalves Comissão de Acompanhamento Elane Medeiros Gualter Leitão Ivanildo Pontes José Lúcio de Arruda Gomes Luiz Lourenço Neto Oduval Lobato Neto Roberto Baungartner Rosângela Maria Queiroz da Costa Ruth Helena Fernandes dos Santos Lima Sheyla Sobreira Vilson João Schuber 341 342 PRÊMIO PROFESSOR SAMUEL BENCHIMOL PRÊMIO BANCO DA AMAZÔNIA DE EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE 343