Edição número 07 - Revista o Professor
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Edição número 07 - Revista o Professor
Entrevista: O geógrafo Aziz Ab´Saber fala sobre meio ambiente, aquecimento global e critica membros do IPCC SINPRO - Sindicato dos Professores do ABC setembro/outubro de 2007 edição no 07 Violência nas Escolas Agressões a professores, alunos e funcionários levam medo para dentro das instituições de ensino Revista do Professor - SINPRO Sindicato dos Professores do ABC 1 2 Revista do Professor - SINPRO Sindicato dos Professores do ABC SINPRO - Sindicato dos Professores do ABC ENTREVISTA 5 Aziz Ab´Saber Mudanças climáticas, aquecimento global e meio ambiente em pauta setembro/outubro de 2007 edição no 07 NACIONAL 26 A Vale é nossa População se mobiliza pela reestatização da Cia Vale do Rio Doce INTERNACIONAL 12 A Carta da Terra ESPECIAL 16 ARTIGO 28 Implementação de coleta seletiva nas escolas Por Pedro Marcio Munhoz Educação a Distância Informática invade as salas de aula e coloca em debate o sistema de ensino a distância EDUCAÇÃO Cursos que oferecem bolsa no ProUni têm desempenho ruim no Enade EDUCAÇÃO 20 Violência nas escolas 30 SINDICAL SALA DE AULA 31 100 anos da História de Cuba Casos assustam profissionais, alunos e toda a sociedade 23 Sindicalização no Brasil O sobe-desce dos números no país CULTURA 24 Javier Guerrero: mosaicos e militância Revista do Professor - SINPRO Sindicato dos Professores do ABC Por Cibele Vieira Machado SAÚDE 32 Corpo, movimento e saúde Por Wilson Kraciunas 3 editorial Vote SIM pela VIDA!!! A modernidade traz consigo inúmeras novidades, algumas positivas, outras ... nem tanto! A revista do Professor, nesta edição, aborda alguns temas que merecem uma reflexão mais aprofundada. Nossa matéria de capa remete para a discussão sobre a violência nas escolas, que assusta a população, invade as salas de aula e amedronta os educadores, alunos e familiares, problema em que a amplitude tem se acentuado e tem dificultado a ação pedagógica nas unidades escolares. A violência mostra-se através de muitas outras facetas em nossa sociedade... Apresentamos uma alternativa à agressividade com que estamos destruindo nossa casa-mãe. A Carta da Terra é um documento elaborado coletivamente, com a participação de 46 países e mais de 100 mil pessoas, cuja origem remonta à Rio-92 e que apresenta algumas possibilidades de enfrentamento dos desvarios humanos contra o Planeta, apontando para a necessidade de respeito e cuidado com a comunidade da vida, do despertar de uma integridade ecológica, da implementação de políticas geradoras de justiça social e econômica, de posturas éticas e democráticas e da construção de uma cultura de não violência e paz. Um documento que valoriza a vida, em todas as suas manifestações, priorizando uma política de proteção e conservação dos recursos naturais. Na mesma linha de pensamento, apresentamos uma entrevista com o professor Aziz Ab’Saber sobre as alterações climáticas e aquecimento global, preocupações constantes em meio a tantas catástrofes naturais, conseqüências das ações do homem contra o meio ambiente. Apresentamos, ainda, um projeto de coleta seletiva nas escolas, tendo em vista a vital importância de implementar um trabalho de preservação ambiental. E, já que o assunto é violência, discutimos a falta de políticas trabalhistas relacionadas à implementação da EaD, onde cada escola cria suas regras, não levando em conta os direitos profissionais da categoria. Finalizando a temática, abordamos os sabores e dissabores da sindicalização no Brasil. Finalmente, ampliamos a discussão sobre a privatização da Vale do Rio Doce, passamos pela análise do PROUNI, apresentamos uma sugestão de leitura: A Revolução Cubana e a Questão Nacional (1868 – l963), objetivamos dúvidas sobre saúde e postura corporal, bem como, presenteamos a categoria com os belíssimos mosaicos que desenvolvem a temática da luta pela liberdade na América Latina na Agenda do Professor - 2008. Boa Leitura, e até a próxima edição. expediente Revista do Professor - Ano II - Número 7 - setembro/outubro 2007 - SINPRO ABC - Sindicato dos Professores do ABC - Gestão 2004/2007 Diretoria Executiva: Aloisio Alves da Silva, Célia Regina Ferrari, Denise Filomena L. Marques, José Carlos Oliveira Costa, José Jorge Maggio, Paulo Cardoso de Souza, Paulo Ostroski e Paulo Roberto Yamaçake • Presidente: Aloisio Alves da Silva • Diretora de Imprensa: Denise Filomena L. Marques - Edição e reportagem: Mayra Monteiro - Mtb 47135 • Projeto Gráfico: Imprensa SINPRO ABC • Capa: Israel Barbosa • Tiragem: 4.000 exemplares • ISSN 1807-7994. SINPRO ABC - Rua Pirituba, 61/65 - Bairro Casa Branca - Santo André - CEP 09015-540 - São Paulo www.sinpro-abc.org.br • [email protected] 4 Revista do Professor - SINPRO Sindicato dos Professores do ABC entrevista Ab´Saber: “Não dá para confiar no pessoal do IPCC” A os 83 anos, o geógrafo Aziz Ab'Saber exibe em seu discurso uma vitalidade invejável. Um dos maiores estudiosos dessa área no planeta, a capacidade de análise o deixa bastante à vontade para, por exemplo, confrontar especialistas como os que fazem parte do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC): "Não sabem nada, são pessoas da Física, engenheiros e outros. Não dá para confiar neles", ataca. Na entrevista abaixo, concedida na sala no Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (IEA/ USP), o professor falou sobre meio ambiente, as soluções hídricas para o sertão nordestino, e não poupou o presidente da República. Muito se discute hoje que, para frear o processo de aquecimento global, a única alternativa que de fato resolveria seria optar por uma mudança de matriz energética. Nesse caso, pelas condições do país, a escolha seria a energia hidrelétrica mesmo? Aziz Ab' Saber - A mais limpa e saudável alternativa é a energia hidrelétrica, mas estamos em um dilema. Ou fazemos essas usinas, ou caminhamos de novo para a energia nuclear, como outros países do mundo vão ser obrigados a fazer. Nem todo país tem os recursos hídricos que o Brasil tem. Aqui, são 78% de drenagens abertas para o mar e perenes. Nossa situação de usar primeiramente as barragens para geração elétrica é favorável do ponto de vista ambiental. Mas, do ponto de vista biológico, no caso da ictiofauna fluvial, vamos ter problemas, mas não dá para resolver tudo. Os ambientalistas que lutam contra essas usinas não estão fazendo o balanço das vantagens da usina. Há desvantagens, mas não é com isso que eles trabalham, e sim com as dificuldades de preservação da fauna fluvial no trecho a montante da barragem. Outro problema para a população ocorre quando não retiram a madeira. Em Tucuruí, por exemplo, aconteceu isso... Ab'Saber - Mas são obrigados. São obrigados. No projeto, se não houver a remoção lateral da madeira vai ser um problema infernal que você não pode imaginar. É preciso ter ido a um lugar como esse para saber o que é o mau cheiro. Se vai realmente construir a usina, tem que deixar um espaço limpo na floresta. Aí entra outra questão: a área desmatada é muito grande, não é simples. Além disso, é uma área que tem ainda alguns agrupamentos indígenas pequenos, mas extremamente bravios em termos de uso de seu espaço florestal por atividades inundadoras. Mas ao observar o rio Madeira, Revista do Professor - SINPRO Sindicato dos Professores do ABC Entrevista concedida à Revista Fórum, edição de julho/2007. Por Anselmo Massad, Glauco Faria e Mouzar Benedito. Fotos de Gerardo Lazzari entre os confins das terras ligeiramente mais acidentados e os grandes tabuleiros florestados, não é muito fácil encontrar lugares para fazer barragens com certeza de que vai haver sucesso. As empreiteiras não querem saber disso, já há algum tempo pensam fazer dinheiro com essas obras. E o governo faz de conta que não há problemas. É complicado, não sigo diretamente a linhagem de argumentação dos ambientalistas rígidos, que se fixam um pouco demais na piracema do Madeira. Sabe-se que o rio está muito poluído por causa da exploração de ouro e o uso de uma série de produtos químicos perigosos. O rio já tem problemas, e a barragem vai se somar a eles. E, ao mesmo tempo, há outros processos que não serão atendidos no projeto de construção, como a questão da distância. A usina do Madeira fica muito longe do Centro-Sul do país, o que exigiria obras grandes de transmissão, muito custosas. Acontece que o governo sempre quer fazer obras gigantescas, faraônicas. Quer transpor as águas do São Francisco, fazer barragens no Madeira, que nem conhece direito, nem sabe a distância, tem pouco conhecimento geográfico. O presidente Lula, que viajou tanto com o senhor, modificou a visão que tinha a respeito do país? Ab'Saber - Nem quero falar nisso, o Lula está em um momento de vaidade tão grande que pensa apenas no currículo do político que ele é para o futuro. "Todo mundo falou em transpor as águas do São Francisco, mas eu fiz as 5 Os outros rios, assim como o São Francisco, também estarão mais baixos, secos até, precisarão de mais água. A transposição tiraria água do São Francisco para levar a outras regiões, mas há projetos da Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco (Codevasf) que já retiram água do rio em volumes consideráveis para loteamentos, no modelo de Petrolina e Juazeiro. Há uma série em funcionamento e outros em construção, mas... Ab'Saber - O de Petrolina é muito bom, é o único que deu certo, mas não atende socialmente à população. Isso eles escondem. Não dizem quem teve vantagens socioeconômicas com a irrigação de Petrolina. E, por outro lado, no caso do Jaguaribe, que conheço bem, há dois açudes. Vão levar a água para o alto para descer até o Jaguaribe, que é o principal do eixo Leste, o resto é invenção para mostrar que se pode atender áreas mais remotas. E a água vai cair no açude de Orós, que está salinizado. Águas poluídas em um açude salinizado somente podem ser usadas para irrigação. O discurso de "água para todos", usado para tapear a população sertaneja, é uma mentira. obras. "É muito complexo. Escrevi muito sobre o assunto na minha coluna na Scientific American. O governo fala que não é a transposição do rio, mas de águas, só que não diz que as águas do São Francisco estão poluídas devido à descarga de tudo à beira do rio - inclusive ao que atende a. região de Belo Horizonte [rio das Velhas], e os resíduos sídero-metalúrgicos. Tudo vai para o São Francisco. Descobriram isso tardiamente e decidiram "revitalizar" o rio. Vocês que conhecem a região de São Paulo sabem que tudo o que foi feito para "revitalizar" o Tietê tem sido uma brincadeira de péssimo gosto e demonstra a incapacidade de entender a poluição hídrica. Lá, é pior ainda, são 2 mil quilômetros desde a serra da Canastra até o ponto onde vão se fazer as primeiras obras para a transposição de águas. E há mais uma coisa. O sistema climático é o mesmo da área de cerrado. Quem vai a Brasília sabe: tem um inverno em que chove muito pouco e, depois, um verão em que chove muito. No Nordeste, durante o inverno astronômico, é muito quente, a água evapora, os rios ficam intermitentes. As chuvas são muito poucas, um quinto das do Brasil central. Elas refrescam o conjunto cheio de calor do sertão, então a população local inverte o nome. O tempo seco é verão, e o de chuvas é inverno. Não é o primeiro lugar no mundo onde isso acontece, no Norte da África também é assim. Um dia desses, falei que o período em que se precisaria de mais água para além-Araripe é exatamente aquele em que o São Francisco está mais baixo. E é preciso manter um nível mínimo para fornecer água para as hidrelétricas de Paulo Afonso, Itaparica e Xingó. Sabe o que o Ciro Gomes disse? Que é exatamente o contrário do que eu disse, porque ele usou os nomes regionais [riso irônico]. Mas não é: astronomicamente, o período de inverno é de muito calor e evaporação e perda de perenidade dos rios. São rios de intermitência sazonária, seis meses para cada um dos períodos bem contrastados. 6 A estratégia mais correta seria a de pequenos açudes? Ab'Saber - Não sou eu quem deve estabelecer os pequenos e médios projetos para isso. O governo tinha que pensar na área como um todo. Não ia falar nisso, mas você perguntou. Quando o Lula assumiu, fiz uma carta muito grande, à mão - escrevo à mão, por causa dos olhos -e mandei para ele. Resposta zero. Alguém jogou fora. Nela, eu dizia como atender a regiões de um conjunto territorial muito grande. Para a Amazônia fiz esta proposta: quando o governo assumir, deve reunir em Brasília técnicos, cientistas e pesquisadores honestos e bem-preparados para discutir a floresta. A comissão tem que organizar um método de trabalho para conhecer todas as partes da área. Tinha feito um mapinha no Instituto, com 23 células espaciais da floresta, esquecendo estados, com certa homogeneidade e dentro de um quadrante mais ou menos bem posicionado. Seria organizado um método de trabalho para as pessoas que formariam de quatro a seis equipes para visitar três células espaciais diferentes, para comparar as realidades. Não dá para dizer que a realidade do Alto Rio Negro e o rio Uaupés [noroeste do Amazonas] seja igual ao que está acontecendo na área dos fazendeiros, madeireiros para o Centro-Sul do Pará. Depois, se reuniram, não em Brasília, nem em capital para não sofrer influências dos governadores, para discutir propostas variadas e diferenciadas para cada local, levando em conta as formuladas pela própria população, durante as enquetes. Gastando menos e fazendo mais. Trabalhei uma semana para escrever uma carta desse tipo [risos]. A gente que trabalha na universidade tem que contestar os cretinos. Dividi a carta em quatro partes e publiquei na minha coluna na Scientific American. Quando ele souber que a carta está publicada, vai ficar p. da vida [risos]. Azar dele. Outros intelectuais reclamam também por não serem ouvidos. O governo não oferece canais de diálogo? Ab'Saber - O Lula é um grande esperto. Para poder se Revista do Professor - SINPRO Sindicato dos Professores do ABC reeleger, fez várias reuniões com intelectuais. Uma no Rio de Janeiro foi uma coisa séria. Trouxe todos os intelectuais a um restaurante muito rico, todos favoráveis. Depois, "até logo". Só serviu para dar voto. Fez isso na primeira eleição. Na segunda reuniu também muitos intelectuais. pelo homem. São 500 quilômetros quadrados somados de devastação da Amazônia. É equivalente a duas vezes o estado de São Paulo. Não tem sentido falar das mudanças climáticas e esquecer do que os homens estão fazendo "savanizando" tudo. Na questão do aquecimento global, o senhor deu entrevistas falando do Optimum Climático... Ab'Saber - Optimum Climático é o período há 6 ou 5 mil anos, em que o calor aumentou muito e degelou