Os Mundos de Chloe Sullivan - Colégio Passionista Santa Maria
Transcrição
Os Mundos de Chloe Sullivan - Colégio Passionista Santa Maria
Os Mundos de Chloe Sullivan Por Nathalia Farias Chloe Sullivan era uma mulher que adorava ler desde pequena. Ela tomava a maior parte de seu tempo lendo, explorando novos mundos e entrando em novas aventuras, literalmente. Tinha o poder de atravessar o mundo real e acompanhar as emoções das personagens de todos os livros que lesse. Acabara de passar pela Segunda Guerra Mundial, junto com Liesel Meminger, em A Menina Que Roubava Livros. Então, decidiu ir à livraria e procurar por uma nova história. Percorreu as estantes, seus dedos passando pelos títulos de alguns livros, adorava o cheiro de papel novo que eles tinham. Finalmente, encontrou o livro que a agradasse. Levou-o para o caixa, pagou e saiu. Quando chegou à sua casa, rapidamente correu até seu quarto e entrou em seu esconderijo secreto: o guarda-roupa. Era ali onde a mágica acontecia. Chloe abriu o livro ansiosamente e, num piscar de olhos, já estava numa manhã em meados do século XVIII, no governo da Rainha Bloody Mary, Inglaterra. Seu companheiro de história chamava-se Isaac. Ele vinha trabalhando como um dos soldados da Corte Suprema, mas na verdade estava infiltrado procurando modos de reverter o movimento antiprotestante que a rainha planejava. A cada dia que Chloe passava com Isaac, mais ela se interessava por ele. Era o personagem mais carismático e empolgante que já tinha lido. Ela simplesmente se apaixonou, e a sua paixão contagiou Isaac. Não importava se ele era apenas um pedaço de papel impresso, não importava se ela era uma viajante de histórias. Era amor. E então, o erro fatal foi cometido: a história foi alterada. Durante conversa com os moradores da pequena vila onde Isaac morava, Chloe deixou escapar a verdade sobre o que estava fazendo lá. No inicio, não se preocupou, porém esse morador delatou Chloe para a Corte, e assim, dois dias depois, foi jogada em uma prisão. Quando Isaac recebeu a notícia, procurou agir o mais discretamente possível, afinal ninguém sabia a ligação dos dois. Em um dos seus turnos da noite, sabendo que todos estavam no velório do marido da rainha e que ninguém o veria, Isaac deixou seus sentimentos tomarem a rédea e libertou Chloe, mas não esperava estar sendo vigiado pela própria Mary. Tomado pelo impulso e adrenalina, Isaac apunhalou a Rainha diretamente em seu peito, matando-a. O casal correu o mais rápido para longe do castelo. Chloe estava desesperada por não conseguir voltar para casa e Isaac por ter matado alguém. Logo adormeceram à margem da floresta. Mal sabiam eles que a história não havia sido mudada. O final do livro relatava a morte da Rainha, e assim fora feito. Quando acordaram, Chloe e Isaac não estavam mais na floresta. Era um lugar conhecido, o guarda-roupas de Chloe. Com o passar dos tempos, Isaac se integrou ao mundo contemporâneo e viveu ao lado de Chloe, juntos, viajando de história em história. As conchas do caminho Por Leticia Mansur Caminhava lentamente pela areia, observava o sol nascer ao mesmo tempo em que o sussurrar das ondas alcançava seu ouvido. Vez ou outra parava para descansar. Simplesmente parava. Os dias pareciam ser iguais para o humilde senhor: o mesmo brilho do sol, o mesmo barulho reconfortante do mar e a mesma solidão que o acompanhava em sua caminhada. Enquanto arrastava os pés pelos minúsculos grãos do solo, apanhava conchinhas. Não importava o tamanho, a cor ou a resistência; ele catava uma a uma e guardava-as no bolso. Certa manhã, deparou-se com a maior concha que já havia visto. Seu primeiro impulso foi o de recolhê-la, porém era pesada demais. O homem decepcionado por não poder agarrá-la, seguiu em frente. Assim que retornava à sua casa seguindo o caminho contrário ao anterior, avistou a valva ainda parada na areia. Ela parecia maior, mais robusta; o homem então reuniu todas suas forças e tentou pegá-la. Quanto mais ele puxava-a para