muita massa de gelo dos pólos, e o mar subiu até três metros. Isso está bem representado nas áreas praianas brasileiras. Há uma costeira que não encosta no nível da água de hoje, formada quando o mar estava três metros acima. Mas o relatório aponta o desmatamento como um problema, em termos de emissão de gases do efeito estufa. Ab'Saber - Sim, no caso brasileiro são dois fatores. O industrial do Sudeste, com Cuba tão, Votorantim, Volta Redonda e outros lugares, juntamente com o excesso de veículos. O outro é a queimada na Amazônia. O senhor tem uma visão discordante do IPCC sobre o aquecimento global... Ab'Saber - É porque eles ficam dizendo que quando o mar subir vai derruir a Amazônia e entrar o cerrado etc. Não sabem nada, são pessoas da Física, engenheiros e outros. Não dá para confiar neles. Mesmo porque, quando o mar estava mais alto três metros, não destruiu a floresta, pelo contrário, houve mais evaporação, mais calor e mais umidade para a Amazônia e muito mais para o Brasil Tropical-Atlântico, sem o que, aqueles redutos de mata, que resistiam apesar do clima frio, não teriam se ampliado e se emendado. É a teoria dos redutos e refúgios. Tenho moral para falar isso, porque sou autor da teoria dos redutos e o [Paulo] Vanzolini da dos refúgios. As florestas estavam se reduzindo e as caatingas se estendendo muito, então a fauna foi se concentrando. E com excesso de fauna numa área pequena, houve processos evolutivos de formação de subespécies. Depois, durante a retropicalização, de 10 mil anos para cá, essas florestas se emendaram e constituíram as matas atlânticas. E as correntes quentes que estiveram a leste do Brasil desde há 11 mil anos favoreceram o ambiente da tropicalidade. Basta dizer que, quando estava o mar mais alto, a corrente quente foi até o Rio Grande do Sul e favoreceu a implantação complexa da floresta da serra Gaúcha, de Taquara até Santa Maria da Boca do Monte. O principal ponto de sua crítica ao relatório do IPCC são as correntes marítimas? Ab'Saber - Correntes marítimas, periodicidades climáticas - falaram apenas, mas não levaram bem em conta, de fenômenos como o El Nino - nem os jogos das massas de ar - equatorial- continental, tropical-atlântica, polar, polar-atlântica. Correntes marítimas, zero. Puseram nos jornais um mapinha de como iria ficar com o aquecimento global sem considerar dois fatos essenciais. Primeiro, em quanto tempo vai ficar assim? Em 50, 200, 300, mil anos? Não levaram em conta a temporização. Segundo, não levaram em conta a periodicidade climática atual. As discussões todas foram feitas em dias muito quentes, no período do verão, até chamei a atenção para isso. É uma estupidez levar em conta um momento do clima ao longo do ano. Estou pouco ligando por ter criticado um físico da USP que, bobalhão, entrou nessa história de que os cerrados vão aumentar esquecendo as formas de devastação promovidas Revista do Professor - SINPRO Sindicato dos Professores do ABC A pergunta é se o senhor, então, concorda com a premissa de que a emissão desses gases promove o aquecimento global? Ab'Saber - Claro, está havendo aquecimento global, não discordo disso. Minhas razões são diferentes das deles. Eles não entendem bem o que é metabolismo urbano. É um conceito que apareceu nos Estados Unidos, na década de 1960, e que não foi usado como método nem lá. Estabeleceram que, no metabolismo urbano, há problemas de entradas, fluxos e saídas. Numa cidade grande como São Paulo, entram carros, ônibus, caminhões, treminhões, passam pelo território e se reúnem com o que já está na atmosfera. A massa que vai para o ar é muito grande. Mas também levei em conta coisas mais amplas. Fui a Cubatão falar com o pessoal da Petrobrás, conhecidos meus. Ficaram meio quietos, porque não querem que se diga que eles fazem poluição. Mas olhe bem, em Cubatão, a pluma vai a 1.500 metros de altitude. Isso registrado por eles, sem querer me contaram. O vento do leste e do sudeste empurra para dentro do planalto Paulista. Aí, o ABC tem uma emissão verticalizada para cima, que se reúne com a de Cubatão. Depois vem a do Centro Expandido de São Paulo, que é uma tragédia do ponto de vista de emissão de gases. Tudo isso vai bater na Cantareira. A Cantareira tem problemas muito sérios para resistir como ecossistema florestal serrano. Tudo o que subiu - os gases de Cubatão, ABC, cidade etc. - vai até a troposfera, não consegue passar para a estratosfera, e descai para os lados. Chama-se "domo de poluição". Pois bem, no relatório do IPCC, não se fala nisso, não se entra em casos especiais desse fenômeno como é o de São Paulo e de outros locais, 7 mais interiores. Buenos Aires tem menos esse problema, porque está numa posição perto do rio da Prata e do mar. O domo existe em São Paulo, muito violento, e menos no médio vale do Paraíba, onde as cidades estão se emendando. Na zona costeira, as chuvas o os ventos eliminam. Mesmo em São Paulo, as chuvas violentas fazem baixar a poluição, o domo é desfeito, o que tampouco é dito pelo IPCC. No começo do século XX, a temperatura média em São Paulo era de 18,6°C, correspondente ao centro expandido. Hoje, é 22,7°C dentro do domo. Levando em conta a área mais ampla, dá 21,8°C. O relatório do IPCC é feito por pessoas das mais diferentes partes do mundo, vaidosas por terem ido a Paris e a outros lugares, e não grandes conhecedores. O maior climatologista dinâmico do Brasil é o Carlos Augusto de Figueiredo Monteiro. Ele não é chamado para discutir, mas apenas físicos sem saber nada de efeito estufa nem metabolismo urbano nem nada. A questão de periodicidade climática, vocês teriam de destacar... Um dos físicos a que se refere é o Paulo Artaxo... Ab'Saber - Não falei nomes, você que falou. Sim, mas ele, quando confrontado, diz que o modelo considerado pelo IPCC trabalhava de forma acoplada, tanto com a área de oceano quanto de atmosfera. Ab'Saber - A tese do João Dias da Silveira parte do princípio de que as baixadas litorâneas quentes e úmidas são as do leste, do outro lado da América do Sul, há a corrente fria de Humboldt, que determina os semidesertos de toda costa do Chile e do sul do Peru. Como pensar o oceano em conjunto? A corrente marítima quente vem do Atlântico e se divide em dois braços. Vem para o sul, e até Santa Catarina tem influência grande. No Optimum Climático, ela ia até o Rio Grande do Sul e favoreceu o adensamento das florestas nas serras. Por que ficaram lá depois que as correntes deixaram de chegar? Porque ali tem o melhor solo de todo o Rio Grande do Sul, oriundos da decomposição dos basaltos. É uma mentira dizer que o pessoal do IPCC considera tudo ao mesmo tempo. Não considera nem as duas faces da América do Sul. E outra coisa, o perigo que criaram para as pessoas é muito grande. Na véspera de uma reunião em Ribeirão Preto, o Carlos Nobre estava gritando na televisão que ia derruir a Amazônia e ia entrar o cerrado. Ele não tem capacidade para dizer isso, porque não conhece. A história do Optimum Climático é muito séria. Porque o aquecimento para subir três metros o mar foi muito grande e não derruiu nada. Geleiras muito grandes e volumosas faziam crescer o nível do mar. Na hora em que o mar estava descendo, a corrente fria estava subindo da linha subtropical de hoje para o Nordeste. A maior prova disso é que encontrei, na Bahia, solos de clima tropical úmido, vermelhos, "de cobertura", em cima de chão de pedra, formados em outro período. Descobri isso em três lugares. Ao lado de Campina Grande há a mesma coisa, uma das ilhas de umidade que mantiveram pequenas florestas. Foram essas ilhas que me fizeram pensar na teoria dos refúgios, que outras pessoas também apontaram. O que o Artaxo pode falar dessas coisas se não conhece? O esquema que há no Nordeste foi o da fragmentação em redutos. 8 Dá para prever em termos históricos as conseqüências do aquecimento atual? Ab'Saber - É isso que eles não discutem. Alarmaram a população, mas não falam sobre questões importantes. As coisas são tão feias no que está sendo transmitido para a imprensa, que os jornalistas escolhem os que acham que compreendem mais as coisas. Então, reproduzem coisas boas e muitas bobagens. Essa de que a Amazônia vai ser derruída e os cerrados vão entrar, note bem a gravidade. Os cretinos dos fazendeiros agropecuaristas da região, se alertados de que vai haver esse fenômeno pelo aquecimento global, vão dizer: "se é assim, vamos derrubar mais, a nosso favor!". E saiu em um caderno agrícola de um jornal paulista um produtor de milho que dizia que o aquecimento global tinha prejudicado a safra dele [risos]. É preciso dizer isso. As previsões de quanto o nível do mar subiria foram muito diferentes. Um falou de um milímetro por ano, outro falou de 34, outro de 64 milímetros. Um último, estupidamente, apontou um centímetro por ano. Em dez, 50 e 100 anos, a partir daí, é uma incógnita, porque não haveria continuidade plana, mas vamos imaginar mais, por curiosidade. Em 50 anos, muitos dos que vivem hoje continuarão vivos, e os prédios altos vão estar de pé, mesmo que haja inundações. Se os prefeitos de cidades litorâneas seguirem o que dizem esses técnicos, não aprovariam prédios altos e pesados na planície. Se fosse subir um milímetro por ano, 34 ou 64, não seria tão grave. Acontece hoje de o mar subir e entrar pelas ruas de cidades beira-mar, mas em média, não seria grave. Se fosse um centímetro por ano, é um desastre completo, em 100 anos, é um metro. Se continuasse assim, no ritmo Bush, em 200 anos Ubatuba viraria Veneza, o que exigiria adaptações caríssimas. Para mil, 10 mil ou 20 mil, se o aquecimento continuasse indefinidamente, sempre subindo, as geleiras iriam ser todas fundidas, entrar pelo mar e destruir todas as costas do mundo. Eu era estudante quando vi isso em uma revista de literatura, meio fantástica, sobre a Guerra Fria. Dizia que os Estados Unidos descobriram que os russos estariam subindo Revista do Professor - SINPRO Sindicato dos Professores do ABC as cidades para lugares mais altos. Começaram a pensar, e descobriram que os russos poderiam bombardear o Pólo Norte e o Sul e fazer subir rapidamente o nível do mar [risos]. Nunca me esqueci disso. É uma coisa de ficção, mas na hora foi feito esse cálculo. E sabe quantos metros subiria o mar se todas as geleiras se derretessem? Seriam 34 metros, o equivalente a um prédio de 11 andares, que seriam todos inundados. E quanto ao biodiesel? Ab'Saber - Vamos falar do biodiesel. A questão depende de saber o que foi o Protocolo de Quioto. Os países pobres achavam que os ricos tinham de pagar alguma coisa por poluírem e incentivarem o aquecimento global. O resultado é que os Estados Unidos não quiseram assinar o documento por uma série de argumentos. Mas o Protocolo era uma coisa também errada. Porque eles pretendiam que os poluidores pagassem para os não-poluidores e que ficasse tudo a mesma coisa, emitindo dióxido de carbono e tudo. Aí os dirigentes vão, pegam um dinheirinho para fazer obras por vaidades. O Bush quis inventar alguma coisa para diminuir essas críticas fantásticas que se fizeram aos Estados Unidos. Algumas pessoas do Banco Mundial falaram que uma mitigação tem que ser feita, seja país pequeno, seja médio, seja grande, industrializado ou não. Depois, falou-se em adaptações. O pessoal daqui ficou furioso com o termo. É que, na medida em que o aquecimento pudesse provocar problemas nas áreas costeiras, teria que se pensar, ao longo do tempo, em obras planejadas para evitar o pior. É obrigatório que se faça mitigação por todos os processos possíveis e, do outro lado, adaptações, em função de cada caso invadido pelo mar etc. O que faz o Bush? Percebeu que o Brasil está avançado há muito tempo em biocombustíveis, no caso, o álcool, e veio ao país. Mas não foi a Brasília, mas a São Paulo. Nas imagens de satélite, a área do interior onde só havia café, hoje, só tem cana. Fantástica a transformação da paisagem rural lá. Ele está visando a obter ampliações da produção de cana e etanol e outros subprodutos para justificar a estupidez dele de não querer nem discutir o Protocolo de Quioto e não ter assinado. Por isso ele veio a São Paulo, onde tem as maiores extensões contínuas de canaviais. Ribeirão Preto, Sertãozinho, São Carlos. O problema é mitigar, segundo a expressão do Banco Mundial. É uma critica grande aos Estados Unidos, que fazem emissões muito grandes de dióxido de carbono. É isso que tenho para dizer, não quero falar mais sobre o assunto. No Sul do Maranhão, Sul do Piauí, Rondônia e Roraima, a soja avança com desmatamento. Além da exportação, há o biodiesel... Ab'Saber - Isso é em função do incentivo que o Lula está dando, que falou que os canavieiros são heróis. Acho que os heróis são os cortadores de cana, talvez um milhão de pessoas que saem de suas regiões só para cortar cana, num país que não tem emprego. Mas alguém vai dizer que os canavieiros são heróis por terem mantido o corte braçal. É verdade, em alguns locais, fazem uso de maquinário de cortes especiais, mas deixam um trecho grande para os cortadores, porque senão seria uma crise socioeconômica muito grande. Outra questão é que, se os usineiros são heróis, então o Revista do Professor - SINPRO Sindicato dos Professores do ABC espaço principal é o da cana. Onde vão ficar o feijão, o milho, a mandioca e outras coisas? Eles são tão pretensiosos que dizem que se não houver áreas aqui, vão à Amazônia. Entra um fator a mais. Temos os agropecuaristas, fazendeiros, madeireiros, loteadores. Não sei se vocês conhecem esse tema. Há várias estradas que cortam a selva Amazônica. Em pouco tempo, elas foram sendo dominadas, invadidas, com áreas depois registradas como propriedades deles etc. Eram espaços públicos. Depois, de cada rodovia, vêm os ramais, que cortam a floresta. Depois os sub-ramais, e a mesma coisa. Muitos dos que trabalham numa empresa na construção compram um terreno para si. Os lote adores são os homens mais perigosos do Brasil. Vão desenhando quarteirões, fazendo trilhas e vão vendendo para os incautos que não sabem nada da Amazônia. Não é só o pessoal do IPCC que é idiota. Vão vendendo os pedacinhos. As pessoas compram e pensam que vão instalar uma fazendinha, mas não conseguem chegar até lá, porque o preço para se chegar até lá é maior do que o pago pelo terreno. Forma-se o que os amazônicos chamam de "espingüela de peixe". Se vocês vissem as imagens de satélite de áreas iniciais disso, onde o loteamento aconteceu há algum tempo, não há mais nada, apenas árvores isoladas. Fora isso, os mais espertos fazem os linhões e cortam uma enorme área de floresta para instalar agropecuária, buscam gente na estrada para trabalhar. O sujeito se muda para a região e, dois meses depois, não tem mais onde trabalhar. Alguns têm aeroportos para chegar de São Paulo, Paraná e Minas Gerais até lá. E há os capatazes, independentes, para o controle geral. E vendem o espaço na hora de desmatar para os madeireiros. Há áreas que haviam sido reservadas para, um dia, favorecer a exploração auto-sustentável. Só que as áreas foram reservadas quando tudo era floresta, agora, é estupidez fazer concessões para uso. Uma pessoa inteligente vai dizer "o que se separou no passado deve ser transformado em áreas de proteção integradas". E a Marina Silva manda, por meio do (João Paulo] Capobianco, um enviado à Suíça para oferecer concessões para as ONGs estrangeiras. Devo dizer, para vocês que são jornalistas, que esse negócio de ONGs estrangeiras foi a maior bizarrice do mundo. Deram um jantar para a Marina Silva antes da eleição, na alameda Santos. Só ONGs. Eu e minha esposa não sabíamos. O [senador Eduardo] Suplicy, que gosta muito dela, também estava. Como respeito muito ele, achei que era sério. Ela passou um vídeo sobre sua trajetória no Senado. Pagamos mais pelo jantar para sustentar a campanha. Aí, foi reeleita, e nomeada ministra. Ela chamou todas as ONGs para Brasília e nenhum pesquisador, nenhum cientista, nenhum técnico. E o seu Lula, muito quieto. Nomeoua dos Estados Unidos, onde ela estava. O pessoal gostou muito da fala dela, muito simplória, bonitinho, lá do Acre, com origem do sertanejo. Mas não entende de outras coisas. 9 notas Rede federal tecnológica vai contratar 2.533 professores e técnicos O Ministério da Educação autorizou, em junho, 99 instituições federais de educação tecnológica a realizar concursos públicos para contratação de professores dos ensinos fundamental e médio e servidores técnico-administrativos. São 1.170 vagas para professores e 1.363 para técnicos. Os concursos podem ser realizados até o final deste ano. As vagas são destinadas aos centros federais de educação tecnológica (Cefets), escolas agro técnicas federais (EAFs), escolas técnicas vinculadas às universidades federais, entre outras. A região Sudeste, que possui o maior número de escolas na rede federal, ficou com 789 vagas, assim distribuídas: Espírito Santo, 74; Minas Gerais, 304; São Paulo, 120; e Rio de Janeiro, 291. O Sul recebeu 523 vagas: Paraná, 142; Santa Catarina, 174; e Rio Grande do Sul, 207. Fonte: MEC Professor de São Paulo ganha 39% menos que do Acre Os professores em início de carreira da rede estadual paulista recebem salário 39% menor do que os do Acre. Enquanto um docente com formação superior e piso inicial de São Paulo ganha R$ 8,05 por hora, o colega acreano recebe R$ 13,16. Se levado em conta que o custo de vida lá é menor, a diferença aumenta para 60%. O ranking dos salários do país mostra que o Acre lidera a lista dos Estados que pagam melhor os professores em início de carreira, seguido por Roraima, Tocantins, Alagoas e Mato Grosso. São Paulo vem em oitavo lugar, apesar de ter o maior Orçamento do país. Pernambuco tem o pior salário. A remuneração acreana, porém, ainda não é a ideal para especialistas. "O baixo salário dos docentes é uma questão histórica no país. Basta ver o de outros países da América Latina, como Chile e Argentina, que são maiores", afirma Célio da Cunha, assessor especial da Unesco no Brasil. Para ele, o salário baixo é uma das explicações para a má qualidade do ensino. "Um salário justo motiva os professores." "Um docente bem pago trabalha melhor, sem dúvida", diz a professora da Faculdade de Educação da USP Lisandre Maria Castello Branco. Para ela, os governos continuam mais preocupados em melhorar a estrutura das escolas do que em investir no docente. Fonte: FSP 10 Especialista alerta para "apagão" na formação de professores O país corre o risco de sofrer um "apagão" na formação de professores, alertou, dia 5 de julho, o diretor-executivo do movimento “Todos pela Educação”, Mozart Neves Ramos. Durante audiência pública, promovida pela Comissão de Educação (CE), ele informou que hoje existe um déficit calculado em 250 mil professores, quando apenas 41% dos jovens na idade adequada estão matriculados em instituições de ensino médio. “Se o déficit hoje já é grande, imagine-se quando os jovens chegarem à idade correta ao ensino médio, como desejamos. Fala-se muito do apagão de energia, mas o apagão de gente também é muito grave, pois com ele muitos jovens não terão direito a alcançar a ascensão social”, afirmou Mozart. Durante a terceira reunião do ciclo de debates sobre Idéias e Propostas para a Educação Brasileira e o Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), presidida pelo senador Cristovam Buarque (PDT-DF), os debatedores concordaram com a necessidade de investimentos na formação - e na atualização- dos professores, especialmente do ensino básico. Fonte: Agência Senado Alunos do 3º ano têm nota de 8ª série Quase a metade dos estudantes do Estado de São Paulo termina o ensino médio (antigo colegial) com conhecimentos em escrita e leitura esperados para um aluno de oitava série. Dados inéditos extraídos do último SAEB (Sistema de Avaliação da Educação Básica), realizado em 2005, revelam que 43,1% dos alunos do 3º ano tiveram notas inferiores a 250, patamar fixado como o mínimo para a 8ª série pela secretária de Estado da Educação de São Paulo, Maria Helena Guimarães de Castro. Ou seja, eles não conseguem, por exemplo, compreender o efeito de humor provocado por ambigüidade de palavras ou reconhecer diferentes opiniões em um mesmo texto. Outros 15,2% dos alunos tiveram desempenho ainda pior, similar ao desejado para crianças da quarta série do ensino fundamental (antigo primário). O quadro seria ainda mais dramático se os alunos da rede privada fossem retirados da conta, uma vez que a média dos estudantes das escolas públicas estaduais é 21,2% inferior à dos alunos das particulares. Talita Lima de Araújo, 18, que estudou em uma escola estadual na Pompéia (zona oeste de SP), reclama da precariedade do ensino público. "Quando você termina o ensino médio, só percebe um vazio. Não temos chance no vestibular." Os dados no Saeb comprovam a impressão de Talita. A média da oitava série da rede privada (285,8) é maior que a do terceiro ano do ensino médio da rede estadual (253,6). Fonte: FSP Revista do Professor - SINPRO Sindicato dos Professores do ABC País terá mais 70 escolas técnicas em 2008 O Brasil ganhará, no próximo ano, 70 escolas técnicas. As obras devem começar em janeiro, quando também serão realizados os concursos, e as aulas, no segundo semestre. O Ministério da Educação vai investir R$ 750 milhões na construção de escolas, até 2010, em 150 municípios. Todos os estados e o Distrito Federal serão contemplados na segunda fase do Plano de Expansão da Rede Federal de Educação Profissional e Tecnológica. Haverá ainda a destinação de mais R$ 500 milhões, por ano, para custeio e salários de professores e funcionários. Segundo o Ministério da Educação, serão concentrados esforços para implantar 70 unidades em 2008, outras 50 em 2009 e deixar apenas 30 para 2010.Para que isso ocorresse, os municípios apresentaram contrapartidas ao MEC, que exigiu apenas a doação do terreno. Com isso, especialistas em diversas áreas analisaram as propostas e criaram um ranking por estado para definir o cronograma de implantação. A partir do dia 3 de setembro, as prefeituras terão 120 dias para discutir as áreas nas quais serão oferecidos cursos e concretizar as propostas. Em 31 de dezembro, será encerrado o prazo para que as contrapartidas dos municípios sejam apresentadas aos centros federais de educação profissional e tecnológica (Cefets), aos quais caberá a implantação das escolas. O ministro da Educação, Fernando Haddad, considera a criação das 150 escolas até 2010 uma das ações estratégicas mais importantes do plano. “Vamos construir pelo menos um instituto federal de educação, ciência e tecnologia por estado. Uma das missões é fortalecer a educação pública no País, sobretudo no que diz respeito ao ensino médio”, afirmou. Educação é 2º fator de desigualdade social, diz Ipea A educação é o segundo fator para a desigualdade entre ricos e pobres no Brasil - perde apenas para o acesso à cultura. A conclusão é do estudo “Gasto e Consumo das Famílias Brasileiras Contemporâneas”, divulgado no final de junho, pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). O trabalho aponta que as famílias mais ricas gastam 30% a mais que as mais pobres e que, quanto maior a renda per capita e o nível de escolaridade dos chefes de família, maior a parcela das despesas com educação. Enquanto no biênio 1987/88 as despesas das famílias mais ricas brasileiras eram 11,9 vezes superiores às das mais pobres, em 2002/03 essa diferença cresceu para 24,5 vezes, sobretudo pelo aumento com gastos nos cursos regulares - de 13,9 para 44,5 vezes. Em 2002/03, os itens que apontam maior desigualdade de despesas entre as classes sociais brasileiras são os cursos de pós-graduação e os de idiomas, seguidos pelos de ensino superior e médio. De acordo com o estudo, os gastos com cursos de pósgraduação são praticamente nulos entre as famílias mais pobres do Brasil. Outro indicador de desigualdade é que as despesas das famílias mais ricas com cursos de idiomas superam em até 800 vezes as das mais pobres. A pesquisa aponta ainda que educação foi o item que mais cresceu no orçamento das famílias: os gastos passaram de 3,16% em 1987/88 para 4,26% em 1995/96, e para 5,50% em 2002/03. Fonte: Agência Brasil Fonte: MEC Só 62 escolas têm nível de país desenvolvido Em apenas 62 escolas públicas do país, de 18.653 avaliadas (0,33%), os alunos de 5ª a 8ª séries têm uma educação do mesmo nível da média dos países desenvolvidos. Esses colégios são os únicos que alcançaram ou superaram a nota 5,5 no Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), valor considerado pelo Ministério da Educação como padrão dos países desenvolvidos - e a meta a ser alcançada por essas séries, em 2022. O Ideb é calculado a partir dos resultados da Prova Brasil e do Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica), ambos aplicados pelo ministério nas redes de todo o país, e das taxas de aprovação (que consideram a repetência). Os números dos primeiros anos do ensino fundamental - 1ª a 4ª série - não são melhores. Apenas 166 escolas, de um total de 27.951 - o equivalente a 0,59% -, obtiveram nota 6. A maior parte delas está localizada no Sudeste: 70 em Minas Gerais, 46 em São Paulo e 17 no Paraná. As duas piores, com nota 0,1 no Ideb, são a Escola Municipal Esfinge, que fica em Lauro de Freitas, na Bahia, e a Monteiro Lobato, na cidade de Reserva do Iguaçu, no Paraná. A melhor é a Guiomar Gonçalves Neves, na cidade de Trajano de Moraes, no Rio de Janeiro, Estado que tem também a segunda colocada, em São Sebastião do Alto. Fonte: Folha de São Paulo Revista do Professor - SINPRO Sindicato dos Professores do ABC 11 internacional A Carta da Terra “(...) Deves ensinar a teus filhos que o chão debaixo de seus pés são as cinzas de nossos antepassados; para que tenham respeito ao país, conta a teus filhos que a riqueza da terra são as vidas da parentela nossa. Ensina a teus filhos o que temos ensinado aos nossos: que a terra é nossa mãe. Tudo quanto fere a terra - fere os filhos da terra. Se os homens cospem no chão, cospem sobre eles próprios. De uma coisa sabemos. A terra não pertence, ao homem: é o homem que pertence à terra, disso temos certeza. Todas as coisas estão interligadas, como o sangue que une uma família. Tudo está relacionado entre si. Tudo quanto agride a terra, agride os filhos da terra. Não foi o homem quem teceu a trama da vida: ele é meramente um fio da mesma. Tudo o que ele fizer à trama, a si próprio fará (...)” Cacique Seattle para o presidente dos Estados Unidos, em 1855 E stamos diante de um momento crítico na história da Terra, numa época em que a humanidade deve escolher o seu futuro. À medida que o mundo tornase cada vez mais interdependente e frágil, o futuro enfrenta, ao mesmo tempo, grandes perigos e grandes promessas. Para seguir adiante, devemos reconhecer que, no meio da uma magnífica diversidade de culturas e formas de vida, somos uma família humana e uma comunidade terrestre com um destino comum. Devemos somar forças para gerar uma sociedade sustentável global baseada no respeito pela natureza, nos direitos humanos universais, na justiça econômica e numa cultura da paz. Para chegar a este propósito, é imperativo que nós, os povos da Terra, declaremos nossa responsabilidade uns para com os outros, com a grande comunidade da vida, e com as futuras gerações. Histórico Em 1992, durante a Rio-92, houve a proposta de uma Carta da Terra discutida mundialmente por Organizações Não Governamentais e Governos. Na época, não houve consenso entre os Governos, pois o texto não estava suficientemente maduro. No lugar, foi adotada a Declaração do Rio de Janeiro sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento. A Cruz Verde Internacional e Conselho da Terra, apoiadas pelo governo holandês, assumiram o desafio de elaborar uma Carta da Terra. No ano de 1995, no encontro de 60 representantes de diversas áreas em Haia, na Holanda, foi criada a Comissão da Carta da Terra para organizar uma consulta mundial durante 2 anos. 12 Em 1997, sob a coordenação de Maurice Strong (ONU) e Mikhail Gorbachev (Cruz Verde Internacional), foi redigido o 1º esboço da Carta da Terra. Nos anos de 1998 a 1999, houve um amplo debate e discussão em todos continentes e em todos os níveis, de escolas primárias a ministérios). Ao todo, 46 países e mais de 100.000 pessoas estavam envolvidas. O segundo esboço foi escrito por Steven Rockfeller, em 99. Entre 12 e 14 de março de 2000, a Carta da Terra foi ratificada. Leonardo Boff é o representante da América Latina na Comissão da Carta da Terra. A Carta da Terra - Princípios I. RESPEITAR E CUIDAR DA COMUNIDADE DA VIDA 1. Respeitar a Terra e a vida em toda sua diversidade. a. Reconhecer que todos os seres são interligados e cada forma de vida tem valor, independentemente de sua utilidade para os seres humanos. b. Afirmar a fé na dignidade inerente de todos os seres humanos e no potencial intelectual, artístico, ético e espiritual da humanidade. 2. Cuidar da comunidade da vida com compreensão, compaixão e amor. a. Aceitar que, com o direito de possuir, administrar e usar os recursos naturais vem o dever de impedir o dano causado ao meio ambiente e de proteger os direitos das pessoas. b. Assumir que o aumento da liberdade, dos conhecimentos e do poder implica responsabilidade na promoção do bem comum. 