si, mais pesada se tornava. Dias, meses, anos... O tempo urgia, a concha aumentava e o senhor não desistia, ele tinha de vencê-la. Até que em uma noite escura qualquer, o homem finalmente conseguiu o que tanto queria: a concha em suas mãos. Sua felicidade foi tamanha que por descuido escorregou em uma pequenina pedra e caiu. A enorme valva foi de encontro à sua testa, causando profundo ferimento. Ao amanhecer, um caiçara que andava pela praia viu o corpo desfalecido do homem, estirado na areia. Ousou se aproximar, ajoelhou-se e pegou a concha guardando-a em seu bolso. Voltou a caminhar, como se o sol tivesse lhe ocultado a cena... O Livro da Vida Por Isadora Mamer Já era noite quando tudo aconteceu, estava tomando banho, quando ouviu um barulho que vinha do seu quarto, não ligou. Ao abrir a porta do banheiro, a fumaça que havia se acumulado some aos poucos revelando o que estaria fazendo aquele som. Encontrou um livro em cima de sua cama, em sua capa uma senha enigmática. Não hesitou em tentar descobrir. Passado algum tempo, o enigma já estava solucionado e encontrara nas páginas do livro sua vida e, em questão de segundos, desapareceu. Passou pelo empoeirado e velho tempo, que já não levava consigo a beleza da vida... O tempo para, e Luna se encontra dentro de um trem, olha-se refletida na janela do vagão, feições de moça. Sente uma leve tontura, mas ela passa quando o trem para. Na estação, um homem bem vestido a espera, o motorista lhe conduz até o carro e a leva para casa de sua tia já falecida. No portão, não reconhece a mansão que passara a maior parte da vida, mesmo sendo cortada pelo achado de um livro, se recordara de tal momento. A casa estava aos pedaços. Como alguém poderia morar ali? Pergunta-se. Ao pisar fora do carro, o motorista lhe entrega uma carta que provavelmente iria esclarecer todas as suas dúvidas. Leu atentamente e pôde entender o motivo de sua ida, um mistério para ser solucionado. Prosseguiu sem mais delongas. Um aviso, também, pôde encontrar: de que algo iria tentar impedi-la. Agora, deveria tentar entrar na antiga casa, no entanto se deteve em um relógio que brilhava intensamente, ele poderia voltar ao tempo para tentar solucionar os enigmas que iriam aparecer em seu caminho, além disso, via espíritos por todos os cantos, conseguindo assim alcançar seu objetivo entrando na antiga mansão. A imagem fica preta e o jogo sai, a demonstração havia esgotado o tempo de uso e minha mãe me chamara para tomar banho. Estava debaixo do chuveiro e escuto um barulho, não ligo. Ao abrir a porta a fumaça que havia se acumulado some aos poucos revelando o que estaria fazendo aquele som. Encontro um livro em cima da minha cama, e em sua capa uma senha enigmática... A ti, o Sol Por Beatriz Bioni Falava com a namorada todos os dias. Palavras bonitas... Pode ter certeza. Tinha a felicidade no olhar quando dizia que amava aquela moça, baixinha, de olhos escuros como a noite. Era um homem simples. Nada demais nem de menos. Trabalhava como professor do primário para pagar o aluguel do apartamentozinho que tinha canos enferrujados que rangiam nas noites mais silenciosas. Tinha vinte e oito anos e, um dia, decidiu parar de ser um moço mais ou menos. Naquela tarde, encontrou a namorada na praça da cidade. Caminhava sorrindo de orelha a orelha. Era dia dos namorados. Sentou-se com ela ao seu lado, num banco, e prometeu à bela moça que qualquer coisa que ela quisesse estaria a seu alcance. Prometeu trezentas e sessenta e cinco rosas, uma para cada dia do ano; ela negou. Prometeu aprender latim, a língua que ela mais adorava; ela negou. Prometeu ler Shakespeare na versão original e recitar a ela os mais leais versos de amor. E mais uma vez ela negou. - Eu quero o Sol! - exclamou a moça. Voltou para casa confuso. Com o rosto voltado para o chão, pensava no que ela quis dizer com Sol... Talvez, Sol fosse amor. Lealdade. Paixão. Ou um codinome para "tudo". Mas não conseguiu achar sinônimos convincentes. Pois queria mesmo