3. Construir sociedades democráticas que sejam justas, Revista do Professor - SINPRO Sindicato dos Professores do ABC Fusão com pintura de Michelangelo participativas, sustentáveis e pacíficas. a. Assegurar que as comunidades em todos níveis garantam os direitos humanos e as liberdades fundamentais e proporcionem a cada um a oportunidade de realizar seu pleno potencial. b. Promover a justiça econômica e social, propiciando a todos a consecução de uma subsistência significativa e segura, que seja ecologicamente responsável. 4. Garantir as dádivas e a beleza da Terra para as atuais e as futuras gerações. a. Reconhecer que a liberdade de ação de cada geração é condicionada pelas necessidades das gerações futuras. b. Transmitir às futuras gerações valores, tradições e instituições que apóiem, em longo prazo, a prosperidade das comunidades humanas e ecológicas da Terra. Para poder cumprir estes quatro amplos compromissos, é necessário: II. INTEGRIDADE ECOLÓGICA 5. Proteger e restaurar a integridade dos sistemas ecológicos da Terra, com especial preocupação pela diversidade biológica e pelos processos naturais que sustentam a vida. a. Adotar planos e regulamentações de desenvolvimento sustentável em todos os níveis que façam com que a conservação ambiental e a reabilitação sejam parte integral de todas as iniciativas de desenvolvimento. Revista do Professor - SINPRO Sindicato dos Professores do ABC b. Estabelecer e proteger as reservas com uma natureza viável e da biosfera, incluindo terras selvagens e áreas marinhas, para proteger os sistemas de sustento à vida da Terra, manter a biodiversidade e preservar nossa herança natural. c. Promover a recuperação de espécies e ecossistemas ameaçadas. d. Controlar e erradicar organismos não-nativos ou modificados geneticamente que causem dano às espécies nativas, ao meio ambiente, e prevenir a introdução desses organismos daninhos. e. Manejar o uso de recursos renováveis como água, solo, produtos florestais e vida marinha de forma que não excedam as taxas de regeneração e que protejam a sanidade dos ecossistemas. f. Manejar a extração e o uso de recursos não-renováveis, como minerais e combustíveis fósseis de forma que diminuam a exaustão e não causem dano ambiental grave. 6. Prevenir o dano ao ambiente como o melhor método de proteção ambiental e, quando o conhecimento for limitado, assumir uma postura de precaução. a. Orientar ações para evitar a possibilidade de sérios ou irreversíveis danos ambientais mesmo quando a informação científica for incompleta ou não conclusiva. b. Impor o ônus da prova àqueles que afirmarem que a atividade proposta não causará dano significativo e fazer com que os grupos sejam responsabilizados pelo dano ambiental. 13 c. Garantir que a decisão a ser tomada se oriente pelas conseqüências humanas globais, cumulativas, de longo prazo, indiretas e de longo alcance. d. Impedir a poluição de qualquer parte do meio ambiente e não permitir o aumento de substâncias radioativas, tóxicas ou outras substâncias perigosas. e. Evitar que atividades militares causem dano ao meio ambiente. 7. Adotar padrões de produção, consumo e reprodução que protejam as capacidades regenerativas da Terra, os direitos humanos e o bem-estar comunitário. a. Reduzir, reutilizar e reciclar materiais usados nos sistemas de produção e consumo e garantir que os resíduos possam ser assimilados pelos sistemas ecológicos. b. Atuar com restrição e eficiência no uso de energia e recorrer cada vez mais aos recursos energéticos renováveis, como a energia solar e do vento. c. Promover o desenvolvimento, a adoção e a transferência eqüitativa de tecnologias ambientais saudáveis. d. Incluir totalmente os custos ambientais e sociais de bens e serviços no preço de venda e habilitar os consumidores a identificar produtos que satisfaçam as mais altas normas sociais e ambientais. e. Garantir acesso universal à assistência de saúde que fomente a saúde reprodutiva e a reprodução responsável. f. Adotar estilos de vida que acentuem a qualidade de vida e subsistência material num mundo finito. 8. Avançar o estudo da sustentabilidade ecológica e promover a troca aberta e a ampla aplicação do conhecimento adquirido. a. Apoiar a cooperação científica e técnica internacional relacionada a sustentabilidade, com especial atenção às necessidades das nações em desenvolvimento. b. Reconhecer e preservar os conhecimentos tradicionais e a sabedoria espiritual em todas as culturas que contribuam para a proteção ambiental e o bem-estar humano. c. Garantir que informações de vital importância para a saúde humana e para a proteção ambiental, incluindo informação genética, estejam disponíveis ao domínio público. III. JUSTIÇA SOCIAL E ECONÔMICA 9. Erradicar a pobreza como um imperativo ético, social e ambiental. a. Garantir o direito à água potável, ao ar puro, à segurança alimentar, aos solos não contaminados, ao abrigo e saneamento seguro, distribuindo os recursos nacionais e internacionais requeridos. b. Prover cada ser humano de educação e recursos para assegurar uma subsistência sustentável, e proporcionar seguro social e segurança coletiva a todos aqueles que não são capazes de manter-se por conta própria. c. Reconhecer os ignorados, proteger os vulneráveis, servir àqueles que sofrem, e permitir-lhes desenvolver suas capacidades e alcançar suas aspirações. 10. Garantir que as atividades e instituições econômicas em todos os níveis promovam o desenvolvimento humano de forma eqüitativa e sustentável. 14 a. Promover a distribuição eqüitativa da riqueza dentro das e entre as nações. b. Incrementar os recursos intelectuais, financeiros, técnicos e sociais das nações em desenvolvimento e isentálas de dívidas internacionais onerosas. c. Garantir que todas as transações comerciais apóiem o uso de recursos sustentáveis, a proteção ambiental e normas trabalhistas progressistas. d. Exigir que corporações multinacionais e organizações financeiras internacionais atuem com transparência em benefício do bem comum e responsabilizá-las pelas conseqüências de suas atividades. 11. Afirmar a igualdade e a eqüidade de gênero como prérequisitos para o desenvolvimento sustentável e assegurar o acesso universal à educação, assistência de saúde e às oportunidades econômicas. a. Assegurar os direitos humanos das mulheres e das meninas e acabar com toda violência contra elas. b. Promover a participação ativa das mulheres em todos os aspectos da vida econômica, política, civil, social e cultural como parceiras plenas e paritárias, tomadoras de decisão, líderes e beneficiárias. c. Fortalecer as famílias e garantir a segurança e a educação amorosa de todos os membros da família. 12. Defender, sem discriminação, os direitos de todas as pessoas a um ambiente natural e social, capaz de assegurar a dignidade humana, a saúde corporal e o bemestar espiritual, concedendo especial atenção aos direitos dos povos indígenas e minorias. a. Eliminar a discriminação em todas suas formas, como as baseadas em raça, cor, gênero, orientação sexual, religião, idioma e origem nacional, étnica ou social. b. Afirmar o direito dos povos indígenas à sua espiritualidade, conhecimentos, terras e recursos, assim como às suas práticas relacionadas a formas sustentáveis de vida. c. Honrar e apoiar os jovens das nossas comunidades, habilitando-os a cumprir seu papel essencial na criação de sociedades sustentáveis. d. Proteger e restaurar lugares notáveis pelo significado cultural e espiritual. IV.DEMOCRACIA, NÃO VIOLÊNCIA E PAZ 13. Fortalecer as instituições democráticas em todos os níveis e proporcionar-lhes transparência e prestação de contas no exercício do governo, participação inclusiva na tomada de decisões, e acesso à justiça. a. Defender o direito de todas as pessoas no sentido de receber informação clara e oportuna sobre assuntos ambientais e todos os planos de desenvolvimento e atividades que poderiam afetá-las ou nos quais tenham interesse. b. Apoiar sociedades civis locais, regionais e globais e promover a participação significativa de todos os indivíduos e organizações na tomada de decisões. c. Proteger os direitos à liberdade de opinião, de expressão, de assembléia pacífica, de associação e de oposição. d. Instituir o acesso efetivo e eficiente a procedimentos administrativos e judiciais independentes, incluindo retificação Revista do Professor - SINPRO Sindicato dos Professores do ABC c. Evitar ou eliminar ao máximo possível a captura ou destruição de espécies não visadas. 16. Promover uma cultura de tolerância, não violência e paz. a. Estimular e apoiar o entendimento mútuo, a solidariedade e a cooperação entre todas as pessoas, dentro das e entre as nações. b. Implementar estratégias amplas para prevenir conflitos violentos e usar a colaboração na resolução de problemas para manejar e resolver conflitos ambientais e outras disputas. c. Desmilitarizar os sistemas de segurança nacional até chegar ao nível de uma postura não provocativa da defesa e converter os recursos militares em propósitos pacíficos, incluindo restauração ecológica. d. Eliminar armas nucleares, biológicas e tóxicas e outras armas de destruição em massa. e. Assegurar que o uso do espaço orbital e cósmico mantenha a proteção ambiental e a paz. f. Reconhecer que a paz é a plenitude criada por relações corretas consigo mesmo, com outras pessoas, outras culturas, outras vidas, com a Terra e com a totalidade maior da qual somos parte. O caminho adiante e compensação por danos ambientais e pela ameaça de tais danos. e. Eliminar a corrupção em todas as instituições públicas e privadas. f. Fortalecer as comunidades locais, habilitando-as a cuidar dos seus próprios ambientes, e atribuir responsabilidades ambientais aos níveis governamentais onde possam ser cumpridas mais efetivamente. 14. Integrar, na educação formal e na aprendizagem ao longo da vida, os conhecimentos, valores e habilidades necessárias para um modo de vida sustentável. a. Oferecer a todos, especialmente a crianças e jovens, oportunidades educativas que lhes permitam contribuir ativamente para o desenvolvimento sustentável. b. Promover a contribuição das artes e humanidades, assim como das ciências, na educação para sustentabilidade. c. Intensificar o papel dos meios de comunicação de massa no sentido de aumentar a sensibilização para os desafios ecológicos e sociais. d. Reconhecer a importância da educação moral e espiritual para uma subsistência sustentável. 15. Tratar todos os seres vivos com respeito e consideração. a. Impedir crueldades aos animais mantidos em sociedades humanas e protegê-los de sofrimentos. b. Proteger animais selvagens de métodos de caça, armadilhas e pesca que causem sofrimento extremo, prolongado ou evitável. Revista do Professor - SINPRO Sindicato dos Professores do ABC Nossa diversidade cultural é uma herança preciosa, e diferentes culturas encontrarão suas próprias e distintas formas de realizar essa visão. Devemos aprofundar e expandir o diálogo global gerado pela Carta da Terra, porque temos muito que aprender a partir da busca iminente e conjunta por verdade e sabedoria. A vida, muitas vezes, envolve tensões entre valores importantes. Isso pode significar escolhas difíceis. Porém, necessitamos encontrar caminhos para harmonizar a diversidade com a unidade, o exercício da liberdade com o bem comum, objetivos de curto prazo com metas de longo prazo. Todo indivíduo, família, organização e comunidade têm um papel vital a desempenhar. As artes, as ciências, as religiões, as instituições educativas, os meios de comunicação, as empresas, as organizações não-governamentais e os governos são todos chamados a oferecer uma liderança criativa. A parceria entre governo, sociedade civil e empresas é essencial para uma governabilidade efetiva. Para construir uma comunidade global sustentável, as nações do mundo devem renovar seu compromisso com as Nações Unidas, cumprir com suas obrigações respeitando os acordos internacionais existentes e apoiar a implementação dos princípios da Carta da Terra com um instrumento internacional legalmente unificador quanto ao ambiente e ao desenvolvimento. Que o nosso tempo seja lembrado pelo despertar de uma nova reverência face à vida, pelo compromisso firme de alcançar a sustentabilidade, a intensificação da luta pela justiça e pela paz, e a alegre celebração da vida. Material disponível no site oficial do Ministério do Meio Ambiente 15 especial Escola virtual Informática invade as escolas e coloca em debate o tema Educação a Distância imagem do robô: www.esab.pt 16 Revista do Professor - SINPRO Sindicato dos Professores do ABC Q uem poderia imaginar que as novas tecnologias poderiam interferir na forma de ensinar? Não falamos apenas como uma ferramenta para complementar o aprendizado, mas como forma, propriamente dita, de ministrar aulas. O famoso e tradicional quadro negro, o giz de lousa, o hábito de ir à escola e desfrutar da companhia dos colegas de sala perderam espaço para o computador. Junto a isso, os professores foram obrigados a se adaptar ao novo processo de composição das aulas, montando-as para serem disponibilizadas de forma on-line, multiplicando, assim, o tempo de trabalho. Resultado? Horas extras não remuneradas devidamente, sobrecarga de tarefas e, em alguns casos, insatisfação de alunos e docentes. Para esclarecer dúvidas sobre o tema ‘Educação a Distância’, o Sindicato dos Professores do ABC promoveu para a categoria o Seminário EaD, no dia 29 de setembro. “O SINPRO ABC busca formas para regularizar a questão trabalhista no segmento a distância”, diz a diretora da entidade, professora Célia Regina Ferrari, na abertura do evento. “Além disso, procuramos sempre melhorar as condições de trabalho dos profissionais na modalidade educação a distância. Por se tratar de algo novo, nosso objetivo é a construção de cláusulas trabalhistas que atendam às necessidades desse segmento da educação”, continua a professora. “Queremos construir uma Convenção Coletiva mais aprimorada para o ano de 2008”, finaliza Célia. Convidado para palestrar no seminário, o professor Carlos Straccia, da Universidade Metodista, falou aos presentes sobre o atual cenário da educação. “Hoje em dia, podemos dividir em quatro as formas de trabalho: presencial (quando os alunos estão presentes na sala de aula), semipresencial (as aulas são mescladas entre presencial e virtual), totalmente on-line (a distância) e tele-aula (aula via satélite, pela televisão)”, contextualizou Straccia, que dá aulas semipresenciais desde 2005. Entre tantos questionamentos, o professor ressalta a necessidade de se ater à qualidade do ensino, para que o aluno a distância não tenha prejuízos. “Dentro de uma modalidade de EaD não se pode perder na qualidade pedagógica e didática, o que de certo modo tem acontecido com as instituições. Não se pode pensar somente na questão técnica, Revista do Professor - SINPRO Sindicato dos Professores do ABC trabalhista ou no lucro, porque, senão, quem sairá prejudicado é aquele que mais precisa: o aluno”, salienta Carlos Straccia. Quais as vantagens e desvantagens do ensino a distância? Para Straccia, as modalidades de educação a distância, assim como em todas as áreas de atuação, têm os lados positivos e negativos. Um ponto positivo salientado pelo docente é a facilidade de acessar o material da aula, de qualquer local. Por outro lado, conta Straccia, os alunos sentem falta da ajuda presencial do professor, que, em alguns casos, ocorre a cada 15 dias ou, dependendo do curso, as dúvidas são esclarecidas apenas virtualmente. Outra vantagem que Straccia ressalta é a disciplina desenvolvida pelo aluno desse sistema. “Ao meu ver, esse é o ponto mais importante na questão pedagógica. O aluno que se disciplina a assistir a aula virtual e participar desse processo tem um ganho muito significativo”. Entretanto, nem toda facilidade atinge os alunos. Falta de estrutura das universidades para comportar as aulas e a baixa conexão na internet nas residências podem prejudicar o andamento das aulas. Para o universitário Hugo Minzoni, que tem na grade curricular aula semipresencial, o sistema a distância é válido, mas destaca: “Muitos colegas de sala não têm acesso à internet com conexão banda larga e as aulas acabam não sendo proveitosas. As páginas demoram a 17 carregar devido aos recursos multimídia como áudio, vídeos e animações, e isso faz com que os colegas percam a paciência na espera da visualização do conteúdo e, às vezes, nem as assistem”, comenta o estudante. “Além disso, nem todo professor acessa diariamente os e-mails e nossas dúvidas não são esclarecidas na mesma hora, como ocorre em sala de aula”, finaliza Minzoni. Para o presidente do Sindicato dos Professores do ABC, professor Aloísio Alves da Silva, a grande negativa do sistema de ensino a distância é justamente a falta do contato entre docentes e estudantes. “Como professor, entendo que a principal desvantagem da EaD é a falta de interação entre alunos e professores”, avalia Aloísio. “Num mundo capitalista, em que se valoriza cada vez mais o indivíduo, em prejuízo do coletivo, entendo que as novas tecnologias reforçam ainda mais essa questão”, completa o presidente do SINPRO ABC. Questão trabalhista Professor a distância igual descanso a distância? “Costumo brincar com meus alunos que um professor a distância dá aula 24 horas por dia, todos os dias. Ele está sempre presente”, relata o professor Straccia. Sendo assim, faz-se necessária (e urgente) a regulamentação do trabalho, que é a principal bandeira de luta do SINPRO nessa questão. “Como sindicalista, aponto vários problemas relacionados à precarização das relações de trabalho, especificamente à jornada de trabalho. Os trabalhadores, no geral, deveriam ter uma jornada de trabalho cada vez menor, mas tem ocorrido o inverso e sem remuneração justa”, denuncia o professor Aloísio, do SINPRO ABC. Pesando os prós e contras, o professor Straccia aponta, ainda, como desvantagem o tempo de preparação do material a ser disponibilizado. Com essa nova modalidade de aulas, os professores ampliaram a jornada profissional, uma vez que todo conteúdo deve ser detalhadamente redigido e repassado ao computador, o que demanda mais tempo. Além disso, fica sob responsabilidade do docente preparar fóruns de debates e outros materiais de apoio, sem falar de preparação de links de interatividade. Para uma aula, cerca de 20 a 50 horas são gastas, entre elaboração de conteúdo e desenvolvimento técnico. No ensino a distância não dá para imaginar apenas o professor dando uma aula. Por trás de tudo que é disponibilizado na internet, há uma equipe técnica multidisciplinar, que envolve desde a redação de conteúdo, passando pelo técnico que dará forma visual ao curso. Há casos em que o professor desempenha todas essas funções. “A questão do tempo de preparo de aula é absurdamente grande. Fala-se em 40, 50 horas para preparar uma única aula, que depois será usada para milhares de alunos. E a remuneração? Com esse sistema, a exploração nunca se fez tão grande na educação”, critica o presidente do SINPRO ABC, professor Aloísio. É fato que, para se adaptar ao novo sistema de aula, o docente tenha que se qualificar e aprender o manuseio de novas ferramentas. Nesse momento, cabe à instituição de ensino que emprega esse profissional oferecer a capacitação desse trabalhador. Se a universidade exige, ela deve dar o respaldo para isso, de forma que nem o aluno, nem o professor sejam prejudicados pelo ensino a distância. “Até onde tenho conhecimento, o respaldo aos professores, por parte das instituições, é zero. Todo o trabalho, inclusive técnicas ficam sob responsabilidade do professor”, afirma Aloísio. No caso da EaD, para os professores, a instituição deverá proporcionar o acesso a cursos e orientações técnicas. “Certa vez tentei colocar uma aula na internet, mas, por horas, o sistema não aceitou minha senha de usuário. Se tivesse um suporte técnico para me assistir, não teria tido problema. Não foi o que aconteceu”, comenta Straccia. Com o suporte ao professor, a garantia de aula ao aluno é mantida. A voz dos alunos Em recente publicação da Folha de São Paulo, os alunos do curso de Psicologia da Unicsul (Universidade Cruzeiro do Sul) reclamaram do sistema de aulas on-line, imposto pela instituição, o Blackboard. De acordo com a reportagem, os alunos se mostraram insatisfeitos com o sistema de aula semipresencial que não foi discutido, mas imposto a eles. Uma das principais reclamações gira em torno da falta de estrutura da universidade para comportar os estudantes nos laboratórios. Em mensagem enviada a um portal de educação, os alunos contam que, durante uma aula, o professor tentou promover um fórum, mas diversos problemas desenrolaram durante a tentativa: textos desconfigurados, dificuldade para acessar o chat, confirmar a presença e participar da discussão, informações mal organizadas, links inacessíveis, entre outros. 18 Revista do Professor - SINPRO Sindicato dos Professores do ABC Próximos passos O tema é recente, mas já está presente no dia-a-dia de grande percentual das instituições de ensino superior do Grande ABC. Para formalizar e debater as principais questões de EaD, o SINPRO projeta a criação de uma comissão específica sobre essa modalidade de ensino. A grande preocupação é preservar a qualidade de ensino e garantir as condições de trabalho dos profissionais. “Não acredito que as mantenedoras, ao adotar o sistema da EaD, estejam preocupadas com a qualidade de ensino, mas com o lucro. Descobriram mais um meio de transformar educação em mercadoria”, encerra o presidente Aloísio. Professor, participe dos debates promovidos pelo SINPRO, uma vez que é o seu trabalho que está em pauta. Sua participação é fundamental para garantir melhorias nas condições trabalhistas. Fortaleça sua categoria! SP veta docente com formação a distância Uma demonstração de que a garantia de qualidade na educação a distância ainda está longe de ser consensual entre os educadores foi dada em junho deste ano pelo Conselho Municipal de Educação de São Paulo, que recomendou à prefeitura que não admitisse professores formados por essa modalidade de ensino. O principal argumento dos conselheiros contra a educação a distância foi que, no município, não haveria a necessidade de contratar professores por essa modalidade, já que há número suficiente de docentes formados em cursos presenciais. Concorrência Os relatores José Augusto Dias e Rubens Barbosa de Camargo argumentaram em seu relatório que, no caso da cidade de São Paulo, os últimos concursos para contratação de professores tiveram concorrência de mais de 25 candidatos por vaga. Afirmam ainda que, mesmo nas disciplinas em que há mais carência de professores no Brasil -como geografia, física e matemática-, houve número mais do que suficiente de candidatos em São Paulo. Para eles, a contratação de professores a distância se justifica em casos emergenciais, o que não se verificaria na capital paulista. No entender dos membros do conselho, no caso da formação de professores, quando se pode escolher, o melhor é optar pela formação presencial. Inapropriado "Do ponto de vista pedagógico, não é apropriado falar em educação a distância para a formação de docentes. Os meios eletrônicos podem transmitir preciosos conhecimentos, mas a educação não se faz apenas com conhecimentos. Há valores essenciais a uma educação completa que somente é possível adquirir pela convivência", diz o relatório. Folha de São Paulo, 10 de setembro de 2007 Revista do Professor - SINPRO Sindicato dos Professores do ABC 19 educação Medo na escola Casos de violência assustam professores, alunos, pais e funcionários Foto: Israel Barbosa Q uem nunca ouviu dizer que a escola é o segundo lar de todo aluno? Antigamente, zelar pela preservação dos espaços, obedecer professores e funcionários - como fazemos com nossos pais - e respeitar o local que outras pessoas também usufruem eram ações comuns entre os alunos. Mas, atualmente, essas prerrogativas parecem não se encaixar mais com a realidade vivida nas escolas. Zelar se transformou em destruir, respeitar não tem mais o mesmo significado e docentes têm medo de repreender alguns alunos, temendo o que possa acontecer. Por que isso ocorre? Para a psicóloga Graça Martin, um dos fatores que pode explicar a agressividade nas crianças e jovens é o intenso contato com jogos eletrônicos de conteúdo violento ou filmes de lutas e assassinatos. “Dentro de casa, a criança tem acesso a esse tipo de material e, muitas vezes, pela necessidade dos pais trabalharem e ficarem distantes durante o dia, eles não observam o teor das atividades de distração dos filhos”. Mas essa hipótese não caminha de forma isolada. Com as 20 evoluções e revoluções da sociedade, o que se observa, nos dias atuais, é que tanto os homens quanto as mulheres sentem necessidade de trabalhar fora, para que possam arcar com as despesas da família. Sendo assim, passam mais tempo longe de casa e dos filhos, conseqüentemente, o tempo de contato e atenção ficam reduzidos. Nesse cenário, muitos pais desaprendem a dizer “não” e os filhos ficam sem limites. Quem paga por essa “liberdade” são os professores nas escolas, que passam a maior parte do tempo com essas crianças e adolescentes. Na opinião da professora da rede pública Marisa, nos últimos anos houve uma inversão de responsabilidades e coube às escolas a missão de educar. “Nós, professores, deveríamos alfabetizar, mas nos deparamos com certas situações que nos obrigam a educar”. A professora leciona há 18 anos e, em entrevista à Revista do Professor, conta que já vivenciou casos de violência na escola onde atua. “Já vi aluno desrespeitar professor porque não aceitava nenhum tipo de repressão”, relata, “se dentro de casa ele age como bem Revista do Professor - SINPRO Sindicato dos Professores do ABC entende, na escola faz o mesmo”, completa. No passado, os casos registrados davam conta de depredações, pichações ou outros tipos de danos aos prédios escolares. Hoje em dia, as vítimas são professores, funcionários e colegas de classe. Entre os meses de junho e agosto deste ano, diversos casos de violência escolar foram registrados no Estado de São Paulo. No início de junho, em Votorantim, uma professora teve os dentes quebrados após levar um chute na boca. O fato ocorreu na sala da oitava série e os dois alunos agressores foram transferidos da escola. No dia 18 do mesmo mês, outro fato assustou os docentes de Suzano. Um aluno, também da oitava série, deu socos no rosto e no pescoço da professora. Segundo relatos da vítima, a discussão teve início quando a professora definira um grupo para participar de um evento e, por conta do mau comportamento, o agressor teria ficado de fora da seleção. “Ele me segurou pelo avental, pegou minha cabeça e começou a dar socos por cima”, lembrou a professora, em entrevista à imprensa. “Eu tentei reagir, mas não consegui porque o garoto é mais alto do que eu. Nem sei como desci as escadas para ir à direção”. Assim como no caso anterior, o aluno foi transferido e a professora foi afastada. Em São José do Rio Preto, no dia seguinte ao ocorrido em Suzano, um aluno de 14 anos colocou fogo no cabelo da professora. "A primeira coisa que eu senti no momento foi uma impotência, uma humilhação muito grande porque durante todos os anos da minha profissão eu não esperava passar por isso”, disse a professora em entrevista ao portal G1. No início de julho, alunos do terceiro ano do ensino médio passaram cola de secagem rápida na cadeira da professora de biologia, em Macatuba. A “brincadeira” causou lesões na pele da docente, que teve, ainda, as roupas danificadas. Em Piraju, a diretora de uma escola pública teve o carro incendiado por dois alunos. O ato seria uma forma de vingança, pois a diretora havia denunciado ambos à polícia. Segundo relato da vítima, os alunos, de 15 e 16 anos, pularam o muro da casa onde mora e atearam fogo na garagem. No ABC não foi diferente... Os casos registrados em São Paulo não se limitaram ao interior. No Grande ABC, alguns casos chamaram a atenção por conta da gravidade das ocorrências. No dia 27 de junho, a professora Eunice Martins dos Santos teve a ponta do dedo indicador decepada por um aluno, que fechou a porta do banheiro em sua mão. Professora há 28 anos, Eunice contou ao jornal Agora que estava organizando a fila dos alunos, na Escola Municipal de Ensino Básico Marineira Meneghelli de Luca, em São Bernardo do Campo, quando o agressor passou correndo pelo pátio, empurrando-a e os demais alunos. Ao observar o comportamento do menino, que não era seu aluno, a professora o seguiu até o banheiro, onde o jovem se escondera. Na tentativa de construir um diálogo, a professora teve a mão presa pelo garoto na porta e a ponta do dedo arrancada. De acordo com a direção da escola, o aluno Aluna vai cumprir 6 meses de pena Uma estudante de 14 anos foi condenada pela Justiça a cumprir pena de prestação de serviços à comunidade, por seis meses, por ter agredido a professora dentro da sala de aula. A adolescente é estudante da 8ª série de uma escola municipal, em Fernandópolis, Interior do Estado. Pela agressão, ela também ficará sob liberdade assistida e enfrentará restrição de horário em lugares públicos pelo mesmo período. A agressão ocorreu no início de agosto, quando a professora de história Sílvia Regina Marques, 44 anos, chamou a atenção da aluna por estar sem uniforme escolar. As duas discutiram e, ao se defender de uma agressão da aluna, Sílvia bateu o braço na lousa e fraturou um osso da mão direita. Por causa da fratura, Sílvia ficou afastada do trabalho. A punição foi determinada pelo juiz da Infância e da Juventude de Fernandópolis, Ivan Pelarin. Segundo ele, a garota vai prestar os serviços na própria