o Sol! Então, a ela daria o Sol. Comprou passagens para o Maranhão... Ia até o Centro de Lançamento de Foguetes de Alcântara, realizar o pedido do amor de sua vida. Passou cinco dias fazendo cursos de astronauta aprendiz; ganhou roupa espacial e capacete. Chegado o dia do lançamento do foguete, mandou uma mensagem à namorada "A ti, o Sol" e embarcou. A viagem pareceu ser rápida. Mas apenas pareceu. Houve dias até que pudesse ver a atmosfera da Terra ficando para trás e nada mais restando do que as estrelas, a Lua, os planetas, e o Sol. Saiu da nave, assim como todos os outros passageiros. Sentiu a Lua, se divertiu na gravidade zero e seu coração apertou ao ver a Terra. Mas isso ainda não era o bastante. Foi até a nave, desconectou seu cabo de segurança, carregou os tubos de oxigênio e seguiu o Sol. Corria o mais rápido que podia, mesmo que fracassado pela gravidade. Seu coração quase saía pela boca. Carregava as esperanças nas costas, e se tornou o homem mais feliz do mundo. Ele não tinha uma vida mais ou menos. Nem o apartamento mais ou menos poderia estragar o momento. O cano enferrujado, o aluguel a pagar, a escola primária que teria de ensinar quando voltasse para casa, os calos nos pés... Não importava se ele tinha um carro mais ou menos, um QI mais ou menos, um talento mais ou menos. Naquele momento, naquele fardo de momento, ele sentia a eternidade bater no rosto. Sentia o infinito e a beleza da vida. E o viu... Era uma bola de fogo, assustadora e magnífica. Ouvia seus companheiros da nave, gritando palavras como "Saia já daí!"; "Você não sabe o que está fazendo!" e coisas do tipo. Mas, pela primeira vez na vida, sabia, sim. Aproximava-se cada vez mais, e podia sentir o calor no corpo. A mistura de lava e luz o amedrontava, mas nenhuma vez ele desacelerou o passo. O bafo de calor era cada vez mais dominante. Então, em questão de segundos, foi engolido pela grande bola de fogo. O nada tomou conta de tudo. E de repente, já não era um homem mais ou menos, como achava. Aquela foi a maior prova de amor do mundo. O pássaro mensageiro Por Isabela Mayumi Lá estava eu, uma menina considerada estranha e solitária que sofria julgamento e violência em uma escola. A aparência e o dinheiro, apenas isso importava para os outros... Quando chegava a casa, as coisas se acalmavam para mim, pois me trancava no quarto e tudo se transformava em um mundo fantástico com princesas, doces e unicórnios. Prestes a deitar, um forte vento invade minha janela, as cortinas se debatiam, então aquele sombrio fenômeno começara a me assustar. Avisto de longe, um belo pássaro preto vindo em minha direção, dificilmente percebível naquela obscura e chuvosa noite. Calmamente, pousou sobre minha janela, confesso que estava bem assustada com o fato, mas comecei a me aproximar mais do pássaro o olhando fixamente nos olhos. Quanto mais me aproximava, mais o pânico me dominava, mesmo assim, me sentia confiante. Seus olhos amarelos e as penas molhadas me encorajavam. Foi então que o pássaro para a minha surpresa, disse, com a voz falha: - "Sei que a senhorita não passa por bons momentos." Espantei-me, dando um enorme salto para trás. - "Não se assuste, não irei te machucar, apenas venha comigo”. Disse o corvo. Então o pássaro voa sobre meu ombro. Assim, caminhamos em direção ao grande corredor da casa, descemos a escada e entramos em um pequeno porão escondido. Ele pediu que acendesse a luz. Então acendi. Tudo era tão magico. Tanto duendes, flores, aroma natural, era como ler um conto de fadas e me transportar para a história. O tal pássaro, nomeado como Kevin, me leva até um pequeno elevador, subimos ao ponto mais alto da casa, onde conseguia ver toda a iluminação da grande cidade de Toronto. Ficamos naquele lugar e, consegui ver todas as pessoas realmente iguais. Tristes, em rotina semelhante, um mundo da mesma cor. O pássaro partiu... Permitindo que eu enxergasse a beleza da minha diferença. Deixou, para mim, a mais bela e inesquecível mensagem...