escola. As tarefas serão escolhidas pela diretoria da unidade que, por enquanto, decidiu colocar a garota para limpar salas de aulas e biblioteca. Além disso, um grupo de psicólogos e assistentes sociais vai se reunir semanalmente com a garota e sua família durante seis meses. Pelo mesmo período, a adolescente está proibida de permanecer em lugares públicos depois das 22h. Se não cumprir as punições, a pena será aumentada e ela pode ser internada numa unidade de regime de semiliberdade. ECA A garota não tem passagens anteriores por infrações na polícia ou no Conselho Tutelar, apenas reclamações de atos de indisciplina na escola municipal. De acordo com Pelarin, a punição nada mais é do que a aplicação rigorosa de medidas socioeducativas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). “Temos de acabar com essa imagem falsa de que o ECA serve para proteger delinqüente juvenil ou passar a mão na cabeça de menor infrator. Precisamos tirar o aspecto da impunidade que parece dar ao menor infrator”, comentou. A rígida aplicação do ECA não é novidade em Fernandópolis, diz o juiz. A adoção de punições socioeducativas, segundo ele, foi estabelecida num acordo entre o Ministério Público, o Poder Judiciário, escolas e Conselho Tutelar, há dois anos. De acordo com o juiz, a adoção das medidas reduziu a violência escolar e o vandalismo nas ruas. Fonte: APEOESP Revista do Professor - SINPRO Sindicato dos Professores do ABC 21 possui casos de agressões anteriores, como bater em colegas, na mãe e dar cabeçada no rosto da vice-diretora. Em Santo André, uma estudante de 14 anos mordeu e arrancou um pedaço da orelha de uma colega de 12 anos, durante uma briga. O motivo da discussão teria sido a desclassificação do campeonato interno de queimadas, promovido pela escola. Outra razão fútil foi alegada para o espancamento de uma adolescente, em Mauá. A menina de 12 anos foi cercada por um grupo de seis jovens, que a agrediram por julgá-la “metida” e por usar roupas mais caras que os demais. Professores pedem por segurança Indignados com todos os casos ocorridos e com o cenário inseguro vivido dentro das escolas, os professores e diretores da rede pública de São Paulo participaram de um protesto, em frente à Secretaria Estadual de Educação, no final do mês de junho. Na ocasião, o governo do Estado revelou balanço sobre violência contra a categoria. No ano passado, segundo a pesquisa, 217 professores foram vítimas de agressões por alunos. Mas, para o presidente do Sindicato dos Professores do Estado de São Paulo (Apeoesp), Carlos Ramiro de Castro, “o número é bem maior, só que a Secretaria faz os cálculos sobre os boletins de ocorrências. E a violência sofrida pelo professor do portão para fora? Não conta?”. De acordo com o portal da Apeoesp, Paulo Neves, que é professor de escola pública em São Bernardo, também discordou dos dados divulgados. “É mentira. Só em São Bernardo tivemos 20 professores agredidos desde março. A violência banalizou-se e o governo não está se dando conta da gravidade”. Para a psicóloga, Graça Martin, além das ações do governo para combater a violência, é necessário reintegrar a família à vida dos alunos, além do apoio aos professores no que diz respeito a acompanhamento psicológico, suporte das diretorias de ensino e investimentos nas escolas. Já para a professora Marisa, falta assistência das Delegacias de Ensino, uma vez que elas punem os profissionais mais severos, mas não prestam tanto suporte nos casos de violência. “Se o professor segura o braço de um aluno para repreendê-lo, a DE dará alguma punição. Mas, se o jovem agride o docente, na grande maioria das vezes, nada acontece”, desabafa a educadora. A importância da família é novamente abordada. “Os pais precisam participar mais das atividades pedagógicas”, explica a professora Marisa. “Em dias de reunião, os pais dos alunos com mais dificuldade ou problemas de comportamento não comparecem, o que dificulta o acompanhamento”, completa. Para lidar com os jovens envolvidos em casos de violência, a psicóloga Graça indica: “Punição é palavra que leva ao trauma. O que essas crianças precisam é aprender que, pela lei de causa e efeito que rege o universo, toda ação tem uma reação natural”. “Isso precisa ser ensinado, porque, pela falta desse aprendizado, vemos tantos adultos tomando atitudes que os levam ao desequilíbrio por não terem tido esse aprendizado”, finaliza Graça. Com informações da APEOESP Pesquisa da Apeoesp revela que 87% dos professores já presenciaram algum tipo de violência na escola No fim do ano passado, a Apeoesp entrevistou 684 profissionais da educação para avaliar a percepção da categoria sobre a violência. Confira os números sobre situações vividas: - Agressão verbal foi citada por 96% dos professores; - Atos de vandalismo foram apontados por 88,5% dos entrevistados; - Agressão física foi citada por 82% dos docentes; - 76,4% dos profissionais mencionaram casos de furto nas escolas; - 70% afirmou ter presenciado tráfico e consumo de drogas dentro da unidade escolar. Em 25% dos casos de agressões verbais e físicas contra os educadores da rede estadual, são os parentes dos estudantes os autores das ameaças, tapas e xingamentos. Para as causas, os resultados apontam: 76% - Conflito entre alunos; 63% - Consumo de drogas e álcool; 60% - Falta de funcionários; 45,6% - Pobreza generalizada. Sobre a sensação de segurança, a pesquisa apontou que: 39% dos professores acreditam que os alunos se sentem inseguros a ponto de deixar de ir para a aula; 29% responderam que os professores se sentem inseguros a ponto de deixar de lecionar. O resultado positivo da pesquisa, segundo a Apeoesp, é que, para 38,8% dos entrevistados, a violência diminuiu, com relação a 2005. Para 31,5% aumentou, 11,5% respondeu que permaneceu igual e 2,3% não soube avaliar. 22 Revista do Professor - SINPRO Sindicato dos Professores do ABC sindical O sobe-desce da sindicalização no Brasil Participação sindical cresceu entre mulheres e trabalhadores rurais, de 1995 a 2005, enquanto, no mesmo período, a situação masculina caminhou na contramão P esquisa* recente, realizada sob supervisão do economista Marcio Pochmann, analisou as variações dos índices de sindicalização no país nas últimas décadas. Segundo o estudo, entre os anos de 1992 e 2002, a taxa de sindicalização no Brasil caiu cerca de 18%. De acordo com a pesquisa, no período de 1995 a 1998 é registrada a maior queda na taxa nacional de sindicalização. Em 98, por exemplo, essa taxa foi de 1,8% menos que a do ano de 1995, “o que indicou o pior momento do associativismo dos trabalhadores ocupados em relação às entidades oficiais de representação”, conclui o documento. Nesses anos, para o aumento de 2,8 milhões de novos ocupados, somente 227,4 mil se tornaram novos associados. Ou seja, a cada 100 trabalhadores, apenas 8 se tornaram sindicalizados. A partir de 1999 acontece a recuperação da taxa nacional. Em 2005, o índice foi 15,7% superior a 98. Durante esses anos, “houve expansão de 13,7 milhões de novos ocupados acompanhada do adicional de 4,2 milhões de novos sindicalizados”, afirma o estudo. Com isso, a cada 100 novos trabalhadores, 31 se tornaram associados. Neoliberalismo Um fator que influenciou os números da sindicalização no Brasil foi a política neoliberal, adotada pelo governo na década de 90. No período entre 1989 e 1999, segundo Pochmann, os índices caíram significativamente. Aponta a pesquisa que “com a redução da filiação do conjunto dos ocupados sindicalizados em 42,5%, o sindicalismo foi perdendo a importância relativa que havia obtido na representação do conjunto dos interesses do mundo do trabalho”. Na análise, observa-se que, nessa década, houve um conjunto de políticas mais favoráveis à estabilização monetária e à liberalização e flexibilização do trabalho, como tentativa de socializar os riscos de produção e estimular tanto o investimento privado como o controle das finanças públicas. Nesse cenário, o Brasil registrou o pior desempenho em termos de evolução da taxa de sindicalização. Traçado um comparativo a outros 12 países pesquisados, o Brasil teve a maior queda do quadro de associados (-18%), seguido pelo Japão (-14,5%), Coréia do Sul (-9,6%), Taiwan (-8,5%), Suécia (-5,2%) e Estados Unidos (-5%). No sentido contrário, Cingapura foi o país que registrou a maior elevação na taxa de sindicalização (77,0%), seguida da China (29,8%), Turquia Revista do Professor - SINPRO Sindicato dos Professores do ABC (20,8%), Noruega (13,8%) e Finlândia. Entre 1992 e 2002, o Brasil vivenciou o avanço da privatização do setor produtivo estatal e da terceirização no interior do setor público, o que abalou uma das bases da sindicalização no país. Trecho da pesquisa dá conta de que, no setor privado, “o movimento de internacionalização de parcela significativa das atividades produtivas (estatais e privadas), acompanhado da mudança na composição do emprego, com o enxugamento da grande empresa e a expansão dos micro e pequenos negócios, tornou mais arriscada a estabilidade no emprego por conta do envolvimento dos ocupados com as ações sindicais. Não sem motivo, a maior flexibilização da legislação social e trabalhista no período terminou por favorecer o comportamento mais reativo de parte dos sindicatos”. Mesmo com esse quadro nacional, os reflexos foram sentidos de diferentes formas nas regiões brasileiras. Nos anos de 95 a 99, Nordeste e Norte apresentaram elevação na taxa (7,6% e 0,8%, respectivamente), enquanto as demais partes do país registraram queda dos índices: Sul, com baixa de 8,6%, seguida do Sudeste (-1,2%) e Centro-Oeste (- 0,8%). Mais mulheres e trabalhadores rurais “A ampliação da presença feminina no mercado de trabalho tem sido sucedida da maior adesão aos sindicatos”, aponta a pesquisa. Na década entre 1995 e 2005, houve avanço contínuo da taxa de sindicalização entre as mulheres, enquanto a situação masculina percorria caminho oposto. Os trabalhadores rurais também ocuparam mais espaço no quadro associativo, com expansão mais intensa a partir de 99. Dados da pesquisa indicam que os números da elevação são decorrentes dos “avanços obtidos pelos trabalhadores rurais após a aprovação da Constituição Federal de 1988, seja pela ação da previdência e assistência social, seja pela política agrícola e fundiária diferenciada às pequenas propriedades, com destaque especial ao Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar), cuja participação dos sindicatos tem sido uma realidade importante”. Para ler a íntegra da pesquisa, que aborda todo o contexto da sindicalização no Brasil no decorrer do século, acesse o site do SINPRO ABC www.sinpro-abc.org.br. * "SINDEEPRES 15 anos: A Sindicalização no Emprego Formal Terceirizado no Estado de São Paulo" - Pesquisa encomendada pelo SINDEEPRES – Sindicato dos Empregados em Empresas de Prestação de Serviços a Terceiros 23 cultura Guerreiros por Guerrero “Homens e Mulheres da nossa América” é tema de exposição de artista equatoriano, que retrata guerrilheiros do continente C arlos Marighella, Margarida Alves, Ernesto Che Guevara, Violeta Parra, Emiliano Zapata, Simon Bolívar, Túpac Amaru, Victor Jara, Camilo Torres, Raul Sendic entre outros guerreiros das Américas, foram retratados pelo artesão e ex-guerrilheiro Javier Horacio Guerrero Meza e comporão o tema da Agenda do Professor 2008, produzida pelo Sindicato dos Professores do ABC. O material da composição é simples, como pedras e cacos de louça quebrados, mas não diminuem a expressividade de cada retrato. Além de ilustrar a agenda, os mosaicos em preto e branco fazem parte da exposição "Os homens e mulheres da nossa América", lançada por Guerrero na semana de 1º de maio de 2007. Os personagens retratados são rebeldes que fizeram parte da história do continente americano e, de alguma forma, da vida do artesão. O equatoriano de Riobamba, residente no Brasil desde 1989, é neto do pintor José Enrique Guerrero Portilla, "El pintor de Quito", e busca inspirações para compor as obras em cenas do cotidiano e, segundo próprias palavras, em seu "Pedacito de América Andina". Elisandro Dalcin Javier apresenta as obras. Ao fundo, mosaicos de Victor Jara, Margarida Alves e Carlos Marighella 24 Revista do Professor - SINPRO Sindicato dos Professores do ABC Che Guevara Mães da Praça de Maio Camilo Torres Tupac Amaru II Raul Sendic Emiliano Zapata Violeta Parra Os guerreiros de Guerrero Para Javier Guerrero, o argentino Ernesto Che Guevara e o brasileiro Carlos Marighela são tidos como principais referências de vida e exemplos a serem seguidos. “Marighela e Guevara não são mitos, mas realidades no dia-a-dia, falo em realidade porque quero ser como eles e me esforço para isso. Os dois são uma presença constante na minha vida”. Em entrevista à Revista do Professor, Javier explica os motivos que o levaram a retratar esses personagens: “Por que Marighela? Porque Marighela é o melhor homem que este país pariu. Ele está no mesmo patamar do Che, mas, infelizmente, a esquerda faz questão de esquecê-lo. Bolívar, Camilo Torres, Micaela Bastidas, Eloy Alfaro são figuras amadas profundamente por mim”, conta Guerrero. Simón Bolívar aproximadamente 300 jovens - que criou a organização clandestina “Alfaro Vive Carajo”. O objetivo da AVC era reacender as ideologias do equatoriano Eloy Alfaro já que, segundo o artesão, a revolução iniciada pelo compatriota, um século antes, havia ficado incompleta. No final dos anos 80, o grupo alfarrista de Javier foi destruído. Em 88, Javier ficou preso por quatro meses. “Depois do presídio nunca mais a minha vida voltou a ser normal, eu não encontrava emprego. Me sentia órfão, porque vivia pela organização”, revela. No ano seguinte, Javier Guerrero veio morar no Brasil e militou no PT, mas ficou decepcionado com algumas atitudes de membros do partido e adotou a prática anarquista. Hoje, se dedica ao artesanato e dá cursos em presídios no sul do país. Militância Na década de 80, Javier fez parte do grupo - com Revista do Professor - SINPRO Sindicato dos Professores do ABC Com informações do jornal Brasil de Fato 25 nacional A Vale de volta População participa de plebiscito para anular a privatização da Companhia Vale do Rio Doce e responde: “A Vale deve continuar nas mãos do capital privado?” V ocê venderia a sua casa que custa, em simulação, R$ 900 mil, por apenas R$ 30 mil? A idéia pode parecer absurda, mas foi o que aconteceu com a Companhia Vale do Rio Doce. Entenda o caso: Em maio de 1997, durante o governo Fernando Henrique Cardoso, a mineradora Vale do Rio Doce foi a leilão. Na época, a maior parte das ações foi “vendida” (ou “doada”) por pouco mais de R$ 3 bilhões, quando, segundo especialistas, o valor de mercado superava os R$ 90 bi. O Comitê Nacional da Campanha pela Vale aponta como outra irregularidade a participação indireta do banco Bradesco no leilão: “Ele não podia participar porque esteve presente no processo de avaliação da empresa. O banco já possuía 17,9% do capital votante da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) que, por sua vez, montou o consórcio comprador da maior fatia das ações da Valepar (o atual controlador acionário da Vale). Uma verdadeira negociata!”, denuncia o site do Comitê. Com base nessas falcatruas, mais de 100 ações populares questionaram, na Justiça, a venda da empresa e pediram a nulidade do leilão. No final de 2005, o Tribunal Regional Federal de Brasília determinou que mais de 60 dessas ações deveriam ser julgadas. Nos processos, são citados como réus o ex-presidente do Brasil, Fernando Henrique Cardoso, a União, o BNDES, entre outros. Em outubro de 2005, a desembargadora federal, Selene Maria de Almeida, ingressou na Justiça com ação solicitando a anulação do leilão. A partir daí, com apoio judicial, os movimentos sociais, populares e sindicais deram continuidade à luta para anular a venda da mineradora. Por que reestatizar? Em 28 de setembro de 2007, a Vale, pela primeira vez na história, ultrapassou o valor de mercado da Petrobrás e se tornou a maior empresa brasileira, com valor de R$ 286,62 bi, enquanto a petrolífera valia R$ 285,33 bi. Outras informações divulgadas recentemente comprovam que a Vale do Rio Doce passou o lucro Petrobrás, considerada a maior empresa brasileira, e, em julho deste ano, se tornou a empresa com a ação mais negociada da América Latina. Além disso, atua em 14 estados do país, tem 9 mil quilômetros de estrada de ferro, está presente em cinco continentes e é proprietária de 10 portos. Na Vale, riquezas que são encontradas somente em solo brasileiro são exportadas para o mundo todo, como, por exemplo, nióbio, urânio, ouro e manganês. Solo brasileiro, riquezas brasileiras e o lucro brasileiro? Não. O lucro vai diretamente para o capital estrangeiro, que enriquece polpudas cifras, enquanto o povo "chupa o dedo". Motivos não faltam para que o povo lute pela devolução desse patrimônio a quem é de direito: os brasileiros. O povo fala Na primeira semana de setembro de 2007, a população pôde manifestar opinião no plebiscito popular, organizado e apoiado por pastorais e movimentos sociais como MST, Movimento de Pequenos Agricultores, Marcha Mundial de O que é ação popular? Todo eleitor, em dia com a Justiça eleitoral, pode ingressar com ação popular. Segundo a Constituição Federal, artigo 5º, LXXIII, "qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular que vise a anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural, ficando o autor, salvo comprovada má-fé, isento de custas judiciais e do ônus da sucumbência". A ação popular proporciona ao brasileiro (ou estrangeiro em situação regular) o direito de exercer a cidadania, agindo como fiscal de dirigentes, servidores ou representantes públicos. 26 Revista do Professor - SINPRO Sindicato dos Professores do ABC Mulheres, Central de Movimentos Populares, Central Única dos Trabalhadores, Grito dos Excluídos, Conlutas e Coordenação dos Movimentos Sociais. O Sindicato dos Professores do ABC, que também apóia a volta da Vale como estatal, também participou da votação com urna na sede da entidade. Documento publicado pela CUT, assinado pelo secretário geral, Quintino Severo, e pelo tesoureiro, Antonio Carlos Spis, ressalta a bandeira pela retomada do patrimônio público: "Nossas lutas e posições históricas contra as privatizações das empresas estatais e pelo fortalecimento dos instrumentos estatais de promoção e financiamento do desenvolvimento". Aponta, ainda, que “nesta luta pela defesa da soberania nacional e dos interesses do povo brasileiro, conseguimos que o Tribunal Regional Federal, em Brasília, acatasse a nulidade da avaliação do valor da venda da Vale (...) A ação judicial é um elemento que revigora a campanha para reverter o assalto e anular o leilão da maior produtora e exportadora de minério de ferro do mundo, essencial para o desenvolvimento nacional (...) É um grande desafio enfrentar e derrotar os interesses econômicos, a manipulação e o silêncio erguidos por amplos setores da mídia e das forças conservadoras. Cabe aos companheiros e companheiras da Central Única dos Trabalhadores somarem força e consciência nesta campanha do plebiscito, organizando-o nos locais de trabalho e nas ruas, esclarecendo e debatendo com toda a população e buscar o maior número possível de votos". Resultados A população foi às urnas e respondeu: “Em 1997, a Companhia Vale do Rio Doce – patrimônio construído pelo povo brasileiro – foi fraudulentamente privatizada. Ação que o governo e o Poder Judiciário podem anular. A Vale deve continuar nas mãos do capital privado?”. Ao todo, foram registrados mais de 3,7 milhões de votos, sendo que 96% (dos votos válidos) com a opção NÃO. O relatório com o resultado final do plebiscito foi divulgado no dia 8 de outubro. Dois dias depois, o Comitê Nacional das entidades organizadoras do plebiscito (foto abaixo), composto por Julio Turra (diretor Executivo da CUT), Lúcia Stumpf (presidente da UNE), membros do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e da Rede Jubileu Sul, foi recebido, em Brasília, pelo secretário nacional de Articulação Social, Antônio Roberto Lambertucci, que representou o ministro Luiz Dulci, da Secretaria Geral da Presidência da República. Após a conversa com os membros do Comitê, Lambertucci se comprometeu a entregar o documento ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O presidente da Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia, também se reuniu com os representantes do Comitê, juntamente com a ex-deputada do Paraná, Dra. Clair, autora de uma ação popular contra a privatização da mineradora. "Os resultados do plebiscito popular 'A Vale é Nossa' são extremamente positivos e até surpreendentes, levandose em conta que a preparação teve tempo bem menor, se comparado com consultas anteriores sobre a Dívida Externa (2000) e a Alca (2002)”, avalia Julio Turra. “Houve uma divisão entre as entidades organizadoras sobre que perguntas formular (alguns setores trabalharam com 4 ou 5 questões diferentes), além do boicote da mídia. Ainda assim, 3.729.538 pessoas votaram na questão da Vale (quase 1 milhão a mais do que nas outras questões), com mais de 3,5 milhões de votos pela retomada para a nação”, conta Turra. Sobre a participação da Central Única dos Trabalhadores e dos sindicatos associados, entre eles o SINPRO ABC, Julio Turra comenta: “Além da Central, outras 64 entidades participaram do plebiscito. Do total de votos, a CUT centralizou 908 mil (96% pelo Não) o que constituiu uma parcela muito importante, cerca de 1/4 do total de votos recolhidos em todo o Brasil". Salu Parente/Ag. Câmara Revista do Professor - SINPRO Sindicato dos Professores do ABC 27 artigo Implementação de coleta seletiva em escolas Por Pedro Marcio Munhoz* Porque reciclar? A reciclagem dos resíduos sólidos é uma alternativa viável para propiciar a preservação de recursos naturais, a economia de energia, a redução de área que demanda dos aterros sanitários, a geração de emprego e renda, assim como a conscientização da população para questões ambientais (O´leary et al., 1999 apud SIMONETTO e BORENSTEIN, 2006). Assim, é de vital importância que se implante um sistema de coleta seletiva nas escolas, industrias etc, no qual os recicláveis sejam separados antecipadamente. Nas escolas, muitos professores motivados a preservar o meio ambiente, iniciam um projeto de implantação de coleta seletiva, porém, como não são especialistas na área ambiental, não atingem os objetivos e o projeto é abandonado. Para que um projeto de coleta seletiva seja adequadamente implantado em uma escola, deve-se, em primeiro lugar, verificar que fator está motivando a escola a executar essa tarefa. GARCIA, sd, afirma que os fatores são: · econômicos, · ambientais e · sociais Se o responsável pela implantação da coleta seletiva na escola identifica que a motivação para implantação é econômica, este deve segregar os resíduos recicláveis de modo a obter um maior lucro na venda desses resíduos, por exemplo, o responsável pela segregação dos resíduos recicláveis não deve apenas separar o papel dos demais resíduos, mas, também, deve separar o papel branco do papel colorido e do papelão, pois, esses têm valores diferenciados da venda. Para se executar uma segregação adequada dos resíduos, é necessário conhecer, algumas características dos resíduos recicláveis serão fornecidas neste artigo. Os principais materiais recicláveis Para implementar um processo de coleta seletiva há necessidade, preliminarmente, de conhecer, pelo menos de forma resumida, quais os materiais mais comuns que podem ser reciclados dentro de uma escola (GARCIA, sd). qMetais Deve-se evitar a mistura de vários tipos de metais dentro do coletor, pois, pode-se formar pilhas eletroquímicas 28 que aceleram o processo de corrosão dos metais e, em alguns casos, dificultam o uso para funções nobres. Contaminação com matéria orgânica, excesso de umidade, plásticos, vidros e areias dificultam sua recuperação, assim uma lavagem antes do descarte deve ser recomendada. As tintas de estamparia de embalagem são destruídas nos fornos de fundição durante o reprocessamento e, portanto, não atrapalham a reciclagem, os coletores devem ter a cor amarela (GARCIA, sd). qPlásticos Algumas resinas são de fácil identificação visual, mas, na maioria das vezes, a seleção de plásticos é feita através de símbolos padronizados adotados pelos fabricantes. Os principais contaminantes dos plásticos são gorduras, restos orgânicos, alças metálicas e etiquetas. Impurezas desse tipo reduzem o preço de venda e exigem maior cuidado na lavagem antes do reprocessamento, os coletores devem ter a cor vermelha (GARCIA, sd). qPapel O produto de maior valor no mercado é aquele que segue a especificação de matéria prima. Essas especificações excluem ou limitam a presença de fibra de madeira e papel colorido. Não podem conter metais, vidros, cordas, pedras, areia, clips, elásticos e outros materiais que dificultam o reprocessamento do papel usado. Tecnologias de limpeza do papel permitem que sejam utilizados papéis plastificados e contaminados com gordura. O papel não pode ser reciclado indefinidamente, pois as fibras celulósicas quebram cada vez que o papel é reciclado, delimitando assim, em sete ciclos de reciclagem. Os coletores de papel devem ter a cor azul (GARCIA, sd). qVidro Os vidros encaminhados para reciclagem não podem conter pedaços de cristais, espelhos, lâmpadas e vidro plano usados em automóveis e construção civil. Por terem composição química diferente, esses vidros causam trincas e defeitos nas embalagens. No entanto, algumas indústrias de vidro incorporam percentuais de vidro plano na produção de vidros para embalagens. Os cacos não devem estar misturados com terra, cerâmicas e louças: como esses materiais não são fundidos com o vidro, acabam formando pedras no produto final, provocando sua quebra espontânea. Plásticos em excesso podem gerar bolhas durante o reprocessamento e alterar a cor Revista do Professor - SINPRO Sindicato dos Professores do ABC da embalagem de vidro, o mesmo problema se verifica quando há contaminação por metais. Portanto, as tampas plásticas e metálicas devem ser segregadas nos coletores de plásticos e de metais respectivamente. O coletor de vidro dever ter a cor verde (GARCIA, sd). qÓleos lubrificantes, solventes, Lâmpadas fluorescentes, pilhas e baterias Esses resíduos não devem ser segregados com os demais resíduos recicláveis, pois são considerados perigosos e devem ser destinados conforme normas estabelecidas. Os recipientes de coletas desses resíduos devem ter a cor laranja. Projeto de coleta seletiva de resíduos recicláveis Muitos dos projetos de coleta seletiva nas escolas são abandonados, ou não funcionam devido a falta de planejamento. A seguir será dada uma sugestão de planejamento para a implementação de um projeto de coleta seletiva em uma escola. Para obter sucesso na implementação de um projeto de coleta seletiva é necessário que se desenvolva um estudo detalhado de diversas fases do projeto e, durante a implementação, devem ser considerados fatores ambientais, econômicos e sociais, não esquecendo das exigências legais, fatores que darão sustentabilidade ao projeto (GARCIA, sd). Para identificar se um projeto ambiental terá uma resposta positiva, devemos observar dois aspectos: · É possível quantificar a melhoria? e · Respeita normas e legislação? O quadro abaixo apresenta uma sugestão sobre as principais ações que devem ser tomadas nas fases de desenvolvimento do projeto de coleta seletiva. De forma simplificada, o processo de implementação pode ser separado em quatro etapas, que segundo GARCIA, sd, são: 1.O conhecimento da situação; 2.A definição do projeto de implementação; 3.A implementação do projeto e 4.o monitoramento O responsável em planejar, deve definir indicadores e metas para a coleta seletiva em uma escola. Se implementar a coleta seletiva com planejamento, terá uma probabilidade maior de ver o projeto permanecer funcionado por tempo indeterminado, melhorando assim o meio ambiente por um tempo indeterminado, e evitando a decepção dos alunos em relação a um projeto ambiental que veio a fracassar por falta de planejamento. Agora, mãos à obra e bom trabalho! O meio ambiente merece! *Pedro Marcio Munhoz é Professor da Faculdade SENAI de Tecnologia Ambiental, engenheiro químico com mestrado em tratamento de efluentes e atuante na área de educação Fase 1: Diagnóstico da situação O professor deve verificar a situação da escola antes da implantação do projeto, para executar a verificação, sugere-se que obtenha a resposta para as perguntas:Quais são os tipos de resíduos sólidos gerados? Quais são os pontos de geração? Onde os resíduos recicláveis serão armazenados? Qual tratamento será dado aos resíduos não recicláveis? Qual o custo do projeto? Qual a quantidade de resíduos? Como será feita a destinação final? A entidade que comprará os resíduos tem um compromisso com o meio-ambiente? Fase 2: Planejamento O professor deve definir objetivos, indicadores e metas. Para definir isso, procure responder as seguintes perguntas:· Atende a legislação? Como está o mercado de recicláveis? É possível fazer algum tipo de parceria? Alguém já fez isso antes? Quanto resíduo é gerado para cada aluno? Com que freqüência esses resíduos são gerados? Qual objetivo quer-se atingir? Como será feito para atingir o objetivo pré-estabelecido? Fase 3: Implementação O professor deve iniciar o processo de execução. Para isso, deve responder as seguintes perguntas: Qual metodologia será utilizada? Quais são os responsáveis? Fase 4: Monitoramento O professor deve verificar se o projeto de coleta seletiva levará a escola a atingir os objetivos e metas pré-estabelecidos. Essa verificação deve ser feita e registrada por meio de: Avaliação de indicadores através de documentos de controle e relatórios de acompanhamento. Referências Bibliográficas CANTO, Eduardo Leite. Plástico: Bem Supérfluo ou Mal Necessário? Editora Moderna São Paulo, p79, 1995 GARCIA, Ricardo Lopes. Coleta Seletiva e Reciclagem de Excedentes Industriais Federação e Centro das Indústrias do Estado de São Paulo SIMONETTO, Eugênio de Oliveira; BORENSTEIN, Denis. Operational management of solid waste selective collection: an approach using decision support system. Gest. Prod. , São Carlos, v. 13, n. 3, 2006 . Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-530X2006000300008&lng=en&nrm=iso>. Acesso em: 25 Aug 2007 O'LEARY, P. R. et al.. Decision Maker's Guide to Solid Waste Management. v. 2. Washington DC: U.S. Environmental Protection Agency, 1999. CEMPRE em http://www.ambientebrasil.com.br/composer.php3?base=residuos/index.php3&conteudo=./residuos/reciclagem/pet.html acessado em: 21 Aug 2007 Revista do Professor - SINPRO Sindicato dos Professores do ABC 29 educação De olho no ProUni Cursos que recebem bolsistas do ProUni são avaliados como insatisfatórios em prova do Enade U m alerta aos bolsistas do Programa Universidade para Todos, o ProUni: Cursos com desempenho insatisfatório no Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes, o Enade, oferecem bolsas no programa. As instituições que recebem os bolsistas ficam isentas de impostos, que, segundo estimativas, somariam R$ 126 milhões, este ano. Recente levantamento realizado pelo jornal O Estado de São Paulo mostra que “462 dos 923 cursos com as notas mais baixas do exame estão oferecendo bolsas via ProUni para o segundo semestre de 2007”. Tais cursos são avaliados desde o extinto Provão e sempre foram reprovados. No balanço, a previsão era de que seriam concedidas 1.110 bolsas em 87 cursos jamais aprovados em ambas as avaliações. No total, os cursos mal avaliados atingem 8% dos 5,8 mil oferecidos no primeiro semestre deste ano. De acordo com a lei nº 11.906, de 13 de janeiro de 2005, “o Ministério da Educação desvinculará do ProUni o curso considerado insuficiente, sem prejuízo do estudante já matriculado, segundo os critérios de desempenho do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior – SINAES -, por 3 (três) avaliações consecutivas”. Como os resultados dessas avaliações serão divulgados apenas em 2009, fica o alerta para que os atuais e futuros universitários busquem informações sobre o curso e instituição em que pretendem estudar ou já estão matriculados. Os interessados em saber mais sobre o desempenho das universidades no mais recente exame do Enade podem acessar www.inep.gov.br e conferir o resultado completo. O ProUni O Programa Universidade para Todos tem como objetivo conceder bolsas de estudos integrais e parciais a estudantes de baixa renda, em cursos que vão da graduação à especialização, em instituições privadas de educação de nível superior. O governo oferece, em contrapartida, a isenção de alguns tributos às instituições que aderirem ao programa. Segundo o site oficial do ProUni, no primeiro processo seletivo foram oferecidas 112 mil bolsas em 1.142 instituições de ensino superior de todo o país e, para os próximos quatro anos, o programa deverá oferecer 400 mil novas bolsas de estudos. Mas, para isso, o SINPRO ABC acredita que o Ministério da Educação deva avaliar quais instituições possam continuar como beneficiárias da isenção tributária. O MEC precisa se ater à qualidade de ensino oferecida pelas faculdades para que os bolsistas não sejam prejudicados pelo nível insatisfatório já comprovado pelo Enade. O que diz a legislação? Lei nº 11.906, de 13 de janeiro de 2005 (...) Art. 7o As obrigações a serem cumpridas pela instituição de ensino superior serão previstas no termo de adesão ao ProUni, no qual deverão constar as seguintes cláusulas necessárias: § 4o O Ministério da Educação desvinculará do ProUni o curso considerado insuficiente, sem prejuízo do estudante já matriculado, segundo os critérios de desempenho do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior - SINAES, por 3 (três) avaliações consecutivas, situação em que as bolsas de estudo do curso desvinculado, nos processos seletivos seguintes, deverão ser redistribuídas proporcionalmente pelos demais cursos da instituição, respeitado o disposto no art. 5o desta Lei. (...) 30 Revista do Professor - SINPRO Sindicato dos Professores do ABC sala de aula Publicado livro que narra quase 100 anos da História de Cuba Por Cibele Vieira Machado* Foto: Israel Barbosa N os últimos anos, a imprensa brasileira e os trabalhos acadêmicos não têm poupado munição para atacar intermitentemente Fidel Castro, a Revolução Cubana e suas conquistas. A informação que nos chega diariamente via jornais, televisão, revistas e teses defendidas nas universidades, sempre objetiva pintar, para Cuba, um cenário pouco pior do que o do inferno no imaginário medieval. Cada artigo que lemos pode ser tranqüilamente ilustrado com uma figura do Presidente cubano com rabo e chifres, empurrando para o fogo eterno os pobres pecadores desertados do Regime. Muito se fala sobre Cuba, muito se escreve sobre Cuba, muito se condena e se exalta Cuba, mas muito, muito poucos se dedicam a estudar a fundo a História de Cuba. Na contramão dessa tendência, A Revolução Cubana e a Questão Nacional (1868-1963), tese de Doutorado defendida no Departamento de História Econômica da USP e lançado em livro neste agosto de 2007, traz ao leitor um estudo profundo e apaixonado dos principais acontecimentos históricos que marcaram a Ilha por quase 100 anos anteriores à Revolução. Com riqueza de detalhes são narrados no livro fatos ignorados pelo grande público, tais como a Primeira e a Segunda Guerras de Independência, as constantes intervenções militares e políticas dos EUA, a contradição crescente entre a burguesia açucareira - tão subserviente ao capital estrangeiro - e os trabalhadores cubanos - tão ávidos por liberdade. Além da abundância de informação sobre a História da Ilha, algo difícil de se encontrar na bibliografia até hoje publicada no Brasil, outro elemento que torna o livro precioso para o leitor comum é a forma como o historiador relaciona os principais episódios históricos de Cuba com a trajetória de vários de seus heróis. Impossível não se emocionar com a tenacidade do poeta José Martí que, apesar do corpo franzino, fez questão de lutar no campo de batalha da Segunda Guerra de Independência; ou com a morte de Antonio Guiteras, assassinado após uma covarde delação; ou ainda com os sempre eloqüentes discursos de Fidel Castro e sua brava atuação frente ao grupo de guerrilheiros que até hoje encanta os jovens revolucionários de toda a América Latina. No livro, que pode ser comparado a um verdadeiro poema épico, o herói individualizado aos poucos cede lugar ao povo cubano que, em Playa Girón e nas Brigadas de Alfabetização se transforma, Revista do Professor - SINPRO Sindicato dos Professores do ABC Professor José Rodrigues Máo Junior, autor do livro como um todo, no maior e mais honrado herói de sua pátria. Ao contrário de outras teses aprovadas pela academia, que tanto se orgulham de cultivar uma linguagem hermética, para não dizer pedante, o autor de A Revolução Cubana e a Questão Nacional (1868-1963) busca o entendimento do leitor e sai vitorioso de seu intento. Com exceção do primeiro capítulo, no qual é apresentado um panorama das diferentes posições sobre a questão nacional entre os marxistas, o restante do livro é de fácil leitura para o grande público, pois possui ritmo e fluência elogiáveis. Pela coragem de se colocar ao lado de Cuba - e não de Miami - neste momento crucial da História da Ilha, pela riqueza de detalhes, pela profundidade da pesquisa e pela linguagem elaborada, porém acessível, o livro A Revolução Cubana e a Questão Nacional (1868-1963), sem dúvida, é obra de leitura obrigatória para todos os que se interessem por aquela fascinante Ilha do Caribe. *Cibele Vieira Machado é professora de português e francês, licenciada em Letras pela USP Título: A Revolução Cubana e a Questão Nacional (18681963) Autor: José Rodrigues Máo Júnior Editor: Núcleo de Estudos d’O Capital Número de páginas: 406 Preço: R$29,90 Vendas pelo site: www.mamadeiramolotov.com 31 saúde Aquecimento Global... Corpo, movimento e saúde Para esclarecer dúvidas sobre saúde do professor ou enviar sugestões, escreva para [email protected]. br, aos cuidados do professor Wilson Kraciunas Por Wilson Kraciunas* Vamos começar pedindo que você faça um pequeno teste para perceber algumas transformações que ocorrem no corpo: Feche sua mão e aperte como se estivesse tentando esmagar algo. Conte lentamente até trinta, mantendo sua mão fechada e apertando. Agora, pare de apertar e lentamente tente abrir sua mão. "Se você fez corretamente teve dificuldade em abrir sua mão". Isso acontece pela permanência em contração dos músculos responsáveis por fechar a mão, localizados na parte anterior do antebraço, punho e mão. A permanência na mesma posição e/ou movimentos repetitivos diários, não só na mão, mas em qualquer parte do corpo, pode causar, com o decorrer do tempo, processos inflamatórios caracterizados pela dor, desconforto e dificuldade de movimentação que serão variáveis de acordo com a intensidade e tempo de permanência do esforço. Voltando ao exemplo prático, imagine a situação de um digitador, de um dentista na apreensão do objeto de trabalho, etc. Vamos ao assunto Neste artigo falaremos das tensões nos ombros e pescoço. Aulas, planejamento, provas, recuperação, indisciplina, atividades extraclasse, atendimento aos pais, atualização profissional, duzentos dias letivos, preenchimento de papéis e o acúmulo de responsabilidades é tão grande que o professor duplica a jornada de trabalho com as tarefas que realiza em casa. Para complicar, patrões se negam a remunerar horasextras e/ou aumentar o percentual de hora atividade. E, para completar, o medo que temos, como todo brasileiro, de perder nosso emprego nos faz "engolir" tudo isso. É professor. Vida Dura !!!! Com esse nível de tensão é impossível não se sobrecarregar. Normalmente descarregamos essas tensões contraindo os ombros e o pescoço. Dali a pouco, até a cabeça dói. Toda tensão parece se materializar e "colar" na coluna cervical (pescoço). A postura errada também contribui. Os músculos, como vimos na introdução, são as primeiras vítimas. Se você não percebe ou não faz nada para amenizar essa tensão na musculatura, fatalmente poderá se transformar num processo inflamatório caracterizado pela dor. Pior, a tensão nessa região pode comprimir nervos e irradiar a dor para o trajeto que esses nervos percorrem. O alongamento muscular é a melhor maneira de 32 prevenir esse processo. A percepção do início do processo e a conscientização corporal são fatores que também contribuem para tentar relaxar a musculatura. Uma postura esquisita ou mesmo o nervosismo do dia-a-dia podem contrair demais a musculatura. Ela, então, comprime os nervos, que pedem socorro ao cérebro: é a dor. Se a postura ou tensão por nervosismo é constante as vértebras mal posicionadas facilitam o deslocamento de amortecedores existentes entre elas - os discos. Esse escape é a famosa hérnia, que comprime ainda mais os nervos causando dor no seu trajeto. Veja abaixo alguns exercícios de alongamento para a região estudada que podem ser utilizados preventivamente. Mas, cuidado! Caso o alongamento provoque dores tão fortes que impeçam a realização do exercício, está na hora de procurar um médico. Permaneça na posição de alongamento durante 30 segundos aproximadamente. 1- Sente-se ou permaneça em pé, com seu braço esquerdo flexionado por trás de suas costas. 2- Agarre o cotovelo por trás com a mão oposta e puxe seu cotovelo em direção ao meio de suas costas. 3- Expire e incline sua cabeça lateralmente na direção do ombro direito. 4- Segure o alongamento e relaxe. 5- Você deve sentir o alongamento na parte lateral do pescoço. 6- Faça o exercício do outro lado Nota: Se não estiver apto a segurar o cotovelo (não alcançar) segure e puxe pelo antebraço ou punho. ...uma questão para ser pautada! Revista do Professor - SINPRO Sindicato dos Professores do ABC Variação do primeiro exercício, retirando-se a inclinação lateral do seu pescoço. 1- Sente-se ou permaneça de pé. 2- Coloque sua mão esquerda no lado direito superior de sua cabeça. 3- Expire e lentamente puxe o lado esquerdo de sua cabeça para seu ombro esquerdo. 4- Segure o alongamento e relaxe. 5- Você deve sentir o alongamento na parte lateral do pescoço. 6- Faça o exercício do outro lado. 1- Deite no solo com ambos os joelhos flexionados. 2- Segure com as duas mãos a parte de trás da cabeça. 3- Expire e puxe sua cabeça na direção do tórax mantendo os ombros no chão. 4- Segure o alongamento e relaxe. 5- Você deve sentir o alongamento na região posterior do pescoço. Nota: O mesmo exercício (anterior) pode ser feito em pé. No entanto, ao sair da posição de alongamento, suba a cabeça lentamente. 1- Sente-se ou permaneça de pé com um braço erguido até a altura do ombro. 2- Flexione seu braço sobre o ombro oposto. 3- Agarre seu cotovelo erguido com a mão oposta. 4- Expire e puxe seu cotovelo em direção às costas. 5- Segure o alongamento e relaxe. 6- Você deve sentir o alongamento na região lateral e posterior do ombro. 7- Faça o exercício do outro lado. Revista do Professor - SINPRO Sindicato dos Professores do ABC 1- Gire o pescoço, mas atenção, muito lentamente. 2- Tanto para um lado como para o outro. A quantidade de repetições dependerá de sua disponibilidade. Recomenda-se 3 repetições de cada exercício. * Professor Wilson Kraciunas Secretaria de Assuntos Culturais, Educacionais, Mulher e Saúde do Trabalhador do SINPRO ABC 33 34 Revista do Professor - SINPRO Sindicato dos Professores do ABC SINDICATO DOS PROFESSROES DO ABC Revista do Professor - SINPRO Sindicato dos Professores do ABC 35 Rede credenciada em todo Brasil Sócios do SINPRO ABC têm descontos de 10% até 30% Atibaia - SP Bal. Camboriú - SC Búzios - RJ Águas de Lindóia - SP Foz de Iguaçu - PR 36 Santo Antonio do Pinhal - SP Natal - RN Centrais de reservas e atendimentos: (11) 4330-8996 - São Bernardo do Campo (11) 4125-0480 - Santo André - (11) 5595-8645 - São Paulo Centrais online: [email protected] ou [email protected] Na internet: www.sisnatucard.com.br Revista do Professor - SINPRO Sindicato dos Professores do ABC Horário de atendimento: segunda a quinta-feira das 9h até às 18h